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Confissão de um terrorista

Ocuparam minha pátria

Expulsaram meu povo

 Anularam minha identidade

E me chamaram de terrorista

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Confiscaram minha propriedade

Arrancaram meu pomar

Demoliram minha casa

E me chamaram de terrorista

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Legislaram leis fascistas

Praticaram odiada apartheid

Destruíram, dividiram, humilharam

E me chamaram de terrorista

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Assassinaram minhas alegrei as,

Seqüestraram minhas esperanças,

Algemaram meus sonhos,

Quando recusei todas as barbarias

Eles…mataram um terrorista

Quando os sionistas invadiram a Palestina

Um dia vieram e expulsaram
meu vizinho que era muçulmano.
Protestei. Me mandaram calar
porque não sou muçulmano.
Hoje o meu novo vizinho fala
uma língua estranha.

No ano seguinte, vieram e expulsaram
meu outro vizinho que era cristão.
Protestei. Me mandaram
calar porque não sou cristão.
Hoje o meu outro vizinho fala
uma língua mais estranha ainda.

Anos depois vieram e expulsaram
meu vizinho que era judeu.
Protestei. Me mandaram
calar porque não sou judeu.
Hoje o meu vizinho…
Vocês sabem.

Ontem vieram me expulsar.
Protestei. Meus novos vizinhos me
mandaram calar.Hoje, meus filhos e os
filhos de meus antigos vizinhos resistem.
Suas armas são as chaves de nossas casas.
Alguém duvida que estamos voltando para ficar?

*Inspirado em Martin Niemöller (1892-1984)

Palestina, Palestina

Georges Bourdoukanm
Jornalista e escritor

Para Hannan Ashrawi

Às profundezas da história,
À impiedade e ao medo,
À realidade invisível,
À ocupação e à exclusão,
Ao ocidente que buscou aliviar a culpa de seus anti-semitas,
Uma nação torturada resiste!

O coração palestino palpita.
Tentam abafar seu grito de liberdade,
Suas pedras revidam contra a injustiça,
Contra o racismo e a intolerância!

A estrela busca a purificação com sangue
E ao muro dirige suas preces.
Existirá um limite para a brutalidade?
Existirá um limite para a indiferença?
Estaremos perdendo a sensibilidade?
Indignação! Onde está a indignação?

O projétil disparado torna o instante uma eternidade.
Tempo frugal, vida perdida
Nada é isolável.

O mundo, resignado, vive a experiência de si mesmo.
O homem é algo que deve ser superado.
O que é o homem? O que é o divino?
Qual é a verdadeira realidade?
Eis a manifestação de um mistério.

Seremos meros registros?
Produtos de uma experiência?
Os sinais ainda nos escapam.
Até quando, Jerusalém?

Caros amigos – Agosto 2006

NESTA ALDEIA

NESTA ALDEIA

Sérgio Muylaert

a Fadwa Tuqan
O chão liso,
O saibro,
O sangue dos milênios,
A encosta, a força bruta,
Os abutres rondam
A estrada limpa, a gruta,
O Vazio.

Nos casebres,
O impensável da miséria rasa,
O império do nada,
A febre do desterro,

Nos cárceres,
O cheiro podre, o lodo ressecado,
O genocídio das metralhas,
Das metralhas, rá-tá-tá-tá-tá,
Rombos nas paredes,
Nas paredes,
As vestes de crianças, trapos,
Miúdas sandálias,
Sopra ventania.

Por que são eternas as flores
Em Ramallah?

E os desta aldeia,
Da Samária,
Estarão em Nablus
Ou, em Mehjora?
Sérgio Muylaertwww.geocities.com/sermuy