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O principal erro da França é renunciar a uma aliança com a Rússia na luta contra o grupo jihadista Estado Islâmico, afirma François Fillon, ex-primeiro-ministro francês e um dos líderes do maior partido de oposição do país.

François Fillon, ex primer ministro de Francia

‘O erro da França é renunciar à aliança com a Rússia contra o Estado Islâmico’

© Sputnik/ Alexei Danichev

MUNDO

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O principal erro da França é renunciar a uma aliança com a Rússia na luta contra o grupo jihadista Estado Islâmico, afirma François Fillon, ex-primeiro-ministro francês e um dos líderes do maior partido de oposição do país.

 

Em entrevista à emissora Europe1, Fillon lamentou que o atual governo francês não tenha uma estratégia militar para combater o Estado Islâmico.

“O erro principal é renunciar a uma aliança com os russos”, declarou.

O Estado Islâmico, que se responsabilizou pelos recentes ataques em Paris, é atualmente uma das ameaças mais graves para a segurança do Oriente Médio e do mundo inteiro.

Os jihadistas controlam várias regiões do Iraque e da Síria, estimadas em 90 mil quilômetros quadrados,  pretendem estender sua influência no norte da África — especialmente na Líbia.

Estima-se que o grupo extremista tenha em suas fileiras entre 50 mil e 200 mil combatentes — muitos deles, de origem estrangeira.

Atualmente, não há uma coalizão única para combater o Estado Islâmico, que enfrenta resistências isoladas das tropas governamentais de Iraque e Síria, de curdos de ambos países e de uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos.

Desde 30 de setembro, a Força Aérea da Rússia vem bombardeando posições do Estado Islâmico a pedido do presidente sírio, Bashar Assad

A favor dos palestinos, contra o maniqueísmo!

A favor dos palestinos, contra o maniqueísmo!

Antonio Ozaí da Silva*

 

“A análise verdadeiramente intelectual proíbe chamar um dos lados de inocente, e o outro, de perverso”

(Edward W. Said)

 

“Os sionistas e o Ocidente pretendiam resolver na Palestina um problema cuja origem não estava no mundo árabe. Na realidade, não fizeram mais que criar um novo problema, uma grande injustiça: a questão palestina. Na sua própria terra, os palestinos transformaram-se nos “novos judeus” da nossa era”

(Helena Salem, 1977, p.132).

As posturas maniqueístas opõem o mal ao bem, os bandidos aos mocinhos, como num filme hollywoodiano ou numa dessas novelas mal-dubladas e ‘globais’. A ideologização das interpretações, a favor ou contra um dos lados, é, no entanto, comum. E, na verdade, aos que tem consciência da realidade, é fatal a exigência do posicionamento político e ideológico. A recusa aos simplismos maniqueístas não nos isenta de tomar posição. Não nos iludamos: o ‘silêncio’, a ‘neutralidade’, o ‘não tenho nada a ver com isso’, também são posicionamentos políticos e têm conseqüências.

É impossível não se sensibilizar com o drama vivido cotidianamente pelos palestinos. Há muito, as imagens mostram enfaticamente os horrores a que são submetidos mulheres e homens de todas as idades. O Estado de Israel, em nome da política de segurança, expulsa os moradores, reduz suas moradias a escombros e destrói suas plantações de oliveiras. Assim, estrangula economicamente o povo palestino. Com a construção do “muro da vergonha”, isola vilarejos e cidades, segrega famílias e retira-lhes a possibilidade de sustento; massacra civis, dá cobertura à violência sem limites dos colonos religiosos, fanáticos de extrema-direita que ocupam o território reconhecidamente palestino, e tudo fazem para atemorizar e expulsá-los de suas residências.

O recente conflito na Faixa de Gaza, com a ocupação das forças militares israelenses, é a continuidade desse círculo infernal de violência e massacre de civis, mas com maior intensidade. É a força da violência suplantando a razão e os melhores sentimentos humanos. O exército de Israel é uma força superior e se impõe. O Hamas, por sua vez, faz o discurso dos que precisam manter a luta em movimento. Para além dos argumentos de ambos os lados, o fato é que a violência é o combustível que alimenta ódios passados, presentes e futuros. É um tiro no pé! O militarismo israelense produz os futuros combatentes, jovens dispostos a tudo contra o inimigo. O que se pode esperar de crianças e jovens que vêem seus irmãos, irmãs, pais, mães e familiares serem mortos e violentados em sua humanidade? A violência produz a cultura da violência e nutre-se de si mesma. Ela incuba o gérmen do ódio mútuo entre os povos, que cresce e manifesta-se a cada geração. [1]

Por outro lado, os ataques do Hamas, ainda que desproporcional à capacidade de destruição dos militares israelense, também causam mortes e nutrem ódios recíprocos. Uma vida humana de uma criança ou adulto israelense importa tanto quanto a vida da criança palestina. Como alcançar a paz nessas circunstâncias?

É muito difícil ficar insensível às imagens que circulam na mídia e na Internet. O sofrimento e a dor dos pais diante da morte e da destruição dos seus lares e das suas vidas manifestam-se em suas faces e em seus gestos. Os argumentos israelenses, fundados na incessante repetição das necessidades impostas pela “política de segurança”, não são convincentes. [2] As imagens demonstram-no.

Israel age como o exército francês na “Batalha de Argel”. [3]. Como identificar os “terroristas”? Ora, partindo do pressuposto de que cada argelino era um ‘terrorista em potencial’ e, portanto, agir como se todos os argelinos fossem membros da Frente de Libertação Nacional (FLN). Israel adota a mesma postura e transforma todos os palestinos, independente da idade e sexo, em inimigos a serem combatidos e dizimados, como se todos fossem militantes do Hamas.

O militarismo favorece as forças favoráveis à manutenção da guerra, os extremistas e fanáticos de ambos os lados. O exército francês na Argélia desconsiderava que era uma força de ocupação. O que fazia ali? Por acaso deviam esperar que os argelinos aceitassem a dominação como uma dádiva da ‘civilização’ francesa? Deviam suportar pacificamente a presença dos franceses? Israel também atua como força de ocupação e, como tal, não pode esperar que os palestinos aceitem pacificamente sua presença e as dificuldades que impõem às suas vidas – sem falar na violência explícita.

A guerra real é também uma “guerra midiática”. Da mesma forma que temos acesso às imagens dantescas da destruição e morte, especialmente das crianças e jovens, também recebemos imagens que buscam criminalizar os judeus em geral, identificando-os com práticas nazistas. São montagens, cujas fontes nem sempre são identificadas, que produzem o equívoco de identificar o governo e as forças militares israelenses com o povo de Israel e os judeus em geral. Ainda que não seja intencional, isso pode contribui para alimentar o ódio e a intolerância anti-semita. É preciso ir além das fáceis identificações que homogeneízam os povos. O ‘povo judeu’, o ‘povo palestino’ não são homogêneos; da mesma forma, é necessário observar as diferenças existentes entre ‘palestinos’ e ‘árabes’. [4]

Há divergências entre os israelenses quanto à melhor estratégia para encontrar uma solução de paz; e há a luta aberta entre os partidários do Hamas [5] e o Al-Fatah [6]. A derrota do Hamas, que controla a Faixa de Gaza, é do interesse do Al-Fatah. O fato de o Hamas ter sido vitorioso nas eleições de 2006 [7], imediatamente boicotado pelas chamadas democracias ocidentais, numa clara e paradoxal demonstração antidemocrática [8], é mais um problema para Israel.

As autoridades israelenses e ocidentais preferem o Al-Fatah, ainda que enfraquecido internamente. O Hamas, porém, conquistou a legitimidade entre os palestinos e é um erro político desconsiderar este fato. A estratégia de isolamento do Hamas pode tê-lo fortalecido ainda mais, a despeito do preço pago com a perda da vida de milhares de palestinos. [9]

Ainda que o militarismo israelense tenha o respaldo da maioria dos eleitores, há resistências. Nem todos os judeus, dentro e fora de Israel, concordam com a política oficial. [10] A crítica ao belicismo israelense deve ter o cuidado de observar os riscos que tais identificações sugerem, enquanto generalizações desvinculadas dos seus respectivos contextos históricos. A complexidade da situação não suporta reducionismos maniqueístas.

Mesmo a maioria da sociedade israelense que apoiou a ação militar na Faixa de Gaza não está imune às imagens do terror e mortandade das crianças e da dor e sofrimento. Se o governo e os militares israelenses jogam a culpa no Hamas – que teria rompido a trégua –, o líder deste, Khaled Meshal, censura a impiedade dos generais inimigos e, do exílio em Damasco (Síria), proclama a vitória do seu grupo. Já o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, inculpa o próprio Hamas pela recusa em renovar o armistício. De quem é a culpa? Como bem observou Bernardo Kucinski: “Certamente a culpa não é das crianças e suas mães”. [11] Os israelenses que apoiaram a política do governo terão que se haver com as suas consciências. [12]

“Não é uma guerra, não há exércitos se enfrentando. É uma matança”, afirmaram José Saramago e outros intelectuais.[13] E, de fato, os números e as imagens evidenciam o caráter da “guerra”. A demonstração de força da máquina militar israelense, mais uma vez, destrói as frágeis pontes, porém necessárias, para o diálogo e a negociação. Israelenses e palestinos, por mais que se odeiem, terão que, em algum momento, dialogar. A solução militar, cada vez mais, mostra-se ineficiente. Israel não conquistará a segurança que precisa enquanto oprimir e colonizar a nacionalidade palestina; e estes não estarão livres dos horrores causados pelo poderio militar israelense enquanto não aceitarem a existência da nação israelense. O ideal seria um mundo sem fronteiras, mas os nacionalismos ainda são predominantes. Enquanto cada povo não tiver garantido o seu Estado, não haverá paz.

A realidade é muito mais complexa do que as afirmações simplistas e maniqueístas. A generalização favorece o maniqueísmo. Mesmo as análises que pretendem superá-lo não estão isentas do erro e, portanto, de serem criticadas. Na verdade, há argumentos disponíveis para todos os lados, a depender da posição político-ideológica. O dossiê publicado na REA, nº 93, fevereiro de 2009, é uma amostra dessa complexidade.

Mesmo nós, os que não estamos diretamente envolvidos, devemos nos pronunciar e, responsavelmente, assumir uma posição. Provavelmente isso não terá o menor efeito sobre os acontecimentos e o cotidiano dos diretamente envolvidos, mas eles saberão que não estamos cegos diante da barbárie. Quem tem olhos que veja. Talvez todos precisemos de um pouco mais de lucidez.

Já deveríamos ter aprendido com a história do século XX, para não voltarmos muito no tempo, que as posturas maniqueístas podem até nutrir ideologias e justificá-las, mas também podem alimentar o barbarismo e a desumanização. Os ‘nossos’ também cometem erros. Temos o direito de escolher um lado, ou mesmo de silenciarmos. Nossas opções, porém, não nos isenta da necessidade do olhar crítico e autocrítico.

O engajamento responsável pressupõe a superação da lógica, tão em voga na época da ‘guerra fria’, do “inimigo meu, inimigo teu” (também traduzida pelo silogismo “se és amigo do meu inimigo, és meu inimigo”). A verdade é que o “meu amigo” não está acima da crítica. Segui-lo cegamente é abdicar do pensar crítico, é aderir ao sectário e ao fanático, sejam eles religiosos ou seculares. As polaridades são insuficientes para entender e explicar o mundo real. Há mais entre o bem e o mal do que as vãs filosofias dos maniqueístas ousam pensar e admitir.

autoridade palestina muita conversa,e nenhuma ação sobre a morte de Abu Ein

Palestinian President Mahmoud Abbas shows a picture of Palestinian Minister Ziad Abu Ein as Abu Ein was grabbed by an Israeli

fonte
Read more: http://www.al-monitor.com/pulse/en/contents/articles/originals/2014/12/palestinian-authority-silence-abu-ein.html##ixzz3MD3DFs9p

 

Presidente Mahmoud Abbas  mostra uma imagem do ministro palestino Ziad Abu Ein e  como Abu Ein foi agarrado por um policial de fronteira israelense, durante uma reunião com a liderança palestina em Ramallah, 10 de dezembro de 2014. (Foto: REUTERS / Mohamad Torokman)

autoridade palestina muita  conversa,e  nenhuma ação sobre a morte de Abu Ein
RAMALLAH, Cisjordânia – A liderança palestina tem evitado tomar decisões importantes em resposta à morte do ministro palestino e chefe Anti-Wall e Liquidação Comissão Ziad Abu Ein em 10 de dezembro, apesar de se falar de uma possível suspensão de coordenação de segurança e juntando as convenções internacionais.

declarações duras do PA, no rescaldo da morte de Ziad Abu Ein aparecer nada mais do que o ar quente, uma vez que se recusou a seguir com suas ameaças de cortar a coordenação da segurança com Israel ou acelerar etapas para unir as convenções internacionais.
Autor Ahmad MelhemPosted 16 de dezembro de 2014
Muhammed Madani, um membro do Comitê Central do Fatah, disse Al-Monitor que a liderança se reuniu no dia 14 de dezembro para discutir possíveis respostas e pediu uma comissão internacional de inquérito sobre o que causou a morte de Abu Ein, bem como para o estabelecimento de um tribunal internacional especializada, e o desenvolvimento de todas as formas de resistência popular contra a ocupação israelense.

Enquanto os palestinos estavam esperando respostas oficiais à morte de Abu Ein, tais como a suspensão da coordenação da segurança do PA com Israel, ou a adesão da Palestina para o Tribunal Penal Internacional e sua assinatura do Estatuto de Roma, nada disso ocorreu.

Uma autoridade palestina que participou da reunião liderança disse Al-Monitor em condição de anonimato: “De fato, nenhuma decisão foi tomada. Estas questões não foram discutidas durante a reunião. A única resolução que foi tomada foi a de ir ao Conselho de Segurança. “Ele acrescentou:” Há relutância em tomar decisões, de modo a não perturbar os americanos. ”

A Autoridade Palestina (AP) também havia conhecido 10 de dezembro para discutir respostas a morte de Abu Ein. A agenda incluiu discussões sobre diversos assuntos, principalmente a assinatura dos instrumentos jurídicos a aderir a várias convenções internacionais, incluindo o Tribunal Penal Internacional, e relação do PA com Israel, incluindo parar a coordenação de segurança e segurando Israel responsável pelas suas acções.

Khalida Jarrar, o líder da Frente Popular para a Libertação da Palestina, que participou da reunião, disse Al-Monitor, “A reunião era para discutir uma série de arquivos e resoluções, como a assinatura do Estatuto de Roma e da suspensão da coordenação da segurança. No entanto, a única resolução tomada foi recorrer ao Conselho de Segurança, sem esclarecer ao abrigo do qual a fórmula “.

Jarrar acrescentou: “Na primeira reunião, a grande maioria dos membros da liderança eram a favor de parar acordos de coordenação de segurança com Israel, incluindo o presidente Mahmoud Abbas, mas na última reunião, o presidente negou ter apoiado a suspensão, que gozava o apoio da maioria dos membros da liderança “.

Mahmoud al-Habash, um assessor do presidente, respondeu dizendo que a liderança palestina “não funciona de acordo com as reações, mas sim de acordo com um plano programado com base na ativação de resistência popular no chão, a continuação da ação política no o nível das Nações Unidas e da repressão de todos os criminosos de guerra mais cedo ou mais tarde “.

Quanto à falta de tomar decisões como parar a coordenação da segurança, Habash afirmou que as decisões estão dentro dos melhores interesses do povo palestino. “Se a liderança apurou que a coordenação de segurança é para o benefício do povo palestino, vamos mantê-lo, mas se o contrário é verdadeiro, vamos suspendê-lo imediatamente”, disse ele.

Fatah Revolutionary Secretário-Geral do Conselho Amin Makboul disse Al-Monitor que alguns membros PA instou a liderança para “acelerar etapas” no que diz respeito à ONU e à coordenação da segurança na reunião. “Todas as decisões, incluindo medidas de segurança foram tomadas e postas à disposição da liderança palestina para implementar aqueles que considere adequadas no momento em que achar conveniente, de acordo com a evolução da situação política e de campo, que devem ser interpretados com cautela”, acrescentou.

O escritor e analista político Khalil Shaheen disse: “A liderança palestina não tomar qualquer nova resolução em sua última reunião, uma vez que deveria ter recorrido ao Conselho de Segurança, no final do mês passado, mas foi adiada. Isto não é em resposta ao assassinato de Abu Ein “.

A falta de uma decisão é frustrante para os palestinos, especialmente no que se contradiz declarações anteriores de membros da liderança palestina que a coordenação de segurança com Israel tinha sido anulado.

Parece que o fracasso do PA para tomar qualquer decisão reflete o interesse do PA em manter a calma e reduzir o nível de escalada após a morte de Abu Ein. Isto veio em resposta à grande pressão dos EUA exercida sobre ele para desencorajá-lo de parar a coordenação da segurança com Israel e para se juntar ao Tribunal Penal Internacional, à luz das indicações de um compromisso sobre o projeto de lei palestino-Francês antes de o Conselho de Segurança.

Shaheen disse que falar de parar ou suspender a coordenação da segurança após a morte de Abu Ein é uma tentativa de aliviar a ira dos palestinos, não só para com os ataques de Israel, mas em direção a políticas da PA que permanecem num impasse. “A Autoridade Palestina ameaça tomar uma ação a nível internacional, mas não consegue fazê-lo no chão”, disse ele.

“O PA ameaça para ratificar tratados internacionais e de reconsiderar a relação com Israel, mas não fazê-lo. Ele se contenta em fazer ameaças sem falar qualquer ação política real e eficaz para aplicar pressão e punir Israel “, acrescentou.

Apesar das declarações duras na semana passada por autoridades palestinas, o PA tem, de facto, não tomar quaisquer decisões importantes em resposta à morte de Abu Ein, mostrando aos israelenses e ao público palestino de que o PA é só conversa e nenhuma ação.

Tarso Genro cancela acordo com empresa israelense após pressão da comunidade palestina

Tarso Genro cancela acordo com empresa israelense após pressão da comunidade palestina

Tarso Genro entregou nesta terça-feira (02) carta ao embaixador da Palestina Ibraim Alzeben; na foto, reunião dos dois em Brasília em agosto | Foto: Caroline Bicocchi/Palácio Piratini


Samir Oliveira
Atualizado às 15h20 desta quarta-feira (03)

Em seu último mês de mandato, o governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro (PT) cancelou um acordo que havia firmado em abril de 2013 com a empresa israelense Elbit. O contrato previa uma parceria entre a companhia militar de Israel, o Palácio Piratini e universidades gaúchas no estabelecimento de um polo aeroespacial no estado. Na noite desta terça-feira (02), o governo divulgou uma carta onde informa que o protocolo assinado com a corporação israelense passaria a se tornar “sem objeto”.

Desde que foi firmado, o protocolo com a Elbit tem sido alvo de constantes críticas da comunidade palestina no Rio Grande do Sul, de movimentos sociais pela causa e do próprio governo da Autoridade Nacional Palestina. Isso porque a Elbit, maior corporação militar de Israel, é denunciada pela colaboração na construção do muro que isola os territórios palestinos na Cisjordânia. A empresa também fornece equipamentos de segurança para os assentamentos israelenses, que já foram declarados ilegais pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Ato celebrou resistência do povo palestino nesta terça-feira na Assembleia Legislativa | Foto: Filipe Castilhos/Sul21

A Elbit, que possui uma empresa subsidiária no Rio Grande do Sul, com sede em Porto Alegre – a AEL Sistemas – já vem sofrendo sanções em países da Europa, que orientam seus fundos públicos a não investirem nas ações da companhia. Agora, nesta terça-feira (02), Tarso Genro entregou em mãos ao embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Mohamed Khalil Alzeben, uma carta onde informa o cancelamento do protocolo com a empresa militar israelense.

O diplomata está em Porto Alegre para um ato de comemoração ao Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestino, que foi celebrado no dia 29 de novembro. “Quero agradecer ao senhor governador pelos atos valorosos, ele sempre acompanhou a luta a favor de um Estado palestino independente”, elogiou o embaixador num evento na Assembleia Legislativa gaúcha.

Chefe da Assessoria de Cooperação e Relações Internacionais do governo do estado, Tarson Núñez defendeu a campanha por Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) contra o Estado de Israel. “Se hoje o governo israelense tem uma força militar capaz de vencer qualquer conflito direto, nós temos a força moral de quem está com a razão e com a justiça. Temos que prestar atenção ao movimento internacional por BDS, todo e qualquer produto de Israel não deve ser consumido por ninguém no Brasil e toda e qualquer empresa brasileira não deve fechar parcerias comerciais com Israel”, conclamou.

Exposição sobre a Palestina fica até sexta-feira na Assembleia gaúcha | Foto: Filipe Castilhos/Sul21

Tarson disse que o acordo com a Elbit já estava enfraquecido, pois o governo federal não havia liberado todos os recursos necessários para a concretização da parceria. Contudo, ele frisa que a decisão do Palácio Piratini foi política, já que, mesmo assim, ainda havia possibilidade de se tentar captar financiamentos junto ao BNDES, por exemplo. “O governador foi sensível às demandas contínuas da comunidade palestina, do governo palestino e dos movimentos sociais”, explicou.

O ato na Assembleia Legislativa ocorreu no mesmo dia em que a exposição de fotografias “Retratos da Resistência – Um povo que luta para não desaparecer” foi inaugurada no saguão de entrada do Parlamento. Fruto de um trabalho dos fotógrafos paranaesnes Leandro Taques e Rafael Oliveira, a exposição retrata o cotidiano dos territórios palestinos.

A carta entregue por Tarso à Embaixada Palestina informando sobre o cancelamento do acordo com a Elbit será divulgada ainda na noite desta terça-feira pelos movimentos sociais.

Confira a íntegra da carta entregue por Tarso Genro à Embaixada da Palestina no Brasil e à Federação Árabe-Palestina (Fepal)

Carta à Federação Palestina do Rio Grande do Sul

Neste momento em que o nosso estado se engaja nos eventos mundiais do Ano Internacional de Solidariedade à Palestina venho, mais uma vez, me somar a todos aqueles que no mundo inteiro levantam a sua voz em defesa dos direitos do povo palestino, de uma paz justa na região, precedida de negociações para o reconhecimento prévio dos acordos de Oslo.

Desde o início do meu mandato nos posicionamos de forma ativa, em sintonia com as posições do nosso governo nacional, em defesa do reconhecimento do Estado Palestino e de uma paz justa com o Estado de Israel, baseada no reconhecimento do direito dos Palestinos terem jurisdição política e militar sobre o seu território. Sabemos que tal posição conta, inclusive, com o apoio de considerável parte da comunidade israelense, que também prefere a via da negociação à da violência.

O governo do Rio Grande do Sul, durante o nosso mandato (2011/2014), buscou materializar esta posição em ações de solidariedade. A realização do Fórum Social Palestina Livre em 2012, a visita à Palestina em 2013, promoção das doações de arroz para os campos de refugiados da UNRWA, os projetos de cooperação técnica que implementamos, são demonstrações concretas de nosso empenho em apoiar os direitos do povo palestino.

Neste momento, considero importante também manifestar-me em torno de um tema que tem sido objeto de controvérsia em nossa relação de fraternidade e solidariedade. Trata-se do protocolo de intenções assinado entre nosso Estado, algumas universidades e a empresa local AEL, subsidiária da empresa israelense Elbit Systems.

Os questionamentos constantes por parte do governo palestino e das entidades representativas a este acordo me levam a esclarecer algumas dúvidas em relação ao Protocolo firmado pelo nosso governo com a empresa referida.

A assinatura do protocolo ocorreu nos marcos da estruturação de um programa voltado para constituir, em nosso Estado, uma política de fomento à indústria aeroespacial. Este programa tem por objetivo aproveitar as oportunidades geradas pelas políticas do governo federal, para desenvolver uma indústria aeroespacial nacional, política esta que temos o dever institucional de prestigiar.

O protocolo teve como escopo a participação em um edital da FINEP, para o fomento do setor aeroespacial, através do qual se obteria os recursos para implementar o trabalho comum. O resultado do Edital, no entanto, não foi favorável ao desdobramento prático do Protocolo, pois proporcionou alocação de recursos insuficientes para a sua materialização. Desde então, não houve mais nenhuma ação objetiva relacionada com aquele acordo, e o governo do Rio Grande do Sul não realizou, e não realizará sob o nosso governo, nenhuma outra ação relacionada a esta parceria, o que nos permite declarar o referido protocolo como sem objeto.

Consideramos, portanto, que a comunidade palestina em nosso estado, assim como as autoridades do Estado Palestino com quem temos nos relacionado, podem continuar a contando com o respeito e a solidariedade ativa da comunidade gaúcha e do governo do Rio Grande do Sul.

800 personalidades israelitas apelam que a Europa reconheça a Palestina como Estado independente

800 personalidades israelitas apelam que a Europa reconheça a Palestina como Estado independente

A carta aberta foi assinada por escritores proeminentes, como Amos Oz e David Grossman, e também por intelectuais como o Prémio Nobel da Economia Daniel Kahneman.

ESQUERDA.NET

 

Uma carta assinada por mais de 800 personalidades e intelectuais israelitas deve chegar aos parlamentos da Bélgica, Dinamarca e Irlanda esta segunda-feira para pedir o reconhecimento do Estado palestiniano por parte dos países europeus, avança a edição de hoje do diário israelita Haaretz.

Escritores israelitas proeminentes como Amos Oz, David Grossman e A.B. Yeshua constam do abaixo-assinado, bem como o prémio Nobel da Economia em 2002, Daniel Kahneman, o ex-porta-voz do Knesset (Parlamento de Israel) Ayraham Burg e o ex-ministro da Educação Yossi Sarid.

“A iniciativa de reconhecimento do Estado palestiniano vai avançar as perspetivas de paz e encorajar palestinianos e israelitas a resolver o conflito”, afirma a carta aberta.

Os parlamentos dos países europeus para os quais a carta foi enviada devem colocar o assunto na agenda esta semana. No caso da Dinamarca, por exemplo, é a primeira vez que o tema é discutido.

Na semana passada, a Assembleia Nacional da França aprovou uma resolução que exorta o Governo francês a reconhecer o Estado palestiniano “a fim de obter uma solução definitiva para o conflito”.

A decisão acontece no meio de uma escalada de impaciência dos países europeus com o processo de paz entre israelitas e palestinianos. Em novembro, o Congresso espanhol incitou o Governo a reconhecer o Estado palestiniano, uma iniciativa semelhante aconteceu no Reino Unido.

Somado a este panorama, a Suécia reconheceu oficialmente a Palestina como Estado independente, em outubro deste ano.

Artigo tirado de Esquerda.net

 

GOVERNO DO RIO GRANDE DO SUL CANCELA ACORDO COM A EMPRESA ISRAELENSE ELBIT

GOVERNO DO RIO GRANDE DO SUL CANCELA ACORDO COM A EMPRESA ISRAELENSE ELBIT

Em nome do Presidente da FEPAL – Federação Árabe Palestina do Brasil e de seus diretores, agradeço o Governador Tarso Genro pelo seu compromisso histórico com os direitos humanos e nacionais do povo palestino, direitos esses consagrados no Direito Internacional e, especialmente, nas resoluções da ONU – Organização das Nações Unidas.
O Compromisso do governador culminou, na ultima segunda-feira, 01/12/14, com a assinatura de uma carta onde cancela o protocolo de intenções com “a empresa local AEL, subsidiária da empresa israelense Elbit Systems”. Aqui está a carta em sua íntegra:
 Governador Tarso Genro cancela acordo com empresa de Israel
“Para nós, o Rio Grande do Sul virou um exemplo de solidariedade com a causa Palestina e vamos trabalhar para que esta postura política contra contratos com empresas cúmplices dos crimes de Israel seja adotada a nível nacional”, declarou Elayyan Aladdin, presidente da FEPAL-Federação Árabe Palestino-Brasileira-  no site daStop the Wall.
Durante o massacre que Israel executou contra o povo palestino da Faixa de Gaza, em julho e agosto deste ano, a Federação Palestina enviou uma Carta à Presidente Dilma e publicou uma Carta ao Povo Brasileiro, onde pedia o fim dos acordos de de cooperação, militar, comercial, industrial e de pesquisa científica entre Brasil e Israel. E entregou ao Governador Tarso Genro, durante audiência no Palácio Pirtatino, uma carta pedindo o cancelamento do acordo do Governo do Estado com a empresa israelense Elbit.
Relações Militares Brasil- Israel, a morte anunciada
 
Cabe denunciar, boicotar,  com todo o vigor, qualquer tipo de acordo de venda, compra, pesquisa, seja de armas e seus componentes, sistemas de segurança e outros, pois essas transações significam fortalecer as industrias israelenses que utilizam sues produtos para massacrar, matar e assassinar palestinos, significa contribuir com a ocupação ilegal (Direito Internacional e Resoluções da ONU) israelense dos territórios palestinos, com o Muro do Apartheid, declarado ilegal em 2004 pelo Tribunal Penal Internacional e com os crimes de guerra cometidos por Israel contra o povo palestino.
Foram várias as ações, nos últimos quatro anos, de denuncia e pedidos de cancelamento dos acordos de cooperação militar entre Brasil e Israel. Essas ações se inserem dentro do movimento internacional denominado Campanha BDS – Boicote, Desinvestimento e Sanções, que fortaleceu suas atividades no Brasil durante a realização do Fórum Social Mundial Palestina Livre, em novembro de 2012, na cidade de Porto Alegre
– Em 2011 a Campanha BDS iniciou suas atividades no Brasil  e várias ações foram noticiadas, entre elas destaco “Palestinos pedem ao Brasil e ONU boicote às armas de Israel”  e “CUT apoia o fim dos acordos militares e econômicos entre Brasil e Israel“;
– O Blog Sanaúd-Voltaremos publicou, em 2011, sete artigos sobre as  “Relações Militares entre Brasil e Israel”, sendo o primeiro deles, um amplo relatório da organização Stop the Wall sobre a atuação de empresas israelenses fabricantes de material militar e suas relações e negócios no Brasil;

– A Federação Palestina em parceria com a Stop the Wall, em 2013,  oficializam ação pelo boicote a Israel.

Brasil e sua solidariedade com a Palestina
 
A luta de libertação nacional do povo palestino para garantir o seus direitos inalienáveis ao retorno e autodeterminação consegue avançar e conquistar vitórias significativas, como esse cancelamento de acordo no Rio Grande do Sul, graças aos movimentos de solidariedade ao povo palestino que estão presentes em todo o Brasil, como ficou demonstrado nos atos em repudio ao massacre israelense  de solidariedade com o povo palestino que tomaram conta das ruas e praças por todo o território brasileiro durante o ultimo massacre israelense na Faixa de Gaza em 2014, e que continua até o momento através do cerco econômico e material, desde 2007, que Israel impõe àquela prisão a céu aberto!
A solidariedade brasileira com o povo palestino tem seu registro a partir de 1980 quando foi fundada a Federação Palestina e vem se fortalecendo e se aprimorando a cada ano.
A Federação Árabe Palestina do Brasil, agradece a todos os amigos e amigas da causa palestina, aos movimentos sociais e de solidariedade, ao Movimento da Campanha BDS, aos partidos políticos, ao governo brasileiro, aos sindicatos das mais diversas categorias, aos brasileiros e brasileiras, que ao longo desses 35 anos tem feito de sua solidariedade ao povo palestino um marco na luta por paz, justiça e liberdade.

domingo, 24 de agosto de 2014 Entrevista com Renatho Costa

domingo, 24 de agosto de 2014

Entrevista com Renatho Costa

Renatho Costa é professor do curso de Relações Internacionais da Unipampa especializado em questões relacionadas ao Oriente Médio. Ano passado ele, junto a 11 discentes (Beatriz Naddi, Carla Ricci, Carlos Henrique Moraes, Cássio Dias, Débora Faria, Diego Araújo, Jéssica Monteiro, Rafael Masson, Rodrigo Duque Estrada, Túlio Bunder e Yesa Ormond), fizeram um trabalho de conscientização muito interessante em Santanna do Livramento, construindo um muro que separava uma das ruas principais da cidade. O público se polarizou, enquanto alguns achavam um absurdo o cerceamento do espaço, outros viam aquilo como algo positivo para mobilizar as ideias com relação ao que acontece na Faixa de Gaza. Segundo o Renatho, o impacto foi grande e gerou não só polêmica, mas também muitos curiosos que queriam entender o que estava acontecendo. Leia mais abaixo.

Pergunta: Qual foi a grande lição sobre tirada do muro construído na manifestação pela Palestina no ano passado? Fale um pouco sobre o objetivo do projeto.

Resposta: Bom, então vamos pelo começo. Sou professor do curso de Relações Internacionais da Unipampa. Graduado em Relações Internacionais, Mestrado e Doutorado em História Social (USP). Desde a graduação trabalho com questões relacionadas ao Oriente Médio e, desde então tem sido meu objeto de pesquisa.

Tem alguma coisa sobre minha produção acadêmica em www.rcacademico.blogspot.com

O Muro foi criado como parte do evento IV Festival Sul-Americano da Cultura Árabe, que ocorria em diversas partes do Brasil e em algumas cidades do mundo. Este Festival é organizado pela BibliASPA, uma instituição de pesquisa sobre a temática árabe, sediada em São Paulo. Como eu conhecia o presidente da BibliASPA, Paulo Farah, propus a ele que fizéssemos uma etapa do evento em Santana do Livramento e Rivera. Ele gostou da ideia e prontamente passamos a trabalhar no evento.

Existe uma página sobre o festival no www.facebook.com/iv.fsaca e também neste site http://gaeomam.wix.com/festivalarabe

Bom, como sou professor da Unipampa e pretendia integrar este projeto à universidade, propus fazer um projeto de extensão. Nesse sentido, montei uma equipe com discentes para trabalhar comigo.

Neste site tem um press release que utilizamos para divulgar as atividades do festival e os nomes dos coordenadores. Porque os discentes foram coordenadores do projeto juntamente comigo.

Tínhamos algumas atividades que ocorreriam em todas as cidades em que ocorresse o Festival, mas também tínhamos a liberdade de criar uma programação específica para o Festival.

Nesse sentido, em reunião com os coordenadores pensamos em criar algo impactante que pudesse fazer as pessoas pensarem acerca da situação que os palestinos vivem, pois apesar de todos terem uma ideia do que seja ter sua liberdade de trânsito limitado, ninguém consegue vivenciar isso no dia a dia.

“As pessoas entenderam que do mesmo modo que tinha de lutar para derrubar o muro, teriam de lutar contra tudo que entendesse que afetasse sua vida na comunidade. De certo modo, provocou a população local a pensar nas mais diversas formas de cerceamento de liberdade.”

P: O muro foi construído onde mais especificamente?

R: Bom, a ideia inicial era fazer bem em frente à Unipampa, na rua Barão do Triunfo. Inclusive tivemos a provação da Prefeitura, consultei indivudualmente as empresas de ônibus que tinham linha que passasse por lá, etc. Estava tudo certo, mas depois as empresas de ônibus recuaram no que tinham aceito e pressionaram a prefeitura para que não fosse construído na Barão, daí optamos por construir na Conde de Porto Alegre, ao lado da Unipampa.

Era uma rua com menos trânsito, mas a proposta original seria mantida que era de fazer as pessoas sentirem o impacto da ausência de liberdade de trânsito.

P: Quantas pessoas ajudaram a construir o muro?

R: Bom, nós contratamos algumas pessoas que entendiam disso, acredito que tenham sido umas 5, não me recordo exatamente. Mas tinha de ser feito em dois dias. Começou no sábado à tarde e terminou no domingo à noite. Porque o Festival iniciaria na segunda-feira e queríamos que a cidade acordasse com o impacto de ter um muro no meio de uma rua. Mas tudo foi autorizado pelas secretarias locais, etc. Havia uma autorização formal para fazer esta interrupção do trânsito.

Mas o desdobramento que foi interessante, pois mesmo antes de interromper o trânsito nós passamos de morador em morador daquele quarteirão e pedimos autorização para fechar a rua (mesmo já tendo esta autorização da prefeitura). Todos os moradores assinaram uma autorização, mas quando viram o tamanho do muro, ficaram espantados e daí que o processo de debate na cidade ficou mais intenso.

P: Vocês gastaram quanto na contratação de pessoal e material de obra?

R: Com exatidão não saberia lhe dizer hoje, mas não foi muito caro, acredito que uns 3000 Reais.

P: A população aceitou bem? Teve algum material de distribuição para explicar o que estava acontecendo a quem passava, como um panfleto ou jornal?

R: O interessante foi que o muro estava lá sem qualquer explicação. Porque a proposta era gerar este estranhamento inicial para que depois as pessoas fossem buscar saber do que se tratava.

Na verdade, logo na segunda-feira os jornais e as rádios foram até o local para saber do que se tratava aquilo. Também era interessante perceber que os ônibus que passavam pela Barão do Triunfo reduziam a velocidade e as pessoas iam para a janela ver o muro. Vários carros paravam… Algo inusitado.

Daí começou um processo que não esperávamos que chegasse à dimensão que chegou. Primeiramente porque houve uma polarização entre aqueles que entendiam o muro como uma obra de arte (uma instalação) que tinha como objetivo levar o público a pensar sobre a questão dos palestinos e outros que entendiam como uma violência deixar construir um muro no meio da rua e impedir as pessoas de trafegarem.

Mesmo dentro da universidade este debate ganhou espaço, pois muita gente não entendia o muro como algo legal. E, nesse sentido, passou a procurar a Câmara de Vereadores, Prefeitura, secretarias… tudo para fazer com que o muro fosse derrubado.

A partir deste momento, por três dias, só se falou no muro. Participei com os demais coordenadores de vários programas de rádio, entrevistas, debates… Todo mundo só falava do muro. Mas o mais interessante foi que este muro também ganhou uma dimensão local, pois as pessoas começaram a entendê-lo como uma ruptura com a passividade da comunidade local. As pessoas entenderam que do mesmo modo que tinha de lutar para derrubar o muro, teriam de lutar contra tudo que entendesse que afetasse sua vida na comunidade. De certo modo, provocou a população local a pensar nas mais diversas formas de cerceamento de liberdade.

Mesmo aqueles moradores que tinham autorizado a construção do muro, se juntaram a alguns alunos da Unipampa para contestar contra isso. Queriam que fosse derrubado ou, pelo menos, que se abrisse uma porta na calçada para que os pedestres cruzassem.

Ou seja, já queriam criar um processo seletivo de quem pode ou não passar. Mas nós não queríamos e a tensão foi se ampliando.

P: Existe algum jornal ou outro meio midiático em Livramento que consiga elaborar uma visão diferente da grande mídia sobre a Palestina (que fale do conflito nos termos da necessidade da defesa da Palestina contra o imperialismo)?

R: Na verdade, a mídia local não faz análises sobre este conflito. Como a grande maioria das mídias de cidades pequenas, este tema não é relevante. Mesmo os grande grupo midiáticos, muitas vezes buscam se pautarem pelas agências de notícias, então nunca esperei que a mídia local fizesse qualquer consideração neste sentido. A mídia daqui cobria o que ocorria e, como há uma grande comunidade palestina, divulga esta perspectiva. Mas sem crítica.

Na ocasião recebemos o embaixador da Palestina como palestrante, o presidente da FEPAL… Ou seja, era um evento árabe, não somente político, mas tinha um recorte específico.

Como disse, não era um evento político, mas havia exposição de charges de Latuff, que tem seu grau de crítica à ocupação de Israel. Também tínhamos uma exposição de fotos dos territórios ocupados. A parte política do Festival se expressa, muitas vezes, indiretamente.

Este muro era para permanecer montado durante todo o período que o festival ocorresse, contudo, devido à pressão da população local, os organizadores do Festival se reuniram com a prefeitura e reajustamos o prazo, para uma semana. Por fim, devido ao alto grau de tensão, alguns estudantes da Unipampa contrários ao muro (não à Causa Palestina), abriram uma passagem nele durante uma manifestação. Daí, no dia seguinte resolvemos desmontá-lo porque já tinha cumprido seu papel.

 “(…) em reunião com os coordenadores pensamos em criar algo impactante que pudesse fazer as pessoas pensarem acerca da situação que os palestinos vivem, pois apesar de todos terem uma ideia do que seja ter sua liberdade de trânsito limitado, ninguém consegue vivenciar isso no dia a dia.”

P: Mas como separar um ato crítico contra a segregação na faixa de Gaza do seu teor político?

Bom, naquele momento em que ocorreu o Festival ainda não estávamos vivendo esta barbárie, então, apesar de Gaza já ter sua liberdade cerceada, os israelenses ainda não estavam exterminando os palestinos. Então, concordo contigo sobre a impossibilidade de ser acrítico com relação à ocupação israelense, mas o que queríamos era trazer, também, outros aspectos do mundo árabe. Então discutimos o muro que cerca o Saara Ocidental (inclusive com uma exposição fotográfica) e a guerra na Síria. Inclusive tivemos a participação do jornalista Klester Cavalcanti contando como foi ter sido preso durante a primeira etapa da guerra.

Todo o evento criticava e condena a atuação dos israelense contra o povo palestino. O muro somente levava a população a pensar o que é estar cercado. E olha que ali as pessoas ainda podiam sair pela parte de baixo da rua. Mas o mais interessante é que esta rua (Conde de Porto Alegre) é central, mas não tem grande fluxo de trâfego, no entanto, durante os debates parecia que era a rua mais importante da cidade!

P: Pode trazer um pouco da palestra do jornalista para cá?

R: Bom, o Klester escreveu um livro sobre isso, chama-se Dias de Terror na Síria. Para o Festival era importante tê-lo como palestrante porque ele foi o único brasileiro a ir para a Síria num momento em que não deixam jornalistas entrarem lá. Inclusive ele conta que foi proibido de ir a Homs, cidade em que ficavam as milícias, mas mesmo assim, entrou clandestinamente e acabou sendo preso. Como as pessoas não falavam inglês e ele não falava árabe, foi preso e ficou sem saber o que aconteceria com ele. Bom, as torturas físicas não foram tão enfáticas, mas a tortura psicológica ele diz ter sido terrível, pois as pessoas não sabia onde ele estava e ele sequer sabia se sairia vivo. Enfim, o livro é bem detalhista nesse sentido, mas o público gostou da palestra dele. Por isso que digo que outros temas do “mundo árabe” também estavam contemplados no Festival. Agora, tirar o teor político é muito difícil mesmo. Até os filmes tinham este recorte.

P: Então o cerceamento representado pelo muro gerou um fluxo de crítica importante, na sua opinião?

R: Sem dúvida, volto ao que disse no início. Quando fizemos a reunião para criar algo impactante, esperávamos que apenas houvesse algum grau de indignação, mas que pacificamente esperariam o festival acabar para que o muro saísse da rua. Mas foi tudo numa dimensão impensável. Nós éramos em 10 ou 11 organizadores, mas não dava para conter toda a repercussão que o muro criou. E parecia uma peregrinação ao muro. Todo mundo queria saber o que era aquilo. Por isso que foi importante não dizer nada desde o início, para que as pessoas pudessem se movimentar e buscar respostas.

Acho que foi além disso e tentaram romper com o que cerceava a liberdade delas. Infelizmente, no caso de Israel, não dá para fazer isso, pois os palestinos seriam aniquilados.

Foi importante, como dissemos em nossa análise final, perceber que a população entendeu o significado do muro para os palestinos e trouxe para a realidade dela. Muitas vezes não temos um muro físico a nossa frente, mas outras situações se configuram da mesma maneira.

Como tudo, houve polarização dos dois lados… Alguns exaltavam as pessoas que trouxeram o muro para a cidade entender o que ocorre na Palestina e outros diziam que o prefeito “deu a chave da cidade para que um professor da Unipampa fizesse que que quisesse na cidade!”. O debate era muito interessante, e nós (organizadores) nem fomentávamos… ele ia por si.

P: Qual é a opinião do grupo que fez o muro (ou a sua, mais particularmente) sobre a tragédia na faixa de Gaza e o terrorismo do Estado de Israel? Você acha que o Hamas pode contra Israel?

R: Bom, falo em meu nome, mas conhecendo meus colegas organizadores do Festival, não creio que minha opinião difira da deles.

Não há parâmetro legal para justificar o que o Estado de Israel está fazendo com os palestinos na Faixa de Gaza. Digo legal, porque se formos adentrar em aspectos humanitários, daí não é possível iniciar qualquer discussão. O direito de qualquer estado se defender não se funde à possibilidade de exterminar um povo. Atualmente os palestinos de Gaza já vivem em condições subhumanas, pois a região é cercada por Israel por todos os lados, exceto na fronteira com o Egito, mas ali o general Al-Sisi está alinhado aos interesses de Israel.

Não tenho dúvida de que a atuação de Israel se encaixa no paradigma do Terrorismo de Estado, no entanto, devido à legitimação destes atos pelos EUA, pouco há para se fazer.

É claro que também não concordo com a atuação de organizações a partir de atos terroristas, mas não basta condenar o Hamas ou quem quer que seja como terrorista e deslegitimar sua causa. Há a necessidade de aprofundar na análise e discussão sobre isso, caso contrário tudo que a ONU representa – inclusive criou o Estado de Israel e todas suas resoluções são descumpridas pelos israelenses – deixará de fazer sentido para os muçulmanos.

Esta questão não tem nada a ver com disputa religiosa, é uma luta geopolítica. Ocorre que existe uma população palestina que está sendo exterminada em Gaza e outra na Cisjordância que os israelenses tentam expulsar com a ampliação de seu território.

P: Você saberia dizer para o leitor o que foram as Intifadas palestinas e localizá-las historicamente?

R: Na verdade, Intifadas foram revoltas populares dos palestinos contra a ocupação israelense. Elas ocorreram em dois momentos específicos, quando a população não mais tinha condições de suportar os atos repressivos do governo de Israel. Foram revoltas “de pedras” contra armas. A primeira Intifada ocorreu em 1987 e a segunda em 2000. Sempre algum ato específico as desencadeou.

P: Revoltas não são necessariamente revoluções, mas há alguns grupos da esquerda que identificam uma coisa à outra. O que você pensa sobre isso?

R: Se formos partir do conceito, Revolução tem de propiciar uma mudança em relação ao que havia anteriormente. Nesse caso, não consigo perceber isso. Podemos dizer que o Irã passou por uma revolução em 1979, mas isso não quer dizer que as revoltas deixem de ter importância, pois elas expõem graus de insatisfação que certas populações vivem. Então, de revoltas podemos chegar a Revoluções, mas estas também podem ser suprimidas.

P: Como a experiência do muro afetou as pessoas que participaram dela?

R: Bom, esta análise não é tão simples e não dá para eu ter certeza do que vou dizer porque não pesquisei posteriormente.

Quanto aos coordenadores do evento, que eram discentes e que a grande maioria está se formando neste semestre, entendo que eles conseguiram se apropriar da universidade num sentido mais amplo, no qual é muito mais do que um local para se obter conhecimento, mas para vivenciar experiências edificantes.

A pressão que vivenciaram serviu para isso. Também se tornaram mais críticos com relação a vários aspectos da política internacional (que é objeto do curso de Relações Internacionais) e como isso reflete na vida cotidiana.

Quanto ao restante da população que interagiu com o muro, entendo que primeiramente ela entendeu que a universidade é um espaço vivo, que propõe ideias e convive com a comunidade, mas não de modo pacífico. Os moradores têm de se apropriar da universidade. A Unipampa conseguiu mostrar que há pessoas ali que estão preocupadas com o mundo, mas que não se deligam da cidade. Entendo que houve um ganho institucional, pois muita gente ainda conhecia a Unipampa como “o local onde era o colégio Marista”. Agora temos nome.

Também acho que talvez tenhamos uma população mais crítica, que não venha a aceitar tão passivamente a criação de um muro a sua frente (seja físico ou de outra natureza). Mas para isso precisaríamos observar mais a população e continuar a instigá-la.

P: Na FAPA (Faculdade Porto-Alegrense), onde estudo, estamos começando a fazer um tímido trabalho de base pela democracia no meio acadêmico e pela diminuição da mensalidade. Um dos assuntos que mexem com o pessoal do movimento estudantil é a realidade da Palestina, estamos preocupados com a realidade do país. Uma das críticas mais vorazes é à verdade institucional, que a mídia burguesa, nem aqui nem em lugar algum, contesta. Para todos os meios burgueses de comunicação, a atitude é de passividade e o conflito se resume em razões religiosas. Sabemos que essa não é a verdade. O interesse de Israel é geopolítico, como você disse, e econômico. Então, na sala de aula, enquanto divergimos do positivismo (que só trabalha com documentos oficiais), também contestamos algumas dessas verdades institucionais e buscamos outros pontos de vista. Como fazer com que isso vingue para o bem?

R: Que Israel seja um estado expansionista, a própria História nos mostra. Quanto ao posicionamento da mídia, é notório que o espaço que se destina a determinados grupos é fundamental para que “verdades” sejam propagadas. O “efeito CNN” ratifica este ponto de vista. Hoje temos alguns tipos de mídia que tentam sair do “mainstream”, mas ainda assim têm espaço reduzido. Estes grupos tentam utilizar a linguagem das grandes mídias (porque elas estabelecem um padrão que é tido como ideal) para conquistarem seu espaço, como a Al-Jazeera, Press TV (Irã), por exemplo. Estas duas se parecem em tudo com a qualidade técnica da CNN ou BBC. Contudo, ainda assim, existem interesses políticos que se sobrepõem aos demais, os quais você classificou como burgueses. Podemos classificar assim, mas também existe uma outra análise que não contemple a classe burguesa, mas sim os interesses nacionais. Neste caso, quem dita as regras no sistema internacional ratificaria o que é legal ou não. Como hoje os EUA e parte do mundo ocidental controlam o sistema internacional, dificilmente teremos uma Palestina com os mesmos direitos do Estado de Israel. Agora, quando me pergunta o que fazer para alterar isso, só consigo imaginar que isso demanda conscientização. Teremos de aprimorar nossa educação e a mídia conseguir conquistar um público mais crítico para ampliar a difusão deste processo de dominação das massas. Tudo isso no plano teórico, pois não saberia lhe dizer como fazer isso. Isso demanda sentarmos e aprofundarmos nesta discussão. Evidentemente que vocês já estão fazendo isso e este deve ser o primeiro passo, mas temos de ampliar. No entanto, temos um inimigo duro que tem grande capacidade de desconstruir tudo que não interessa para ele.

Bom, esta última resposta mereceria mais tempo para reflexão. Acredito que não esteja tão bom, pois é uma grande provocação.

Temos que encontrar maneiras para mostrar como funciona o sistema. Seja através de um muro ou construindo uma mídia parecida com a tradicional, mas que traga um conteúdo contestador.

Postado por Torquato às 

Sobreviventes do Holocausto condenar Israel por “genocídio” em Gaza

Postado: 09:22 domingo, agosto 24, 2014

 

Sobreviventes do Holocausto condenar Israel por “genocídio” em Gaza

Sobreviventes do Holocausto condenar Israel por “genocídio” em Gaza

 

Ativistas se manifestam contra ataques aéreos israelenses em Gaza foto
Mark Wilson
WASHINGTON, DC – 11 de julho: Um homem que queria ondas para não ser identificado uma bandeira palestina enquanto protestavam o bombardeio israelense de Gaza durante um protesto em frente à Embaixada de Israel em 11 de julho de 2014 em Washington, DC. Vários grupos pacifistas se reuniram para protestar em frente à embaixada para pedir um fim ao bombardeio de Gaza de Israel. (Foto: Mark Wilson / Getty Images)

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Por Elizabeth Hagedorn

 

Cerca de 40 sobreviventes do Holocausto e mais de 200 de seus descendentes em comparação Israel à Alemanha nazista.

O  Jewish Anti-sionista Network International , que, no passado, sido muito crítico de Israel, tomou um anúncio no The New York Times. A declaração refere-se ao “esforço de venda por atacado de Israel de destruir Gaza” e continua a dizer: “O genocídio começa com o silêncio do mundo. Nunca mais deve significar nunca mais para qualquer um. “

Eles não são os únicos a fazer tal comparação. Palestino, Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade condenou Israel no mês passado para o que ele disse foi um “genocídio” de seu povo. (Video via  TV Press )

Suas  palavras  foram  ecoou  por mais de um líder mundial.

Em seguida, houve esta  petição online viral  na Itália exigindo Israel ter o seu próprio julgamento de Nuremberg – uma referência, é claro, para o julgamento de criminosos de guerra nazistas.

Mas, por outro lado deste debate é sobrevivente do Holocausto proeminente e Prêmio Nobel Elie Wiesel. (Video via  Free The Children International ) 

Recentemente, ele escreveu uma  carta aberta altamente controversa  de sua própria igualando Hamas com os nazistas.Ele pediu um fim ao que ele disse foi “o sacrifício de crianças” por parte do Hamas. 

O governo israelense também acusou o Hamas de usar “escudos humanos.” Em outras palavras, escondendo seus líderes e armamento em áreas civis. (Video via  BBC ) 

Com ambos os lados acusando-se mutuamente de crimes de guerra, o Conselho de Direitos Humanos da ONU lançou uma comissão independente para investigar as alegações.

Enquanto isso, o conflito mostra poucos sinais de desistir. No sábado, os ataques aéreos israelenses supostamente destruiu um prédio de apartamentos de 12 andares na cidade de Gaza – ferindo 30 A meta, de acordo com a mídia israelense, era um Centro de Operações de correr pelos militantes. (Video via  RT)

Isto, depois de o exército israelense diz Hamas dispararam mais de 100 foguetes contra o sul de Israel. (Video via  Forças de Defesa de Israel ) 

De acordo com estimativas da ONU, mais de 2.100 palestinos morreram no conflito, incluindo 500 crianças. Do lado israelense, 64 soldados morreram, assim como quatro civis.

José Mena Abrantes O genocídio começa com o silêncio do mundo

O genocídio começa com o silêncio do mundo

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Por muito que se tente evitar voltar ao tema do conflito israelo-palestino, ele entra-nos pela consciência de uma forma impossível de se ignorar. Sobretudo porque é por demais chocante o contraste entre o genocídio que está a ser levado a cabo pelo regime sionista e os argumentos que este e os seus cúmplices utilizam para o defender ou branquear.

Sem já levar em conta os criminosos apelos ao extermínio de mães e crianças palestinas feitos por políticos no activo em plena televisão israelita, é suficiente referir como um antigo Prémio Nobel da Paz, Elie Wiesel, em anúncios publicados em grandes órgãos de imprensa ocidentais, culpabiliza o Hamas pela morte das crianças palestinas e acusa os palestinos em geral de não gostarem dos próprios filhos.

Perante tal exagero, não surpreeende que mesmo a comunidade judaica se comece a revoltar contra o governo de Israel. Internamente, são jovens que se manifestam, recusando prestar serviço militar. Nos EUA, judeus ortodoxos já saíram à rua denunciando a violação pelos sionistas dos valores da sua religião. Campanhas na internet apelam ao boicote de produtos ‘made in Israel’.

Uma das mais recentes reacções veio publicada no site da Rede Internacional Judaica Anti-Sionista, condenando a actual agressão e a cumplicidade dos EUA e apelando ao “pleno boicote económico, cultural e académico de Israel”. O texto, assinado por cerca de trezentas pessoas, é eloquente:

“Como sobreviventes e descendentes dos sobreviventes judeus do genocídio nazista, condenamos inequivocamente o massacre de palestinos em Gaza e a ocupação e colonização da Palestina histórica em curso. Condenamos ademais os EUA por fornecerem a Israel os fundos para levar a cabo o ataque, e todos os Estados ocidentais, de maneira geral, pelo uso da sua força diplomática para evitar que Israel seja condenada. O genocídio começa com o silêncio do mundo”.

Para além de denunciar a extrema desumanização dos palestinos feita em jornais israelitas, o texto insurge-se também contra os anúncios pagos do suposto ‘pacifista’:

“Estamos desapontados e indignados pelo abuso que Elie Wiesel faz da nossa história para promover clamorosas falsidades, utilizadas para justificar o injustificável: a determinação de Israel de destruir Gaza e o assassinato de cerca de dois mil palestinos, incluídas centenas de crianças. Nada pode justificar o bombardeio de refúgios das Nações Unidas, residências, hospitais e universidades. Nada pode justificar que se prive as pessoas de electricidade e água”.

Claro que o embaixador de Israel em Angola, Raphael Singer, não pensa assim. Numa declaração publicada em vários órgãos de imprensa da capital, ele invoca sem qualquer originalidade a secular perseguição do povo judeu ao longo da história, o Holocausto e, como não podia deixar de ser, atribui as críticas ao Estado de Israel a “essa forma de racismo que chamamos anti-semitismo”.

Sintomático é que ele, apesar de enumerar todas as supostas oportunidades perdidas pelos palestinos quando Israel lhes ‘ofereceu’ a paz, não faz a mais mínima referência à expansão contínua dos colonatos ou à construção do vergonhoso muro contrário às leis do Direito internacional, nem muito menos à mais recente matança indiscrimada de civis, incluindo centenas de crianças.

Segundo o senhor embaixador, “o Hamas em vez de investir os seus recursos e o apoio internacional no desenvolvimento e promover o bem-estar do seu povo, prefere construir uma infra-estrutura bélica e túneis para atacar aldeias israelitas. Usa as escolas como centro de controlo de lançamento de mísseis, ao lado de hospitais e mesquitas, sabendo perfeitamente que está a prejudicar a população civil palestina”. Israel, pelo contrário, “sempre quis viver em paz com os seus vizinhos”.

A melhor resposta a este previsível diplomata pode ser dada por um seu compatriota, o jornalista Gideon Levy, membro do conselho editorial do jornal Haaretz, num artigo intitulado ‘Assim se fabrica a guerra infinita’:

“Israel não deseja a paz. Nunca quis tanto que estivesse errado o que escrevo. Mas as evidências acumulam-se. Na verdade, pode dizer-se que Israel nunca desejou a paz – uma paz justa, ou seja, baseada num acordo justo para ambos os lados. (…) Os israelitas desejam paz, não justiça; certamente nada que se baseie em valores universais. Nos últimos dez anos, aliás, Israel afastou-se até mesmo da aspiração de construir a paz. Nunca, nem por um minuto, Israel tratou os palestinos como seres humanos com direitos iguais. Não viu o seu sofrimento como um sofrimento humano e nacional compreensíveis. (…) A evidência mais esmagadora da rejeição da paz por Israel é, claro, o projecto das colónias de ocupação da Palestina. Desde o início da sua existência, nunca houve um teste mais seguro ou mais preciso para as verdadeiras intenções de Israel do que esse empreendimento particular. Em linguagem clara: os construtores das colónias desejam consolidar a ocupação, e quem deseja consolidar a ocupação não deseja a paz. Esse é o resumo da ópera. (…) Se Israel desejasse construir a paz em Taba, em Camp David, em Sharm el-Sheikh, em Oslo, em Washington ou em Jerusalém, o seu primeiro passo teria sido acabar com toda a ocupação nos territórios. Incondicionalmente. Sem exigir nada em troca. O facto de não o ter feito é a prova de que não quer uma paz justa. (…) Não há maneira de conseguir alcançar uma paz justa quando o nome do jogo é a desumanização dos palestinos”.

Barack Obama está tranquilo a este respeito. Há três anos declarou que “o povo palestino tem o direito de se auto-libertar” e apoiou “um Estado palestino viável e um Estado de Israel seguro, com fronteiras permanentes, baseadas em 1967, que devem ser seguras para os dois Estados”. Agora, na fase mais aguda da agressão sionista contra os palestinos (31 de Julho), confirmou o envio de mais armas e munições para Israel, porque este país “tem o direito de se defender”.

Contra factos não há, de facto, argumentos que valham. E depois o “silêncio do mundo” encarrega-se do resto. Talvez surja precisamente daí a necessidade de não calar este tema.