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Judeus brasileiros iniciam movimento para que Estado Palestino seja reconhecido

Judeus brasileiros iniciam movimento para que Estado Palestino seja reconhecido

SEX, 28/11/2014 – 15:52
ATUALIZADO EM 28/11/2014 – 22:05

Enviado por Sérgio Storch

Uma onda dissidente na comunidade judaica brasileira vem acumulando forças, e se articulando com setores importantes no movimento dentro de Israel pelo fim da ocupação. Às vésperas do Dia Mundial de Solidariedade ao Povo Palestino,  judeus brasileiros que incluem lideranças de vários grupos juvenis e dezenas de intelectuais, artistas e profissionais liberais de 7 das maiores cidades brasileiras, e também pessoas residentes na Austrália, Israel e Turquia, divulgam uma carta de apoio a iniciativa de 660 israelenses, que pedem a parlamentares da União Europeia para atuarem para que seus países reconheçam o Estado Palestino.

O movimento responde também à tensão derivada de ações do governo Netanyahu com provocações aos palestinos na questão de acesso aos lugares sagrados, e com um projeto de lei submetido ao Knesset (Parlamento), que pretende instituir oficialmente a discriminação a não-judeus.

Diferente de iniciativas pontuais anteriores, desta vez a campanha prosseguirá acumulando força para catalisar outras iniciativas na Diáspora que fortaleçam os setores em Israel que resistem à direitização e ao racismo crescentes na sociedade israelense. A expectativa dos organizadores (rede JUPROG – Judeus Progressistas) é alcançar 1000 assinaturas qualificadas em 60 dias (120 foram obtidas em 10 dias, e agora se inicia um processo multiplicativo pelas redes sociais).

 

Esse movimento ocorre num contexto em que até nos Estados Unidos, que tem a maior comunidade judaica fora de Israel, com população quase equivalente, já se produziram rupturas no coração do establishment judaico (*).

A carta aberta (com versão em inglês para ser utilizada em Israel e outros países) encontra-se neste link: http://bit.ly/1BYsbVt, onde está linkada a página com assinaturas até 27/11.

(*) Henry Siegman, Leading Voice of U.S. Jewry, on Gaza: “A Slaughter of Innocents” | Democracy Now! – líder do American Jewish Congress – http://bit.ly/1wyv474

Assembléia Geral da ONU DETERMINA observância anual de 29 de novembro como o dia internacional de solidariedade ao povo palestino;

05/04/2007
Assembléia Geral

 

HAVENDO EXAMINADO o informe da comitê para o exercio dos direitos inalienáveis do povo palestino.

TOMANDO NOTA, em particular, das observações que figuram nos parágrafos 38 e 42 do referido informe.

RECONHECENDO a necessidade de dar a máxima difusão possível a informação sobre os direitos inalienáveis do povo palestino e sobre os esforços das Nações Unidas em promover o ´xito de tais direitos.

  1. PEDE ao Secretário-Geral que crie dentro da secretaria das Nações Unidas uma dependência Especial dos Direitos dos palestinos que se encarregará de:

a- Prepara, com a orientação do comitê para exercício dos direitos inalienáveis do povo palestino relacionados com:

a.1 – Os direitos inaienáveis do povo palestino;

a.2 – As resoluções pertinentes da Assembléia Geral de outros orgãos das Nações Unidas;

a.3 – As atividades do Comitê e outros orgãos das Nações Unidas, a fim de promover o êxito desses direitos;

b- Fomentar a máxima publicidade dos referidos estudos e publicações por todos os meios adequados;

c- Organizar em consulta com o Comitê a partir de 1978, observância anual de 29 de novembro como o dia internacional de solidariedade ao povo palestino;

  1. PEDE AINDA ao Secretário-Geral que assegura a plena cooperação do Escritório de informação Publica e outras dependências par que a dependência Especial dos Direitos dos Palestinos possa realizar suas tarefas;
  2. CONVIDA a todos os governos e organizações a prestar sua cooperação ao Comitê para o exercício dos direitos inalienáveis do povo palestino e a Dependência Especial dos Direitos dos Palestinos em cumprimento da presente resolução.

 

Nova Iorque, 2 de dezembro de 1977

15 de Maio: um dia para não esquecer

15 de Maio: um dia para não esquecer

15/05/2007

 Mais um 15 de maio passa, e a catástrofe palestina cala fundo nas memórias e nos sentimentos. Mais um 15 de maio passa, e o sezif palestino segue tentando levar a rocha do fundo do vale até o alto da montanha. Mais um 15 de maio passa, como passaram os outros 59 maios desde a criação do estado de Israel em cima do solo pátrio da Palestina. Mais um 15 de maio passa, tornado ainda mais próxima uma outra data de profunda tristeza: os 40 anos de ocupação completa do território de toda a Palestina.

O dia cinco de junho marcará essa data infame, quando o exército de Israel consolidou a destruição. Mas é bom que o mundo saiba que é desde o 15 de maio de 1948, que rios de sangue têm jorrado na região, levando embora a vida de boa parte da juventude e da infância palestina. A população segue pagando muito caro para corrigir o erro perpetrado pelo mundo oficial da época, liderado pela Grã Bretanha e a França.

Desde então, ferozes conflitos acossaram a região da Palestina. Ali chegaram os canhões em 1948, 1956, 1967, 1973, 1982, 1996, e seguem em 2000, 2006. Todo um jogo irracional, de balas e mortes, de opressão e dor, visando dar racionalidade a uma causa que só tem provocado a desgraça. Um exemplo disso é o massacre promovido por Israel, em julho do ano passado, quando – não satisfeito em destruir o que resta do povo palestino – decidiu invadiu o Líbano. Só que, desta vez, a luta do povo libanês conseguiu barrar o avanço israelense, resistindo durante 34 dias e impondo grandes prejuízos ao exército agressor, que acabou pedindo o cessar fogo.

Mas, nem assim a maioria israelense consegue perceber o absurdo da guerra. Na última semana, num relatório da comissão de investigação sobre os detalhes do conflito com o Líbano e os motivos da derrota, os especialistas apontaram Olmert – o primeiro-ministro de Israel – como o grande responsável pelo fracasso. No mesmo dia, na Praça Issac Rabin, no centro de Tel Aviv uma multidão, calculada em 100 mil pessoas, gritava: “Olmert, fracassado. Olmert, vá para casa. Olmert, larga o poder. Queremos um primeiro ministro mais forte”. Ou seja, não bastou tudo aquilo. Precisa mais!

A mensagem que essa gente passa ao mundo segue apavorante. Querem um primeiro ministro ainda mais selvagem, que mate mais, que destrua mais. Nada parece bastante. E, no meio disso tudo, um agravante: silêncio praticamente total dos intelectuais israelenses. Ninguém parece disposto a defender o fim dos massacres, a idéia de que a guerra e destruição não levam a nada, ou que a paz pode ser um caminho!

Diante disso tudo, para nós, palestinos, só resta lançar essa dolorosa pergunta ao mundo: quem, afinal não está preparado para viver em paz?

Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino

 

comitepalestinasc@yahoo.com.br

ASSIM OS PALESTINOS SÃO TRATADOS EM SUA PRÓPRIA TERRA

ASSIM OS PALESTINOS SÃO TRATADOS EM SUA PRÓPRIA TERRA

15/05/2007

…ASSIM OS PALESTINOS SÃO TRATADOS EM SUA PRÓPRIA TERRA  PELO ESTADO COLONIALISTA, TEOCRÁTICO E RACISTA DE ISRAEL.

 Apresentação dos textos:

I – Denuncia das brutalidades, arbitrariedades e desaparecimento de prissioneiros palestinos – fonte: Blog do Geoge Bourdoukan

II –  La expulsión del pueblo palestino de su patria en 1948, a fin de proclamar el Estado Colonial de Israel en la Palestina Histórica. fonte:Rebelion.org

III – Como o apartheid israelense contra os palestinos está contido nas origens de Israel.Carta onde Albert Einstein condenou os Israelitas nazistas. Fonte: Blog do George Bourdoukan

 

Texto I

 

 Há muito que os palestinos vêm denunciando o desaparecimento de prisioneiros nos cárceres israelenses. O problema é que os calabouços ficam em presídios inacessíveis e ocultos. Já houve inúmeros protestos de entidades ligadas aos Direitos Humanos, sem sucesso. As brutalidades contra os prisioneiros atingiram tamanhas dimensões que oLe Monde Diplomatic conseguiu localizar um desses cárceres A prisão secreta de Israel . Um jornal israelense referiu-se ao Estabelecimento 1391 como o “Guantánamo de Israel”, em alusão ao presídio norte-americano Camp X-Ray, situado em território ocupado de Cuba, onde se encontram presos supostos membros dos taliban e da Al-Qaida.

  

texto II

La expulsión del pueblo palestino de su patria en 1948, a fin de proclamar el Estado Colonial de Israel en la Palestina Histórica

 

La Nakba

 

Asociación de Socorro al Pueblo Palestino Canaan

Rebelión

Al Nakba es un término árabe que significa literalmente catástrofe, desdicha. Es un vocablo omnipresente en la atormentada y traumática memoria colectiva de esa historia contemporánea del pueblo palestino.

El 14 de mayo, es el aniversario de la Proclamación de la Declaración del Estado de Israel, hecho que se consuma sobre las bases del colonialismo, la expulsión y limpieza étnica de la población nativa Palestina.

La Nakba, esa historia de barbarie, historia prohibida, negada y que no ha cesado ya que es un pueblo que rehúsa desaparecer frente un régimen negacionista, y segregacionista.

La Nakba recoge la amarga historia de expulsión del pueblo Palestino de su tierra, mediante veloces operativos y articulados programas de masacres, terror, bombardeos, robos, destrucción de viviendas, patrimonios históricos y caseríos, fusilamiento, incendios de cultivos y archivos, encarcelamientos, envenenamiento y destrucción de los pozos de agua, violaciones, confiscación de bienes etc. Todo ello, con el fin de establecer un Estado exclusivamente para los judíos del mundo, el Estado de Israel.

Asedio de poblados para masacrarlos tal como la Masacre del poblado de Deir Yassin donde todo un espectáculo de horror y demencia descuartizando a 254 personas, infantes, adolescentes, mujeres hombres ancianos y ancianas. Hecho este que incluso hizo eco de indignación ante notables judíos como Albert Einstein, Hannah Arendnt y otros, calificando estos actos de nazi. (Carta pública al New York Time, el 4 de diciembre del 1948).

Todo este plan de expulsión, llevado a cabo bajo un lineamiento de matanzas y espanto, para que los nativos abandonen sus tierras (historiador Israelita, Ilan Pappé), fue desarrollado por los diferentes grupos terroristas judíos-europeos sionistas, Haganah, Irgun, Stern, etc, en concordancia con la maquinaria judío sionista internacional. No obstante, también fue determinante el apoyo militar, información de servicio secreto y el soporte logístico para el envío de judíos a Palestina que brindaron desde años atrás el entonces Imperio Británico. Inglaterra fue el responsable jurídico y el brazo armado ante el sionismo de la Nakba Palestina

Antes de 1920, ya el pueblo palestino se encontraba luchando por su independencia contra el declinante Imperio Turco Otomano. Inglaterra, imperio rival, acuerda con los palestinos brindarles ayuda para liberarlos de los turcos y así estos obtengan su independencia nacional. Pero al mismo tiempo Inglaterra firma un acuerdo secreto con los judíos europeos sionistas, en la que les concede la Palestina Histórica para la creación de un hogar nacional judío, conocido como el Tratado de Balfour, en 1917. El Imperio Turco es derrocado, casi 50.0000 palestinos fueron asesinados, mas estos no logran su independencia ya que Inglaterra, 1920, no cumple lo acordado con los palestinos y los somete a un régimen colonial por un periodo de 28 años.

Durante el periodo colonial inglés, se materializa el acuerdo anglo sionistas (Tratado de Balfour, de 1917), que luego se concretan en la Declaración de la Creación del Estado de Israel en 1948, mediante la cual se abre la actual etapa de colonización de la Palestina Histórica.

Paralelamente estos europeos también articulan el escenario de las instancias internacionales a fin de otorgarle un certificado legal a esta empresa colonial.

En esta fase los Estados Unidos jugará un rol crucial ante las Naciones Unidas, el entonces presidente Harry Truman, un devoto incondicional por Israel, el recordado presidente que no dudó en ordenar lanzar bombas atómicas sobre Hiroshima y Nagassaky, ejercerá directamente los sobornos a muchos países para que voten por la Resolución 181, resolución que consistía en la Partición de la Palestina Histórica en un Estado Judío y un Estado Árabe (Palestino).

Las Naciones Unidas para aquel entonces conformada por solo 58 países, el 29 de noviembre de 1947 votan a favor de la resolución 181. Pero es importante destacar que el Derecho Internacional pasa a ser violado por las misma Naciones Unidas ya que la misma de acuerdos a sus estatutos no puede ejercer ningún poder sobre la soberanía de ningún pueblo. Igualmente esa resolución viola en Tratado de Atlántico en la que estipula que ninguna fuerza colonial al retirarse debe entregar la colonia a otra colonia sino al pueblo nativo.

La resolución 181, contempla que el 56 % es para los judíos, 43% para los árabes (palestinos) y 1% zona internacional, que es la Ciudad de Jerusalén.

Se le otorga mayor territorio a la minoría colonial y menos territorio a la mayoría nativa.

Para el 14 de mayo, cuando el Estado colonial de Israel se proclama lo hace sobre el 78% de los territorios de la Palestina Histórica y no sobre el 56% que le fue asignado violando inclusive la resolución de le dio nacimiento, la resolución 181 de la Naciones Unidas.

En 1948, más de 70% de la población Palestina era pobre y campesina, un pueblo en su casi totalidad desarmado. De 1947 a 1948, entre 700 mil y 900 mil nativos palestinos fueron expulsados de su patria. Las matanzas se produjeron de poblado en poblado, la mayoría de los palestinos huyeron para sobrevivir del terror sionista.

Durante la Nakba, los palestinos padecieron innumerables horrores orientadas a propagar el pavor y el espanto: acuchillamiento a mujeres palestinas embarazadas, campesinos que labraban sus tierras y encontraban cadáveres de sus parientes, entraban a sus casas y encontraban piernas humanas colgadas, preguntaban desesperados por un familiar y los soldados de origen europeo recién llegados a Palestina, le lanzaban un brazo o una pierna o simplemente el cadáver del pariente que buscaban…

Ante las atrocidades el diplomático Sueco, Folke Bernadotte, Comisionado de la ONU, levanta un informe de la situación y días más tarde es asesinado por la banda terrorista judía sionista, Stern. Curiosamente este hombre era reconocido por haberse dedicado a salvar vidas judías cuando era presidente de la Cruz Roja Sueca en 1945.

En esta tragedia, los palestinos víctimas pasan a ser culpables, las agencias de noticias del mundo controladas por los judíos sionistas, censuraran los hechos a través de la falsificación de la información destacando que existen altos brotes de antisemitismo árabe contra Israel…

Esta identidad colonial expresaba al mundo que se trata de “una tierra sin pueblo, para un pueblo sin tierra.

Hoy día el Estado colonial de Israel niega oficialmente la barbarie de la Nakba contra el indigenado palestino.

Pero el Estado colonial no solo es un negacionista de la Nakba, si no que también le niega el derecho de retorno a los casi 4 millones de palestinos de regresar a sus tierras como consecuencia de esa expulsión y además de negarles ese derecho, habla de “transfer” es decir de seguir expulsando hoy a la población nativa.

Benny Morris, historiador israelita afirma que la Nakba si existió, pero que todo eso fue un mal necesario, de no haberse hecho estos crímenes era imposible instaurar el Estado de Israel. No se podía crear un estado judío con esos cristianos y musulmanes palestinos, dejaría de ser un Estado Judío, eso rompería con la esencia del sionismo y que además Israel no es el único que ha practicado limpiezas étnicas en la historia de la humanidad.

El mundo habla de la grandeza de la creación del Estado de Israel, mas es un tabú hablar de la bajeza con la que fue creada esa grandeza.

La identidad colonial israelita afirma e inclusive hasta hoy que los palestinos no existen y que nunca han existido en la historia. Esto es el reflejo de ese carácter negacionista y de supremacía racial.

El Estado colonial de Israel se funda bajo la destrucción de otro pueblo, bajo la destrucción de una cultura étnica.

Se proclama el Estado de Israel bajo los fundamentos del negaciónismo, el derechazo a la población local.

Israel se funda por arios europeos judío-sionistas bajo las bases de la limpieza étnica y genocidio de los palestinos.

Hablar de la independencia del Estado colonial de Israel no es más que la falsificación de la historia.

Israel es la continuación del etnocentrismo europeo, machista, racial y colonial.

La Nakba aún se practica contra la población nativa palestina

La Asociación de Socorro al Pueblo Palestino, Canaan,

Alza su voz de auxilio al mundo por el derecho del pueblo palestino a existir en su tierra.

Por el justo Derecho de Retorno de todos y todas los refugiados palestinos esparcidos en el mundo a dejarles regresar a su tierra.

Fin del sionismo, pensamiento segregacionista, de apartheid y racista.

Vivamos juntos palestinos e israelitas.

Como?

En igualdad de derechos, poniendo fin al régimen sionista.

Fin de la Ocupación Militar

Fin del Muro de la Vergüenza

Ya hoy el mundo sueña por la paz de nuestros pueblos, concedámosles ese noble sueño al mundo.

Recobremos aquella historia de amor que existió entre judíos y palestinos que el sionismo despedazó.

  

Texto III  

Vejam como o apartheid israelense contra os palestinos está contido nas origens da criação de Israel.

EM HOMENAGEM AOS REFUGIADOS PALESTINOS , HOJE MAIS DE 4 MILHÕES, QUE A PARTIR DE 15 DE MAIO DE 1948, HÁ 59 ANOS, LUTAM PELO SEU DIREITO INALIENÁVEL AO RETORNO.

15 DE MAIO: DIA DA NAKBA ( A Catástrofe), DIA DA CRIAÇÃO DO ESTADO DE ISRAEL .

 QUERO AGRADECER AO AMIGO, ESCRITOR E JORNALISTA GEORGES BOURDOUKAN POR NOS BRINDAR COM O MATERIAL ABAIXO:

 

 http://blogdobourdoukan.blogspot.com/2007/05/albert-einstein-condenou-os-israelitas.html

 Albert Einstein Condenou os Israelitas Nazistas*

Carta ao New York Times:

Visita de Menachem Begin do Partido da Nova Palestina e Objetivos do Discutido Movimento Político

Judeus Proeminentes, Dezembro, 1948.

Segue-se uma cópia em sua inteireza de uma importante carta ao New York Times de intelectuais judeus, incluindo Albert Einstein, Hannah Arendt e Sidney Hook, que apareceu a 4 de dezembro de 1948.

Aos Editores do New York Times:

Entre os fenômenos políticos perturbadores de nossos tempos está a emergência no recém criado Estado de Israel do “Partido da Liberdade” (Tenuat Haherut), um partido político estreitamente assemelhado em sua organização, métodos, filosofia política e apelo social aos partidos Nazista e Fascista.

Ele foi formado a partir de membros e seguidores do antigo Irgun Zvai Leumi, uma organização terrorista, facção direitista e organização chauvinista na Palestina.

A visita atual de Menachem Begin, líder deste partido, aos Estados Unidos é, obviamente, calculada no sentido de dar a impressão de apoio americano ao seu partido, por ocasião do advento das eleições israelitas e para cimentar laços políticos com os elementos Sionistas conservadores dos Estados Unidos.

Vários americanos de reputação nacional têm emprestado seu nome para dar boas vindas a sua visita. É inconcebível que aqueles que se opõem ao fascismo no mundo, se corretamente informados sobre a história política e perspectivas de Mr. Begin, possam acrescentar seus nomes e apoio ao movimento que ele representa.

Embora esse irreparável perigo ocorra pela forma de contribuições financeiras, manifestações públicas a favor de Begin ou pela criação na Palestina da impressão de que um grande segmento da América apóia os elementos fascistas em Israel, o público americano deve ser informado sobre a historia e os objetivos de Mr. Begin e do seu movimento.

As promessas públicas do Partido de Begin não correspondem, quaisquer que sejam, ao seu caráter real. Hoje falam de liberdade, democracia e antiimperialismo, enquanto até recentemente pregavam abertamente a doutrina do Estado Fascista. É em suas ações que o partido terrorista denuncia o seu caráter real; de suas ações do passado podemos julgar o que dele pode ser esperado fazer no futuro.

Ataque sobre a Vila Árabe

Um exemplo chocante foi seu comportamento na vila árabe de Deir Yassin. Esta vila, distante das principais estradas e circundada por terras judaicas, não tomou nenhuma parte na guerra e chegou a contrariar o lado árabe que queria usar a vila como sua base.

Em 9 de abril (The New York Times) bandos terroristas atacaram esta vila pacifista, que não era um objetivo militar na luta, matando a maioria de seus habitantes – 240 homens, mulheres e crianças – e mantiveram alguns deles vivos para desfilarem como cativos através das ruas de Jerusalém.

A maior parte da comunidade judaica ficou horrorizada com aquela ação e a Agencia Judaica mandou um telegrama de pesar ao Rei Abdulah da Trans-Jordânia. Contudo, os terroristas, longe de se envergonharem de seu ato, ficaram orgulhosos com aquele massacre, divulgado amplamente e convidaram os correspondentes estrangeiros no país para testemunharem os cadáveres amontoados e a devastação geral em Deir Yassin.

O acontecimento de Deir Yassin exemplifica o caráter e as ações do Partido da Liberdade.
No interior da comunidade judaica eles têm propugnado uma mistura de ultra nacionalismo, misticismo religioso e superioridade racial. Como outros partidos fascistas eles têm sido usados para esmagar as greves e têm-se dedicado à destruição de sindicatos livres. Em seu lugar eles têm proposto sindicatos corporativistas no modelo fascista italiano.

Durante os últimos anos da esporádica violência antibritânica, os grupos IZL e Stern inauguraram um reino de terror na comunidade Judaica Palestina. Professores foram espancados por se pronunciarem contra eles, adultos foram alvejados por não deixarem suas crianças juntar-se a eles. Por métodos de gangsterismo, açoites, quebra-vidraças e roubos em larga escala, os terroristas intimidavam a população e exigia-lhe pesado tributo.

Os membros do Partido da Liberdade não têm nenhuma participação nos logros construtivos na Palestina. Eles não reivindicam nenhuma terra, nenhuma construção de habitações e apenas depreciam a atividade defensiva judaica. Seus esforços de imigração muito propagandeado foram diminutos e devotados principalmente para atraírem compatriotas fascistas.

Discrepâncias Observadas

As discrepâncias entre os bravos clamores que estão sendo feitos agora por Begin e seu partido e a história de sua performance no passado da Palestina não portam a marca de um partido qualquer. Este é o selo de um Partido fascista, pelo qual o terrorismo e o embuste são os meios e o “Estado Regente” é o objetivo.

À luz das considerações anteriores, é imperativo que a verdade sobre Mr. Begin e seu movimento seja tornado conhecido neste país. É de toda maneira trágico que a liderança maior do Sionismo Americano tenha se recusado a participar da campanha contra os esforços de Begin, ou mesmo de expor aos seus constituintes os perigos para Israel do apoio a Begin.

Os abaixo assinados, portanto, através deste meio de publicidade apresentam alguns fatos salientes que dizem respeito a Begin e seu Partido; e recomendam a todos os interessados a não apoiarem esta última manifestação do fascismo.

New York, 2 de dezembro de 1948
(Assinaturas)

Isidore Abramowitz, Hannah Arendt, Abraham Brick, Rabbi Jessurun Cardozo, Albert Eistein, Herman Eisen, M.D., Hayim Fineman, M. Gallen, M.D., HH. Harris, Zelig S. Harris, Sidney Hook, Fred Karush, Bruria Kaufman, Irma L. Lindheim, Nachman Maisel, Seymour Melmam, Myer D. Mendelson, M.D., Harry M. Oslinsky, Samuel Pitlick, Friitz Rohrlich, Louis P. Rocker, Ruth Sagis, Itzhak Sankowsky, I.J. Shoenberg, Samuel Shuman, M. Singer, Irma Wolfe, Stefan Wolfe.
Fonte:http://marxists.org/reference/archive/einstein/1948/12/02.htm 

Notas da Fonte: Laura Nader deu uma copia do NYT micro filmado para Anne Lipow em Abril (2002) (Nader tem usado em suas aulas na UC) A cópia estava ilegível em parte e a primeira coluna estava apagada; o original de Laura estava igual. Anne e a bibliotecária Suzanne Calpestri, de Antropologia da UC, então, tentaram recuperar uma versão eletrônica da Carta. Em nenhuma aparecia em sua inteireza na Internet, e não estava em qualquer arquivo eletrônico acessível aos bibliotecários da UC (isto é, não existia). Suzanne fez outra cópia de um microfilme diferente; resolveu o mistério da primeira coluna apagada, mas esta cópia estava também turva em outras áreas. Nenhuma cópia foi “escaneável” usando OCR, então eu copiei à mão exatamente da forma que ela aparecia no original e verifiquei-a cuidadosamente. Entretanto, a ortografia de alguns dos signatários estava obscura nos originais microfilmados, de tal forma que poderia haver alguns erros nesta versão. Seria interessante que alguém tivesse anotado a lista dos assinantes, de forma que os nomes menos familiares pudessem ser incluídos no contexto. De todo modo, este claramente pertence ao TEXTO COMPLETO daquele documento, para distribuição a tantas pessoas quantas possíveis. Por favor, circule-o entre as pessoas que você pensa que estão interessadas; eu penso que isso diz respeito especialmente àqueles amigos e familiares que ainda são relutantes em criticar o governo israelita. 
Fonte de Informação: Jenny Lipow, Berkeley, CA; John Wheat Gibson
Transcrição/Markup: Jenny Lipow, Tom Condit, B. Basgen Copyleft: Einstein Internet Archive ( 
Marxists.org) 2002. Permissão garantida para copar e/ ou distribuir este documento segundo os termos da GNU Free Documentation License.
Tradução de Pedro Castro

*Publicado na Seção International News da Revista Northstar Compass, Vol 13#9, Toronto – Canadá, Abril 2005
Este artigo encontra-se em http://www.cecac.org.br/

fotos dos refugiados em 1948  clica aqui
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 Texto recebido via e mail de Comitê de Solidariedade com a Luta do  povo palestino – RJ

ISRAEL PROMOVE GENOCÍDIO E APARTHEID NA PALESTINA – Dep. Nilson Mourão – PT/AC

 

ISRAEL PROMOVE GENOCÍDIO E APARTHEID NA PALESTINA – Dep. Nilson Mourão – PT/AC

24/04/2007

“A repressão israelense é uma forma mais perversa de apartheid”.

“Ninguém tem idéia do que acontece aqui, por mais bem informado que esteja. Tudo está arrasado por escavadeiras; as aldeias foram destruídas e nada pode ser cultivado”.

“Tudo isso tem um ar de campo de concentração que me faz lembrar de Auschwitz. (…) Os israelenses se converteram em judeus nazistas”.

 

José Saramago, em visita à Palestina com uma delegação do Parlamento Internacional de Escritores em março de 2002.

 

  

Brasília-DF, 19 de maio de 2004

 

O GUERREIRO DA PALESTINA

Nilson Mourão

 

 

YASSER ARAFAT

És líder

E símbolo do povo palestino,

Que tem história milenar

E memória de suas lutas.

Quando os insensatos e fanáticos erguem muros

De oito metros de altura,

Cerca de arames farpados e eletrificados,

Câmaras de TV e postos militares

Que separam

Segregam

Dividem e envergonham.

E multiplica o ódio…

 

A humanidade não quer muros como os de Berlim,

pois evocam pesadelos de um triste passado,

câmaras de gás, fornos crematórios e de holocaustos de milhões

de seres humanos;

A humanidade precisa de pontes, que unem e que fortalecem

a cooperação e a solidariedade entre os povos, pois somos

todos irmãos, no mesmo planeta.

E desejosos de multiplicar a Paz…

 

Quando se assassinam friamente crianças e lideres do povo,

Velhos e mulheres, inocentes todos.

Armed Yassim partiu. Rantizzi também. Os mártires são muitos.

Mas as mulheres nos darão mais filhos, guerreiros jovens

Com pedras nas mãos.

 

Quando se ocupa a terra de outro povo e se expropria,

E se invade territórios, destruindo plantações,

escolas, ruas, sítios históricos, culturais, lugares santos;

quando se rasga o Direito Internacional e as Resoluções da ONU

e se passa por cima dos Direitos Humanos elementares,

É sinal de desespero, sectarismo, fanatismo e falta de horizontes;

Quando não se tem mais argumentos para negociar com espírito aberto e fraterno,

se apela para a força, a guerra, a destruição.

A luta Palestina é vitoriosa porque é humanista e libertária,

Justa, generosa e solidária.

 

Avante!

Até a vitória

HATTA ANNASR.

 

* Nilson Mourão é deputado federal pelo PT do Acre. Este poema foi oferecido e declamado pelo autor ao Presidente Yasser Arafat, em audiência concedida à delegação brasileira, da qual fez parte, em Missão Oficial da Câmara dos Deputados à Palestina, na tarde do dia 20 de abril de 2004, na cidade de Ramallah.

 

Companheiros (as),

 

 

Tive a honra de participar de uma delegação de parlamentares brasileiros, que visitou a Palestina no período de 16 a 24 de abril de 2004, em missão oficial da Câmara do Deputados juntamente com os colegas Leonardo Mattos (PV-MG), Vanessa Graziotin (PC do B-AM) e Jamil Murad (PC do B-SP), coordenador da delegação.

Mantivemos audiências com o Presidente Yasser Arafat, com o Primeiro Ministro Armed Korei, o Presidente da Câmara dos Deputados, deputados federais, governadores, prefeitos, ONGs, cristãos católicos e ortodoxos.

   O que vimos é algo estarrecedor e que vai na contra-mão do nosso século: cidades cercadas; muros de segregação; cercas de arame farpado e eletrificadas; milhares de presos políticos; destruição da infra-estrutura duramente construída, de lugares santos, plantações, sítios históricos e culturais.

                        Israel ocupa a Palestina militar, econômica e politicamente. Expropria territórios, se apropria das melhores terras e fontes de água. O Presidente Arafat, legitimamente eleito pelo seu povo, está preso e não pode governar o seu país. Prefeitos, governadores e deputados não podem se locomover. O Parlamento se reúne precariamente e funciona por meio de videoconferência.

As Resoluções da ONU, o Direito Internacional, os Direitos Humanos elementares, são ignorados por Israel com apoio explícito do governo americano e com a clara omissão da ONU.

Cresce o desemprego – aproximadamente 60% da população não tem trabalho – e o empobrecimento avança assustadoramente. Por outro lado, a atividade econômica não tem como crescer. Metade da população, aproximadamente 4 milhões, já emigrou para a Jordânia, Síria, Líbano e outros países, vivendo majoritariamente nos campos de refugiados. A ONU marca a sua presença com ações humanitárias na área da saúde, educação e distribuição de cestas básicas.

A Palestina ocupada por Israel, e o Tibet ocupado pela China, são os dois últimos países com ocupação colonial no planeta. O Afeganistão e o Iraque foram ocupados e literalmente bombardeados pelos EUA, que liderando uma coalizão de países, movem uma guerra em nome do combate ao terrorismo.

A situação na Palestina é gravíssima. A edificação de um muro de 8 metros de altura por 700 quilômetros de comprimento e cercas eletrificadas, evoca o pesadelo de um triste passado: a 2ª Guerra Mundial com milhões de seres humanos mortos, campos de concentração e a Europa inteiramente destruída. Cabe lembrar que o Muro de Berlim tinha 155 quilômetros de extensão (compreendido o Muro, cercas eletrificadas e valas de bloqueio de automóveis) e 3,60 metros de altura.

                        A delegação produziu um relatório oficial entregue à Presidência da Câmara dos Deputados e disponível via Internet no site da Câmara dos Deputados (http://www.camara.gov.br/). Além disso, decidi elaborar este informe para comunicação interna, optando por um formato resumido e didático. Aqueles que desejarem maiores informações, temos muitos textos e documentos, (todos disponíveis em Inglês) mapas e fotos que falam por si mesmos.

 

1 – A POPULAÇÃO

Os palestinos são aproximadamente 8 milhões. Quatro milhões já emigraram para a Jordânia, Síria, Líbano e demais países árabes, onde vivem em campo de refugiados.

 

 

Outros emigraram para os mais diferentes países. Quatro milhões continuam na Palestina, divididos entre a Faixa de Gaza, Cisjordânia e Israel.

 

2 – OS REFUGIADOS

São cerca de 4 milhões espalhados nos mais diferentes países.  Foram expropriados sem nenhuma indenização. Israel não admite discutir e nem se propõe a pagar nenhum tipo de indenização pelas propriedades tomadas à força. Entretanto, de modo correto, Israel cobra nos foros internacionais o dinheiro que lhes foi roubado pelos alemães na 2ª Guerra Mundial.

 

3 – OS ASSENTAMENTOS

O território palestino está pontilhado de assentamentos judeus que servem como verdadeiras bases militares. Não são pessoas comuns que lá se estabelecem num movimento espontâneo de fluxo populacional. Trata-se de uma ação militar. Esses assentamentos são todos protegidos pelo exército, alguns murados e com estradas próprias.

 

4 – AS ESTRADAS

As estradas construídas, os caminhos tradicionalmente usados pela população Palestina há milênios, são fechados e alguns têm trânsito exclusivo para israelenses.

 

5 – A ECONOMIA

Completamente arrasada:  agricultura de sobrevivência, pequenas indústrias, pequeno comércio. De cada 100 palestinos, 60 estão sem trabalho. Não podem mais trabalhar – sobretudo na construção civil – em Israel. Aproximadamente dois milhões e meio de palestinos vivem abaixo da linha da pobreza. A maior parte recebe certa forma de assistência e a maioria não tem segurança alimentar. Metade da população está impedida do acesso aos serviços de saúde.

 

6 – O PARLAMENTO

O parlamento palestino está praticamente impossibilitado de funcionar. Deputados Federais são impedidos de comparecer às sessões, outros estão presos. O parlamento normalmente  funciona por videoconferência.

 

7 – OS PRESOS POLÍTICOS

São milhares. Há deputados federais presos, dirigentes de partidos e lideranças populares que normalmente, sem acusação formal, passam anos na prisão, sofrendo inclusive torturas.

 

8 – PRESIDENTE, GOVERNADORES, PREFEITOS

O Presidente Yasser Arafat encontra-se preso há mais de dois anos em seu Q.G em Ramallah. Seu “Palácio” está completamente destruído: carros incendiados, paredes desabando e ferros retorcidos. Governadores e prefeitos são impedidos de se locomoverem e quando o fazem ficam meses ausentes de suas cidades de origem, prejudicando assim todo o processo administrativo.

 

 

 

 

9 – O MURO

Israel está edificando um muro de oito metros de altura e setecentos quilômetros de extensão, com fossos, cerca de arames farpados e eletrificados, com grande número de câmeras de filmagem. Além disso, o muro fecha cidades, destroi plantações e infra-estrutura, arrasa centros comerciais e residências. Seu traçado, intencionalmente, impede a existência de um território palestino com área contínua. Mantendo-se o muro e os assentamentos não existe território palestino, mas ilhas fechadas, cercadas como um campo de concentração. A ONU já condenou a construção do muro nos seguintes termos: “… a secretaria tem informado periodicamente ao Conselho de Segurança acerca do muro, assinalando que sua construção em terras palestinas e seu traçado previsto, tornam mais difícil o estabelecimento de um Estado Palestino contíguo, viável e soberano e aumenta o sofrimento do povo palestino. O Secretário Geral apresentou há pouco à Assembléia Geral um informe sobre o muro (A/ES- 10/248) este informe havia sido solicitado na resolução  ES-10/13 de 21 de outubro de 2003. Nesse informe, o Secretário dizia: ” Em meio ao processo da rota do caminho, em que cada parte deveria estar atuando de boa fé para fomentar a confiança, a construção do muro na Ribera Ocidental não pode ser considerado, nesse sentido, mais que um ato profundamente  contra producente” (pár.29).

Concluía que ao continuar com a construção do muro, Israel não está cumprindo a exigência da Assembléia Geral de que detenha e reverta a construção do muro no território palestino ocupado. “*Além disso, a ONU solicitou um Parecer Consultivo à Corte Internacional de Justiça, principal órgão jurídico da entidade, sobre “as conseqüências jurídicas da edificação de muro de separação nos territórios palestinos ocupados”. As audiências foram encerradas em 25 de fevereiro. A Corte está examinando e realizará uma sessão pública em que o Parecer será emitido. O embaixador do Brasil em Haia, Gilberto Saboia em carta a mim enviada afirma que: “após as deliberações, ora em curso, a CIJ informará, por nota à imprensa, a data da sessão pública em que o Parecer Consultivo será emitido. Especula-se que o término dos referidos trabalhos e a emissão do Parecer se dêem entre junho e julho próximos, mas a CIJ tem mantido estrita reserva a respeito da data mais precisa”. Por fim, cabe lembrar que o Muro de Berlim tinha 155 quilômetros de extensão (compreendido os blocos de concreto, cercas eletrificadas e valas de bloqueio de automóveis) e 3,60 metros de altura. Obteve a condenação da humanidade e foi derrubado em 1989.

Depois de ter rezado ao pé do Muro e feito “lamentações” por sua existência, estou firmemente convencido que os povos que tem espírito democrático e memória histórica, não podem permitir a continuidade da edificação de um símbolo já condenado, rejeitado e derrubado em passado recente, por tudo de ruim que esse símbolo evoca. Não precisamos de muros que segregam, dividem, envergonham e multiplicam o ódio. Como disse o papa João Paulo II, “precisamos de pontes que unem e criam a cooperação e a solidariedade entre os povos.”

 

10 – BARREIRAS MILITARES (check points)

Praticamente todas as cidades palestinas estão fechadas por aproximadamente 700 barreiras militares, com portões, barricadas e controle militar permanente. Os carros não podem passar. As pessoas são revistadas, inclusive mulheres, crianças e idosos, que continuamente são obrigadas a apresentar documentação pessoal.

 

 

______

 

4879ª Sessão do Conselho de Segurança das Nações Unidas, sexta-feira, 12 de dezembro de 2003.

 

Em  função das revistas que demoram horas,  pessoas passam mal e já foram registradas

até algumas mortes. Mulheres grávidas já entraram em trabalho de parto e tiveram seus filhos na espera da liberação para seguir adiante. Operários precisam sair de madrugada para o trabalho e se ao voltarem o portão estiver fechado, dormem ao relento sem direito de retornar para casa. Percursos que podem ser feitos em uma hora, em situação normal, com as barreiras estão sendo realizados em 8 a 10 horas. Todos são revistados, inclusive delegações estrangeiras, com exceção para os judeus que trafegam livremente. Nossa delegação passava horas nessas barreiras. Trata-se de uma ação humilhante, estarrecedora que lembra os filmes em que os judeus eram mortos nos campos de concentração nazistas durante a 2ª Guerra Mundial.

 

11 – O GENOCÍDIO

Como resultado das ações militares de Israel na Palestina, com foguetes, mísseis, tanques, tratores, metralhadoras, são assassinados, diariamente, entre 10 a 15 pessoas. Normalmente jovens que enfrentam tanques com pedras nas mãos. Essa cifra implica que morrem, por mês 360 pessoas, por ano morrem relativamente 4.320 pessoas, isto é, 0,11% da população. Trata-se de um número altíssimo. Se esse fato estivesse ocorrendo nos Estados Unidos significa afirmar que morreriam, diariamente 750 pessoas, 22.500 por mês e 270.000 por ano. E no Brasil, morreriam 510 por dia, 15.300 por mês e 183.600 por ano. Trata-se de um verdadeiro genocídio, inaceitável e que deve ser veementemente condenado pela consciência democrática e humanista do mundo inteiro.

 

12 – A SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL

A Palestina se mantém economicamente com a colaboração internacional (com expressiva ajuda da união européia). A ONU presta serviços humanitários. Delegações estrangeiras visitam o país: os parlamento do Canadá, EUA, França, Bélgica, Alemanha, Inglaterra e Brasil (com a nossa presença), já enviaram delegações. Mas é necessário ampliar a solidariedade para atingir uma dimensão mundial como a que ocorreu com a África do Sul.

 

13 – A ONU.

A ONU está presente em várias cidades palestinas prestando serviço humanitário nos campos de refugiados, basicamente no atendimento à saúde, alimentação e educação. Mas se mostra incapaz de obrigar Israel a colocar em prática as suas Resoluções.

 

14 – O OBJETIVO DE ISRAEL

O objetivo do Estado israelense é claro: restaurar “O grande Israel” da Torá, cujas fronteiras nunca foram claramente definidas. Pois, tanto quanto os palestinos, eram nômades naquela região. Na prática, destroi e elimina a população palestina ao negar-lhe um território e ao apropriar-se das melhores terras e dos pontos de água.

 

15 – A SUPERIORIDADE MILITAR

É evidente a superioridade militar de Israel que se mantém à custa do governo americano. Trata-se de um Estado militarizado, difundindo essa cultura para as novas gerações.

 

 

 

 

16 – OS JOVENS

Os jovens Israelenses  – a nova geração – alimenta idéias perigosas de raça superior, com ações claramente racistas. Os jovens palestinos, pobres, sem trabalho, sem perspectiva de futuro, mostram-se dispostos a tudo, inclusive ao martírio.

 

17 – O DESEJO DOS PALESTINOS

O cumprimento das Resoluções da ONU, na forma como já foram examinadas e votadas. Essa é a posição oficial expressa pelo presidente Arafat.

 

18 – A LEGITIMIDADE DO GOVERNO PALESTINO

O governo Palestino foi legitimamente eleito em eleições acompanhadas por observadores internacionais como o ex-presidente americano Jimmy Carter, que testifica a lisura de todo o processo. O governo de Israel não reconhece o governo do presidente Arafat e quer decidir quem são os seus interlocutores.

 

19 – O EXTERMÍNIO DE LIDERANÇAS

Israel põe em prática a política de exterminar e matar, sem julgamento, sem acusação, todas as lideranças expressivas do povo palestino. Vários já foram assassinados. Sente-se “dono” da vida e da morte de Yasser Arafat.

 

20 – A LIBERDADE RELIGIOSA

A intolerância de Israel se impõe: para se ter acesso às mesquitas do Domo da Rocha e de Al Aqsa – as principais de Jerusalém e centro de peregrinação do mundo islâmico – é necessário a permissão de soldados israelenses que controlam e vigiam as mesquitas, fortemente armados na esplanada dos Templos. Algo inacreditável!

 

21 – A DESTRUIÇÃO DOS LUGARES SANTOS

Em toda aquela região – Palestina e Israel – estão localizados importantes lugares sagrados para cristãos, judeus e muçulmanos. Alguns lugares, sobretudo cristãos e muçulmanos, estão sendo destruídos e outros fechados pelo muro. Como ocorre com a estrada milenar que liga Belém a Jerusalém. Religiosos cristãos das mais diferentes tradições estão “suplicando” ao governo de Israel  que abra uma porta no muro para que esta estrada milenar não seja fechada. O pedido não foi aceito.

 

22 – A RESISTÊNCIA PALESTINA

A luta palestina é fundamentalmente de libertação nacional, anti-colonial e anti-racista. O povo está determinado à resistência e luta no plano internacional pela aplicação das resoluções da ONU, mas não admite assistir passivamente a sua destruição. Utiliza todos os métodos – inclusive os homens-bomba – como forma de resistência. Os israelenses matam, ocupam, destroem, expropriam, passam por cima das Resoluções da ONU e difundem pelo mundo inteiro que estão combatendo o “terrorismo palestino”. Aos palestinos não resta outro caminho a não ser a resistência, numa guerra desigual, sacrificando uma geração inteira.

 

23 – JERUSALÉM

Esta é uma questão essencial para judeus, cristãos, palestinos e muçulmanos. Desde 1967 encontra-se completamente ocupada pelo exército israelense, cercada de assentamentos  e  agora  dividida  pelo muro.    Israel  pretende  mantê-la  como  capital

 

exclusiva e não reconhece nenhuma partilha com os palestinos. Realiza uma política de isolamento, impedindo as relações tradicionais e milenares entre as populações de Jerusalém, Cisjordânia e Gaza. Promove ao mesmo tempo, migrações forçadas de palestinos com o objetivo de, literalmente, “limpar” Jerusalém e povoá-la com judeus. Naturalmente os palestinos não aceitam em nenhuma hipótese essa posição, já amplamente condenada pela ONU. Defendem que se mantenha a situação que estava em vigor até 1967. Isto é, aos palestinos o lado oriental e aos israelenses, o lado ocidental, com ampla liberdade de expressão religiosa para judeus, cristãos e muçulmanos que devem manter respeito e cooperação mútua.

 

24 – PALESTINA ou ISRAEL?

Falso dilema. Não se trata de optar por um povo, negando existência a outro. Israel tem direito a existência a Palestina também. São expressões vivas de povos que habitavam essa região há milênios. A ONU, reconhecendo essa realidade, votou várias Resoluções em que definem as fronteiras entre Israel e a Palestina. Israel não as reconhece e a Palestina deseja a sua efetivação.

A verdadeira questão é: quem é a favor de resolver o conflito pela negociação, consolidando a paz na região e quem é a favor da guerra e da violência. A política posta em prática por Sharom e legitimada por Bush, conduz à guerra, ao genocídio e ao apartheid. A OLP admite o Estado de Israel e busca a paz e a cooperação regional. Pacifistas, parlamentares, religiosos e grande parte do povo israelense, admitem a existência de um Estado Palestino, com fronteiras seguras, sem assentamentos, sem muro e que a paz deve ser negociada entre Israel e a Palestina através de seus legítimos  representantes e não entre Israel e os Estados Unidos. É claro que tanto os Estados Unidos, a Europa, a ONU e outros países, têm responsabilidade na solução pacífica do conflito.

 

25 – BRASIL E PALESTINA

o Brasil defende a aplicação das Resoluções da ONU, como forma de garantir uma paz duradoura entre Israel, Palestina e todo o Oriente Médio. Reconhece portanto, a existência de dois estados com fronteiras claramente definidas e com soberania política. Recentemente o governo do Presidente Lula tomou três importantes iniciativas:

1.      A determinação para a presença de um Embaixador Especial para o Oriente Médio, com o objetivo específico de tratar da paz entre a Palestina e Israel;

2.      A instalação de um Escritório de Representação na cidade de Ramallah, visando a ampliação das relações do Brasil com o governo palestino, decisão elogiada e agradecida pelo Presidente Yasser Arafat em nome de seu povo;

3.      Sugestão feita pelo Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, em debate com o Secretário de Estado amaricano, Colin Powell, no Fórum Econômico Mundial, em Amã, capital da Jordânia, de criação de um grupo de amigos do “Quarteto”, a coalizão formada por Estados Unidos, União Européia, ONU e Rússia, que vem tentando estabilizar a situação no Oriente Médio.

 

 

Brasília DF, 19 de maio de 2004

 

 

NILSON MOURÃO

Deputado Federal – PT/AC

CÂMARA MUNICIPAL DE VEREADORES DE SANTA MARIA LEI MUNICIPAL Nº 3202/89, DE 27-12-1989.

CÂMARA MUNICIPAL DE VEREADORES DE SANTA MARIA

LEI MUNICIPAL Nº 3202/89, DE 27-12-1989.
 
 
“INSTITUI NO ÂMBITO MUNICIPAL O DIA DA SOLIDARIEDADE AO POVO PALESTINO”.
 
 
Vereador ARNALDO SOUZA, Presidente da Câmara Municipal de Vereadores de Santa Maria, Rio Grande do Sul.
FAÇO SABER, de conformidade com os poderes que me são conferidos pela Lei Orgânica do Município que a Câmara de Vereadores aprovou e Eu promulgo a seguinte
LEI:
Art. 1º – Fica instituído o dia 29 de Novembro como o DIA MUNICIPAL DE SOLIDARIEDADE AO POVO PALESTINO, em Santa Maria.
Art. 2º – Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 3º – Revogam-se as disposições em contrário.
Gabinete da Presidência da Câmara Municipal de Vereadores de Santa Maria, em 27 de dezembro de 1989.
Ver. ARNALDO SOUZA
                                                       Presidente
 
 
Registre-se e Cumpra-se
 
 
Ver. ADI JOÃO FORGIARINI
Primeiro Secretário

Origens do conflito entre Israel e a Palestina Parte IV

Reacção dos árabes à criação do estado de Israel

“…Os exércitos dos estados árabes entraram em guerra imediatamente a seguir à fundação do Estado de Israel em Maio. A luta continuou, tendo decorrido quase toda dentro da parte do território que tinha sido atribuído ao Estado Palestino”
“…Cerca de 700 000 palestinos fugiram ou foram expulsos durante o conflito de 1948”.
In: “The Fateful Triangle”, de Noam Chomsky

Que riscos para o estado de Israel de parte dos exércitos árabes?

“A Liga Árabe convocou apressadamente os seus membros para que enviassem tropas regulares para combater na Palestina. A sua missão era apenas a de salvaguardar as áreas da Palestina que tinham sido atribuídas aos árabes.
Eram contudo tropas mal equipadas sem comando central unificado.
O rei Abdullah da Jordânia prometeu aos israelitas e aos britânicos que as suas tropas (a Legião Árabe), únicas dentre os exércitos árabes com reais capacidades de luta, evitariam recontros com colónias de judeus. Contudo, certos historiadores ocidentais relatam este facto como tendo sido “…uma luta travada entre o jovem estado judaico e as “hordas avassaladoras” de cinco estados árabes…”
A única realidade era a intensificação da ofensiva israelita contra os palestinos;
referido pelo “Peoples Press Palestine Book Project” intitulado: “Our Roots Are Still Alive”.

Limpeza étnica da população árabe da Palestina

“Joseph Weitz, foi director do “Jewish National Land Fund” (Fundo Judaico do Território Nacional); a 19 de Dezembro de 1940 escreveu:
“…Deve tornar-se claro que não existe espaço neste país para dois povos…
A empresa sionista até agora tem sido levada a cabo com êxito no seu devido tempo, servindo-se adequadamente do processo de “compras de terra” – mas isso não concretizará o Estado de Israel, que deve formar-se num todo, à maneira de uma Salvação (tal é o segredo da ideia Messiânica);
E não há outra forma senão a de transferir os árabes daqui para os territórios vizinhos, “transferi-los” a todos.
Exceptuando talvez Belém, Nazaré e a velha Jerusalém não devemos deixar uma única simples localidade, uma única tribo.
Declarações como estas feitas por elementos sionistas, houve-as às centenas!
In: “The Question of Palestine”, de Edward Said.

Limpeza étnica; continuação

“A seguir à eclosão de 1936, nenhum líder sionista da corrente dominante foi capaz de configurar perspectivas que não implicassem uma separação física nítida entre os dois povos – praticável apenas por meio de deslocações ou expulsão. Publicamente continuavam todos a falar de coexistência, atribuindo actos de violência a minorias de fanáticos ou agitadores. Mas essa atitude era meramente exterior. Ben Gurion sintetizou: “com deslocações obrigatórias conseguiremos uma vasta área de colonização; pela minha parte sou adepto das deslocações obrigatórias, não vejo mal nenhum nisso”.
In: “Righteous Victims”, de Benny Morris, historiador israelita.

“…Ben-Gurion desejava claramente tão poucos árabes remanescentes no estado judaico quanto possível . A sua esperança era vê-los desaparecer. Foi tanto quanto disse aos seus colegas e assistentes nas reuniões de Agosto, Setembro e Outubro de 1948. No entanto nenhuma política de expulsões foi publicamente pronunciada e Ben-Gurion inibiu-se de emitir claras ordens de expulsão por escrito; preferiu que os seus generais “entendessem” o que devia ser executado. Não queria dar entrada na história como “o grande expulsor” e não queria ver o governo israelita implicado numa política moralmente questionável.
Contudo, enquanto que não existia uma política de expulsões”, as ofensivas de Julho e Outubro de 1948 eram caracterizadas por muito mais expulsões, sem dúvida muito mais brutalidade para com os civis árabes, do que na primeira metade da guerra…”
In: “The Birth of the Palestinian Refugee Problem, 1947 – 1949”, de Benny Morris.

Não teriam os palestinos abandonado voluntariamente as suas casas durante a Guerra de 1948?

“…A propaganda israelita negligenciou acentuadamente a queixa de que o êxodo dos palestinos de 1948 fora “auto-induzido”. Os meios oficiais aceitaram implicitamente que a população árabe fugira como consequência da acção israelita – directamente como no caso de Lydda e Ramleh, ou indirectamente, devido ao pânico provocado em centros populacionais árabes por massacres que tinham tido lugar através da Palestina, tal como o de Deir Yassin.
No entanto, embora o registo histórico tenha relutantemente reconhecido o facto, o regime israelita, e os seus continuadores, ainda recusam aceitar moral ou publicamente a responsabilidade pelo programa que activamente criaram…”
In: “Blaming the Victims”, citação de Peretz Kidron; ed. Said and Hitchens.

Os árabes contra a evacuação da Palestina!

“…A BBC monitorizou todas as emissões radiofónicas efectuadas no Médio Oriente durante o ano de 1948. As gravações existentes e bem assim as de uma empresa de monitorização Estado Unidense, podem ser observadas no British Museum.
De parte das emissoras de rádio árabes, localizadas dentro ou fora da Palestina, não foi emitida uma única ordem ou feito qualquer apelo de evacuação da Palestina, em 1948. Existe ao contrário, o registo de apelos árabes repetidos, e até ordens claras dadas aos civis palestinos para ali permanecerem…”
In: “Bitter Harvest”, de Sami Hadawi citando Erskine Childers, investigador britânico.

“… É muito difícil não acreditar na intenção de Ben-Gurion de evacuar tantos árabes quanto fosse possível do estado judaico, quanto mais não seja pela diversidade de meios que utilizou para consegui-lo, principalmente no que se refere à destruição de localidades por inteiro com expulsão da totalidade dos seus residentes, mesmo aqueles que não tivessem participado na guerra e que tivessem ficado em Israel na esperança de viver em paz e igualdade, tal como fora prometido na Declaração de Independência…”
In: “The Birth of Israel” de Simha Flapan, autor israelita.

A destruição deliberada de localidades árabes para evitar o seu regresso

“…Durante o mês de Maio de 1948 começaram a cristalizar as ideias de como consolidar e dar permanência ao exílio palestino, e a destruição de localidades foi de imediato entendida como forma elementar de concretizar esse objectivo. Já antes disso, a 10 de Abril do mesmo ano a Haganah tomou Abu Susha. A vila foi destruída nessa mesma noite.
Khulda foi arrazada em 20 de Abril por bulldozers israelitas;
Abu Zureiq foi completamente demolida;
Al Mansi e Na Naghnaghiva, a sudoeste, foi também arrazada;

Em meados do ano de 1949 a maioria das 350 localidades que haviam sido despovoadas fora parcial ou totalmente reduzida a ruínas ou encontrava-se completamente inabitável…”
In: “The Birth of the Palestinian Refugee Problem, 1947-1949”, de Benny Morrys.

Depois de ter terminado a luta, porque é que os palestinos não regressaram às suas casas?

“…A primeira resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas, que tem o número 194, e que afirma o direito do povo palestino a regressar ao lar e às suas terras, foi aprovado no dia 11 de Dezembro de 1948.
Foi reapreciada não menos do que 28 (vinte e oito) vezes desde essa primeira data.

Muito embora o direito moral e político de uma pessoa regressar ao lugar de residência permanente seja reconhecido em todo a parte, Israel negou essa possibilidade, tornando sistemática e juridicamente impossível o regresso dos palestinos à sua terra, fosse porque processos fosse, retirando-lhe ainda quaisquer direitos compensatórios, ou sequer o direito de viver em Israel em paridade de direitos com qualquer judeu israelita…”
In: “The Question of Palestine”, de Edward Said.

Qual a justificação para esta expropriação da terra?

“…O facto dos árabes terem fugido apavorados devido ao receio da repetição dos massacres sionistas de 1948, não era razão para lhes recusar as suas casas, terrenos e demais pertences. Os civis que são surpreendidos em áreas onde se travam acções militares entram geralmente em pânico. Mas é-lhes sempre permitido regressar ao lar quando o perigo deixa de existir. A conquista militar não extingue o direito à propriedade privada, nem dá aos vencedores o direito de confiscar bens dos civis não beligerantes. A apropriação de propriedades árabes por parte dos israelitas foi ultrajante…”
In: “Bitter Harvest”, Sami Hadawi

As negociações após as guerras de 1948-1949

“…Em Lausanne, o Egipto, a Síria, o Líbano e os palestinos tentaram salvar através de negociações o que tinham perdido na guerra – um estado palestiniano a par do de Israel. Israel contudo preferiu um precário armistício em vez de um tratado de paz definitivo que envolvesse concessões territoriais e a repatriação que fosse de um simbólico número de refugiados. A recusa do reconhecimento do direito dos palestinos à auto-determinação e à cidadania demonstrou ser, ao longo dos anos, a origem principal da agitação, da violência e do morticínio que vieram a acontecer…”
In: “The Birth of Israel” de Simha Flapan, autor Israelita

A admissão de Israel às Nações Unidas e a rejeição das condições sob as quais isso ocorreu

“…A conferência de Lausanne abriu oficialmente no dia 27 de Abril de 1949. A 12 de Maio o Comité das Nações Unidas de Conciliação da Palestina concretizou o seu único êxito ao induzir as partes a assinar um protocolo conjunto para uma paz global. Israel aceitou pela primeira vez o princípio da repatriação dos refugiados árabes e a internacionalização de Jerusalém, mas fê-lo como mero exercício de relações públicas destinado a reforçar a sua imagem internacional.
Walter Eytan, chefe da delegação israelita declarou:
– O meu objectivo principal era o de sabotar o protocolo de 12 de Maio, que tínhamos assinado sob o condicionamento imposto pelas negociações da nossa admissão às Nações Unidas. Sabíamos que uma não aceitação do documento teria efeito negativo imediato junto do Secretário Geral das Nações Unidas e de vários governos …”
In: “The Making of the Arab-Israel Conflict, 1947-1951”, de Ilan Pappe, historiador israelita.

“…O preambulo da resolução de admissão de Israel às Nações Unidas incluiu uma salvaguarda do seguinte teor: “Em referência à resolução de “partilha” de territórios de 29 de Novembro de 1947 e de 11 de Dezembro de 1948 (a respeito de indemnizações compensatórias) e levando em conta as declarações e explicações feitas pelo representante de governo de Israel ante o Comité Político ad-hoc, a respeito do cumprimento das ditas resoluções, a Assembleia Geral decide admitir Israel como membro das Nações Unidas…”.

“Deverá sublinhar-se estar aqui uma condição e um compromisso de levar à prática as resoluções mencionadas.
Não se punha a questão desse cumprimento ter de esperar pela declaração de paz segundo as pretensões de Israel, tal como mais tarde veio a reclamar para justificar o seu não cumprimento das mesmas resoluções. “
In: “Bitter Harvest” de Sami Hadawi.

Qual o destino dos palestinos que se tinham tornado refugiados

“…O Inverno de 1949, o primeiro Inverno de exílio para mais de setecentos e cinquenta mil palestinos, foi rigoroso e difícil. Famílias refugiadas em cavernas, cabanas abandonadas ou tendas improvisadas. Muitos desses esfomeados estavam apenas a meia dúzia de km das suas antigas hortas e pomares, na Palestina ocupada – o novo estado de Israel…”
No fim de 1949 as Nações Unidas actuaram finalmente, organizando a Administração das Tarefas de Auxílio das Nações Unidas (UNRWA) para se encarregar de mais de sessenta campos de refugiados, esforço que conseguiu, embora a custo, fazer sobreviver refugiados…”

Carta denúncia do Frei Martinho Penido-Burnier às autoridades brasileiras

 

Carta denúncia do Frei Martinho Penido-Burnier às autoridades brasileiras
Arquivo Histórico do Itamaraty
Missões Diplomáticas Brasileiras
Ministério das Relações Exteriores
Ofícios Recebidos
Beirute – 1.945 a 1.952
Volume 3/3/17 – Dez 1.945 e 1.948
N°. 154/1.948 – 5 de novembro de 1.948
Questão Palestina
A Sua Excelência, Senhor Embaixador Raul Fernandes, Ministro de Estado das Relações Exteriores.
A Legação dos Estados Unidos do Brasil em Beirute cumprimenta a Secretaria de Estado e tem a honra de remeter-lhe cópia de uma carta enviada a esta Legação por Frei Martinho Penido-Burnier, acompanhada de cinco anexos, sobre os atuais acontecimentos na Terra Santa.
Trata-se de um religioso brasileiro que se especializou em assuntos bíblicos no Convento dos Dominicanos, em Jerusalém, onde residiu durante os meses mais críticos das hostilidades entre árabes e judeus.
Beirute, em 5 de novembro de 1.948.
Exmo. Senhor Ministro Thompson Flores,
Após estas duas rápidas viagens que acabo de realizar à Palestina, julguei ser meu dever submeter a Vossa Excelência algumas reflexões sobre o problema palestinense e sobre alguns fatos importantes mais recentes.
Rogo encarecidamente Vossa Excelência informe nosso Ministro das Relações Exteriores sobre o conteúdo desta carta, pois estas reflexões e estes fatos que exporei poderão certamente auxiliar nossos dirigentes para uma visão mais completa e objetiva do problema palestinense.
Creio não ser necessário realçar aqui a injustiça fundamental desta guerra da Palestina. Uma coisa é certa: injustificável é a ambição de certos elementos de apoderarem-se de um bem que lhes não pertence.
Da mesma forma, talvez não tenha eu credenciais suficientes para discutir e julgar esta decisão de tão graves conseqüências tomada há um ano pela Assembléia Geral das Nações Unidas e à qual nosso país deu seu beneplácito.
Todavia penso que minha estadia de dez meses na Palestina (de agosto de 1.947 a julho de 1.948) assim como meus estudos bíblicos, históricos e arqueológicos relativos a esta região do Oriente Médio me forneceram dados suficientes sobre o problema palestinense e me permitiram chegar a conclusões que serão talvez interessantes às autoridades de nosso país, para que estas possam agir com todo o acerto e toda a oportunidade, como compete a uma nação como a nossa.
Portanto, se me for dado algum direito para julgar o mérito da questão, direi que todos nós, sacerdotes e cristãos da Palestina ficamos aterrados com a decisão de 29 de novembro.
Primeiro porque esta decisão nos pareceu ir de encontro aos direitos inegáveis das comunidades religiosas e étnicas que se encontram na Palestina outras que a comunidade israelita. E em seguida, porque nos debates que precederam esta decisão pouco ou nada se fez em prol de um acordo pacífico entre as partes mais importantes no litígio.
Em suma, atribuíram-se a uma das partes litigantes, e com prejuízo de todas as outras, direitos que de forma alguma podem ser justificados, quer do ponto de vista religioso, quer do ponto de vista histórico, social e econômico.
E permita-me vossa excelência que expresse aqui a minha crítica sobre certos motivos que levaram algumas nações a adotarem a sustentarem uma tal decisão bem como o meu pesar de que em todos os debates esqueceu-se a consulta e negligenciou-se o parecer de sábios e outros homens de estudos, altamente competentes, que se encontraram em Palestina há longos anos, e cujos pareceres teriam sido oportuníssimos para uma solução equitativa de tão angustiante problema.
Por conseguinte para nós, especialistas em estudos bíblicos, históricos e étnicos, esta decisão da partilha da Palestina entre árabes e judeus nos parece por demais simplista e sem corresponder à verdadeira solução do problema que de fato existe. E portanto justa nos parece a intervenção armada dos exércitos árabes para impedir que invasores ambiciosos apropriem-se de um bem que lhes não pertence e nem lhes pode pertencer exclusivamente, a não ser pela violência. Mas até onde chegaremos se as nações civilizadas aceitam o princípio da força e da violência contra os do direito e continuam sustentando a política do “fato consumado”?
Desculpe-me Vossa Excelência expressar-me assim sobre esta decisão da Assembléia Geral das Nações Unidas, tanto mais que a exigüidade desta carta não me permite aduzir os argumentos de ordem histórica, religiosa e mesmo econômica sobre os quais nos fundamos em uma tal apreciação. Tomo porém a liberdade de enviar a Vossa Excelência como anexos a esta carta, alguns documentos significativos e interessantes e que poderão ser úteis para uma exata compreensão do problema.
E agora, permita Vossa Excelência que eu submeta ao seu conhecimento certos fatos que pude constatar pessoalmente, quer durante o período das hostilidades e da primeira trégua, quer ultimamente, por ocasião destas minhas últimas duas viagens a Jerusalém.
Quero aludir em primeiro lugar à conduta desta guerra pelas tropas e autoridades sionistas sobretudo no que diz respeito às atrocidades cometidas por eles sobre as populações civis e indefesas; aos saques sistemáticos e metódicos de aldeias inteiras ou de certos bairros cristãos de Jerusalém; aos roubos, saques e vandalismos de toda espécie praticados nos edifícios de instituições religiosas.
A lista destes desatinos é por demais extensa para que eu possa enumerar tudo aqui, e por isso contento-me com uma simples alusão aos principais destes fatos, que por sinal, já são assaz amargamente expressivos:
— o Convento de São Jorge, pertencente aos gregos ortodoxos, ocupado à mão armada em 15/5/1.948;
— a Hotellerie Notre-Dame de France, dos padres Assuncionistas, ocupada pelas tropas sionistas em 15 e 18/5/1.948 e sistematicamente saqueada e profanada (anexo III);
— o Hospital Francês, ocupado militarmente pelos sionistas em 15/5/1.948, apesar da presença das Irmãs de São José e dos enérgicos protestos do Dr. Baner, médico-diretor, e apesar das bandeiras francesas e da Cruz-Vermelha;
— o Convento das Irmãs de Marie Reparatrice, incendiado e demolido pelos sionistas em 15/5/1.948 e 25/5/1.948;
— o Hospital Italiano, colocado sob a proteção da Cruz Vermelha Internacional, ocupado pela Haganah e utilizado como fortaleza e base militar;
— o Palácio do Excelentíssimo Senhor Delegado Apostólico, bem como a Igreja e Mosteiro dos Padres Beneditinos alemães, ocupados com violência pelas tropas sionistas em 18/5/1.948, apesar da bandeira Pontifícia que os devia proteger;
— a Escola Inglesa do Monte Sião e o Convento de São João dos Gregos, ocupados igualmente na noite de 18/5/1.948.
E a lista poderia prolongar-se indefinidamente se nos puséssemos a enumerar todas as avarias causadas pelos obuses sionistas, propositalmente enviados sobre a Cidade Velha fora de qualquer objetivo militar. Assinalo simplesmente a título justificativo de minhas afirmações:
— a Basílica do Santo Sepulcro, cuja cúpula não foi somente atingida por estilhaços de obuses caídos nos santuários contíguos, dia 17/5/1.948, como também danificada por um obus sionista no dia 8/6/1.948;
— o Convento e Igreja de São Tiago dos Armênios Ortodoxos, que desde o começo das hostilidades receberam uma cintura de bombas que muitos estragos causou, assim como a morte de numerosos refugiados e clérigos que ali se abrigaram;
— o Seminário de Santa Ana (17/5 e 19/5) a Igreja de São Constantino e Santa Helena (17/5);
— o Patriarcato Sírio Ortodoxo (16/5);
— o Convento de São Jorge dos Gregos Ortodoxos (18/5);
— o Convento dos Coptos Ortodoxos (23/5/48);
— o Grande Convento dos frades franciscanos (19, 23, 24/5/1.948) bem como a Venerável Basílica de São Salvador;
— o Patriarcato Latino (23, 26, 27, 28/5/1.948);
— o Patriarcato Grego Melquita, a Igreja de Santa Verônica, bem como o Patriarcato Armênio Católico.
Se passarmos a falar da maneira sionista de conduzirem a guerra, temos a tristeza de constatar que eles rivalizam com os nazistas da última guerra mundial, a ponto de que Mr. Neville, Cônsul Geral da França (pessoa todavia mais que insuspeita, dada a sua maior simpatia pelo movimento sionista, antes destas hostilidades) declarou solenemente que “vinte e oito dias de guerra e dezessete dias de trégua ensinaram-me mais sobre o nazismo do que vinte anos de regime de Hitler.” (declaração proferida no nosso Convento de Santo Estevão, no dia 27/6/1.948 e por mim cuidadosamente anotada).
O nome de Deir Yassin ficará lamentavelmente, na história da Palestina, tão tristemente célebre quanto ao de Cachan ou de Bubhenwald na história da Alemanha. E se tivesse havido um só Deir Yassin!… mas infelizmente numerosos já são os casos semelhantes.
Porém, o que mais me entristeceu foi constatar, por ocasião destas minhas duas viagens a Jerusalém, as hediondas profanações de Igrejas e objetos de culto que os sionistas empreenderam como que sistematicamente.
Após as profanações das Capelas da Hotellerie Notre Dame de France transformadas pelos soldados da Haganah em Salão de baile e mesmo em dormitório (para soldados de um e outro sexo…) (anexo III) e da venerável Basílica dos Beneditinos do Monte Sião, igualmente transformada em “dancing” e agora empregada como depósito de lixo, vieram as abomináveis profanações do Ospizio de Haiffa, pertencente aos frades franciscanos, vergonhosamente saqueado sob as vistas e responsabilidade das autoridades sionistas e onde, não satisfeitos com os roubos e as profanações dos crucifixos e imagens sacras, chegaram a este paroxismo de ódio e profanação, de transformarem a Igreja em latrinas públicas, e até fazerem suas necessidades sobre os crucifixos e a estatua da SSma. Virgem horrivelmente mutilada (v. anexo IV).
E para que Vossa Excelência não pense que se tratam de atos de extremistas ou irresponsáveis ou ainda um ato de desvario assim por acaso, saiba Vossa Excelência que tais abominações foram praticadas ainda no Convento das Freiras de Sant’Ana, de Haiffa; nas Igrejas dos Gregos Ortodoxos e dos Gregos Melquitas de Haiffa, na Capela das Irmãs Franciscanas Missionárias do Egito, de Tiberíades, na Igreja dos Gregos Melquitas de Safet, etc. etc. (v. anexos IV e V).
Acrescente-se ainda o ocorrido em Tiberíades, na Igreja de São Pedro, do Convento dos Franciscanos e na Casa Nova dos Peregrinos; ou em Cafarnaum e suas vizinhanças, nos edifícios e santuários pertencentes aos Franciscanos e aos Beneditinos, e teremos um complemento de informação sobre a atitude dos sionistas e da Haganah (v. anexos IV e V).
Quanto à situação deplorável dos refugiados de guerra, eu mesmo pude constatar o quanto a realidade dos fatos ultrapassa tudo quanto sabíamos pela imprensa. São centenas e milhares de pessoas sem teto e alimento, mulheres, crianças e velhos expulsos impiedosamente de seus lares por invasores desalmados, ou fugindo horrorizados ante o espetáculo das crueldades praticadas pelos sionistas. Eu mesmo visitei um desses campos de refugiados e pude constatar a situação desesperada desses pobres coitados, e ouvir de muitos deles a dolorosa narrativa dos fatos que presenciaram.
Eis porque, Senhor Ministro, julguei ser meu dever chamar a atenção sobre todos estes fatos afim de que Vossa Excelência informe devidamente o nosso governo e que assim o nosso país não entre em conivência com tantos crimes e profanações e pelo menos procure salvaguardar os direitos dos cristãos na Terra Santa, tão perigosamente comprometidos pelos estabelecimentos dos sionistas.
Pois em fim de contas temos que nos inclinar à evidência dos fatos de que os Lugares Santos e os interesses dos cristãos na Palestina estão seriamente ameaçados pela invasão sionista, e por isso a responsabilidade dos países que se dizem cristãos é muito grande demais apesar das afirmações oficiais em sentido contrário para tolerarem tais acontecimentos ou tacitamente os aprovarem.
Esperando que a ação de Vossa Excelência seja eficaz junto a nosso governo para que este assuma uma atitude conforme à dignidade humana e à justiça, e defenda com hombridade e brio os direitos dos oprimidos,
subscrevo-me respeitosamente,
de Vossa Excelência o amigo e servo em J.C.
Frei Mart. Penido

FSM Palestina Livre: parlamentar visita PT/RS para divulgar evento

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“Queremos que os povos do mundo conheçam a nossa luta contra o apartheid, contra o estado judaico que discrimina e oprime com racismo os palestinos e viola os direitos humanos. Queremos justiça, igualdade e liberdade”, este foi o depoimento central da deputada palestina do Parlamento Israelense, Hannen Zoabi em seu encontro com a direção do PT/RS no final de outubro.A deputada palestina está no Brasil divulgando o Fórum Social Mundial Palestina Livre que acontece em Porto Alegre entre os dias 29 de novembro a 1º de dezembro. Hannen Zoabi disse que o Fórum será uma grande oportunidade de contar “o que o povo palestino sofre e que o mundo não vê”.

A parlamentar foi recebida pelo presidente partido Raul Pont e pela secretária geral Eliane Silveira. A reunião aconteceu na sede Estadual do PT e contou ainda a presença do presidente da Sociedade Palestina de Santa Maria Abdel Rahman Hawas e do presidente do Centro Cultural Palestino do Rio Grande do Sul Nader Alves Bujah.

O presidente Raul Pont fez referência as relações internacionais que o PT mantêm com a Palestina, e reafirmou o compromisso do partido e do próprio governo da presidente Dilma, e anteriormente do presidente Lula, com o reconhecimento do Estado Palestino. Raul Pont usou o discurso de Dilma abertura da 67ª Assembleia da ONU para demonstrar o compromisso do Brasil com o Estado da Palestina. – Na ONU, Dilma Rousseff arrancou aplausos do plenário ao afirmar, que “chegou o momento de ter representada a Palestina a pleno título”, deixando clara a posição do Brasil em meio às intensas negociações que visam evitar uma crise diplomática pelo pedido de adesão dos palestinos à ONU. Dilma acrescentou que o Brasil já reconhece o Estado palestino com as fronteiras estabelecidas antes da guerra de 1967. Para a presidenta, esse reconhecimento ajudará a obter “uma paz duradoura no Oriente Médio”, e assinalou que “apenas uma Palestina livre e soberana” poderá atender aos pedidos de Israel por segurança-.

FSM Palestina Livre

A capital gaúcha será palco de mais um grande evento mundial. De 29 de novembro a 1º de dezembro de 2012, Porto Alegre será sede do Fórum Social Mundial Palestina Livre, um encontro global de ampla base popular e de mobilizações da sociedade civil de todo o mundo.

O Fórum Social Mundial Palestina Livre é um eco da oposição do Fórum Social Mundial à hegemonia do neoliberalismo, do colonialismo e do racismo através das lutas por alternativas econômicas, políticas e sociais para promover a justiça, a igualdade e a soberania dos povos.

Exatamente após 65 anos de o Brasil ter presidido a seção da Assembleia Geral da ONU que definiu a partilha da Palestina, o Brasil vai abrigar um tipo diferente de fórum global. Uma oportunidade histórica para os povos de todo o mundo levantarem onde seus governos falharam e discutirem novas visões e ações efetivas para contribuir com a justiça e a paz na região.

A participação nesse Fórum deve reforçar estruturalmente a solidariedade com a Palestina e promover ações para implementar os direitos legítimos dos palestinos e tornar Israel e seus aliados imputáveis pela lei internacional.

Os objetivos do FMPL são:
– Mostrar a força da solidariedade aos chamados do povo palestino e à diversidade de iniciativas e ações visando promover a justiça e a paz na região.

– Ser um espaço para discussão, troca de ideias, estratégias e planos que desenvolvam a estrutura da solidariedade.

– Criar ações efetivas para assegurar a autodeterminação palestina, a criação de um Estado Palestino com Jerusalém como sua capital, e o atendimento aos direitos humanos e ao direito internacional por: a) acabar com a ocupação israelense e a colonização de todas as terras árabes e derrubar o muro, b) assegurar os direitos fundamentais dos cidadãos árabe-palestinos de Israel à plena igualdade, e c) implementar, proteger e promover os direitos dos refugiados palestinos de retornar a seus lares e propriedades, como estipula a resolução da ONU 194.

Por isso, o Comitê Organizador do Fórum Social Mundial Palestina Livre convoca todas as organizações, movimentos, redes e sindicatos em todo o mundo a se unirem ao FSM Palestina Livre, de 29 de novembro a 1º de dezembro, em Porto Alegre, Brasil.

Para mais informações, acesse: http://www.wsfpalestine.net/

Brasil abraça Dia Mundial de Solidariedade ao Povo Palestino

Além de inúmeras sessões solenes nas câmaras municipais de vereadores, assembléias legislativas e na Câmara dos Deputados, os movimentos sociais brasileiros estão promovendo nesta quinta (29) diversas atividades por todo o país em comemoração ao Dia Mundial de Solidariedade ao Povo Palestino. ”A existência dessa data é um tributo que o mundo paga ao heroísmo e abnegação do povo palestino”, declarou ao Vermelho José Reinaldo de Carvalho do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz).

Ele participou na manhã desta quinta em Brasília, juntamente com deputados, entidades dos movimentos sociais e a embaixadora do Estado Palestino no Brasil, Mayada Bamie, de uma sessão solene da Câmara que lembrou o 29 de novembro de 1947, o fatídico dia em que a Assembléia Geral das Organizações das Nações Unidas (ONU) votou a favor de dividir a Palestina em duas partes, uma onde ficariam os judeus, que se chamaria Estado de Israel e outra, onde já estavam os palestinos, chamada Estado Palestino.

 

Em 2007, a decisão polêmica – que deixou os palestinos com 47% do território, as piores e menos férteis terras num território praticamente sem água, enquanto que os judeus ficaram com 53% do território e as mais produtivas terras – completa 60 anos. 

 

A ONU, à época, era composta apenas por 57 países e era – como continua – politicamente influenciada pelos Estados Unidos que emergiram da 2ª Guerra Mundial como a maior potência do planeta ao lado da União Soviética.

 

A votação em 47 foi apertada. Dos 57 países presentes, apenas 33 (ai incluso o Brasil, cujo voto foi de Oswaldo Aranha) apoiaram a “criação” do Estado de Israel.  13 países votaram contra, sendo que  11 eram árabes e apenas dois não, Cuba e Grécia. Houve ainda 11 abstenções.

 

O país que a ONU criou

 

Todos os colóquios de juristas internacionais sobre o tema reafirmam até os dias atuais que não é atributo das Nações Unidas criar países, como já afirma seu Estatuto. Eles argumentam que se à ONU tivesse tal atributo os países por ela criados poderiam ingressar no seu sistema e alterar a correlação de forças, o que não seria positivo para os EUA que detêem a maior influência sobre a Organização. 

 

No entanto, a exceção do 29 de novembro de 1947 foi possível, avaliam, em função da comoção internacional em favor dos judeus, massacrados pela Alemanha nazista durante a 2º Guerra Mundial. A prova é que no périodo até a União Soviética apoiou a criação de Israel, retirando, porém, seu apoio mais tarde em favor dos palestinos. 

 

”Que nos solidarizemos a cada dia mais com o povo martirizado há mais de 60 anos pela ocupação sionista e pelas ações imperialistas dos EUA no Orirente Médio. Que nos somemos ao povo palestino e a sua luta por seu Estado Nacional. O Cebrapaz defende uma paz justa na região e rechaça as todas as manobras do governo Bush no Oriente Médio”, destaca José Reinaldo.

 

O MST também divulgou nota em solidariedade ao povo palestino nesta quinta. ”O governo do Estado de Israel tem desrespeitado inúmeras resoluções da ONU, relacionadas ao direito de retorno dos refugiados palestinos, desocupação de Jerusalém Oriental, garantia de preservação dos direitos humanos para os palestinos, entre outras”, diz a nota.

Solidariedade e Reforma Agrária

 

” O mundo se choca quando vê os veículos militares e tratores invadindo bairros e destruindo casas onde moram os palestinos que tiveram algum parente particpando do legítimo movimento de resistência e de luta pela terra e pela pátria palestina.
Até quando vamos permitir a construção de ‘muros da vergonha’, como o que Israel está construindo dentro do território palestino? Este muro chegará a ter 700 km e vai separar vilarejos e cidades, transformando parte da Palestina em um verdadeiro campo de concentração, vigiado sistematicamente”, denuncia o texto do movimento sem terra.

 

O texto também rechaça o argumento de que as ações sionistas tem como fim combater o terrorismo: ”terrorismo é impedir um povo de desfrutar de sua própria terra, é impedir a existência de uma pátria livre do colonialismo e do imperialismo. Terrorismo é matar crianças com bombas e mísseis disparados de helicópteros e aviões nos bairros onde vive a população civil palestina. Terrorismo é barrar uma mãe grávida num posto policial ou do exército, impedindo que a mesma tenha a atenção necessária na hora do nascimento de seu filho”.

 

”Nos alegra saber que as forças democráticas, progressistas e populares de todo o mundo se colocam contrários ao apartheid imposto pelo governo de Israel. Também nos fortalece saber que existem pessoas que de dentro de Israel, sejam operários, estudantes, intelectuais, artistas e militares estão se organizando para lutar contra um governo anti-democrático, anti-popular e pró-imperialista. Até mesmo os cidadãos israelenses que se organizam para fazer manifestações de solidariedade ao povo palestino. Por um mundo sem colonialismo e sem imperialismo! Viva a luta do povo palestino! Reforma Agrária: por justiça social e soberania popular!”, conlcui o texto.

 

Além do Cebrapaz e do MST, dezenas de outras organizações também enviaram notas de solidariedade a Embaixada da Palestina no país, além de promover atividades em escolas, universidades e sindicatos de homenagem aos palestinos.   

 

Palestina agradeçe apoio do país

 

,  a Embaixada do Estado da Palestina no Brasil, inaugurada em 1979, agradeceram as ações de apoio e solidariedade dos organismos governamentais e não governamentais do país, destacando que a todo ano as atividades de solidariedade se renovam com ainda mais vigor.

 

Novembro é um mês especial para o povo palestino. Além do histórico dia 29 de novembro, outras datas deste mês ganham relevância para a causa palestina. Como o dia 11 de novembro, quando lembra-se o terceiro aniversário da morte do presidente Iasser Arafat e o dia 15 de novembro, Dia da Declaração da Independência ocorrida em 15 de novembro de 1988, na 1ª Sessão do Conselho Nacional Palestino.