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Origens do conflito entre Israel e a Palestina

9.01.2006

AS ORIGENS DO CONFLITO ENTRE ISRAEL E A PALESTINA

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The Origin of the Palestine-Israel Conflict,
colhido junto da organização de judeus Norte Americanos
Publicado pela organização :

Continuando a perda de vidas no Médio Oriente, achamos que a procura de uma solução justa tem de passar pela compreensão das origens do conflito. Dir-nos-á a sabedoria convencional, embora ambos os lados cometam erros, que os Palestinos são “terroristas” irracionais, a cujo ponto de vista não vale a pena dar ouvidos.
No entanto, a nossa posição é a de que os Palestinos têm uma razão de queixa real: aquela que foi a sua pátria por mais de mil anos foi-lhes arrancada contra a sua vontade, predominantemente pela força, durante a criação do Estado de Israel. E todos os crimes subsequentes – cometidos por ambos os lados – derivaram inevitavelmente dessa injustiça inicial.

Este trabalho traça o perfil da história da Palestina para demonstrar como teve lugar este processo e qual seria o tipo de solução adequada para este problema moral.
Se o leitor se preocupa de facto com os povos do Médio Oriente, sejam árabes ou judeus, deve a si mesmo a leitura deste relato, que é uma visão do outro lado dos acontecimentos históricos.

Introdução

A posição sionista habitual é de que os judeus apareceram na Palestina nos fins do sec. XIX, reclamando a posse da sua pátria ancestral.
Os Judeus compraram terra e começaram a construir a comunidade Judia naquele local. Enfrentaram uma oposição cada vez mais violenta dos árabes palestinos, que teria derivado dum anti-semitismo inato da parte destes.
Os sionistas viram-se forçados a defender-se e, duma maneira geral, é essa a situação até aos dias de hoje.

O problema desta visão das coisas é de que, pura e simplesmente, não corresponde à verdade, tal como iremos documentar mais adiante.

O que aconteceu de facto é que o movimento sionista, desde o início, teve o intuito de desapossar totalmente os árabes originários, de modo a garantir que Israel pudesse ser um estado totalmente judeu, ou tão próximo disso quanto possível.
A terra adquirida pelo Fundo Nacional Judaico foi registada em nome do povo judaico com a disposição de que jamais poderia ser vendida ou de qualquer forma cedida a árabes (situação que é mantida até ao presente).

A comunidade árabe, à medida que se foi apercebendo das intenções judaicas, cada vez mais se opôs ao aumento da imigração de judeus e à compra de terras por parte destes, dado que isso colocava um perigo real e iminente à própria existência da sociedade árabe na Palestina. Devido a esta oposição, nunca teria sido possível levar por diante o projecto sionista como um todo, sem o apoio militar britânico.
A vasta maoiria da população da Palestina tinha sido de origem árabe, não obstante, desde o sec VII (isto é, durante mais de 1.200 anos).
Em resumo, o sionismo baseou-se numa concepção errada do mundo, colonialista no sentido em que não considerava os direitos da população pré-existente.

A oposição árabe ao sionismo não se baseou em nenhuma forma de anti-semitismo, mas essencialmente no receio totalmente razoável de usurpação do seu próprio território.
Devemos esclarecer, além do mais, na nossa qualidade de judeus que as posições que aqui defendemos representam UMA CRÍTICA AO SIONISMO e de modo nenhum UMA POSIÇÃO ANTI-SEMITA.

Não cremos que os judeus tenham actuado pior do que qualquer outro grupo nas mesmas circunstâncias.
Os SIONISTAS (que eram uma minoria especial de judeus até depois da 2ª Guerra Mundial) tinham a compreensível aspiração de estabelecer um local onde os judeus pudessem ser donos do seu próprio destino, dada a negra história das perseguições anti-semitas.
Especialmente depois do perigo que o fim dos anos trinta, e seguintes, constituiu para os judeus residentes na Europa, as diligências empreendidas pelos sionistas foram ditadas por autêntico desespero.

ANTIGUIDADE

Antes da chegada dos Hebreus , cerca de 1800 AC, a terra de Canaan era ocupada pelos canaanitas.

“…Entre os anos 3.000 e 1.100 AC a civilização canaanita ocupou aquilo que é hoje Israel, a Cisjordânia, o Líbano e a maior parte da Siria e da Jordânia.
Aqueles que permaneceram nas colinas de Jerusalem (depois dos romanos terem expulsado os judeus no 2º século AC ) eram uma mescla de povos: agricultores e vinhateiros, pagãos e convertidos ao Cristianismo, descendentes de árabes, persas, samaritanos, gregos e velhas tribus canaanitas”.
In: “Their Promised Land”, Marcia Kunstel e Joseph Albright.

Ascendência ancestral dos actuais “palestinos”

“…todos estes povos diversos vindos para a terra de Canaan eram acrescentos, enxertos da árvore mãe… e essa era a árvore canaanita. Os árabes invasores do sec. VII fizeram dos nativos muçulmanos convertidos, e com eles foram casando, com o resultado de que hoje se encontram de tal modo arabizados que é impossível dizer onde acabam os antigos canaanitas e começam os mais recentes árabes”.
In: “Árabes e Judeus na Antiga Terra de Canaan”, Illene Beatty.

Os reinados judaicos foram apenas um de muitos períodos da antiga Palestina

Os extensos reinados de David e Salomão, nos quais os sionistas basearam as suas pretensões territoriais, resistiram apenas 73 anos… tendo-se desagregado logo depois…
(mesmo) se considerarmos de independência todo o período de vida dos antigos reinados judaicos, desde a conquista de Canaan por David em 1.000 AC até à expulsão de Judá em 585 AC, conclui-se que foi apenas de 414 anos o predomínio dos judeus…”;
In: “Árabes e Judeus na Antiga Terra de Canaan”, Illene Beatty.

Ainda a respeito da civilização canaanita recentes escavações arqueológicas forneceram provas de que Jerusalém já era uma grande cidade fortificada em 1.800 AC.
Os achados revelam que a existência prévia de um elaborado sistema de canalização de águas, até ao presente atribuído aos conquistadores israelitas, era anterior a eles cerca de oito séculos e era ainda mais elaborado do que se supunha.
O Dr. Ronny Reich que dirigiu as escavações, bem como Eli Shuicrun, disse que a totalidade do sistema tinha tido a concepção global dos canaanitas do período intermédio da Idade do Bronze, cerca de 1.800 AC.”
In: “The Jewish Bulletin”, 31 de Julho de 1998.

Por quanto tempo foi a Palestina território árabe?

“…A Palestina tornou-se um território predominantemente árabe e islâmico por alturas do fim do século sétimo.
Quase imediatamente depois as suas fronteiras e as suas características – incluindo o seu nome em árabe “Filistina” – tornaram-se conhecidos de todo mundo islâmico, tanto devido à sua fertilidade e beleza quanto ao seu significado religioso.
Em 1516 a Palestina tornou-se uma província do Império Otomano, mas isso não diminuiu em nada a fertilidade das suas terras, ou a condição árabe ou islâmica dos seus habitantes, sessenta por cento dos quais se dedicava à agricultura, encontrando-se no geral divididos entre habitantes de localidades e pequenos grupos nómadas.
Todos porém se consideravam pertencer à Palestina, muito embora fizessem parte integrante da grande nação Árabe.
Apesar da chegada regular à Palestina de colonos judeus depois de 1882, é importante notar-se que nunca tinha havido ali, até poucas semanas antes da constituição de Israel na primavera de 1948, nada a não ser uma esmagadora maioria de árabes.
Por exemplo, a população judaica em 1931 era de 174.606 num total de 1.033.314…”
In: “The Question of Palestina”, Edward Said.

Como funcionava na Palestina a propriedade tradicional da terra, e quando é que se transformou

“…O Código Otomano da Terra” de 1858 requeria o registo das propriedades rústicas em nome individual do seu proprietário, o que maioritariamente nunca tinha sido feito antes, sendo vigentes as normas tradicionais de posse da terra, na área das colinas da Palestina (ou “masha’as”) ou em versão comunitária.
A nova lei implicava que, pela primeira vez, um camponês poderia ser privado não da titularidade da sua terra, de que aliás não havia disfrutado antes, mas sim do direito de nela habitar, cultivar e transmitir aos seus herdeiros, coisa inalienável até então.
De acordo com a Lei de 1858 os direitos comunitários ao uso da terra foram frequentemente ignorados. Em vez disso, os membros das classes privilegiadas, experimentados na utilização das leis em proveito próprio, registaram em seu nome largas porções de terreno.
Os “fellahin” (camponeses) considerando de modo natural que certas terras eram suas, vinham a descobrir que tinham deixado de ser os seus legítimos proprietários apenas no instante em que elas eram vendidas a colonos judeus por proprietários considerados “absentistas”.
A aquisição das terras em causa não ficava por aí: os seus cultivadores árabes eram desapossados e substituídos por estrangeiros abertamente orientados de acordo com objectivos políticos para a Palestina.”
In: “Blaming the Victims” (“Culpando as Vítimas”) Rashid Khalidi, ed. Said and Hitchens.

A oposição dos árabes à chegada dos sionistas era baseada em sentimentos anti-semitas ou na sensação de perigo real para a sua comunidade?

“O objectivo do Fundo Nacional Judaico era o de “redimir a terra da Palestina e a sua posse inalienável pelo povo judaico”.
Logo a partir de 1891 o líder sionista Ahad Há’am escreveu que os árabes “entenderam muito bem quais eram os nossos propósitos “;
por seu turno Theodor Herzl, o fundador do sionismo declarou que “…procuraremos volatilizar a população (árabe) sem vintém para lá da fronteira, procurando dar-lhe que fazer em países de passagem, negando-lhes emprego na nossa própria terra…”;
“…tanto processo de expropriação ou remoção dos pobres deve ser empreendido de forma discreta e circunspecta”;
Em variadas localidades do Norte da Palestina os agricultores Árabes negaram retirar-se de terras compradas por colonos a proprietários considerados “absentistas” , e as autoridades turco-otomanas, a pedido do Fundo Nacional Judaico expulsou-os!…
Os próprios judeus indígenas da Palestina reagiram negativamente ao sionismo. Não compreenderam a necessidade de um estado judeu na Palestina e não quiseram deteriorar as relações com os árabes;
In: “Palestine and Israel: A Challenge to Justice” de John Quigley.

Anti-semitismo inerente? Continuação…

“Antes do sec. XX , a maior parte dos judeus da Palestina pertencia ao velho Yushuv, ou comunidade que se tinha estabelecido mais por razões religiosas do que por motivos políticos. Não havia praticamente conflito nenhum entre eles e a população árabe. As tensões começaram a surgir quanto chegaram os primeiros colonizadores sionistas em 1880… quando efectuaram as compras aos tais considerados “proprietários absentistas” o que conduzia à expropriação dos que as haviam trabalhado…”
In: “The Arab-Israeli Dispute” de Don Peretz.

“…(durante a Idade Média ) o Norte de África e o Médio Oriente árabe tinha-se tornado um lugar de refúgio e porto seguro para os judeus expulsos de Espanha e de outros sítios… Na Terra Santa… conviveram em (relativa) harmonia, uma harmonia apenas comprometida no momento em que os sionistas começaram a reinvindicar a “direito legítimo” à exclusão dos residentes árabes e cristãos”.
In: “Bitter Harvest” de Sami Hadawi.

Atitude dos judeus perante os árabes assim que chegaram à Palestina

“… os judeus que eram geralmente servos nos países da “Diáspora” (ou seja, todos aqueles onde haviam residido na qualidade de povo errante), acharam-se subitamente em liberdade na Palestina, resultando neles tal mudança numa inclinação para o despotismo. Tratam os árabes de forma hostil, privam-nos dos seus direitos, ofendem a sua causa, gabando-se mesmo de tais atitudes, sem que ninguém entre eles se oponha a esta lamentável e perigosa conduta “
(citação feita no livro “Bitter Harvest”, de Sami Hadawi de palavras proferidas pelo escritor sionista Ahad Há’am)

Propostas de colaboração entre árabes e judeus

“…um artigo de Yitzhak Epstein, publicado no “Hashiloha” em 1907 apelava para uma nova política do sionismo relativamente aos árabes após 30 anos de actividades de colonização judadaico-sionista na Palestina…”, tal como Ahad-Há’am em 1891, Epsteim afirma que uma terra devoluta não presta, pelo que a implantação judaica significava espoliação dos árabes.
A solução de Epstein para o problema, de modo a evitar um novo “problema judaico”, era a criação de um programa bi-nacional e não exclusivista de colonização e desenvolvimento. A compra de terras não deveria implicar a espoliação dos pequenos agricultores associados. O que envolvia a criação conjunta de uma comunidade agrícola na qual os árabes beneficiassem de moderna tecnologia. Escolas, hospitais e bibliotecas não seriam segregacionistas e a educação seria bilingue. A concepção de uma cooperação pacífica em vez da prática da espoliação encontrou poucos adeptos. Epstein foi caluniado e ridicularizado por ter demonstrado fraqueza de ânimo…”
In: “Original Sins”, de Benjamin Beith-Hallahmi, escritor israelita.

Quando o movimento sionista arrancou, qual era a situação de preferência relativa da Palestina como destino de refúgio dos judeus vítimas de perseguições?

“Os progroms forçaram muitos judeus a abandonar a Rússia. Sociedades tais como os “Amantes de Sion”, percursores das organizações sionistas, convenceram alguns dos assustados emigrantes a ir para a Palestina. Ali, argumentavam, os judeus iriam reconstruir os “reinos de David e Salomão”.
A maior parte dos judeus ignoraram um tal apelo e escaparam-se para a Europa e os Estados Unidos. Por voltas de 1900, só nos Estados Unidos, tinham-se estabelecido cerca de um milhão”
In: “Our Roots Are Still Alive” in “The Peolple Press Palestine Book Project”.

Período do Mandato Britânico – 1920/1948

A “declaração Balfour” promete uma pátria judaica na Palestina

“A declaração Balfour, feita em Novembro de 1917 pelo Governo Britânico… foi feita
a) por uma potência europeia;
b) a respeito de um território não-europeu;
c) na mais absoluta indiferença quer pela presença quer por desejos expressos da maioria dos nativos ali residentes”..
(de acordo com declarações escritas pelo próprio Balfour em 1919):
“…As contradicções de conteúdo da “Aliança” (tendo prometido a declaração anglo-francesa de 1918 a independência aos árabes das colónias Otomanas como recompensa do seu apoio aos aliados) são ainda mais flagrantes no que toca à nação Palestina independente do que à nação Síria independente. Porque no caso da Palestina nem sequer propomos empreender qualquer consulta popular junto dos residentes naquele território; As quatro potências estão comprometidas perante o sionismo e apenas perante ele, esteja certo ou errado, seja bom ou ruim, esteja baseado em tradição remota ou necessidades apenas actuais e expectativas futuras de maior calibre que o prejuízo de 700 000 árabes que actualmente residem naquele antigo teritório…”
In: “The Question of Palestine”, de Edward Said.

A Palestina: terra desértica antes da chegada dos judeus?

“O alto comissário britânico para a Palestina, John Chancellor recomendou a suspensão total da emigração para a Palestina e a compra de terra, para protecção da agricultura dos árabes. Declarou que “toda a cultivável se encontra ocupada e que nenhuma parcela da mesma poderia ser vendida a judeus, a menos que se quisesse criar uma classe de agricultores árabes sem terra…”
O Ministério das Colónias rejeitou essa recomendação, de acordo com o que nos diz John Quigley na sua obra “Palestine and Israel: A Challenge to Justice”.

Os sionistas fundadores planeavam coexistir com os Árabes?

Em 1919 a “Americam King-Crane Commission” passou seis semanas na Síria e na Palestina entrevistando delegações e lendo requerimentos.
No seu relatório podia ler-se: “…os membros da comissão iniciaram o estudo do sionismo tendo inicialmente uma predisposição favorável ao mesmo… Tornou-se porém repetidamente evidente nos seus encontros com os sionistas que estes tinham a intenção de excluir completamente os actuais residentes não judeus da Palestina, através de formas várias de compra…”

“…Se o princípio da autodeterminação é para pôr em prática, e se os desejos do povo palestiniano são para ser tidos em conta, deve lembrar-se que a população não judaica da Palestina – ou seja, nove décimos da mesma – estão declaradamente contra o programa sionista. Sujeitar um povo assim determinado a uma imigração ilimitada de judeus , a par com uma pressão financeira e social para que cedam terras, será uma violação grosseira do princípio referido.
“…Nenhum dos agentes britânicos contactados pelos membros da Comissão acreditava que o programa sionista pudesse ser levado a cabo a não ser pela força das armas. Pensavam aliás, duma forma geral que, mesmo para lhe dar início, seriam necessários nunca menos de cinquenta mil homens. Por si só esse facto comprova o forte sentido de injustiça que caracterizava o programa sionista. …”
“…A pretensão inicial, frequentemente apresentada por representantes sionistas, de que tinham “o direito” à Palestina com base na ocupação de há dois mil anos, dificilmente pode ser levada a sério..”
Vide: “The Israel-Arab Reader”, ed. Laquer and Rubin.

Lado a lado – continuação

“…A política de terras dos sionistas foi incorporada na Constituição da Agência Judaica para a Palestina;
“…a terra é para ser adquirida como propriedade judaica e o título de posse deve ser registado em nome do Fundo Nacional Judaico, com a finalidade de que o mesmo deve ser conservado como propriedade inalienável do povo judaico…”
Essa determinação vai ao ponto de estipular que a Agência deve promover a colonização de tais terras por mão de obra judaica…
O efeito para os árabes desta política sionista de colonização, era de que a terra adquirida pelos judeus como que desaparecia do mapa, cessando de existir para eles no presente e no futuro, fosse para que efeito fosse…”

“…Os sionistas não ocultaram as suas intenções, tanto que em 1921 o Dr. Eder, membro da Comissão Sionista, declarou desassombradamente em Tribunal que:
– Apenas pode existir uma pátria na Palestina, e terá de ser Judaica, sem igualdade na parceria entre árabes e judeus, mas sim preponderância destes sobre aqueles, logo que seja possível reunir uma quantidade suficientemente numerosa de elementos da mesma raça; ao que acrescentou a pretensão de que apenas aos judeus seria permitido o uso de armas…”
In: “Bitter Harvest”, de Sami Hadawi.

Frente à oposição árabe, terão os sionistas feito diligências para estabelecer “regras maioritárias” na Palestina?

“É claro que a última coisa que os sionistas desejavam era de que todos os habitantes da Palestina tivessem direitos iguais no governo do território…” Chaim Weizmann tinha inculcado junto de Churchill a ideia de que um governo democrático-representativo teria ditado o insucesso da Pátria Nacional Judaica na Palestina…”
“Churchill declarou que:
“- A actual forma de governo continuará por muitos anos. Passo a passo desenvolveremos instituições representativas que conduzam ao pleno auto-governo, mas os filhos dos nossos filhos morrerão antes que isso possa ser uma realidade…”
In: “The Gun and The Olive Branch”, de David Hirst.

A recusa aos árabes de auto-determinação

“Mesmo que ninguém perca a sua terra, o programa sionista era injusto à partida porque recusava direitos políticos à maioria.
Os sionistas, em princípio, não podiam conceder aos povos nativos da região o exercício de direitos políticos, porque isso implicava a condenação da sua empresa…”
In: “Original Sins”, de Benjamin Beit-Hallahmi.

Resistência árabe ao sionismo pré-israelita

“…em 1936-39 os árabes da Palestina tentaram uma revolta nacionalista… David Ben-Gurion, eminentemente um realista, reconheceu a natureza da mesma. Em discussões internas referiu que “na nossa argumentação política exterior minimizamos a importância da oposição que nos é feita pelos árabes”, mas acentuou que “entre nós não devemos ignorar a verdade”. E a verdade era que “politicamente nós somos os agressores e eles estão a defender-se… O país é deles, porque o habitam, enquanto que nós queremos vir-nos estabelecer aqui, o que na sua opinião significa que lhe queremos usurpar a sua terra, sem termos sequer entrado ainda…”
A revolta foi esmagada pelos britânicos, com brutalidade, de acordo com o que nos diz Noam Chomsky no seu livro “The fateful Triangle”.

A opinião de Gandhi a respeito do conflito na Palestina, 1938

“…a Palestina pertence aos árabes no mesmo sentido que a Inglaterra pertence aos ingleses ou a França aos franceses…
Aquilo que está a acontecer hoje em dia na Palestina não pode ser justificado por nenhum código moral de conduta…
Se os judeus olham para a Palestina como a sua pátria natural, é errado dar entrada ali ao abrigo da protecção armada britânica. Um acto religioso não pode ser perpetrado à ponta das baionetas e à bomba…
Apenas podem estabelecer-se ali se houver boa vontade dos árabes… e, como as coisas se apresentam limitam-se a ser cúmplices dos ingleses na espoliação de um povo que não lhes fez mal nenhum…
Não estou a defender os excessos árabes. Preferia que eles tivessem escolhido a via da não-violência para resistir contra aquilo que eles consideram uma invasão do seu próprio país. De acordo com os modelos normalmente aceites de certo e de errado, nada pode ser dito contra a resistência árabe em face de infortúnios arrazadores…”
Palavras de Mahatma Gandhi, citado em “A Land of Two Peoples”, ed. Mendes-Flohr.

Qual a percentagem de terra comprada pelos sionistas antes do estabelecimento de Israel?

“…Em 1948, no momento em que Israel se declarou um estado, era proprietário de pouco mais de 6% (seis por cento) da terra da Palestina…
Depois de 1940, quando autoridades mandatárias restringiram a posse da terra pelos judeus a zonas específicas no interior da Palestina, continuou a haver compras (e vendas) dentro dos 65% da área total da Palestina que era exclusiva dos árabes.
Desta forma, quando o plano de partilha foi anunciado em 1947 incluiu terras que estavam ilegalmente na posse de judeus, cuja incorporação no interior das fronteiras do estado judaico foi entendido como “facto consumado”. E depois de Israel ter anunciado a constituição do seu estado, uma impressionante quantidade de leis fizeram a assimilação de vastas porções de terreno (cujos proprietários tinham passado à condição de refugiados e pronunciados como “proprietários absentistas”, de forma a permitir a expropriação das suas terras e impedir o seu regresso sob que circunstâncias fosse)…”
In: “The Question of Palestine”, de Edward Said.

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A partilha da Palestina pelas Nações Unidas

Porque razão recomendaram as Nações Unidas a partilha da Palestina entre estado judeu e estado árabe?

“…Em Novembro de 1947 os Estados Unidos revelaram-se o mais agressivo proponente da partilha. Fizeram com que a Assembleia Geral adiasse uma votação “para ganhar tempo e conseguir alinhar certos estados da América Latina com as suas posições”.
Alguns delegados acusaram os Estados Unidos de “intimidação diplomática” .
Sem a “pressão violenta” por parte dos EUA junto de governos que não podiam dar-se ao luxo de arriscar-se a sofrer represálias da sua parte, declarou um editorialista anónimo , a resolução nunca teria “passado”
Referido por John Quigley no seu livro “Palestine and Israel: A Challenge to Justice”.

Qual era a posição de Truman?

“Lamento muito meus Senhores, mas tenho que corresponder a centenas de milhar que aguardam ansiosamente pelo sucesso do sionismo. Dos meus eleitores não fazem parte centenas de milhar de árabes”
Palavras do Presidente Harry Truman, citado na obra de Abed-Rabbo e Mezvinsky “Anti-sionismo”, ed. Teikener.

Teria sido justa a partilha da Palestina, para árabes como para judeus?

“A rejeição árabe foi baseada no facto de que, enquanto a população do estado israelita era para ser metade judaica, não chegando os judeus a possuir 10% da área do estado, eram estes que ficavam como sector dominante – decisão que nenhum povo com respeito por si próprio poderia aceitar sem protesto, para dizer o mínimo…
A acção das Nações Unidas entrou em conflito com os princípios básicos que determinavam a organização mundial, nomeadamente quanto ao direito de todos os povos à auto-determinação.
Ao recusar aos árabes da Palestina, que constituíam uma maioria de dois terços dos habitantes do país, o direito a decidir por si mesmos, as Nações Unidas violaram a sua própria carta constitutiva.”
In: “Bitter Harvest”, de Sami Hadawi.

Estavam os sionistas preparados para aceitar a partilha de território oferecida em 1947 pelas Nações Unidas?

“Enquanto que a liderança do Yishuv aceitou formalmente a Resolução de Partilha de 1947, vastos sectores da sociedade israelita – incluindo Ben-Gurion – ou se opunham à mesma ou se mostravam por ela abertamente contrariados, passando a encarar dali em diante a guerra como oportunidade ideal para expandir as fronteiras do novo estado para além daquelas que tinham sido demarcadas pelas Nações Unidas, à custa dos Palestinos”
In: “Tikkun”, Março/Abril de 1998, por Benny Morris, historiador israelita.

Posições públicas contra posições privadas sobre esta questão

“Em discussão interna de 1938, declarou David Ben-Gurion que: “depois de nos termos tornada numa força poderosa, como consequência da formação do nosso estado, aboliremos a “partilha” e vamo-nos expandir por todo o estado da Palestina.”
Em 1948 Menachem Begin declarou que “a partilha do território pátrio é ilegal. Nunca será reconhecido. As assinaturas de entidades individuais e colectivas no acordo redigido são inválidas e não vinculam o povo de Israel, no seu todo. E para sempre”!
In: “The Fateful Triangle”, de Noam Chomsky.

O começo da guerra

“Em Dezembro de 1947, os britânicos anunciaram que se retirariam da Palestina no ano seguinte, a 15 de Maio.
Os palestinos de Jerusalém e Jaffa convocaram uma greve geral contra a “partilha”. A luta estalou nas ruas de Jerusalém quase imediatamente. Confrontos violentos descambaram numa guerra total.
Durante o fatídico Abril de 1948, oito de treze dos principais ataques militares dos sionistas aos palestinos tiveram lugar em territórios que pertenciam ao estado árabe.”
Publicado pelo “People Press Palestine Book Project” sob o título: “Our Roots Are Still Alive”.

Os sionistas desrespeitam as fronteiras da “partilha”

“…Antes do fim do mandato e, por conseguinte antes de existirem possibilidades de qualquer intervenção dos estados árabes, os judeus, aproveitando a sua organização e superioridade militar ocuparam a maior parte das cidades árabes da Palestina, antes de 15 de Maio de 1948. Tiberias foi ocupada a 19 de Abril, Haifa a 22 de Abril, Jaffa a 28, os bairros árabes da Nova Cidade de Jerusalém a 30 de Abril, Beisan a 8 de Maio, Safad a 10 de Maio, Acre a 14…
Em contraste os árabes palestinos não tomaram nenhum dos territórios reservados para o estado israelita, conforme a resolução da “partilha”…”
In: “Palestine, the Arabs and Israel”, de Henry Cattan, autor britânico.

As culpas duma escalada do conflito

“Menahem Begin, líder do Irgun, diz-nos em Jerusalém como noutros locais “fomos os primeiros a passar da defensiva à ofensiva… Os árabes começaram a fugir aterrorizados… a Hagana (o exército israelita) empreendia ataques com êxito noutras frentes , enquanto que todas as forças israelitas continuavam a avançar por Haifa como faca em manteiga”… Os israelitas argumentavam agora que a guerra da Palestina tinha começado com a entrada das forças árabes na Palestina depois de 15 de Maio de 1948. Porém essa era a segunda fase da guerra; com efeito os israelitas ignoraram os massacres, as expulsões e as usurpações que tinham ocorrido antes daquela data, e que teriam justificado a intervenção de outros estados árabes”
In: “Bitter Harvest”, de Sami Hadawi.

O massacre de palestinianos de Deir Yassin por soldados judeus

“Durante todo o dia 9 de Abril de 1948, os soldados da Irgun e da LEHI levaram a cabo matanças a sangue frio.
Os atacantes alinharam homens, mulheres e crianças contra os muros e liquidavam-nos a tiro.
A ferocidade dos ataques a Deir Yassin chocou a própria comunidade judaica mundial, semeou o pânico na sociedade árabe e conduziu à fuga de civis desarmados dos seus lares por todo o país”
In: “The Birth of Israel” de Simha Flapan, autor israelita.

Foi o massacre de Deir Yassin o único do mesmo calibre?

“…em 1948 os judeus não somente eram capazes “de se defender” como o eram de cometer atrocidades. Sem dúvida, de acordo com as informações prestadas pelo antigo director dos arquivos secretos do exército israelita “em quase todas as localidades ocupadas por nós durante a Guerra da Independência foram cometidos actos definíveis como crimes de guerra, tais como assassinatos, massacres e violações”. Uri Milstein , o autorizado historiador militar da guerra de 1948 vai mais além, afirmando que qualquer escaramuça com árabes acabava num massacre”.
In: “Image and Reality of the Israel-Palestine Conflict”, de Norman Finkelstein.

Cidadania e Expulsão

1948

Reacção dos árabes à criação do estado de Israel

“…Os exércitos dos estados árabes entraram em guerra imediatamente a seguir à fundação do Estado de Israel em Maio. A luta continuou, tendo decorrido quase toda dentro da parte do território que tinha sido atribuído ao Estado Palestino”
“…Cerca de 700 000 palestinos fugiram ou foram expulsos durante o conflito de 1948”.
In: “The Fateful Triangle”, de Noam Chomsky

Que riscos para o estado de Israel de parte dos exércitos árabes?

“A Liga Árabe convocou apressadamente os seus membros para que enviassem tropas regulares para combater na Palestina. A sua missão era apenas a de salvaguardar as áreas da Palestina que tinham sido atribuídas aos árabes.
Eram contudo tropas mal equipadas sem comando central unificado.
O rei Abdullah da Jordânia prometeu aos israelitas e aos britânicos que as suas tropas (a Legião Árabe), únicas dentre os exércitos árabes com reais capacidades de luta, evitariam recontros com colónias de judeus. Contudo, certos historiadores ocidentais relatam este facto como tendo sido “…uma luta travada entre o jovem estado judaico e as “hordas avassaladoras” de cinco estados árabes…”
A única realidade era a intensificação da ofensiva israelita contra os palestinos;
referido pelo “Peoples Press Palestine Book Project” intitulado: “Our Roots Are Still Alive”.

Limpeza étnica da população árabe da Palestina

“Joseph Weitz, foi director do “Jewish National Land Fund” (Fundo Judaico do Território Nacional); a 19 de Dezembro de 1940 escreveu:
“…Deve tornar-se claro que não existe espaço neste país para dois povos…
A empresa sionista até agora tem sido levada a cabo com êxito no seu devido tempo, servindo-se adequadamente do processo de “compras de terra” – mas isso não concretizará o Estado de Israel, que deve formar-se num todo, à maneira de uma Salvação (tal é o segredo da ideia Messiânica);
E não há outra forma senão a de transferir os árabes daqui para os territórios vizinhos, “transferi-los” a todos.
Exceptuando talvez Belém, Nazaré e a velha Jerusalém não devemos deixar uma única simples localidade, uma única tribo.
Declarações como estas feitas por elementos sionistas, houve-as às centenas!
In: “The Question of Palestine”, de Edward Said.

Limpeza étnica; continuação

“A seguir à eclosão de 1936, nenhum líder sionista da corrente dominante foi capaz de configurar perspectivas que não implicassem uma separação física nítida entre os dois povos – praticável apenas por meio de deslocações ou expulsão. Publicamente continuavam todos a falar de coexistência, atribuindo actos de violência a minorias de fanáticos ou agitadores. Mas essa atitude era meramente exterior. Ben Gurion sintetizou: “com deslocações obrigatórias conseguiremos uma vasta área de colonização; pela minha parte sou adepto das deslocações obrigatórias, não vejo mal nenhum nisso”.
In: “Righteous Victims”, de Benny Morris, historiador israelita.

“…Ben-Gurion desejava claramente tão poucos árabes remanescentes no estado judaico quanto possível . A sua esperança era vê-los desaparecer. Foi tanto quanto disse aos seus colegas e assistentes nas reuniões de Agosto, Setembro e Outubro de 1948. No entanto nenhuma política de expulsões foi publicamente pronunciada e Ben-Gurion inibiu-se de emitir claras ordens de expulsão por escrito; preferiu que os seus generais “entendessem” o que devia ser executado. Não queria dar entrada na história como “o grande expulsor” e não queria ver o governo israelita implicado numa política moralmente questionável.
Contudo, enquanto que não existia uma política de expulsões”, as ofensivas de Julho e Outubro de 1948 eram caracterizadas por muito mais expulsões, sem dúvida muito mais brutalidade para com os civis árabes, do que na primeira metade da guerra…”
In: “The Birth of the Palestinian Refugee Problem, 1947 – 1949”, de Benny Morris.

Não teriam os palestinos abandonado voluntariamente as suas casas durante a Guerra de 1948?

“…A propaganda israelita negligenciou acentuadamente a queixa de que o êxodo dos palestinos de 1948 fora “auto-induzido”. Os meios oficiais aceitaram implicitamente que a população árabe fugira como consequência da acção israelita – directamente como no caso de Lydda e Ramleh, ou indirectamente, devido ao pânico provocado em centros populacionais árabes por massacres que tinham tido lugar através da Palestina, tal como o de Deir Yassin.
No entanto, embora o registo histórico tenha relutantemente reconhecido o facto, o regime israelita, e os seus continuadores, ainda recusam aceitar moral ou publicamente a responsabilidade pelo programa que activamente criaram…”
In: “Blaming the Victims”, citação de Peretz Kidron; ed. Said and Hitchens.

Os árabes contra a evacuação da Palestina!

“…A BBC monitorizou todas as emissões radiofónicas efectuadas no Médio Oriente durante o ano de 1948. As gravações existentes e bem assim as de uma empresa de monitorização Estado Unidense, podem ser observadas no British Museum.
De parte das emissoras de rádio árabes, localizadas dentro ou fora da Palestina, não foi emitida uma única ordem ou feito qualquer apelo de evacuação da Palestina, em 1948. Existe ao contrário, o registo de apelos árabes repetidos, e até ordens claras dadas aos civis palestinos para ali permanecerem…”
In: “Bitter Harvest”, de Sami Hadawi citando Erskine Childers, investigador britânico.

“… É muito difícil não acreditar na intenção de Ben-Gurion de evacuar tantos árabes quanto fosse possível do estado judaico, quanto mais não seja pela diversidade de meios que utilizou para consegui-lo, principalmente no que se refere à destruição de localidades por inteiro com expulsão da totalidade dos seus residentes, mesmo aqueles que não tivessem participado na guerra e que tivessem ficado em Israel na esperança de viver em paz e igualdade, tal como fora prometido na Declaração de Independência…”
In: “The Birth of Israel” de Simha Flapan, autor israelita.

A destruição deliberada de localidades árabes para evitar o seu regresso

“…Durante o mês de Maio de 1948 começaram a cristalizar as ideias de como consolidar e dar permanência ao exílio palestino, e a destruição de localidades foi de imediato entendida como forma elementar de concretizar esse objectivo. Já antes disso, a 10 de Abril do mesmo ano a Haganah tomou Abu Susha. A vila foi destruída nessa mesma noite.
Khulda foi arrazada em 20 de Abril por bulldozers israelitas;
Abu Zureiq foi completamente demolida;
Al Mansi e Na Naghnaghiva, a sudoeste, foi também arrazada;

Em meados do ano de 1949 a maioria das 350 localidades que haviam sido despovoadas fora parcial ou totalmente reduzida a ruínas ou encontrava-se completamente inabitável…”
In: “The Birth of the Palestinian Refugee Problem, 1947-1949”, de Benny Morrys.

Depois de ter terminado a luta, porque é que os palestinos não regressaram às suas casas?

“…A primeira resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas, que tem o número 194, e que afirma o direito do povo palestino a regressar ao lar e às suas terras, foi aprovado no dia 11 de Dezembro de 1948.
Foi reapreciada não menos do que 28 (vinte e oito) vezes desde essa primeira data.

Muito embora o direito moral e político de uma pessoa regressar ao lugar de residência permanente seja reconhecido em todo a parte, Israel negou essa possibilidade, tornando sistemática e juridicamente impossível o regresso dos palestinos à sua terra, fosse porque processos fosse, retirando-lhe ainda quaisquer direitos compensatórios, ou sequer o direito de viver em Israel em paridade de direitos com qualquer judeu israelita…”
In: “The Question of Palestine”, de Edward Said.

Qual a justificação para esta expropriação da terra?

“…O facto dos árabes terem fugido apavorados devido ao receio da repetição dos massacres sionistas de 1948, não era razão para lhes recusar as suas casas, terrenos e demais pertences. Os civis que são surpreendidos em áreas onde se travam acções militares entram geralmente em pânico. Mas é-lhes sempre permitido regressar ao lar quando o perigo deixa de existir. A conquista militar não extingue o direito à propriedade privada, nem dá aos vencedores o direito de confiscar bens dos civis não beligerantes. A apropriação de propriedades árabes por parte dos israelitas foi ultrajante…”
In: “Bitter Harvest”, Sami Hadawi

As negociações após as guerras de 1948-1949

“…Em Lausanne, o Egipto, a Síria, o Líbano e os palestinos tentaram salvar através de negociações o que tinham perdido na guerra – um estado palestiniano a par do de Israel. Israel contudo preferiu um precário armistício em vez de um tratado de paz definitivo que envolvesse concessões territoriais e a repatriação que fosse de um simbólico número de refugiados. A recusa do reconhecimento do direito dos palestinos à auto-determinação e à cidadania demonstrou ser, ao longo dos anos, a origem principal da agitação, da violência e do morticínio que vieram a acontecer…”
In: “The Birth of Israel” de Simha Flapan, autor Israelita

A admissão de Israel às Nações Unidas e a rejeição das condições sob as quais isso ocorreu

“…A conferência de Lausanne abriu oficialmente no dia 27 de Abril de 1949. A 12 de Maio o Comité das Nações Unidas de Conciliação da Palestina concretizou o seu único êxito ao induzir as partes a assinar um protocolo conjunto para uma paz global. Israel aceitou pela primeira vez o princípio da repatriação dos refugiados árabes e a internacionalização de Jerusalém, mas fê-lo como mero exercício de relações públicas destinado a reforçar a sua imagem internacional.
Walter Eytan, chefe da delegação israelita declarou:
– O meu objectivo principal era o de sabotar o protocolo de 12 de Maio, que tínhamos assinado sob o condicionamento imposto pelas negociações da nossa admissão às Nações Unidas. Sabíamos que uma não aceitação do documento teria efeito negativo imediato junto do Secretário Geral das Nações Unidas e de vários governos …”
In: “The Making of the Arab-Israel Conflict, 1947-1951”, de Ilan Pappe, historiador israelita.

“…O preambulo da resolução de admissão de Israel às Nações Unidas incluiu uma salvaguarda do seguinte teor: “Em referência à resolução de “partilha” de territórios de 29 de Novembro de 1947 e de 11 de Dezembro de 1948 (a respeito de indemnizações compensatórias) e levando em conta as declarações e explicações feitas pelo representante de governo de Israel ante o Comité Político ad-hoc, a respeito do cumprimento das ditas resoluções, a Assembleia Geral decide admitir Israel como membro das Nações Unidas…”.

“Deverá sublinhar-se estar aqui uma condição e um compromisso de levar à prática as resoluções mencionadas.
Não se punha a questão desse cumprimento ter de esperar pela declaração de paz segundo as pretensões de Israel, tal como mais tarde veio a reclamar para justificar o seu não cumprimento das mesmas resoluções. “
In: “Bitter Harvest” de Sami Hadawi.

Qual o destino dos palestinos que se tinham tornado refugiados

“…O Inverno de 1949, o primeiro Inverno de exílio para mais de setecentos e cinquenta mil palestinos, foi rigoroso e difícil. Famílias refugiadas em cavernas, cabanas abandonadas ou tendas improvisadas. Muitos desses esfomeados estavam apenas a meia dúzia de km das suas antigas hortas e pomares, na Palestina ocupada – o novo estado de Israel…”
No fim de 1949 as Nações Unidas actuaram finalmente, organizando a Administração das Tarefas de Auxílio das Nações Unidas (UNRWA) para se encarregar de mais de sessenta campos de refugiados, esforço que conseguiu, embora a custo, fazer sobreviver refugiados…”
In: “Peoples Press Palestine Book Project” intitulado: “Our Roots Are Still Alive”.

A guerra de 1967 e a ocupação israelita da Cisjordânia e da Faixa de Gaza

Foram os Egípcios que de facto começaram a guerra de 1967, tal como afirmou de início Israel ?

“O anterior comandante da Força Aérea, General Ezer Weitzman, considerado um “falcão” , declarou que não havia “ameaça de destruição, mas que o ataque ao Egipto, à Jordânia e à Síria contudo se justificava de modo a que Israel pudesse existir de acordo com a escala, o espírito e a qualidade que lhe agora lhe corresponde”; Menahem Begin tinha as seguintes observações a fazer: “Em Junho de 1967, mais uma vez não tínhamos alternativa. As concentrações do exército Egípcio em aproximação ao Sinai não comprovavam que Nasser estivesse para nos atacar.
Temos de ser honestos connosco próprios: Nós é que decidimos atacá-lo.
In: “The Fateful Triangle” de Noam Chomsky.

A Guerra de 1967 foi defensiva? (continuação)

“Não julgo que Nasser quizesse a guerra. As duas divisões que ele mandou para o Sinai não teriam sido suficientes para lançar uma ofensiva de guerra. Ele sabia-o e nós também.”
Yitzhak Rabin, Chefe do Estado Maior Israelita em 1967, in Le Monde 28 de Fevereiro de 1968.

Declarações póstumas de Moshe Dayan a respeito dos Montes Golan

“Moshe Dayan o celebrado comandante que em 1967, como ministro da Defesa, deu ordens para conquistar o Golan disse que muitas das escaramuças com os Sírios foram deliberadamente provocadas por Israel, e que os residentes do Kibbutz que fizeram pressão sobre o governo para tomar os montes Golan fizeram-no menos por segurança do que para conquistar terra arável, e acrescentou: Nem sequer tentaram esconder a sua avidez pela terra… estávamos prontos para fazer avançar um tractor para lavrar um bocado de terra qualquer na zona desmilitarizada, ainda que nela nada se pudesse cultivar, e tínhamos de antemão a certeza de que os Sírios começariam logo a disparar. Se o não fizessem mandávamos o tractor continuar a avançar, até que fosse inevitável que eles o fizessem.
A seguir a isso começaríamos com a artilharia, depois com a força aérea, e pronto, foi o que se passou. Ao fim de quatro dias os Sírios tinham cessado de ser uma ameaça para nós…”
In: “The New York Times”, 11 de Maio de 1997.

A história do expansionismo Israelita

A aceitação da “partilha” não nos compromete a renunciar à Transjordânia (Parte oeste da Jordânia que se estende ao longo da margem esquerda do rio Jordão); Ninguém pode pedir a alguém que renuncie aos seus intentos. Aceitamos um estado cujas fronteiras sejam fixadas num dado momento. Mas as fronteiras das aspirações sionistas são da responsabilidade do povo judeu e nenhum factor externo poderá limitá-la”.
Afirmação de David Bem-Gurion de 1936, citado por Noam Chomsky na sua obra “The fateful Triangle”.

“O principal perigo que Israel, como estado judaico, coloca ao seu povo, aos outros judeus e aos seus vizinhos é a procura ideologicamente motivada de expansão teritorial e a inevitável série de guerras resultante desse objectivo…”
Nenhum político sionista repudiou alguma vez a ideia de Bem-Gurion de que as políticas do estado Israelita devem ser baseadas (dentro dos limites das considerações práticas) na reconstituição das fronteiras bíblicas do estado judaico…”
Declaração do professor israelita Israel Shahak, in “Jewish History, Jewish Religion: The Weight of 3000 Years”.

Expansão

Nos diários pessoais do primeiro ministro Israelita Moshe Sharatt há um excerto de Maio de 1955 no qual ele cita Moshe Dayan: Israel deve tomar as armas como meio principal, senão o único, para manter o seu moral alto e a prontidão das suas disposições. Para concretizar isso não só pode, como deve inventar perigos e, para fazê-lo, deve adoptar o método da provocação-vingança… E acima de tudo – tenhamos esperança numa nova guerra com os países árabes, de modo a podermos ver-nos livres dos nossos problemas e conquistar mais espaço…”
Citação feita por Livia Rokach, in: “”Israel’s Sacred Terrorism”.

E a terra ocupada aos árabes, não era necessária à segurança de Israel?

“..O senador J. William Fulbright propôs em 1970 que a América devia assinar formalmente um tratado que garantisse a segurança de Israel, recorrendo à intervenção armada se necessário. Em contrapartida Israel retirar-se-ia para as suas fronteiras de 1967. O Conselho de Segurança das Nações Unidas asseguraria este acordo, convencendo nesse sentido a União Soviética – na altura fornecedora de apoio político e de armas aos países árabes. Na altura em que as tropas Israelitas se retirassem dos Montes Golan, da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, seriam substituídas por forças de manutenção da paz da ONU. Israel garantiria a aceitação de certo número de palestinos e os restantes seriam instalados num estado palestino fora de Israel.

O plano suscitou apoio jornalístico nos Estados Unidos, mas foi frontalmente rejeitado por Israel. “Fulbright ficou muito contrariado, tal como disse o seu biógrafo Randall Woods: Os israelitas nem sequer estavam interessados em actuar na defesa dos seus próprios direitos…”
In: “Issues in the American Council for Judaism”, Allan Brownfield, Outubro de 1997.
(Nota: esta foi apenas uma de muitas propostas então apresentadas para resolução do problema)

O que aconteceu depois do fim da guerra de 1967?

“…Violando a legislação internacional, Israel confiscou 52 por cento da terra da Cisjordânia e 3 por cento da Faixa de Gaza para fins militares ou colonatos civis judaicos. De 1967 a 1982 o governo militar de Israel demoliu 1.338 casas de famílias de palestinos na Cisjordânia. Durante esse período mais de 300.000 palestinos foram detidos por forças de segurança israelitas, sem julgamento, por períodos variáveis de tempo….”
In: “Intifada: The Palestinian Uprising Against Israeli Occupation”, ed. Lockman and Beinin.

Opinião internacional a respeito da legalidade da acção de Israel na Cisjordânia e na Faixa de Gaza

De acordo com a carta das Nações Unidas não são legítimos os ganhos territoriais com base na guerra, mesmo da parte de países agindo em legítima defesa. A resposta de outros estados às ocupações feitas por Israel mostram a opinião unânime de que, mesmo se fosse defensiva a actuação de Israel, a sua retenção da Faixa de Gaza e da Cisjordânia não seria legal. A Assembleia Geral das Nações Unidas caracterizou a ocupação daqueles territórios como uma denegação do direito à autodeterminação e, deste modo, uma “uma ameaça séria e crescente à paz e à segurança internacional…”
In: “Palestine and Israel: A Challenge to Justice” de John Quigley.

Exemplos dos efeitos da ocupação israelita

“…Um estudo dos estudantes da Bethlehem University referido pelo Comité de Coordenação Internacional das ONG’s em Jerusalém mostraram que muitas famílias naqueles territórios passam cinco dias por semana sem água corrente disponível. O relatório indica que “é restringido o uso da água para os palestinos ali residentes enquanto que os colonos judeus dispõem de quantidades de água praticamente ilimitadas…”

“…Uma visita de Verão a um assentamento judaico à beira do deserto da Judeia a menos de 8 km de Belém, confirmou esta iniquidade no uso da água. Enquanto que os árabes residentes em Belém compravam água distribuída por camiões-tanque a preços altamente inflaccionados, os relvados no assentamento estavam verdes, a rega por aspersão estava ligada ao meio dia em pleno sol de Agosto e ruído alegre das crianças nadando em piscinas exteriores acrescentava a essa visão um toque de irrealidade…”.
In: “The Link”, da autoria de Betty Jane Bailey, Dezembro de 1996.

“Deverá ser recordado que noventa por cento das crianças com dois ou mais anos já passaram – algumas de modo frequente – pela experiência de viverem numa casa frequentemente invadida pela tropa israelita, ver parentes seus espancados e pertences seus destruídos. Muitos deles foram espancados, sofreram fracturas, apanharam tiros, sofreram o efeito de gases lacrimogéneos, ou viram vizinhos e parentes seus sofrerem tal tratamento. O lado emocional da criança é afectado pela falta de segurança. A criança necessita de se sentir segura. E as consequências posteriores são observáveis. Nas nossas investigações descobrimos que as crianças que são expostas a traumatismos assumem comportamentos e concepções políticas extremados.. “
Afirmações do Dr. Samir Quota, director de investigações do Programa de Saúde Mental da Comunidade de Gaza, citado no “The Journal of Palestine Studies”, Verão de 1996, pg. 84.

“…Não há coisa que se pareça com aquilo que se sente ao ouvir um palestino de 35 anos que trabalhou 15 anos clandestinamente em Israel para poupar para construir uma casa para a família, tendo regressado a casa um dia descobrindo que a mesma tinha sido arrasada por um buldozer israelita. Quando lhe perguntei porque foi feita tal coisa, de notar que o terreno era propriedade sua, disse-me que um soldado israelita lhe tinha dado um papel no dia seguinte afirmando que a casa tinha sido construída sem licença. Em que outra parte do mundo será exigida uma licença (que sempre lhe fora recusada) para construir em terreno de sua propriedade? Os judeus podem construir, mas os palestinianos nunca. Isto é “apartheid”….”
In: “The Nation”, de Edward Said, 4 de Maio de 1998

Todos os colonatos judaicos nos territórios ocupados pela guerra de 1967 são uma violação directa da Convenção de Genebra, subscrita por Israel

“…A convenção de Genebra exige que as forças ocupantes modifiquem o menos possível a ordem existente nos territórios ocupados, durante a ocupação respectiva. É parte dessa obrigação deixar o território para a população que lá encontrou, não podendo transferir para ali população sua para ocupar o território. Tal proibição encontra-se inscrita no Artigo 49 da Convenção que declara: “A potência ocupante não deportará ou transferirá parte da sua própria população para o território que ocupa…”
In: “Palestine and Israel: A Challenge to Justice”, de John Quigley.

Excertos dos relatórios a respeito da Intifada, do Departamento de Estado dos USA

“A seguir, alguns excertos dos “Relatórios Regionais sobre a Prática dos Direitos Humanos” do Departamento de Estado dos USA, de 1988 a 1991:

1988: “…Muitas mortes e muitos feridos evitáveis foram causados porque os soldados israelitas usaram frequentemente armas de fogo em situações que não representavam perigo mortal para esses soldados. As forças armadas israelitas usaram bastões para quebrar membros e espancar palestinianos que não estavam directamente envolvidos em distúrbios ou resistindo aos aprisionamentos… Foi noticiado que pelo menos treze palestinos morreram de tais espancamentos…”

1989: “…Grupos de defesa dos direitos humanos acusaram seguranças vestidos à civil terem actuado como esquadrões da morte que assassinaram activistas sem culpa formada, depois destes se terem rendido ou depois de se encontrarem subjugados…”

1991: “…o relatório acrescenta que os grupos de defesa dos direitos humanos publicaram “relatórios credíveis e detalhados de sessões de tortura, sevícias sexuais e maus tratos infligidos a prisioneiros palestinianos detidos em prisões ou centros de detenção…”
Afirmações de Paul Findley, ex-congressista dos USA no livro “Deliberate Deceptions”.

Jerusalém – Capital eterna e indivisível de Jerusalém?

“…Na edição de 28 de Fevereiro de 2000 do “The Jerusalém Report”, Leslie Susser fazia notar que as actuais fronteiras foram traçadas depois da guerra dos seis dias. A responsabilidade por esse traçado recaiu sobre o Chefe do Comando Central Rehavan Ze’evi. A linha que o mesmo traçou envolveu não somente os 5 km quadrados de Jerusalém Leste árabe, mas também 65 km quadrados de terrenos abertos circundantes e localidades, muitas das quais jamais tinham tido relacionamento municipal com Jerusalém. Do dia para a noite essa enorme área passou a fazer parte da “capital eterna e indivisível” de Israel…”
In: The Washington Report On Middle East Affairs, Maio de 2000, por Allan Brownfield.

A História do Terrorismo na Região

..

Nota do Editor:
Acreditamos que o assassinato de crianças está errado seja em que caso for. Deste modo, não podemos tolerar o uso de terrorismo por extremistas palestinos, especialmente durante os anos 70. Dito isto, contudo, é necessário examinar o contexto no qual estes acontecimentos tiveram lugar.

Ouvimos falar abundantemente do terrorismo palestiniano. O que é que há a respeito dos israelitas?

“…O relatório acerca do terrorismo israelita data das origens do estado respectivo – ou, muito antes, com efeito – incluindo:
– O massacre de 250 civis e a expulsão brutal de setente mil outros de Lydda e Ramle em Julho de 1948;
– O massacre de centenas de outros na indefesa localidade de Doueimah, perto de Hebron em Outubro de 1948;
– As matanças de Quibya, Kafr Kassem e uma lista de outras localidades assassinadas;
– A expulsão de milhares de beduínos das zonas desmilitarizadas pouco depois da guerra de 1948, e de milhares de outros do Nordeste do Sinai no começo dos anos 70, incluindo a destruição das suas localidades, para abrir a região à colonização judaica;
– e uma longa lista de etc….”
In: “Blaming The Victims”, de Noam Chomsky, ed. Said and Hitchens.

“…Por muito que se lamente e até se deseje de certo modo vingar as perdas de vidas e o sofrimento de inocentes devido à acção dos palestinianos, penso que ainda é necessário dizer que nenhum movimento nacional como o deles foi tão injustamente penalizado pelos seus pecados, difamado e sujeito a represálias desproporcionadas.

A política de contra ataques punitivos de Israel (ou terrorismo de estado) parece ser a de tentar matar 50 a 100 árabes por cada baixa israelita. A devastação dos campos de refugiados no Líbano, hospitais, escolas, mesquitas, igrejas e orfanatos; as prisões sumárias, deportações, destruição de habitações, as mutilações, as torturas de palestinos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza… tudo isso e o número de palestinianos mortos, a escala das perdas materiais, as privações físicas, políticas e psicológicas, excederam de forma tremenda o prejuízo causado pelos palestinianos aos israelitas…”
In: “The Question os Palestine” de Edward Said.

O preconceito do Governo dos USA e dos meios de comunicação sobre o terrorismo no Médio Oriente

“…É simplesmente extraordinário e sem precedentes que a história de Israel – levando em conta que se trata de um estado baseado em conquista e invasão de território de países circundantes, bombardeamento e destruição à vontade, e considerando ainda que ocupa actualmente, contra a legislação internacional, territórios que foram parte do Líbano, da Síria e da Palestina – o seu passado nunca é citado, nunca sujeito a apreciação nos meios de comunicação da América do Norte e nunca mencionado nos discursos oficiais… e nunca referido como parte actuante em nenhum processo causador do “terror Islâmico”…”
In: “The Progressive”, de Edward Said, 30 de Maio de 1996.

Vozes judaicas que criticam o sionismo

“Albert Einstein:
Penso que seria muito mais razoável a concórdia com os árabes e a coexistência pacifica com eles do que a criação de um estado judaico. Além de considerações de ordem prática, a minha noção da natureza do judaísmo opõe-se à criação de um estado judaico, com fronteiras, exército, e a construção de um poder temporal, mesmo que modesto. Receio os prejuízos interiores que isso vai provocar no judaísmo…”

“Erich Fromm
(Sociólogo e filósofo americano de origem alemã (1900 – 1980) considerado como um dos grandes humanistas do sec XX, judeu, notável escritor e pensador) declarou que
“…em legislação geral e internacional mantém-se o princípio de que nenhum cidadão perca a sua propriedade ou os seus direitos de cidadania; e quanto a estes últimos têm os árabes de Israel muito mais legitimidade que os próprios judeus. Porque os árabes fugiram? E desde quando é que isso é punível com confiscação da propriedade, com o impedimento de regressar à terra onde viveram com seus antepassados durante gerações e gerações? Deste modo as pretensões dos judeus à terra de Israel não são legítimas. Se todas as nações reivindicassem subitamente os territórios dos seus antepassados de há dois mil anos, o mundo tornar-se-ia um manicómio… Acredito que, politicamente falando, só há uma solução para Israel, nomeadamente o reconhecimento unilateral da obrigação de um estado para os árabes – não como base para regatear politicamente, mas sim como forma de reconhecimento integral das obrigações morais do estado de Israel para com os anteriores habitantes da Palestina…”

Nathan Chofshi – Somente uma revolução interna pode ter o poder de curar o nosso povo da sua doença assassina de ódio sem causa que está destinado a fazer cair sobre nós uma completa ruína. Só nessa altura os velhos e os novos da nossa terra terão a ideia da magnitude da nossa responsabilidade perante aqueles miseráveis refugiados árabes em cujas cidades estabelecemos colonos judeus que para aqui foram trazidos de muito longe; cujas casas herdámos; cujos campos agora semeamos e colhemos; em cujos pomares, jardins e vinhedos colhemos os respectivos frutos; e em cujas cidades que roubámos construímos casas para a educação, a caridade e a prece, enquanto papagueamos em delírio que somos o “Povo do Livro” e a “luz das nações”…”

Num artigo publicado no “Washington Post” de 3 de Outubro de 1978, o Rabbi Hirsh de Jerusalém, é citado do seguinte modo: “O 12º princípio da nossa fé, acredito, é de que o Messias reunirá os exilados judeus que se encontram dispersos pelas nações deste mundo. O sionismo é diametralmente oposto ao judaísmo. O sionismo pretende definir o povo judeu como entidade nacionalista. Os sionistas dizem, com efeito:
– Olha, Deus, não gostamos do exílio. Traz-nos de regresso, e se não o fizeres, arregaçaremos as mangas e regressaremos por nós mesmos. Isto, prossegue o Rabbi, é uma heresia. O povo judeu está comprometido por juramento divino a não forçar o seu regresso à Terra Santa contra o desejo daqueles que ali residem…”
In: “Bitter Harvest” de Sami Hadawi”

“…Não vale a pena ter um lar judeu na Palestina construído pela força das baionetas e da opressão, como tentativa bem sucedida. Ao contrário valeria bem a pena tentar fazê-lo pacificamente, em cooperação, acordo, educação e boa vontade, ainda que como tentativa falhada…”
Rabbi Judah L. Magnes, primeiro presidente da Universidade Hebraica de Jerusalém, citado em “Like All The Nations”, ed. Brinner Rischin.

Palavras de Martin Buber a respeito do que deveria ser o sionismo

“…O primeiro facto é que quando fizemos a aliança (admito aliás não adequadamente definida) com um estado europeu e lhe proporcionámos o direito de governar a Palestina, nada fizemos para chegar a um acordo com os árabes que ali residiam relativamente às bases e condições para levar a cabo a instalação dos judeus.
Esta abordagem negativa levou os árabes que tomaram conhecimento e se preocupavam com o futuro do seu povo, a encararem-nos cada vez mais como um grupo interessado em viver em colaboração com eles, mas como alguém que aparece sem ser convidado na representação de interesses estranhos (facto que na altura assinalei explicitamente).
Segundo, porque lançámos mão das posições chave da economia do país sem compensar a população árabe, o que que quer dizer que não lhes concedemos uma quota parte quer no capital, quer no trabalho relativo à nossa actividade económica. Pagando aos proprietários mais abastados o preço de terras adquiridas ou pagar rendas aos locatários de outras não é o mesmo que compensar todo o povo de um país. Como consequência, muitos dos árabes mais avisados entenderam o avanço dos assentamentos judaicos como uma espécie de conjura para privar as gerações futuras do seu povo da terra necessária para a sua existência e desenvolvimento. Somente mediante uma política económica vigorosa e abrangente, dirigida à organização e desenvolvimento de interesses comuns teria sido possível contrariar esse ponto de vista e as respectivas consequências. E isso foi o que não fizemos.
Terceiro facto foi que, ao ter-se aproximado o fim do mandato britânico, não só não propusemos à população árabe do país a implantação de uma administração conjunta, como avançámos para a autoridade exclusiva que exigimos para a totalidade do território (o programa Biltmore) como consequência política adequada dos ganhos que já havíamos feito. Com essa medida, fornecemos por nossas próprias mãos aos nossos inimigos do lado árabe, a ajuda e o conforto mais precioso – o apoio da opinião pública – sem o qual o ataque militar que nos foi feito não teria sido possível. Conforme o que agora parece à população árabe a respeito das actividades em que estávamos envolvidos havia anos, comprando terras e desenvolvendo o país, já estávamos a preparar o terreno para lançar mão premeditadamente do controle de todo o país…”
Citação de palavras de Martin Buber, in “A Land of Two Peoples”, ed. Mendes-Flohr

Os novos historiadores de Israel refutam agora os mitos fundadores do estado

“…Desde os anos 80 que os estudiosos de Israel coincidem com os seus congéneres palestinianos de que o sionismo foi levado a cabo exclusivamente numa base de colonialismo puro contra a população local: um misto de expropriação e exploração…

Estavam motivados a apresentar um parecer revisionista ao revelar arquivos secretos de Israel, Grã-Bretanha e Estados Unidos (por exemplo…)

Contestando o mito da aniquilação – O novo quadro historiográfico é um desafio fundamental para a história oficial que afirma que a comunidade judaica enfrentava a ameaça de uma aniquilação nas vésperas da guerra de 1948. Documentos de arquivo revelam um mundo árabe fragmentado pela desespero e pela confusão e por uma comunidade palestiniana sem capacidades militares com as quais pudesse ameaçar Israel.

As responsabilidades de Israel pelos refugiados – A supremacia militar dos judeus traduziu-se pela expulsão em massa de mais de metade da população árabe. As forças israelitas, aparte raras excepções , expulsaram os palestinianos de todas as cidades e vilas que ocupavam. Em certos casos, a expulsão era acompanhada por massacres de civis tal como foi o caso em Lydda, Ramleh, Dawimiyya, Sa’sa, Ein Zietun e noutros lugares. A expulsão foi acompanhada de violações, saques e confiscações de terra e pertences árabes…”

O mito da intransigência árabe – As Nações Unidas patrocinaram uma conferência de paz em Lausanne, na Suiça, na Primavera de 1949. Antes da mesma, A Assembleia Geral adoptou uma resolução que substituía a resolução de “partilha” de Novembro de 1947. Esta nova resolução, a Resolução nº 194 de 11 de Dezembro de 1948 aceitou a proposta de Bernardotte (mediador das Nações Unidas) de uma base triangular para uma paz abrangente: o regresso incondicional de todos os refugiados para suas casas, a internacionalização de Jerusalém, e a repartição da Palestina em dois estados. Nessa altura, vários estados árabes e vários representantes dos palestinianos aceitaram a proposta como base para negociações, tal como os Estados Unidos, que estavam a comandar as operações em Lausanne.
O primeiro ministro de Israel David Ben-Gurion opôs-se fortemente a quaisquer negociações de paz nessa base. A única razão que o trouxera à conferência fora o receio que tinha da reacção americana. Por isso se pode afirmar que não se ter aberto caminho à paz foi devido à posição de Israel e não a qualquer intransigência árabe.

Conclusões

– Os novos historiadores israelitas desejam rectificar aquilo que a sua investigação revela como sendo flagelos do passado. Foi muito caro o preço a pagar pela criação de um estado judaico na Palestina. E houve vítimas cujo sacrifício envolve compromissos que ainda alimentam o conflito que ali se trava.
In: “The Link”, de Ilan Pappe, historiador israelita, Janeiro de 1998.

“Já não é o meu país”

“…Para mim esta empresa chamado o estado de Israel já acabou. Já não suporto mais ver a injustiça que é feita aos árabes, aos beduínos. Todo o tipo de escumalha vinda dos Estados Unidos desembarca dos aviões e passa à ocupação de terras que reivindica como suas. Nada posso fazer contra isso. Só me resta fugir a isto e mandar todos para o inferno sem mim…”
Palavras de Rivka Mitchell, atriz israelita, citadas no jornal israelita do movimento pela paz « The Other Israel » em Agosto de 1998.

O efeito do sionismo nos judeus americanos

“…A corrupção do judaísmo como religião de valores universais através da sua politização pelo sionismo e pela substituição da dedicação a Deus e à lei moral pela dedicação a Israel, foi o que alienou tantos jovens americanos que, em busca de significado espiritual na vida, pouco encontraram na comunidade judaica organizada…”
In: “Issues of the American Council for Judaism”, palavras de Allan Brownfield, Primavera de 1997.

O SIONISMO E O HOLOCAUSTO

As decisões das Nações Unidas para fazer a “partilha” da Palestina e depois a de admitir o estado de Israel como seu membro foram tomadas, em parte, como resposta emocional aos horrores do holocausto. Em condições verdadeiramente normais a justa reivindicação da maioria árabe à soberania teria levado a melhor.
Esta reacção de culpa de parte dos aliados ocidentais foi compreensível, mas isso não significa que os palestinianos devessem ter de pagar pelos crimes cometidos por outros – exemplo clássico que dois erros somados não produzem uma decisão certa.
O holocausto é frequentemente usado como argumento final a favor do sionismo, mas será tal associação legítima?

Há muitos aspectos a considerar na resposta honesta a essa questão. Primeiro teremos que examinar os arquivos históricos quanto ao papel que os sionistas desempenharam para salvar a comunidade judaica dos nazis.

Shamir propôs uma aliança com os nazis

“… em 1941 o grupo sionista LEHI, e o seu líder Yitzhak Shamir que chegaria mais tarde a ser primeiro ministro de Israel, abordou os nazis em nome da sua organização originária, a IRGUN (NMO) nos seguintes termos:
O estabelecimento do estado histórico dos judeus baseado no totalitarismo e no racismo e ligado ao Reich alemão por um tratado seria no interesse do reforço do futuro das relações de força da nação alemã no Próximo Oriente. O NMO da Palestina propõe tomar parte activa na guerra ao lado da Alemanha…”
Os nazis rejeitaram a proposta de uma aliança porque, de acordo com declarações, consideraram o poder militar da LEHI como insignificante…”

In: The Washington Report On Middle East Affairs, Julho/Agosto 1998, por Allan Brownfield.

Salvar Judeus do holocausto não seria o principal objectivo do sionismo?

“…Em 1938 foi organizada uma conferência de trinta e um países em Evian, França, para a reinserção das vítimas do nazismo. O Organização Mundial Sionista recusou-se a participar, receando que a reinstalação de judeus noutras partes do mundo reduzisse o número de judeus disponíveis para colonizar a Palestina…”
In: “Palestine and Israel: A Challenge to Justice”, de John Quigley.

“…O encontro do executivo da Agência Judaica em 26 de Junho de 1938 concluiu que o mais aconselhável para os sionistas era menosprezar tanto quanto possível a conferência de Évian e procurar que não chegasse a conclusões.
“Estamos especialmente preocupados se organizações judaicas conseguirem reunir grandes somas em dinheiro para ajudar refugiados judeus e que tais importâncias prejudiquem as nossas próprias recolhas de fundos…” Ben-Gurion declarou nesse mesmo encontro: “Nenhuma justificação pode transformar a conferência de modo a fazê-la passar de perigosa a útil. O que podemos fazer é limitar os seus estragos o mais possível…”
In: “Jewish State or Israeli Nation?” de Boas Evron, autor israelita.

“…Ben-Gurion declarou: “…se eu soubesse que era possível salvar todas as crianças da Alemanha transportando-as para a Inglaterra, mas somente metade delas para a Palestina, escolheria a segunda hipótese – porque aquilo que enfrentamos não é apenas o reconhecimento de tais crianças, mas o reconhecimento histórico do povo judeu…”
A seguir aos “progroms” da “Kristallnacht” , Ben-Gurion comentou que “a consciência humana pode levar vários países a abrir as suas portas a refugiados judeus da Alemanha. Ben-Gurion viu isso como um perigo e recomendou: “O sionismo está em perigo”
In: “The Seventh Million” de Tom Segev, historiador israelita.

“…mesmo o simpático biógrafo de Ben-Gurion reconheceu que ele nada fez na prática para o salvamento de judeus, dedicando as suas energias a tarefas relativas ao pós-guerra. Delegou as tarefas de salvamento a Yotzak Gruenbaum que declarou: “Vão dizer que sou anti-semita, que não quero evitar o exílio, que não tenho um “varm yiddish hartz” (um quente coração judeu)… deixá-los dizer o que quiserem! Não vou pedir à Agência Judaica que mobilize 300.000 ou 100.000 libras para ajudar a comunidade judaica da Europa. E penso que quem quer que peça uma tal coisa está a levar a cabo uma acção anti-sionista…”

“…os sionistas da América assumiram a mesma posição. No encontro de Maio de 1943 do “American Emergency Committee for Zionist Affairs”, Nahum Goldmann argumentou: “se se preparar um golpe contra o “Livro Branco” (política britânica de restrição à emigração judaica para a Palestina) as manifestações de massas contra o assassinato de judeus na Europa terão que ser deixadas de lado. Não temos gente disponível para ambas as campanhas…”
In: “The Holocaust in American Life” de Peter Novick

“O movimento sionista interferiu e obstruiu outras organizações judaicas e não-judaicas sempre que imaginasse que as suas actividades políticas ou humanitárias fossem de sentido diverso ou competissem com os objectivos sionistas, mesmo quanto tais actividades fossem favoráveis aos judeus, mesmo quando se apresentassem como questões de vida ou de morte. Beit Zvi documenta a indiferença da liderança dos sionistas quanto ao salvamento de judeus da ameaça nazi, excepto nos casos em que judeus pudessem ser trazidos para a Palestina, por exemplo no caso da disponibilidade do ditador da República Dominicana Rafael Trujillo de receber cem mil refugiados judeus e a sabotagem dessa ideia pelo movimento sionista, como de outras que também houve para localizar judeus no Alaska e nas Filipinas…”

“…A imbecilidade do movimento sionista relativamente à comunidade judaica da Europa não a impediu, mais tarde, de proferir acusações exaltadas contra todo o mundo pela indiferença relativamente à catástrofe judaica ou de efectuar exigências materiais, políticas e morais, a todo o mundo, devido a essa indiferença…”
In: “Israeli State or Israeli Nation”, de Boas Evron, autor israelita.

“…Já aprofundei exaustivamente as razões de estarmos aqui, razões pelas quais eu como pioneiro de 1906 posso afirmar que nada têm a ver com os nazis!… Estamos aqui porque a terra é nossa. E estamos aqui porque a fizemos nossa de novo neste momento e com o trabalho que nela praticámos. O nazismo e o nosso martírio no estrangeiro nada tem a ver directamente com a nossa presença em Israel…”
In: “Memoirs”, de David Ben-Gurion.”

“…Olhando o passado é fácil dizer que os milhões de judeus que foram assassinados pelo holocausto teriam sido poupados se a Palestina estivesse disponível para aceitar uma imigração ilimitada. A história deste período não é simples.
Primeiro, recordemos que outros planos de instalação foram propostos e energicamente recusados pelo movimento sionista.
Segundo, a grande maioria dos judeus europeus não eram sionistas e não tinham tentado emigrar para a Palestina antes de 1939.
Terceiro, depois de a guerra ter começado, à medida que os nazis iam ocupando países, recusaram-se a deixar sair judeus, tornando a emigração virtualmente impossível. E a Palestina, como já mostrámos, já se encontrava ocupada; Os árabes ali residentes tinham razões mais válidas do que qualquer outro país para querer limitar a imigração judaica. Leia-se o seguinte:

Emigração para a Palestina antes da Segunda Guerra Mundial

“…Em 1936 a União Social Democrata (Social Democratic Bund) teve uma vitória acentuada na Polónia, nas eleições para a “Kehilla” (comunidade) judaica. As suas principais palavras de ordem incluíam “uma hostilidade inflexível” ao sionismo, e à promoção da emigração de judeus polacos para a Palestina. A União desejava lutar contra o anti-semitismo na Polónia, permanecendo ali. O objectivo dos sionistas era contrário, por uma questão de princípio, a todos os principais partidos e movimentos da comunidade judaica de antes da guerra de 1939… Nos outros países da Europa de Leste a influência do sionismo era ainda mais fraca…”
In: “The Myth os Rescue”, pelo Prof. William Rubinstein.

“…De facto o sionismo sofreu a sua própria derrota no holocausto, falhando como movimento. Ao fim ao cabo não tinha conseguido convencer a maioria dos judeus a deixar a Europa para se fixarem na Palestina enquanto isso ainda era possível…”
In: “The Seventh Million”, de Tom Segev, historiador israelita.

Emigração durante a 2ª Guerra Mundial

“…quando começou a Guerra o governo nazi decretou a proibição da emigração na Alemanha e em todos os países que foram caindo sob o seu poder. Depois de 1940 tornou-se portanto impossível para os judeus emigrarem da Europa que fora ocupada pelos nazis, para lugares seguros. As portas tinham-se fechado pesadamente: pelos nazis, que não fiquem dúvidas…”
In: “The Myth os Rescue”, pelo Prof. William Rubinstein.

A Palestina também não era porto seguro

“…em Setembro de 1940, os italianos, em guerra com a Grã-Bretanha bombardearam a parte baixa da cidade de Tel-Aviv, com mais de cem vítimas. Como o exército alemão estava a conquistar a Europa e o Norte de África parecia possível que acabaria por fazer o mesmo à Palestina. No Verão de 1940 e na Primavera de 1941, e de novo no Outono de 1942 o perigo parecia eminente. Os yushuv entraram em pânico. Muitas pessoas tentaram escapar-se do país, mas não era fácil. Muitos, não querendo correr certos riscos, traziam consigo cápsulas de cianeto…”
In: “The Seventh Million”, de Tom Segev, historiador israelita.

Em todo o caso a Grã Bretanha não podia ceder a Palestina: ela já estava ocupada!…

“… viemos para este país que já estava povoado por árabes, e estamos a instalar aqui um estado hebreu, quer dizer, um estado judeu. Vilas judaicas foram construídas no lugar de vilas árabes. Não há uma única comunidade no país que não tenha sido anteriormente povoada por árabes…”
Palavras de Moshe Dayan, líder israelita citado por Benjamin Beit-Hallahmi no seu livro “Original Sins”.

“…podemos argumentar pelo direito de uma minoria perseguida a encontrar refúgio noutro país capaz de o receber; é constrangedor, no entanto, argumentar pelo direito de uma minoria pacífica deslocar politica e até fisicamente a população indígena doutro país. Esta contudo era a intenção real do movimento sionista…”
In: “Image and Reality of the Israel-Palestine Conflict”, de Norman Finkelstein.

O uso do holocausto com fins políticos

“…em 1947 as Nações Unidas nomearam uma comissão especial, a UNSCOP (United Nations Special Committee on Palestine) para tomar decisões a respeito da Palestina. Os seus membros foram solicitados a visitar os campos de sobreviventes do holocausto. Muitos de tais sobreviventes desejavam emigrar para os Estados Unidos, um desejo que minava as pretensões sionistas de que o destino da comunidade judaica da Europa estava ligado ao da comunidade judaica da Palestina. Quando os representantes da UNSCOP chegaram aos campos, não se deram conta de manobras de bastidores que limitavam o seu contacto apenas com candidatos à emigração para a Palestina…”
In: “The Link – January, March, 1998” de Ilan Pappe, historiador Israelita.

“…no interior dos campos de pessoas deslocadas (DP camps), emissários da Yushuv organizavam os programas de actividade, principalmente quanto ao testemunho a ser dado pelos deslocados quanto ao lugar para onde tencionavam ir, quer ao “Anglo-American Committee of Inquiry”, quer à UNSCOP.
Os enviados da Agência Judaica fizeram um relatório para Israel de que tinham tido êxito em impedir testemunhos “indesejáveis” no decurso das entrevistas. Um deles escreveu à sua namorada dizendo “que temos de mudar constantemente o estilo de escrita e de caligrafia de maneira que eles pensem que os questionários foram preenchidos pelos refugiados…”
In: “The Holocaust in Americam Life”, de Peter Novick.

Conselheiro de Roosevelt explica porque razão não foi oferecido direito de asilo nos EUA aos judeus refugiados depois da 2ª Guerra Mundial

“…Que aconteceria se o Canada, a Austrália, a América do Sul, Inglaterra e os Estados Unidos se dispusessem todos a abrir a porta a certa migração? Mesmo agora, em 1947, é minha opinião, e tenho ido à Alemanha desde o fim da guerra, que só uma minoria dos refugiados judeus escolheria a Palestina para viver…”

“…Roosevelt propôs um orçamento mundial para facilitar a emigração de 500.000 derrotados da Europa. Cada nação abriria as suas portas a alguns milhares. Sugeriu-me portanto que durante as minhas viagens por sua conta a Inglaterra durante a guerra fosse sondando por alto e informalmente os lideres de opinião pública, dentro e fora do governo. A resposta foi simples: a Grã-Bretanha fará tal e qual o que fizerem os EUA, pessoa por pessoa, quanto a admissões de gente proveniente da Europa. Parecia pois, que tudo estava combinado. Com o resto do mundo provavelmente na disposição de aceitar 200.000 refugiados, havia fortes razões para que o presidente pressionasse o Congresso para receber pelo menos 150.000 imigrantes, depois da guerra…”

“…livrar-nos-ia da hipocrisia de fecharmos as nossas próprias portas, ao mesmo tempo que fazíamos pias exigências aos árabes. Mas a ideia não funcionou. O falhanço das organizações de liderança judaicas para apoiar de forma zelosa este programa de imigração pode ter estado na origem de o presidente nunca se ter preocupado muito com o cumprimento do mesmo…”

“…Falei com muitos activistas das organizações judaicas. Sugeri o plano e fiquei estupefacto, e até senti como um insulto quando líderes judeus me não ligaram importância, me ridicularizaram e depois me atacaram como se eu fosse um traidor. Penso que sei a razão para a maior parte dessa oposição. Há um interesse profundo, genuíno, fanático e emocional mesmo, em propagandear o movimento sionista. Homens como Ben Hecht estão muito pouco preocupados em evitar que o sangue corra, a menos que seja o seu próprio…”
In: “So Far, So Good”, de Morris Ernst, assessor jurídico e amigo do presidente Roosevelt.

“Vitimologia”

“…os judeus que jogaram a cartada de se armarem em vítimas têm consciência não só da sua eficácia social, mas também da sua utilidade em assegurar a obtenção de solidariedade judaica e, por isso, meios de sobrevivência. Se fossemos odiados para sempre por todos e sendo condenados a ser para sempre odiados por todos, o melhor seria cerrar fileiras e tirar o melhor partido disso. Pessoalmente nunca achei que essa ideia do “gentio” eternamente portador de ódio, tivesse qualquer coisa a ver com a realidade. Parece um mito, puro e simples e por sinal, bem feio…”

“…Será eficaz como meio de controlo social? Talvez, mas com que custos? Aliena a fé e a história de judeus e de gentios de igual maneira, salvo no que toca a alguns meses das suas confrontações mútuas. Atola-se num imaginário sinistro e exalta para todo o sempre um judeu moralmente superior, vitimizado pelo, para todo o sempre, inferior “goy”. Passei a maior parte da minha vida de adulto na companhia de Judeus hassídicos, a maior parte dos quais eram sobreviventes do holocausto, e nunca tive de suportar a infatigável e patética “vitimologia” e a doentia necessidade de memoralizá-la. A “vitimologia” permite aos judeus passar de lado a sua própria fé e oferecer em substituição lealdade nacional ao estado Israel/holocausto…”
Palavras do Rabbi Mayer Schiller, citadas em “Issues of the American Council for Judaism”, Verão de 1998.

um documento de extrema importancia emitido hoje 15/03/2017 Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia Ocidental Comissão Econômica e Socialdas Nações Unidaspara a Ásia Ocidental

Práticas israelenses em relação ao povo palestino e a questão do apartheid: Palestina e a ocupação israelense, Edição No. 1

Símbolo: 
E / ESCWA / ECRI / 2017/1
Emitido em: 
2017

Este relatório examina, com base em instrumentos-chave do direito internacional, se Israel estabeleceu um regime de apartheid que oprime e domine o povo palestino como um todo. Tendo estabelecido que o crime de apartheid tem aplicação universal, que a questão do estatuto dos palestinianos enquanto povo está estabelecida em direito e que o crime de apartheid deve ser considerado ao nível do Estado, o relatório pretende demonstrar Como Israel impôs tal sistema aos palestinos para manter a dominação de um grupo racial sobre os outros.

Uma história de guerra, anexação e expulsões, bem como uma série de práticas, deixou o povo palestino fragmentado em quatro grupos de população distintos, três deles (cidadãos de Israel, residentes de Jerusalém Oriental e população sob ocupação na Cisjordânia E Gaza) que vivem sob o domínio direto de Israel eo restante, refugiados e exilados involuntários, vivendo além. Essa fragmentação, aliada à aplicação de corpos discretos de leis a esses grupos, situam-se no coração do regime do apartheid. Eles servem para enfraquecer a oposição a ele e para velar sua própria existência. Este relatório conclui, com base em evidências esmagadoras, que Israel é culpado do crime de apartheid, e insta à ação rápida para se opor e terminá-lo.

Práticas israelenses em relação ao povo palestino e à questão do apartheid: Palestina e a ocupação israelense, Edição Nº 1: Resumo

O vencedor israelita no Festival de Cinema de Berlim chama o governo israelense de “fascista”

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O vencedor israelita no Festival de Cinema de Berlim chama o governo israelense de “fascista”
O diretor Udi Aloni, cujo filme em língua árabe apresenta principalmente atores palestinos, diz que enquanto Netanyahu dissemina o ódio, seu filme espalha amor e coexistência.A atriz Salwa Sakkara (à esquerda), o ator Tamer Nafar, o diretor e produtor Udi Aloni ea atriz Samar Qupty representam no Festival de Cinema da Berlinale de 2016 em Berlim, na Alemanha, no sábado, 13 de fevereiro de 2016.

Haaretz e Reuters 20 De Fevereiro De 2016 21h33
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A atriz Salwa Sakkara (à esquerda), o ator Tamer Nafar, o diretor e produtor Udi Aloni ea atriz Samar Qupty se apresentam no Festival de Cinema da Berlinale de 2016 em Berlim, Alemanha, sábado, 13 de fevereiro de 2016. AP
Filmes israelenses ganham prêmios de público no Festival de Berlim
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O diretor israelense Udi Aloni fez manchetes em Berlim quando chamou o governo israelense de “fascista” em uma sessão de perguntas e respostas sobre o seu premiado filme “Junction 48”.
Aloni, cujo filme de hip-hop de língua árabe, com atores palestinos em sua maioria, disse que a Alemanha não deveria fornecer a Israel submarinos por causa de seu governo fascista. Ele também mencionou na sessão o palestino Mohammed al-Qiq  como um exemplo de falta de direitos dos não-judeus em Israel, dizendo que Qiq estava morrendo em prisão administrativa sem ser acusado de cometer um crime.
Aloni, que é filho do fundador de Meretz, Shulamit Aloni, respondeu aos comentários sobre suas declarações dizendo que estava dirigindo suas críticas ao governo israelense e não ao Estado, e acrescentou que seu filme espalha amor e coexistência, ao contrário do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu que espalha ódio.
“Junction 48” levou o Panorama Audience Award para melhor filme de ficção. O filme “Quem vai me amar agora?” Por Tomer e Barak Heymann foi eleito o melhor documentário de Panorama.
“Junction 48” conta a história de uma estrela de rap palestino e sua namorada que vivem perto de Tel Aviv na cidade mista judaica-palestina de Lod, conhecida até recentemente como um dos principais centros de tráfico de drogas do Oriente Médio.
A atriz Samar Qupty disse que deve ser fácil para os palestinos se identificarem com o filme, embora represente pessoas que vivem vidas que são radicalmente diferentes das tradições muçulmanas rigorosas.

Seu personagem, por exemplo, permite que uma foto de seu rosto seja usada em um cartaz anunciando um show de hip-hop, levando os membros da família a dizer que planejam feri-la se ela se apresentar.
“Ainda é um filme revolucionário porque não fala sobre a forma como os palestinos são geralmente representados no mundo”, disse Qupty.
“Estamos nos representando pela nova geração sem tentar provar nada a ninguém, com nossos” bens “e” bads “,” ela disse à Reuters em uma entrevista. “Estamos tentando apresentar o que é a verdadeira nova geração tentando fazer sem fazer a realidade parecer melhor ou pior.”
O diretor Aloni ficou satisfeito com as reações do público.
“Estamos todos tão otimistas porque também trouxemos algumas crianças que lhes demos ingressos, você sabe, 20 anos de idade que não sabem nada sobre nós e eles adoram.
“Assim provavelmente a escolha de ter Tamer [Nafar], ele é tão carismático, e hip-hop que é tão universal, foi uma jogada muito boa.”
O cantor Nafar não espera que todo mundo no Oriente Médio ame o filme, mas está confiante de que abrirá um debate.
“Isso vai abrir um palco e eu acho que é muito importante eo filme não está aqui para dar soluções, o filme está aqui para levantar as perguntas certas”, disse ele.

Haaretz
read more: http://www.haaretz.com/israel-news/culture/1.704415

Entrevista a Ralph Schoenman, autor de “A História Secreta do Sionismo”. 12/11/2010

Entrevista a Ralph Schoenman, autor de “A História Secreta do Sionismo”.

12/11/2010

 

Ralph Schoenman

Ralph Schoenman

 

judeu norte-americano Ralph Schoenman(1) (Nova York, 1935), um conhecido analista político, antigo secretário pessoal de Bertrand Russell e implacável crítico da ideologia expansionista do seu país, é o autor de, entre outras obras, “The Hidden History of Zionism”, Veritas Press, Santa Barbara, Califórnia, 1988..

Essa obra apresenta-nos um relato detalhado e documentado da verdadeira história da ocupação da Palestina e do papel que jogou o sionismo. O autor pede o fim de toda a ajuda ao Estado de Israel e acusa “a liderança sionista de colaborar com os piores perseguidores dos judeus durante o século XIX e o século XX, incluindo os nazis“. O livro de Schoenman analisa as origens do movimento sionista, e denuncia seus crimes contra os palestinos e contra os próprios judeus; existe um capítulo exclusivamente dedicado à análise da colaboração entre o movimento sionista e a Alemanha Nazi, e à cumplicidade sionista no Holocausto.

A seguir se transcreve a entrevista que lhe realizou Stylianos Tsirakis (ST) (2), para a revista Teoria & Debate (Fundação Perseu Abramo, Brasil), nº 5 – Janeiro/Fevereiro/Março de 1989:

 

 

capa de história oculta do sionismo

Capa da edição em castelhano

 

Stylianos Tsirakis (ST) – Em “ The Hidden History of Zionism” (A História Oculta do Sionismo), você descreve quatro mitos sobre a história do sionismo. Gostaríamos que explicasse um pouco seu livro.

Ralph Schoenman (RS) – O meu trabalho na Fundação Bertrand Russell foi importante por me ter dado a possibilidade de documentar factos sobre a formação do Estado sionista de Israel. Em cursos e palestras que proferi em mais de uma centena de universidades americanas e europeias, pude constatar que as pessoas não sabiam, não tinham conhecimento da história do movimento sionista, dos seus objectivos e de outros factos. Nessas ocasiões deparei com concepções equivocadas sobre a natureza do Estado de Israel e foi isso que impulsionou o meu trabalho de escrever o livro, The Hidden History of Zionism, no qual abordo o que chamo de os quatro mitos que têm moldado a consciência nos Estados Unidos e na Europa sobre o sionismo e o Estado de Israel.

ST – Quais são esses quatro mitos?

RS – O primeiro mito é o da “terra sem povo para um povo sem terra”. Os primeiros teóricos sionistas, como Theodor Herzl e outros, apresentaram ao mundo a Palestina como uma terra vazia, visitada ocasionalmente por beduínos nómadas; simplesmente, uma terra vazia, esperando para ser tomada, ocupada. E os judeus eram um povo sem terra, que se originaram historicamente na Palestina; portanto, os judeus deveriam ocupar essa terra. Desde o começo, os primeiros núcleos de colonos, promovidos pelo movimento sionista, foram caracterizados pela remoção, pela expulsão armada da população palestina nativa do local onde essa população vivia e trabalhava.

ST – Quais os outros três mitos?

RS – O segundo mito que o livro pretende discutir é o mito da democracia israelíta. A propaganda sionista, desde o início da formação do Estado de Israel, tem insistido em caracterizar Israel como um Estado democrático ao estilo ocidental, cercado por países árabes feudais, atrasados e autoritários. Apresentam então Israel como um bastião dos direitos democráticos no Oriente Médio. Nada poderia estar mais longe da verdade.

Entre a divisão da Palestina e a formação do Estado de Israel, num período de seis meses, brigadas armadas israelitas ocuparam 75% da terra palestina e expulsaram mais de 800 mil palestinos, de um total de 950 mil. Eles os expulsaram através de sucessivos massacres. Várias cidades foram arrasadas, forçando assim a população palestina a refugiar-se nos países vizinhos, em campos de concentração e de refugiados. Naquele tempo, no período da formação do Estado de Israel, havia 475 cidades e vilas palestinas, que caíram sob o controle israelita. Dessas 475 cidades e vilas, 385 foram simplesmente arrasadas, deixadas em escombros, no chão, apagadas do mapa. Nas 90 cidades e vilas remanescentes, os judeus confiscaram toda a terra, sem qualquer tipo de indemnizarão. Hoje, o Estado de Israel e seus organismos governamentais, tais como o da Organização da Terra, controlam cerca de 95% da terra palestina.

De acordo com a legislação existente em Israel, é necessário provar, por critérios religiosos ortodoxos judeus, a ascendência judaica por linhagem materna até a quarta geração, para poder possuir terra, trabalhar na terra ou mesmo sublocar terra. Como eu digo sempre, nas palestras em que apresento meus pontos de vista, em qualquer país do mundo (seja Brasil, EUA, onde for), se fosse necessário preencher requisitos parecidos com esses, ninguém duvidaria do carácter racista de tal Estado; seria notória a existência de um regime fascista.

A Suprema Corte em Israel tem ratificado que Israel é o Estado do povo judeu e que, para participar da vida política israelita, organizar um partido político, por exemplo, ou ter uma organização política, ou mesmo um clube público, é necessário afirmar que se aceita o carácter exclusivamente judeu do Estado de Israel. É um Estado colonial racista, no qual os direitos são limitados à população colonizadora, na base de critérios raciais.capa história oculta do sionismo

O terceiro mito do qual falo em meu livro é aquele criado para justificativa da política de Israel, que se diz baseada em critérios de segurança nacional. A verdade é que Israel é a quarta potência militar do mundo. Desde 1948, os EUA deram a Israel US$ 92 bilhões em ajuda directa. A magnitude dessa soma pode ser avaliada quando observamos que a população israelita variou entre 2 a 3 milhões nesse período. Se o governo americano dá algum dinheiro para países como Taiwan, Brasil, Argentina, e a aplicação desse dinheiro tiver alguma relação com fins militares, a condição é que as compras desse material têm que ser feitas aos EUA. Mas há uma excepção: as compras de material bélico podem ser feitas também de Israel. Israel é tratado pelos EUA como parte de seu território, em todos os assuntos comerciais.

O que motivaria uma potência imperialista a subsidiar tanto um Estado colonial? A verdade é que Israel não pode mesmo existir sem a ajuda americana, sem os US$ 10 bilhões anuais. Israel é, portanto, a extensão do imperialismo na região do Oriente Médio. Israel é o instrumento através do qual a revolução árabe é mantida sob controlo. É, portanto, o instrumento através do qual as ricas reservas do Oriente Médio são mantidas sob o controle do imperialismo americano. É também um meio através do qual os regimes sanguinários dos países árabes são mantidos no governo, graças ao clima de tensão gerado por uma possível invasão israelita.

O quarto mito a que me refiro no livro, que tem influenciado a opinião pública mundial, refere-se à origem do sionismo, à origem do Estado de Israel. O sionismo tem sido apresentado como o legado moral do holocausto, das vítimas do holocausto. O movimento sionista tem como que se “alimentado” da mortandade colectiva dos 6 milhões de vítimas da exterminação nazi na Europa. Esta é uma terrível e selvagem ironia. A verdade é bem o oposto disso. A liderança sionista colaborou com os piores perseguidores dos judeus durante o século XIX e o século XX, incluindo os nazis.

Quando alguém tenta explicar isso para as pessoas, elas geralmente ficam chocadas, e perguntam: o que poderia motivar tal colaboração? Os judeus foram perseguidos e oprimidos por séculos na Europa e, como todo povo oprimido, foram empurrados, impelidos a desafiar o establishment, o status quo. Os judeus eram críticos, eram dissidentes. Eles foram impelidos a questionar a ordem que os perseguia. Então, o melhor das mentes da inteligência judia foi impelido para movimentos que lutavam por mudanças sociais, ameaçando os governos estabelecidos. Os sionistas exploraram esse fato a ponto de dizer para vários governos reaccionários que o movimento sionista iria ajudá-los a remover esses judeus de seus países. O movimento sionista fez o mesmo apelo ao Kaiser na Alemanha, obtendo dele dinheiro e armas. Eles se reivindicavam como a melhor garantia dos interesses imperialistas no Oriente Médio, inclusive para os fascistas e os nazis.

The Hidden History of Zionism coverST – Como se deu essa colaboração dos sionistas com os nazis?

RS – Em 1941, o partido político de Itzhak Shamir (conhecido hoje como Likud) concluiu um pacto militar com o 3º Reich alemão. O acordo consistia em lutar ao lado dos nazis e fundar um Estado autoritário colonial, sob a direcção do 3º Reich. Outro aspecto da colaboração entre os sionistas e governos e Estados perseguidores dos judeus é o fato de o movimento sionista ter lutado activamente para mudar as leis de imigração nos EUA, na Inglaterra e em outros países, tornando mais difícil a emigração de judeus perseguidos na Europa para esses países. Os sionistas sabiam que, podendo, os judeus perseguidos na Europa tentariam emigrar para os EUA, para a Grã-bretanha, para o Canadá. Eles não eram sionistas, não tinham interesse em emigrar para uma terra remota como a Palestina. Em 1944, o movimento sionista refez um novo acordo com Adolf Eichmann. David Ben Gurion, do movimento sionista, mandou um enviado, de nome Rudolph Kastner, para se encontrar com Eichmann na Hungria e concluir um acordo pelo qual os sionistas concordaram em manter silêncio sobre os planos de exterminação de 800 mil judeus húngaros e mesmo evitar resistências, em troca de ter 600 líderes sionistas libertados do controle nazi e enviados para a Palestina. Portanto, o mito de que o sionismo e o Estado de Israel são o legado moral do holocausto tem um particular aspecto irónico, porque o que o movimento sionista fez quando os judeus na Europa tinham a sua existência ameaçada foi fazer acordos, e colaborar com o nacional-socialismo.

(1) Ralph Schoenman foi director executivo da Fundação pela Paz Bertrand Russel, cargo mediante o qual conduziu negociações com inúmeros chefes de Estado.  Devido ao seu incansável labor, assegurou a libertação de prisioneiros políticos em muitos países e fundou o Tribunal Internacional dos Crimes de Guerra dos Estados Unidos na Indochina, organização da qual foi secretário-geral. Velho militante, fundou o Comité dos 100, que organizou a desobediência civil massiva contra as armas nucleares e as bases norte-americanas na Grã-Bretanha. Foi também fundador e director da Campanha de Solidariedade ao Vietname e director do Comité “Quem Matou Kennedy?”.  Líder do Comité pela Liberdade Artística e Intelectual no Irão e co-director do Comité em Defesa dos Povos Palestino e Libanês e do Movimento de Solidariedade de Trabalhadores e Artistas Americanos. Actualmente é director executivo da Campanha Palestina, que clama pelo fim de toda ajuda a Israel e por uma Palestina livre.

(2) Escritor e jornalista brasileiro, de origem grega.

Ler edição inglesa do livro (html).

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criancas Terriblescriancas Terribles Mario Vargas Llosa Prêmio Nobel de Literatura reflete em uma série de relatórios sobre a ocupação israelense

criancas Terribles

Mario Vargas Llosa Prêmio Nobel de Literatura reflete em uma série de relatórios sobre a ocupação israelense. Na segunda parcela Nobel descreve, através do ouvido em um tribunal militar israelense tentando palestinos de 12 a 17 anos que ameaçam a segurança, como o sistema funciona “para evitar terror espalhar o pânico”

Uma menina palestina em a Cisjordânia. ORAR ZIV / ACTIVESTILLS 

Salwa Duaibis e Gerard Horton é dois advogados -Ela palestinos e britânicos / Australian – membros de uma organização humanitária que monitora as ações dos tribunais militares em Israel em encarregado de julgar os jovens com idade entre 12 e 17 anos que ameaçam a segurança de país. Na manhã que passei com eles em Jerusalém, tem sido um dos mais instrutivos que já tive.

Você sabe que em 2012 nem um único colono sabia de assentamentos na Cisjordânia foi morto? E a média de crimes contra membros de assentamentos nos últimos cinco anos é de apenas 4,8 média, por ano, o que significa que os territórios ocupados são mais seguros para eles do que as cidades de Nova York, México e Bogota para os seus vizinhos? Tendo em conta que em os colonos da Cisjordânia são 370.000 (se adicionado Jerusalém Oriental seria metade ummilhões) e o palestino 2.700.000, não é nenhuma dúvida possível: este é um dos lugares menos violentos no mundo, apesar da tiroteios, demolições, atos terroristas e distúrbios que realiza a imprensa.

“Um grande sucesso das Forças de Defesa de Israel (IDF), sem dúvida”, diz Gerard Horton. “Devemos felicitá-los por isso?” Algo semelhante só pode ser alcançado através do plano inteligente, frio e metodicamente executado. Qual é esse plano no que diz respeito a crianças e adolescentes?Em um programa de intimidação sistemática, astutamente concebido e executado com perfeição. Isso é para manter essa população jovem, de 12 a 17 anos, psicologicamente desestabilizados. Para ela, existem tribunais especiais que supervisionam os juristas desta instituição. O método consiste em “demonstrar a presença” em todos os lugares IDF, o “cauterização da consciência” e “operações simuladas interrupção do normal.” Este jargão esotérico pode ser resumido em uma frase simples: evitar o terror espalhando pânico. (Este método é diferente do que se aplica aos adultos e suspeitos de terrorismo, especialmente neste caso, assassinatos, tortura, longa prisão e apreensão e demolição de casas incluídas).

Este jargão pode ser resumido como evitar a propagação terror pânico

O Exército tem um oficial de inteligência no comando de cada uma das áreas da Cisjordânia e uma cadeia eficiente de informantes adquiridos através de suborno ou chantagem, por que faz listas de jovens participando de manifestações contra o ocupante e puxe pedras contra as patrulhas israelenses. As operações são feitas geralmente à noite por soldados mascarados que são anunciados com um ruído ensurdecedor, jogando às vezes atordoar granadas em suas incursões em casas, quebrando coisas, dando ordens e falando alto, a fim de assustar a família , especialmente para as crianças. Registros são imprevisíveis, detalhado e complicado. A criança ou ratted-lo com os olhos vendados e algemados; Eles são levados, deitado no chão do veículo, colocando os pés para cima, ou dando alguns chutes para mantê-lo com medo. No centro de interrogatório que deixá-lo deitado no chão cinco ou dez horas para desmoralizar e assustá-lo com a espera incerta na escuridão. O questionamento segue um protocolo preciso: aconselhá-lo culpado de atirar pedras, que dificilmente vão dois ou três meses de prisão;caso contrário, o julgamento pode ser longo, sete ou oito meses, e, se for condenado, receberá talvez uma sentença pior. Amolecida assim, você pode, então, propor para servir como informante. Se não for suficiente, ele adverte que poderiam ser violadas ou torturados, algo que não é necessário chegar, salvo em casos excepcionais. Alguns, apenas avisá-los de que seu comportamento poderia forçar o Exército a prender seus entes queridos, a sua mãe ou irmã, por exemplo.Em alguns casos, a juventude ou a criança aceita a proposta; e que quase sempre deixa quebrado, confuso, arrependido e envergonhado de si mesmo experiência.Isso melhora o humor, de acordo com os designers do método, o seu perigo potencial e torna-se vulnerável. E não é impossível que o humor ruinosa se espalhando para o resto da família.

Então, não tanto para identificar os culpados de atirar pedras; o objectivo é apresentar em casas e em cada aldeia, através das crianças e adolescentes, insegurança e alarme perpétua. Assombrado pelo medo de ser vítimas de tais registros no meio da noite, vandalizado pratos, camas e móveis, levaram filhos, irmãos ou netos, famílias em dificuldades tornam-se menos perigoso. Perseguir o mesmo terminar as proibições absurdas, toques de recolher disposições constantes, súbitas que alteram rotinas diárias e aumentar o início. A confusão e desordem impedir ou pelo menos desencorajar conspirações. Graças aos registros de surpresa e forma cenográfica e apetrechos que os acompanha, a população tende a ser muito psicologicamente desarmado para organizar e operar; assim o risco de ser um perigo grave para essas colónias escurece tão bem armado, e, acima de tudo, então estrategicamente bem colocado.

mulheres Cola, idosos e crianças no checkpoint de Qalandia. P. CASADO PAÍS

Os moradores das vilas e cidades e rachou-los por bandas por assentamentos são severas proibições de entrada no território das colônias, o que obriga -los a dar circulares grandes para se comunicar com o outro. Os colonos, no entanto, estão ligadas por estradas modernas que normalmente só pode usar cidadãos israelitas. O isolamento de cidades e aldeias palestinas e comunicação rápida entre os assentamentos é uma das garantias de sua segurança. É verdade que, por vezes, crimes horríveis cometidos contra os colonos, mas, considerando as estatísticas desumanas, as vítimas são menos numerosos do que no resto do mundo resultante de acidentes de trânsito. Israel mostra assim no século XXI pode ser um país colonizador e em o mesmo tempo muito segura.

Israel mostra que, no colonialista XXI e pode ser um país seguro

O que acontece quando essas crianças ou jovens estão finalmente colocado em as mãos dos juízes? Para encontrar para fora , acompanhado por Gerard Horton e Salwa Duaibis, passei a algumas horas na prisão, nos arredores de Jerusalém, onde tribunais de menores presidiu sobre por juízes militares trabalhar. Entrar nas instalações dos tribunais é uma tarefa demorada; devem ser submetidos a registros e viajar corredores e câmaras de treliças que me lembraram de que era para entrar e sair da Faixa de Gaza.

Mais interessante do que os próprios ensaios, ele virou-se para falar com os pais ou irmãos e irmãs, jovens palestinos que estavam sendo julgados. Uma senhora da aldeia de Beit Fajjar me diz que seu filho, 15, passou sete meses na cadeia e, naquela noite, os soldados prenderam, quebrou tudo em sua casa. Custou inúmeras obras de viagens Beit Fajjar a Jerusalém. No entanto, os olhos saltam com alegria e sorri o tempo todo o seu filho tenha completado a sentença e espera que dentro de um minuto ou uma hora (ou duas ou três) o juiz chama e diz que você pode levar para casa .

Há outras pessoas que estão nesta sala mostra tanta alegria. Um homem ENTECO altura me diz que as crianças têm dois prisioneiros, um de 15 e outro de 17 e ainda não podia vê-los. Leva três dias para ir de sua aldeia e não é mesmo certo que hoje você pode conversar com eles. Ele é acompanhado por sua filha, muito jovem e muito tímida, que bateu os soldados a noite desabou chutou a porta de sua casa, porque ele esqueceu de mostrar o telemóvel no bolso e que talvez foi gravá-las.

homens Cola no checkpoint de Qalandia. OREN ZIV / ACTIVESTILLS PAÍS

Trials são rápidos. O juiz ou o juiz, em uniformes militares, falando em hebraico e traduzido para o árabe o funcionário. Advogados usam o árabe e traduzido para o hebraico. Os réus, semirapados jovens e vestidos de preto, ouvir em silêncio enquanto seu destino é decidido. De repente, uma menina, irmã de um dos presos, explodindo em lágrimas. A partir do cais, que implora os olhos e as mãos para acalmar, suas lágrimas poderia piorar as coisas.

La tormenta amarilla en Israel Mario Vargas Llosa visita Cisjordania y escribe sobre el drama de los territorios ocupados

 

La tormenta amarilla en Israel

Mario Vargas Llosa visita Cisjordania y escribe sobre el drama de los territorios ocupados

 OREN ZIV ACTIVESTILLS

David Grossman es uno de los grandes escritores israelíes. Era un joven periodista de la radio oficial en 1987, cuando decidió abandonar la rutina de las noticias para adentrarse en el drama provocado por los asentamientos de colonos en territorios ocupados a Palestina desde la guerra de 1967.

En 20 años ningún escritor se había acercado allí. Ahora un alto porcentaje de israelíes no sabe qué sucede en esa zona, donde se desarrolla lo que entonces Grossman (Jerusalén, 1954) contempló como una agresión a los derechos humanos. La situación ha empeorado. El resultado de aquella visita fue un libro,El viento amarillo, que conmovió a miles de lectores y provocó su expulsión de la radio y la inquina de algunos de sus compañeros. Esa obra de Grossman ha servido para que ahora un grupo de escritores prolonguen la experiencia dramática del escritor israelí con sus propios textos. Entre esos autores está el premio Nobel Mario Vargas Llosa, que acaba de revisitar los territorios ocupados de Cisjordania.

Hubo jefes del Ejército, responsable principal de aquella agresión a los derechos humanos de los palestinos, que aconsejaron a sus oficiales que leyeran tambiénEl viento amarillo. A Yehuda Shaul, que ahora tiene 33 años, no hizo falta que se lo aconsejaran sus jefes: él lo leyó cuando aún era un sargento de operaciones en Hebrón, una de las metáforas de la política de asentamientos israelí, y encontró que lo que relataba Grossman sobre la discriminación, racial, política y civil de los palestinos debía ser denunciado.

EL NOBEL PUBLICARÁ UNA SERIE DE CRÓNICAS

Vargas Llosa, en Jerusalén. OREN ZIVACTIVESTILLS

La agenda de Mario Vargas Llosa, de 80 años, ha sido casi la de un reportero de guerra, y él mismo la desmenuzará en EL PAÍS a través de la publicación de varios reportajes a partir del 30 de junio. Además, la experiencia ha sido recogida en un documental por EL PAÍS TV, que también será emitido en la web del diario.

La experiencia, no en vano, ha sido muy intensa. Tanto la de él como la de quienes le hemos podido acompañar. Hemos visto cómo se levanta a las cuatro de la madrugada para asistir a las colas de los trabajadores palestinos que han de aguardar horas ante unas rejas implacables en uncheckpoint para entrar a cumplir sus horarios en Israel, o cómo sube y baja por las carreteras o caminos o cuevas imposibles de las aldeas donde resisten los palestinos, o cómo va haciéndose con la información que precisa para luego confeccionar su relato. Al presenciar su forma de actuar no solo entendemos cómo ha hecho algunos de sus libros más famosos sino también cómo conserva en forma su teoría del compromiso del escritor con la realidad. No es nada frecuente que un premio Nobel de Literatura, autor de novelas comoConversación en La Catedral La fiesta del chivo, realice un ejercicio de este tipo.

Él, con Miki Kratsman, judío argentino que llegó a Israel a los 12 años y aquí se hizo fotógrafo y profesor, crearon Breaking the Silence (Romper el Silencio) el 12 de marzo de 2004. Compuesta por militares que cumplieron el servicio, la organización decidió recopilar testimonios anónimos de soldados cuyas identidades guardan en secreto. El escándalo ha sido tan grande como las amenazas que ahora se han intensificado contra ellos. Miki Kratsman dice, con la tranquilidad de un veterano (tiene 57 años), que se va a subir el tono de esa represión. Y las evidencias que tienen en Breaking the Silence son abrumadoras. “Pero no nos rendiremos. Ganaremos” dice Shaul.

“La lucha es contra los asentamientos. No es contra Israel”, continúa: “Yo soy un patriota, un sionista, mi familia es conservadora, tengo 10 hermanos, algunos son colonos; yo no iría adonde hay colonos, pero no quiero que mis sobrinos crezcan sin mí ni yo quiero vivir sin ellos. Así que voy a verlos”. Su lucha es moral: ni él, ni Miki ni el medio centenar de personas que constituyen su equipo, ni los mil colaboradores que de una u otra forman alimentan su lucha (muchos de ellos, militares que han testificado el lado oscuro de su trabajo), tienen nada contra el Estado de Israel. Quieren que cese la discriminación de los palestinos.

 

Represalias

Los documentos que incriminan a las fuerzas armadas han sido pasados por la censura militar. Ellos no tienen nada que temer sobre la legitimad de su lucha, pero con eso no basta para estar seguros de que no sufrirán represalias.

En esa lucha tiene mucho que ver aquel libro de Grossman. Para prolongarlo, este lector que fue militar y ahora se confiesa no pacifista (“yo daría mi vida por Israel”) concibió un proyecto al que él y los suyos dedica una pasión irrefrenable: convocar a escritores de todo el mundo para que aporten sus testimonios sobre lo que ya un día escribió Grossman. El libro saldrá en mayo de 2017 en todo el mundo y aún no tiene título. Entonces se cumplirá medio siglo de la ocupación.

Mario Vargas Llosa es uno de ellos. Colaborador de EL PAÍS, reportero en Irak, en Israel y en otras partes del mundo, ha recorrido esta última semana esos territorios ocupados para compartir la información que tienen tanto los palestinos expulsados de sus territorios, que malviven en algunas aldeas o ciudades (como Hebrón) que ahora son lugares tan fantasmales como el Pedro Páramo de Juan Rulfo, como los que son colonos de esos mismos territorios.

El libro de Grossman se tituló El viento amarillo porque amarillo es en Israel el color del odio. Lo que Breaking the Silence quiere ahora es desterrar ese color de las relaciones difíciles, políticamente imposibles, humanamente degradantes, entre israelíes y palestinos, estos últimos condenados a vivir en la última clase de la historia.

 

El color del odio

Algunos de los representantes de BTS (como el propio Shaul, como Morial Rothman-Zecher, un joven de 26 años que estudió Ciencias Políticas, renunció al Ejército y pagó por ello) hablan árabe, y tratan de desmentir ese color de odio que marca el estupor con el que Grossman dibujó el alma y la piel de este conflicto hace cerca de 40 años.

Ellos han invitado a Vargas Llosa (y a Colm Tóibín, y a Colum McCann, y así hasta 26 autores, entre poetas, narradores o ensayistas de todo el mundo, incluidos Israel y Palestina) para que observen esta lucha moral y obtengan los testimonios de los habitantes de los territorios ocupados. Esos escritores van viniendo.

El autor de La tía Julia y el escribidor le contó a EL PAÍS TV que la primera vez que vino a Israel fue en 1974, “y entonces aún era un izquierdista”. Aquel Israel le fascinó, pues expresaba ideales de justicia social que formaban parte del credo de la izquierda a la que perteneció. El fenómeno de los asentamientos desmintió luego aquella imagen.

Ni él ni los que lo invitan cuestionan el Estado de Israel; él dirá, en las entregas de sus reportajes (que comienzan a publicarse en EL PAÍS el próximo jueves 30 de junio), cómo ha visto ese problema y otros surgidos de este crucial asunto de los asentamientos.

Lo que cuestiona Breaking the Silence, y por eso la organización trabaja por el fin del odio entre palestinos e israelíes, es que en el territorio común, en Cisjordania, en Jerusalén, en todas las zonas en las que los colonos reciben una protección que se niega a los palestinos expulsados de sus tierras, haya ciudadanos condenados a vivir como seres sin derechos elementales.

El libro que inspiró esta lucha es El viento amarillo. El nuevo libro, en el que trabaja Breaking the Silence y para eso han invitado a Vargas Llosa y a otros, aún está por definir. Le sugerimos al propio Grossman, que tanto ha marcado a Shaul y a sus compañeros, si aquel viento sería ahora una tormenta: “Sí, probablemente”, afirmó.

Amarillo es aquí el color del odio. Hasta los más optimistas creen que Israel vive la continuación peligrosa de una larga tormenta amarilla. Breaking the Silence nació para romper el silencio que ha alentado ese odio. E insiste en querer romper el origen de esa tormenta.

As aldeias condenadas Mario Vargas Llosa Prêmio Nobel de Literatura reflete em uma série de relatórios sobre a ocupação israelense

 

As aldeias condenadas

Mario Vargas Llosa Prêmio Nobel de Literatura reflete em uma série de relatórios sobre a ocupação israelense. Nesta primeira edição concentra sua atenção em algumas aldeias do sul da Cisjordânia

Mario Vargas Llosa toma notas em um poço na aldeia de Susiya na Cisjordânia. OREN ZIV / ACTIVESTILLS

“O maior problema em Israel é um, os assentamentos da Cisjordânia , ou seja, a ocupação de territórios palestinos , ” ele diz Yehuda Shaul. “O próximo ano vai comemorar meio de um século. Mas isso tem solução e veja execução antes morrer “.

Eu respondo ao meu amigo israelense que você tem que ser muito otimista para acreditar que um dia mais ou menos próxima instalado 370.000 colonos nas terras da Cisjordânia invadiu -real bantustão circundando os 2.700.000 habitantes das cidades palestinas e desconexão outro – um poderia sair de lá para o bem da paz e da coexistência pacífica. Mas Yehuda, que trabalha incansavelmente para tornar conhecido o que a grande maioria dos seus companheiros se recusa a ver a situação trágica de palestinos na Cisjordânia da Jordânia estar, me diz que talvez eu sou menos cético depois da viagem que fazemos juntos, amanhã, às aldeias palestinas nas montanhas ao sul de Hebron .

Estávamos eu e ele naquelas montanhas, quase na fronteira com a Cisjordânia , seis anos atrás. E, de fato, a aldeia de Susiya, que então tinha cerca de 300 habitantes e parecia destinado a desaparecer como outros na área, agora tem 450, porque, apesar das dificuldades que ainda vítimas voltaram número de famílias que haviam fugido;eles também, como Yehuda, desfrutar de prova otimismo de atrocidades.

Porque o assédio de Susiya e aldeias vizinhas durante muitos anos não parou, em contrário. Eu mostro a recente demolição de casas, poços de água cegos com pedras e lixo, as árvores cortadas por colonos e até vídeos que foram tomadas contra os ataques destes , com barras de ferro e vizinhos garrotes- e prisões e maus tratos também recebem IDF ( Forças de Defesa de Israel ). Na maloca, uma das poucas casas que têm em pé, que atua como prefeito, Nasser Nawaja, mostra-me as ordens de demolição que, como espadas de Dâmocles sobre os edifícios ainda não destruídos por bulldozers o ocupante. Os formulários são armazenados: Esta área foi escolhida para manobras militares IDF e aldeias devem desaparecer (mas não os assentamentos e postos avançados dos colonos que prosperam toda a maneiraao redor). Às vezes, a desculpa é que as casas frágeis são ilegais porque eles não têm uma licença de construção. “É coisa louca que ele diz Nasser; quando perguntado para permissão para construir ou reabrir os poços, negamos -lo , e então nós demolir casas para você se os invocados sem autorização. ” Nesta aldeia, como no outro contorno, agricultores e pastores não vivem em casas, mas em tendas erguidas tecidos frágeis e latas ou -muito cavernas abundantes na área- que os soldados ainda não inutilizados pelo preenchimento pedras e lixo.

No entanto, os moradores de Susiya e Yimba, as duas aldeias visitadas, ainda está lá, resistindo assédio, apoiada por algumas ONGs e de solidariedade israelense instituições como Breaking the Silence (Rompendo o Silêncio), do qual ele é um membro do Yehuda e você me convidou aqui. Em Susiya Conheço um rapaz muito bom, Max Schindler, um judeu americano; Ele veio como um voluntário para viver umalguns meses em e inglês para ensinar crianças da aldeia. Por que: “Para ver que nem todos os judeus são os mesmos.” Na verdade, há muitos como ele- o justo de Israel, que ajudam a apresentar argumentos em tribunal, chegando a vacinar crianças, protestando contra os abusos, e entre eles, escritores como Amos Oz e David Grossman , assinando manifestos e mobilizar pedindo para deter os abusos e deixar estas aldeias viver em paz.

“850 israelenses, no coração de uma cidade palestina de 200.000 pessoas! Settlers para proteger 650 soldados israelenses ficam de guarda na cidade velha selado”

Uma declaração deste tipo, conduzidos por eles, há alguns meses, salvo do pelourinho o momento para Yimba, um povo antigo, embora eles vieram para demolir 15 casas. Agora aguarda uma decisão final do Supremo Tribunal sobre a sua existência. Ele tem uma enorme caverna, ainda intacto, o que, eu digo, é desde os tempos romanos. Nessa altura, a vila era pelo lado da estrada -ainda pode continuar seu curso em bruto deserto de pedra, poeira e restolho que sur- nos arredondado que levava peregrinos a Meca ; em seguida, Yimba era próspera graças às suas mercearias e restaurantes. Agora seu velho esconde o risco de que, uma vez que é um sítio arqueológico, a autoridade israelita decide ser desabitada para os arqueólogos para resgatar os tesouros históricos de seu subsolo. As queixas são idênticos aos que ouço na Susiya: “Basta chegar-nos com esse pretexto, vêm os colonos; sim, eles podem viver com os restos arqueológicos, sem quaisquer problemas. ”

Como em Susiya, em Yimba I visita cercado por crianças descalças e esquelético, no entanto, eles não perderam a alegria. Uma menina, acima de tudo, olhos maliciosos, ri alto quando ele vê que eu não posso pronunciar o seu nome árabe corretamente.

Vargas Llosa (d), em conjunto com Yehuda Shaul (Quebrando o Silêncio), na saída de Jerusalém, com o fundo da parede divisória OREN ZIV / ACTIVESTILLS

Basta olhar para um mapa dos territórios ocupados para compreender a razão de assentamentos territórios: cercar todas as grandes cidades palestinas e obstruir os seus contactos e intercâmbios, enquanto eles alargar a presença israelense e quebrando e fraturando o território que é suposto para ocupar o futuro estado palestino até que se impraticável. Não é uma intenção clara nesta estratégia através da proliferação de assentamentos que apoiam solução inviável de dois estados, no entanto, dizem os líderes de Israel aceitar. Não compreendido se não por todos os governos, centro, esquerda e direita, com a única exceção do último governo de Ariel Sharon , que em 2005 retirou os assentamentos israelenses em Gaza, permitiram e continuam a fazê-lo, a existência e -laicas um crescimento sistemático, as colónias ilegais socialistas e muitos dos UltraSPARC religiosos que são uma fonte permanente de atrito e dar aos palestinos a sensação de ver se encolher como uma shagreen o já pequeno espaço com a Cisjordânia.

Eu não pretendo para ler a mente segredo da elite política israelense. Mas basta seguir no mapa o caminho nas últimas décadas as invasões ilegais e o famoso “muro de Sharon” vai reduzidos os territórios palestinos, para avisá-lo política tácito ou explícito que nunca tentou para resolver estas invasões e bastante , estimula e protege. Ela não é apenas uma fonte constante de confrontos com os palestinos; É uma realidade que faz com que muitos pensam que isso é impossível de implementar a constituição dos dois Estados soberanos, que, no entanto, como ejaculatório desprovida realmente um ruído puro, ainda promovem a ONU e os governos ocidentais.

O Prémio Nobel da Literatura, no escritório que serve Susiya Prefeitura OREN ZIV / ACTIVESTILLS

Provavelmente entre desapropriação também significam essas colônias caso algum, ser tão dramática como os cinco assentamentos erguido no coração de Hebron . 850 israelenses, no coração de uma cidade palestina de 200.000 colonos! Para proteger 650 soldados israelenses ficam de guarda na cidade velha, que foi selado, “esterilizado” (de acordo com a fórmula oficial) -cerradas ruas todas as suas lojas, as principais portas das casas, então tudo Andar comercios- existe viajar uma cidade fantasma, com nenhum povo sem alma. Onze anos atrás, eu vagava por estas ruas mortas; a única coisa que mudou é que insultos racistas foram contra os árabes que decoravam suas paredes. Mas em todos os lugares sempre aparecem barreiras com soldados e continua a proibição aos carros árabes circulam nas ruas do centro, forçando-os a ter um enorme desvio através do país para se deslocar de um bairro para outro.Israelenses que acompanham me -são Four- me dizer que a pior coisa é que agora ninguém fala do horror que é Hebron e as injustiças cometidas contra tremendas lá seus 200.000 habitantes, aparentemente para proteger 850 invasores.

.Vargas Llosa tem “os estragos da ocupação” O Nobel relata a experiência de seu encontro com a realidade da Cisjordânia ocupada.

Vargas Llosa tem “os estragos da ocupação”

O Nobel relata a experiência de seu encontro com a realidade da Cisjordânia ocupada. PAÍS divulgado quinta-feira às 21:00 o documentário “Cinco dias com Mario ‘e de amanhã o resto da série

Mario Vargas Llosa, durante a sua visita aos territórios palestinos. THOMAS COEX AFP

Gideon Levy, um dos grandes jornalistas israelenses recebidos Mario Vargas Llosa , quando viu que com bloco de notas na mão, entrando em Hebron, este lugar que a ocupação israelense tornou-se uma luz.

“Mas, o que você está fazendo aqui?

Em seguida, os dois caminharam através de Hebron para chegar a um promontório em que um clube cultural palestina recebeu o Nobel e seus companheiros em torno de uma velha oliveira abraçado por um tecido especial “Palestina livre “. O Nobel pegou seu notebook, ele continuou com a tampa que o protegido do sol e tomou nota do que ouviu. Não foi separada a partir do livro já. Ele observou com a vontade e perseverança de um mundo perdido em um repórter oco. Eu queria para saber o que acontece para contar uma sociedade que, como ele foi dito, só conhece Israel e Palestina, quando há ataques, intifadaou lutas começando com pedras ou facas e fim em brigas que são então frente página dos jornais ou informativo em todo o mundo.

Lá, ele foi informado de que parte do problema. Quando a conversa já estava relaxado e foi sete da noite em Hebron, palestinos, israelenses que acompanharam Vargas Llosa e jornalistas de El Pais que o seguem nesta viagem, vimos, no computador de um dos palestinos, o fim do jogo República Checa-Espanha , a meta do Pique.

Todos Gideon também, embora, a princípio acreditava que a República Checa foi a Espanha ( “Too bad jogo Espanha”, disse ele), eles aplaudiram o objetivo de Catalão. Quando eles voltaram para Jerusalém para continuar a viagem, o Nobel Vargas Llosa recebeu outra saudação Gideon Levy, dizendo adeus:

Obrigado, Mario, venha para contar o conto.

Eles disseram outras vezes. Mas desta vez ele disse um jornalista que sabe muito de perto tanto o que o governo israelense tem feito nos territórios ocupados (ele trabalhou em estreita colaboração com Shimon Peres, presidente de Israel) como o que você pensa a sociedade civil (intelectuais, escritores) um e do outro lado (israelenses, palestinos) sobre esta dualidade de ódio de um lado e odiar o outro que tem vindo a construir há mais de meio século nesta parte difícil do Médio Oriente, como uma parede que alguns querem quebrar. Entre eles, aqueles que convidou Vargas Llosa nesta viagem, eles querem mitigar um ódio que já parece eterna.

“buracos negros”

O prémio Nobel peruana havia sido várias vezes em Israel e Palestina, como foi no Iraque ou no Afeganistão, ou no Congo, procurando “naqueles buracos escuros do mundo”, como Carlos granes, um dos seus autólogo diz: ” raízes dos conflitos, para tentar ajudá-lo a compreender fora destes poços difíceis. ”

Dez anos atrás, o Nobel peruana conheceu Yehuda Shaul, que era então um jovem exsargento israelita de vinte anos tinha ajudado a fundar Breaking the Silence (Rompendo o Silêncio), uma organização incomum neste país em guerra: Sargento em Hebron, precisamente, Yehuda tinha marcado em sua mente as atrocidades imponentes autoridades civis israelenses ao serviço militar nos territórios ocupados e queria se juntar aos colegas que sentiram o mesmo horror com as indignidades que viram.

Na sua Touchstone deste último domingo, Vargas Llosa disse no país que encontro e que continuou, culminando com esta visita a partir de amanhã vai aqui.

Suas crônicas Ravages de ocupação são intitulados e publicado em 1, 2 e 3 de julho, em páginas duplas onde os leitores continuam suas reuniões nos territórios ocupados e também nas fronteiras internas (pontos de verificação) neste território, complexo … também, www.elpais.com oferta a partir de hoje um documentário feito por uma equipe de HOME VIDEO em que essas experiências são recolhidos Nobel. Ele disse à câmara que um escritor não tem mais poder do que a sua palavra, e se isso serve para dar a conhecer o que acontece nos lugares que ele visitou, cumpre o seu compromisso moral.

O jornalista e romancista peruano Alonso Cueto (a quem Vargas dedicou seu último romance, Five Corners) disse ontem sobre jornalismo Nobel: “É o jornalismo com paixão, como seus romances: ele ainda acredita que as palavras são atos, e escrever para ele é uma declaração moral. E vai a lugares perigosos como o Iraque, como o Afeganistão, uma vez que estes territórios nos quais já viajou, porque as pessoas que vivem perto do perigo representar a humanidade no sentido moral. ” Granes acrescenta: “Vai para locais em conflito cuja solução depende em grande parte o futuro do mundo”.

Isso é o que Gideon Levy agradeceu, ele estava lá para contar.

Os justos de Israel Mario Vargas Llosa 03 Julho 2016 | 05h 00

 

Os justos de Israel

Mario Vargas Llosa

03 Julho 2016 | 05h 00

Yehuda Saul tem 33 anos, mas parece ter 50. Viveu e vive com tanta intensidade que devora os anos, como os maratonistas devoram os quilômetros.

Nasceu em Jerusalém, em uma família muito religiosa, e é um de dez irmãos. Quando o conheci, há dez anos, ainda usava o quipá. Era um jovem patriota que deve ter se destacado no Exército, pois, ao terminar os três anos obrigatórios, o Tsahal lhe propôs fazer um curso de comandos e ele ficou um ano mais nas fileiras, como sargento. Ao voltar à vida civil, como muitos jovens israelenses, viajou para a Índia, para “fazer” a cabeça. Ali, refletiu, e concluiu que seus compatriotas ignoravam as coisas feias que o Exército fazia nos territórios ocupados, e julgou sua obrigação moral fazê-los saber.

 

Para isso, Yehuda e um fotógrafo, Miki Kratsman, fundaram em 1.º de março de 2004 a “Breaking the Silence” (Quebrando o Silêncio), uma organização que se dedica a recolher testemunhos de ex-soldados e soldados (cuja identidade mantém em segredo). Em exposições e publicações destinadas a informar o público, em Israel e no exterior, exibem a verdade do que ocorre em todos os territórios palestinos que foram ocupados depois da guerra de 1967 (no próximo ano a ocupação fará meio século).

Textos e vídeos passam, antes de serem exibidos, pela censura militar, pois Yehuda e sua meia centena de colaboradores não querem violar a lei. Os testemunhos recolhidos já são mais de mil.

Até relativamente pouco tempo, graças à democracia que reinava no país para os cidadãos israelenses, Breaking the Silence podia operar sem problemas, ainda que muito criticada pelos setores nacionalistas e religiosos. Mas, desde que assumiu o atual governo – o mais reacionário e ultra da história de Israel -, foi desatada uma campanha duríssima contra os dirigentes da instituição, com acusações de traição e pedidos de que sejam postos fora da lei – no Parlamento, pela boca de ministros e líderes políticos e na imprensa. Nas redes sociais, chovem insultos e ameaças contra os fundadores. Yehuda Shaul não se sente intimidado e não pensa em fazer nenhuma concessão. Diz ser patriota e sionista e estar empenhado no que faz não por motivos políticos, mas morais.

Existe na milenar história judaica uma tradição que nunca foi interrompida: a dos justos. São homens e mulheres que, de quando em quando, surgem nos momentos de transição ou de crise e fazem ouvir sua voz, contra a corrente, indiferentes à impopularidade e aos perigos que correm agindo desse modo, para expor uma verdade ou defender uma causa que a maioria, cega pela propaganda, a paixão e a ignorância, se nega a aceitar. Yehuda Shaul é um deles, em nossos dias. Por sorte, não é o único.

Há a destemida jornalista Amira Hass, que foi viver em Gaza para sofrer na própria carne as misérias dos palestinos e documentá-las dia a dia em suas crônicas no Haaretz. A ela devo uma noite inesquecível que passei, há uns dois anos, na asfixiante e congestionada ratoeira que é a Faixa de Gaza, em casa de um casal de palestinos dedicados à ação social. E também Gideon Levy, colega de Amira, incansável escrevinhador, a quem encontro depois de um bom tempo, sempre batalhando pela justiça com a caneta na mão, ainda que com o ânimo mais contido que o de antes porque a sua volta diminui cada vez mais o número dos defensores da racionalidade, da convivência e da paz e cresce sem trégua o dos fanáticos das verdades únicas e do Grande Israel, que teria, nada menos, que o respaldo de Deus.

Mas nessa viagem conheci outros não menos puros e valentes. Como Hanna Barag, que às 5 da madrugada, no entroncamento de Qalandiya, cheio de grades, câmeras e soldados, mostrou-me a agonia dos trabalhadores palestinos que, mesmo tendo autorização para trabalhar em Jerusalém, são obrigados a esperar horas para poder entrar e ganhar o sustento. Hanna e um grupo de mulheres israelenses se postam a cada madrugada em frente a esses alambrados para denunciar a demora injustificada e protestar contra os abusos cometidos. “Tentamos chegar aos chefes”, disse-me, mostrando dois soldados, “porque esses nem sequer nos ouvem”. Hanna é uma anciã miúda e cheia de rugas, mas em seus olhos claros brilham uma luz e uma decência que cegam.

Também é um justo, embora nem mesmo suspeite disso, o jovem Max Schindler, que conheci em Susiya, uma aldeia miserável das montanhas do sul de Hebron.

É muito tímido e tenho de arrancar a saca-rolha a informação sobre o que faz, rodeado de crianças famintas, nesse lugar fora do mundo ao qual os colonos da vizinhança vêm para cortar as árvores, destruir as colheitas e, às vezes, bater nos moradores sobre cujas poucas casas pesa uma ordem de demolição. É um voluntário que veio viver em Susiya – melhor seria dizer sobreviver – por uns meses e dedica seu tempo a ensinar inglês aos aldeões. “Quero que saibam que existe um outro Israel”, disse-me, mostrando os moradores.

Sim, existe, o dos justos, muitos, embora não tantos para ganhar eleições. Na verdade, há anos só perdem, uma atrás da outra. Mas não se deixam abater pelas derrotas. São médicos e advogados que vão trabalhar nos povoados meio abandonados e defender nos tribunais as vítimas de abusos, ou jornalistas, ou ativistas dos direitos humanos, que registram o assédio e os crimes e os divulgam ao público. Há, por exemplo, uma associação de fotógrafos formada por moças e rapazes muito jovens, que eternizam em imagens todos os horrores da ocupação. Eles me seguem por onde vou e não se importam de andar entre o lixo fedorento e torrar de calor no deserto se puderem documentar com imagens tudo aquilo que o Israel oficial oculta e a gente bem pensante não quer conhecer. Embora a imprensa oficial não publique suas fotos, eles as exibem em pequenas galerias, em painéis de rua, em publicações semiclandestinas.

Quantos são? Milhares, mas não o bastante para retificar esse movimento de opinião pública que empurra cada vez mais Israel para a intransigência, como se o fato de ser a primeira potência militar do Oriente Médio – e, ao que parece, a sexta do mundo – seja garantia de sua segurança.

Eles sabem que não é assim, que, ao contrário, tornar-se um país colonialista, que não quer negociar nem fazer concessões, tem feito com que Israel perca a auréola de prestígio e honra que tinha e o número de seus adversários e críticos, em vez de diminuir, aumente a cada dia.

Dois dias antes de partir, janto com outros dois justos: Amos Oz e David Grossman. São escritores magníficos, velhos amigos e, ambos, incansáveis defensores do diálogo e da paz com os palestinos. Os tempos que enfrentam são difíceis, mas eles não se deixam abater. Brincam, discutem, contam piadas. Dizem que, considerando-se os prós e contras, nenhum deles poderia viver fora de Israel. Gideon Levy e Yehuda Shaul, que estão presentes, se dizem de acordo. Menos mal. Em todos os dias em que estou aqui, é a primeira vez que um grupo de israelenses concorda totalmente com alguma coisa. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

MARIO VARGAS LLOSA É PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA

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