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A Questão Palestina sob o olhar de um Palestino

A Questão Palestina sob o olhar de um Palestino por Abdel Rahman Abu Hwas

Introdução
Em maio de 2018 completar-se-ão 80 anos que o sionismo conquistou a sua fortaleza no Oriente Médio, seus dirigentes acreditaram que o nome Palestina desapareceria e aqueles que perderam seus lares e suas esperanças foram viver em tendas nos campos de refugiados. Acreditava-se que esse povo desprezado, quase que desamparado, não faria história. Dispersaram-se pelos pontos mais variados do Oriente Médio, diluir-se-iam como as areias empurradas por um furacão, ou assim pensavam do alto de sua altivez, os lideres de Israel. Mas, esqueceram que a historia é feita quase que sempre pelos despojados e os perseguidos.
Crê, erroneamente, a opinião pública, que o problema palestino é um problema árabe–judaico originado numa luta politico-religiosa travada entre judeus, por um lado, e árabes de outro. Alguns pensam tratar-se meramente acerca de um problema territorial: uma terra que pertencera aos judeus em tempos mais remotos da historia e que estes voltaram a ocupar em nome dos reivindicados direitos históricos e adquiridos para fundar ali, por sua própria conta, um estado onde os israelitas encontrariam refugio e um porto de paz em que estariam salvos das perseguições que lhes foram infligidas pelos povos e soberanos da Europa em todas as épocas de sua turbulenta historia. Tanto a Europa como a América abençoaram a criação do estado de Israel e brindaram-lhe com todos os tipos de atenção e apoio, ministrando-lhe todos os meios de matança e destruição, e assim possibilitando-lhes a perpetração de agressão, com a qual asseguravam sua expansão.
O problema palestino nasceu realmente dentro de um contexto mundial antes de manifestar-se em terras palestinas. O problema evoluiu sobre manobras e intrigas montadas a mais de um século pelos sionistas perante os imperadores alemães, sultões otomanos, governantes europeus, e, muito especialmente, perante os políticos e dirigentes da Grã-Bretanha e Estados Unidos da América.
No blog “Por trás da mídia mundial” ‘https://portrasmidiamundiall.blogspot.com.br/2017/02/senhor-rothschild-minha-familia-criou.html’ o Times, revista circulante em Israel, relata que Lord Jacob Rothschild revelou recentemente novos detalhes sobre o papel crucial que seus ancestrais desempenharam na obtenção da Declaração Balfour, que “ajudou a pavimentar o caminho para a criação de Israel”.
O movimento sionista preparou a destruição do estado da Palestina para que sob suas ruinas fosse edificado o estado de Israel. Em sua acepção politica moderna, o sionismo é a ideologia nacionalista dos judeus e essa ideologia tende em primeiro lugar a conservação rigorosa pelos judeus de suas crenças e tradições rechaçando toda a integração nas comunidades em que vivem. O movimento trabalha em segundo lugar em prol do retorno à Palestina e a edificação sobre seu território de um estado exclusivamente judeu para concretizar os mitos da Terra Prometida e da terra sem povo para um povo sem terra. Não é mera coincidência o número de palestinos no mundo ser igual ao de judeus também dispersos. Isso significa que a terra não estava sem povo.
O professor de ciência política Norman Finkelstein é um judeu americano, graduado pela Universidade do Estado de Nova Iorque, escreveu sobre o mito da Terra Prometida diz: “Se eu viesse com uma bíblia na mão e um Rifle na outra, batesse na sua porta, e disse-se: De acordo com a minha bíblia, a minha família morava em sua casa há dois mil anos atrás! O que você faria? Arrumaria as malas e iria embora???”

O que é o Sionismo
Hertzel definiu o sionismo como: “O movimento do povo judeu em marcha para a Palestina” e David Bem Gurion, por sua vez definiu como: “O sionismo é na realidade uma filosofia judia cuja substância crucial é a luta contra a assimilação”.

A limpeza étnica na Palestina
No inicio do século passado, iniciou-se a execução do plano quando milhares de imigrantes judeus chegaram à palestina em 1914, neste período, haviam 85 mil judeus, proprietários de 6% das terras palestinas. Entre 1919 e 1932 entraram mais 125 mil imigrantes judeus, entre 1933 e 1939 mais 215 mil e de 1939 a 1948 outros 120 mil. Finalmente em 1948 havia 650 mil judeus e uma população de palestinos de 1.300.000.
Nas linhas que se seguem cita-se as palavras do professor Ilan Pappe que lecionava até 2007 na Universidade Israelense de Haifa com acesso aos arquivos históricos do estado de Israel. Ilan Pappe revela informações de extrema importância narradas ao longo de mais de 400 páginas do seu livro ‘THE ETHNIC CLEANSING OF PALESTINE’:
“Na tarde de quarta de 10 de março de 1948 um grupo de onze líderes veteranos sionistas e jovens oficiais militares judeus colocaram os toques finais a um plano para a limpeza étnica de palestina. Nesta mesma tarde enviaram ordens militares para as unidades no terreno a fim de preparar a expulsão sistemática dos palestinos de vastas áreas do país. As ordens estavam acompanhadas de uma descrição detalhada dos métodos para desalojar à força os habitantes com intimidação em grande escala para cercar e bombardear as aldeias e centros populacionais, incendiar as casas, propriedades e bens; expulsões, demolições e finalmente a colocação de minas entre os escombros para impedir o retorno de qualquer um dos expulsos. Uma vez que a decisão foi tomada 6 meses mais tarde à missão estava cumprida e cerca de 800 mil palestinos (mais da metade dos habitantes nativos do país na época), foram expulsos de suas casas sendo convertidos em refugiados, 531 aldeias destruídas e 11 bairros urbanos esvaziados.

O cerceamento de direitos aos palestinos sob ocupação
Com a serenidade de quem nunca perdeu a esperança, o poeta e escritor Mahmoud Darwish afirma: “Esta ocupação é uma ocupação estrangeira que não pode escapar à acepção universal da palavra ocupação, qualquer que seja o número de títulos de direitos divinos que ela invoca; Deus não é propriedade pessoal de ninguém”.
Uma delegação composta por 8 membros do Parlamento Internacional de Escritores em viagem à Palestina em março de 2002 visitou Bir Zeit, a mais importante universidade palestina, onde a rotina dos alunos e professores é infernal. Para chegar ao campus, eles têm de passar por estradas controladas pelo exército israelense, por diversos “check points” e percorrer uma parte do caminho a pé. “O governo de Israel faz tudo para tornar nossa vida um inferno”, diz um palestino. “Décadas de desapropriação, ocupação e discriminação são a principal razão da resistência palestina. Mais repressão militar israelense e a contínua ocupação e cerco nunca cessarão o desejo palestino por liberdade e tampouco tocarão as reais causas da violência”.
No encontro com escritores e intelectuais israelenses em território de Israel, foram ouvidos relatos de militantes da paz que veem a situação se degradar a cada dia, a esquerda perder terreno e as esperanças de um acordo de paz ficar cada vez mais distante. No evento, uma escritora israelense toma a palavra e diz que não se pode fazer uma simetria entre o sofrimento dos israelenses e o dos palestinos. Emocionada, ela diz que: “não suporta ouvir falar de compreensão com o sofrimento dos dois povos, como se pudesse haver comparação entre quem oprime e quem sofre a opressão”. Seu combate é denunciar a ocupação e a opressão sofrida pelo povo palestino.

Já Chomsky, um dos maiores pensadores da atualidade afirma que: “Nos territórios ocupados, o que Israel está fazendo é muito pior que o apartheid”. No caso do apartheid sul africano, os nacionalistas precisavam da população negra, essa foi sua força de trabalho. A relação de Israel com os palestinos nos territórios ocupados é totalmente diferente, eles simplesmente não os querem.

Uma visão internacional sobre o conflito
Entrevista à BBC de José Saramago, disponível no blog ‘http://desaramago.blogspot.com.br/2015/01/jose-vericat-da-bbc-entrevistou.html’, José Saramago diz:
‘BBC – Que pensa de Israel?
Saramago – Um sentimento de impunidade caracteriza hoje o povo israelense e o seu exército. Eles converteram-se em financiadores do holocausto. Com todo o respeito pela gente assassinada, torturada e sufocada nas câmaras de gás. Os judeus que foram sacrificados nas câmaras de gás quiçá se envergonhariam se tivéssemos tempo de dizer-lhes como estão se comportando seus descendentes. Porque eu pensei que isto era possível; que um povo que tem sofrido deveria haver aprendido de seu próprio sofrimento. O que estão fazendo com os palestinos aqui é no mesmo espírito do que sofreram antes.
BBC — O que pode ter este conflito palestino-israelense de particular?
Saramago — Vamos ver: Isto não é um conflito. Poderíamos chamá-lo conflito se se tratasse de dois países, com uma fronteira e dois estados, com um exército cada um. Aqui trata-se de uma coisa completamente distinta: Apartheid. Ruptura da estrutura social palestina pela impossibilidade de comunicação.

O Frei Martinho Penido-Burnier revela em Carta de denúncia às autoridades brasileiras disponível no arquivo histórico do Itamaraty revela a situação dos palestinos e as atrocidades cometidas: (http://vivapalestina.com.br/carta-denuncia-do-frei-martinho-penido-burnier-as-autoridades-brasileiras-2/)

Beirute, em 5 de novembro de 1948
Quero aludir em primeiro lugar à conduta desta guerra pelas tropas e autoridades sionistas sobretudo no que diz respeito às atrocidades cometidas por eles sobre as populações civis e indefesas; aos saques sistemáticos e metódicos de aldeias inteiras ou de certos bairros cristãos de Jerusalém; aos roubos, saques e vandalismos de toda espécie praticados nos edifícios de instituições religiosas’.
Se passarmos a falar da maneira sionista de conduzirem a guerra, temos a tristeza de constatar que eles rivalizam com os Nacional Socialistas da última guerra mundial, a ponto de que Mr. Neville, Cônsul Geral da França (pessoa suspeita, dada a sua maior simpatia pelo movimento sionista, antes destas hostilidades) declarou solenemente que “vinte e oito dias de guerra e dezessete dias de trégua ensinaram-me mais sobre o Nacional Socialismo do que vinte anos de regime de Hitler.” declaração proferida no nosso Convento de Santo Estevão, no dia 27/6/1.948 e por mim cuidadosamente anotada.
O dia da Independência para os judeus em 1948, deu-se às vésperas do dia estabelecido como a data da Catástrofe palestina – a “Nakba”, em árabe – pela memória de 15 mil mortos e 750 mil expulsos, refugiados (hoje estimados em mais de cinco milhões em todo o mundo), além das mais de 500 vilas destruídas e a continuidade de uma história de despojo ainda persistente.
É necessário esclarecer que a chamada “Questão Palestina” – assim denominada pela Organização das Nações Unidas (ONU) – teve seus pontapés iniciais, num esforço de colonização e avanço imperialista, no final do século 19, com o advento do sionismo. Este empreendimento colonizador, de raízes britânica e francesa, instrumentalizou a religião para legitimar e mobilizar a migração massiva de judeus para os territórios propagandeados como inabitados, ainda que o assentamento dos imigrantes ocorra sobre o massacre de milhares de palestinos e a sua expulsão perpetuada.
As imagens das comemorações massivas do “Dia da Independência” em Israel devem trazer à tona a avaliação histórica das chamadas “guerras de independência” culminantes em 1948 e do fim do Mandato Britânico. A colonização da Palestina foi estabelecida sobre a queda do Império Otomano e da partilha do Oriente Médio entre o Reino Unido e a França, através do Acordo da Ásia Menor, mais conhecido como Acordo Sykes-Picot, concluído em 16 de maio de 1916. O episódio, entretanto, enquadra-se na empreitada pela construção da “Eretz Israel.

Os refugiados palestinos
A declaração de independência foi assinada em 14 de maio de 1948, dia em que, à meia-noite, estava previsto o fim do Mandato Britânico, conforme sugerido pela Resolução 181 das Nações Unidas (o “Plano de Partilha da Palestina”), para a criação de dois Estados. O Estado da Palestina ficou no papel, enquanto a ocupação israelense, sobretudo a partir da Guerra de Junho de 1967, o consumia, ocupando o que restou da palestina (Cisjordânia e Faixa de Gaza) engolindo ainda Jerusalém e territórios dos vizinhos Síria, Egito e Líbano.
Em publicação do jornal britânico “The Guardian” em 30 de abril de 2008, intitulado ‘Nós não estamos celebrando 60º aniversário de Israel’, disponível em: (https://www.theguardian.com/world/2008/apr/30/israelandthepalestinians) é exibido o artigo assinado por 110 renomeadas personalidades judaicas, britânicas, professores, escritores e diversas lideranças internacionais que afirmam que: “Certamente, é chegado o momento de reconhecer a narrativa do outro, o preço pago por outro povo para o anti-semitismo europeu e as políticas genocidas de Hitler. Como Edward Said enfatizou, o que o Holocausto é para os judeus, a Nakba é para palestinos. Ao todo, 750 mil palestinos tornaram-se refugiados. Cerca de 400 aldeias foram varridas do mapa. Isso não acabou com a limpeza étnica. Milhares de palestinos (cidadãos israelenses) foram expulsos da Galiléia em 1956. Muitos milhares mais quando Israel ocupou a Cisjordânia e Gaza. Sob a lei internacional e sancionada pela resolução 194 da ONU, os refugiados de guerra têm direito ao retorno ou a compensação. Israel nunca aceitou este direito. Nós não estaremos celebrando”.
A UNRWA – United Nations Relief and Works Agency for Palestine Refugees – é uma agência das Nações Unidas que dá assistência a cinco milhões de refugiados Palestinos. Mantendo, entre outros serviços, centenas de escolas, clínicas, centros de distribuição de alimentos em 58 campos de refugiados e outros locais no Líbano, Síria, Jordânia, Gaza e Cisjordânia. No website da UNRWA é apresentado quem são os refugiados palestinos e a quantos refugiados palestinos hoje a UMRWA atende. São considerados refugiados da Palestina todos os indivíduos que residiram na Palestina entre junho de 1946 e maio de 1948, que perderam suas casas e meios de subsistência em consequência do conflito árabe-israelense de 1948.

O mito da terra sem povo para um povo sem terra
Shlomo Sand é um historiador israelense, professor de história na Universidade de Tel Aviv e autor dos livros a invenção do povo judeu e invenção da terra de Israel. Shlomo Sand escreve: “Tanto meu apartamento como meu local de trabalho estão localizados sobre as ruínas da aldeia árabe que deixou de existir em 30 de março de 1948. Naquele dia, os últimos amedrontados moradores seguiram a pé pela estrada de terra, levando com eles os pertences que conseguiram carregar, desaparecendo lentamente da vista dos inimigos que haviam cercado a aldeia (…). Na fuga apressada, em terror, deixaram mobília, utensílios de cozinha, malas e trouxas, assim como os antigos moradores, que há muito tempo foram arrancados do local onde hoje vivo e trabalho”.
O povo judeu nunca existiu como um ‘povo-raça’ partilhando uma origem comum. Shlomo Sand revisita a hipótese, já avançada por historiadores dos séculos XIX e XX, segundo a qual os khazares convertidos ao judaísmo seriam a principal origem das comunidades judaicas da Europa de Leste:
‘Os judeus da Europa do Leste são uma mistura de khazares e eslavos rechaçados para o Ocidente. ’ Do ponto de vista do sionismo, este Estado não pertence aos seus cidadãos, mas sim ao povo judeu. Quem conhece as jovens elites entre os árabes de Israel pode constatar que eles não concordam em viver num Estado que proclama que não é o seu. Se fosse palestino rebelar-me-ia contra um tal Estado, mas é também como israelita que me rebelo contra este Estado.
Shlomo Sand afirma que: “Nenhuma população se mantém pura ao longo de um período de milhares de anos. Mas a possibilidade de que os Palestinianos sejam os descendentes do antigo povo da Judeia são bastante maiores que a possibilidade que você ou eu [ambos judeus] o sejamos’.
B’Tselem – The Israeli Information Center for Human Rights in the Occupied Territories contabiliza informações, testemunhos e estatísticas sobre fatos e elementos que parte do cotidiano dos palestinos como na seção de Checkpoints constam 98 Checkpoints fixos e outros que variam entre 361 e 519; demolições de casas – mais de mil casas demolidas deixando milhares de pessoas sem teto e por fim, 800km do muro da separação racial que confiscou 15% da área da Cisjordânia, causando prejuízos para centenas de milhares de palestinos.
A Corte Internacional de Justiça (CIJ), confirmou, apesar das intensas pressões de Israel, EUA e governos da UE (União Européia), que o muro é ilegal.
Limitamo-nos a trazer opiniões, testemunhos e denuncias acerca da questão palestina. Estas denúncias apontam para a verdadeira raiz da questão palestina como sendo simplesmente a criação do estado do Israel sobre os cadáveres dos palestinos e os escombros de 531 aldeias palestinas fato comprovado pelo professor Ian Pappé e confirmado pelas 110 personalidades judaicas britânicas no artigo do “The Guardian”. O direito ao retorno dos refugiados palestinos, ratificada na resolução 194 da ONU, afirma este direito.
O sistema de apartheid e as políticas de discriminação devem terminar, assim como muros, assentamentos ilegais, checkpoints, ocupação militar, prisões administrativas, confisco de terras, demolições de casas e todas as formas de repressão. O retorno dos refugiados palestinos para suas propriedades deve se concretizar. Será utopia um estado democrático laico sem discriminação de raça, cor, etnia ou religião? O estado que trata todos os seus habitantes de forma igual e não há um estado judeu ou dos judeus e estado muçulmano ou dos muçulmanos, mas um estado de todos e para todos os seus cidadãos?

REFERÊNCIAS
POR TRÁS DA MÍDIA MUNDIAL. Disponível em: . Acesso em: 05/08/2017.
PAPPE, ILAN. The ethnic Cleansing of Palestine. ONEWorld Publications. ISBN 978-1-85168-555-4. 2006.

JOSÉ SARAMAGO ENTREVISTA. Disponível em: Acesso em: 06/08/2017.

FREI MARTINHO PENIDO-BURNIER CARTA. Disponível em: , Acesso em 09/08/2017.

UNITED NATIONS RELIEF AND WORKS AGENCY FOR PALESTINE REFUGEES. Disponível em: http://unrwa.org.br/sobre_a_unrwa/. Acesso em 13/07/2017.

THE ISRAELI INFORMATION CENTER FOR HUMAN RIGHTS IN THE OCCUPIED TERRITORIES. Disponível em: . Acesso em 10/08/2017.

Poderosa carta de demissão da ONU, Rima Khalaf, sobre a remoção do relatório do ONU sobre o apartheid

Poderosa carta de demissão da ONU, Rima Khalaf, sobre a remoção do relatório do ONU sobre o apartheid

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Poderosa carta de demissão da ONU, Rima Khalaf, sobre a remoção do relatório do ONU sobre o apartheid

De Jadaliyya

A carta de demissão da Secretária Executiva da ESWA, Rima Khalaf, em resposta ao pedido formal do secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, é que a CESAO retire a publicação de um relatório acadêmico que considera Israel culpado de apartheid.

Caro Sr. Secretário-Geral,

Eu considerei cuidadosamente sua mensagem transmitida através do Chef de Gabinete e asseguro que em nenhum momento eu questionei seu direito de ordenar a retirada do relatório de nosso site ou o fato de que todos nós que trabalham no Secretariado estão sujeitos à autoridade Do seu Secretário-Geral. Também não tenho quaisquer dúvidas quanto ao seu empenho em relação aos direitos humanos em geral ou à sua posição firme em relação aos direitos do povo palestiniano. Eu também entendo as preocupações que você tem, particularmente nestes tempos difíceis que deixam pouca escolha.

Eu não sou alheio aos ataques e ameaças viciosos que a ONU e você pessoalmente sofreram de Estados-Membros poderosos como resultado da publicação do relatório da ESCWA “Práticas israelenses para com o povo palestino e a questão do apartheid”. Não me surpreende que esses Estados-Membros, que agora têm governos que pouco se importam com as normas e os valores internacionais dos direitos humanos, recorram à intimidação quando têm dificuldade em defender as suas políticas e práticas ilegais. É normal que os criminosos pressionem e atacem aqueles que defendem a causa de suas vítimas. Não posso me submeter a essa pressão.

Não por ser um funcionário internacional, mas simplesmente por ser um ser humano decente, creio, como você, nos valores e princípios universais que sempre foram a força motriz do bem na história da humanidade e sobre os quais este Organização das Nações Unidas. Como você, eu acredito que a discriminação contra qualquer pessoa devido à sua religião, cor da pele, sexo ou origem étnica é inaceitável e que tal discriminação não pode ser tornada aceitável pelos cálculos de conveniência política ou política de poder. Eu também acredito que as pessoas não devem ter apenas a liberdade de dizer verdade ao poder, mas têm o dever de fazê-lo.

No espaço de dois meses, você me instruiu a retirar dois relatórios produzidos pela ESCWA, não por culpa dos relatórios e provavelmente não porque você discordasse de seu conteúdo, mas devido à pressão política dos Estados membros que violam gravemente a Direitos da população da região.

Você viu de primeira mão que as pessoas desta região estão passando por um período de sofrimento incomparável em sua história moderna; E que a inundação esmagadora de catástrofes hoje é o resultado de um fluxo de injustiças que foram ignoradas, rebocadas ou abertamente endossadas por poderosos governos dentro e fora da região. Esses mesmos governos são os que te pressionam para silenciar a voz da verdade e o chamado à justiça representado nesses relatórios.

Tendo em conta o que precede, não posso deixar de constatar as conclusões do relatório da CESPAO de que Israel estabeleceu um regime de apartheid que procura a dominação de um grupo racial sobre outro. A evidência fornecida por este relatório elaborado por especialistas de renome é esmagadora. Basta dizer que nenhum dos que atacaram o relatório teve uma palavra a dizer sobre o seu conteúdo. Sinto que é meu dever esclarecer o facto juridicamente inadmissível e moralmente indefensável de que um regime de apartheid ainda existe no século XXI, em vez de suprimir as provas. Ao dizer isso, não reivindico superioridade moral nem propriedade de uma visão mais presciente. Minha posição pode ser informada por toda uma vida de experimentar as terríveis conseqüências de bloquear canais pacíficos para lidar com as queixas das pessoas em nossa região.

Depois de dar a devida consideração, eu percebi que eu também tenho pouca escolha. Não posso retirar mais um trabalho bem documentado e bem documentado da ONU sobre violações graves dos direitos humanos, mas sei que as instruções claras do Secretário-Geral terão de ser implementadas prontamente. Um dilema que só pode ser resolvido pelo meu pisar para baixo para permitir que alguém para entregar o que eu sou incapaz de entregar em boa consciência. Sei que só tenho mais duas semanas para servir; Minha renúncia não se destina, portanto, a uma pressão política. É simplesmente porque sinto que é meu dever para com as pessoas a quem servimos, para com a ONU e para mim, não retirar um testemunho honesto sobre um crime em curso que está na raiz de tanto sofrimento humano. Por conseguinte, submeto-lhe a minha demissão das Nações Unidas.

Respeitosamente

Rima Khalaf

O principal erro da França é renunciar a uma aliança com a Rússia na luta contra o grupo jihadista Estado Islâmico, afirma François Fillon, ex-primeiro-ministro francês e um dos líderes do maior partido de oposição do país.

François Fillon, ex primer ministro de Francia

‘O erro da França é renunciar à aliança com a Rússia contra o Estado Islâmico’

© Sputnik/ Alexei Danichev

MUNDO

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O principal erro da França é renunciar a uma aliança com a Rússia na luta contra o grupo jihadista Estado Islâmico, afirma François Fillon, ex-primeiro-ministro francês e um dos líderes do maior partido de oposição do país.

 

Em entrevista à emissora Europe1, Fillon lamentou que o atual governo francês não tenha uma estratégia militar para combater o Estado Islâmico.

“O erro principal é renunciar a uma aliança com os russos”, declarou.

O Estado Islâmico, que se responsabilizou pelos recentes ataques em Paris, é atualmente uma das ameaças mais graves para a segurança do Oriente Médio e do mundo inteiro.

Os jihadistas controlam várias regiões do Iraque e da Síria, estimadas em 90 mil quilômetros quadrados,  pretendem estender sua influência no norte da África — especialmente na Líbia.

Estima-se que o grupo extremista tenha em suas fileiras entre 50 mil e 200 mil combatentes — muitos deles, de origem estrangeira.

Atualmente, não há uma coalizão única para combater o Estado Islâmico, que enfrenta resistências isoladas das tropas governamentais de Iraque e Síria, de curdos de ambos países e de uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos.

Desde 30 de setembro, a Força Aérea da Rússia vem bombardeando posições do Estado Islâmico a pedido do presidente sírio, Bashar Assad

Clinton: destruir a Síria como “a melhor maneira de ajudar Israel.”

Clinton: destruir a Síria por Israel

 PELO  NO MÉDIO ORIENTE · 59 COMENTÁRIOS

Um recém-lançado e-mail Hilary Clinton confirmou que a administração Obama tenha deliberadamente provocou a guerra civil na Síria como “a melhor maneira de ajudar Israel.”

Em uma indicação de sua natureza assassina e psicopata, Clinton também escreveu que era a “coisa certa” para ameaçar pessoalmente a família de Bashar Assad com a morte.

Clinton-Síria-destruição

No e-mail, divulgado pelo Wikileaks, então Secretário de Estado Clinton diz que a “melhor maneira de ajudar Israel” é “usar a força” na Síria para derrubar o governo.

O documento foi um dos muitos não classificados pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos sob o número F-2014-20439, Doc No. C05794498 , seguindo o alvoroço sobre servidor de e-mail privado de Clinton manteve em sua casa enquanto ela serviu como Secretário de Estado de 2009 a 2013 .

Embora a transcrição Wikileaks data o e-mail em 31 de dezembro de 2000, este é um erro da sua parte, como o conteúdo do e-mail (em particular a referência a maio de 2012 as negociações entre o Irã eo Ocidente sobre seu programa nuclear em Istambul) mostram que o e-mail foi na verdade enviada em 31 de Dezembro de 2012.

O e-mail deixa claro que tem sido a política dos EUA desde o início para derrubar violentamente o governo e síria especificamente para fazer isso porque é do interesse de Israel.

C05794498-1

“A melhor maneira de ajudar a lidar com Israel capacidade nuclear crescente do Irã é ajudar o povo da Síria derrubar o regime de Bashar Assad,” Clinton forthrightly começa por dizer.

Mesmo que um ll relatórios de inteligência dos EUA havia muito tempo rejeitou programa “bomba atômica” do Irã como uma fraude (uma conclusão apoiada pela Agência Internacional de Energia Atômica ), Clinton continua a usar essas mentiras para “justificar” destruir a Síria em nome de Israel.

Ela liga especificamente programa de bomba atômica mítica do Irã para a Síria, porque, diz ela, o programa “bomba atômica” do Irã ameaça “monopólio” de Israel sobre armas nucleares no Oriente Médio.

LER   austríaca editor despedido por Dizendo Verdade

Se o Irã para adquirir uma arma nuclear, Clinton afirma, isso permitiria que a Síria (e outros “adversários de Israel”, como Arábia Saudita e Egito) para “ir nuclear, bem como,” tudo o que ameaçaria os interesses de Israel.

Portanto, Clinton, diz, a Síria tem de ser destruído.

o programa nuclear iraniano e a guerra civil da Síria pode parecer desconexo, mas eles são. O que os líderes militares israelenses realmente se preocupar – mas não pode falar – está a perder o seu monopólio nuclear.

Uma capacidade iraniana de armas nucleares não só acabar com esse monopólio nuclear, mas também poderia rápidas outros adversários, como Arábia Saudita e Egito, para ir nuclear. O resultado seria um equilíbrio nuclear precária em que Israel não poderia responder a provocações com ataques militares convencionais sobre a Síria eo Líbano, como pode hoje.

 

 

Se o Irão vier a atingir o limiar de um Estado com armas nucleares, Teerã iria encontrá-lo muito mais fácil para chamar seus aliados na Síria e Hezbollah para atacar Israel, sabendo que suas armas nucleares serviria como um elemento dissuasor para Israel responder contra o próprio Irã.

É, Clinton continua, a “relação estratégica entre o Irã eo regime de Bashar Assad na Síria”, que torna possível para o Irã para minar a segurança de Israel.

Isto não se daria através de um “ataque direto”, Clinton admite, porque “nos trinta anos de hostilidade entre o Irã e Israel” isso nunca ocorreu, mas através de suas alegadas “proxies”.

O fim do regime de Assad terminaria esta aliança perigosa. a liderança de Israel entende bem por que derrotar Assad está agora em seus interesses.

Derrubar Assad não só seria um benefício enorme para a segurança de Israel, ele também iria aliviar o medo compreensível de perder seu monopólio nuclear de Israel.

Então, Israel e os Estados Unidos pode ser capaz de desenvolver uma visão comum de que o programa iraniano é tão perigoso que a ação militar poderia ser justificada.

Clinton passa a ativo que ameaçam diretamente Bashar Assad “e sua família” com a violência é a “coisa certa” para fazer:

Em suma, a Casa Branca pode aliviar a tensão que se desenvolveu com Israel sobre o Irã por fazer a coisa certa, na Síria.

Com sua vida e sua família em risco, somente a ameaça ou uso da força vai mudar a mente de o ditador sírio Bashar Assad.

O e-mail prova, como se fosse necessário, mais isso prova que o governo dos EUA tem sido o principal patrocinador do crescimento do terrorismo no Oriente Médio, e todos, a fim de “proteger” Israel.

LER   Euro Polícia Chamada de segregação racial como a violência étnica irrompe na Invader Camps

É também um pensamento preocupante para considerar que a crise “refugiado” que atualmente ameaça destruir a Europa, foi diretamente desencadeou por esta ação do governo dos EUA, bem como, na medida em que existem quaisquer verdadeiros refugiados que fogem da guerra civil na Síria.

Além disso, mais de 250.000 pessoas foram mortas no conflito sírio, que se espalhou para o Iraque-tudo graças a Clinton ea administração Obama apoiando os “rebeldes” e alimentar as chamas da guerra na Síria.

A possibilidade real e preocupante que um psicopata como Clinton, cuja política causou morte e miséria e milhões de pessoas-pode se tornar o próximo presidente dos Estados Unidos é o pensamento mais profundamente chocante de tudo.

Afirmação pública de Clinton que, se eleito presidente, ela iria ” levar o relacionamento com Israel para o próximo nível “, seria definitivamente marcá-la, e Israel, como o inimigo não apenas de alguns estados árabes no Oriente Médio, mas de todos da paz amar as pessoas na terra.

ISIS: O “inimigo” Os EUA criaram, armaram, e Financiaram

Tyler Durden's picture
02 de janeiro de 2016 23:00

Enviado por Robert Fantina via TheAntiMedia.org,

Do nada, ao que parece, Daesh, também comumente referido como ISIL ou ISIS, formaram espontaneamente, um grupo que perverte aspectos do Islã para seus próprios fins violentos, e ameaça, nos é dito, tudo o que o mundo civilizado tem de mais caro.

A “guerra ao terror”, os governos informarem os seus cidadãos, tem uma nova frente. E nessa frente é Daesh.

Deixe-nos não ser demasiado apressada. As coisas nem sempre são o que parecem. Daesh está bem financiada, e que o dinheiro deve estar vindo de algum lugar diferente de uma banda ralé de descontentes. soldados Daesh avançaram armas e métodos de comunicação sofisticados. Eles têm tanques e veículos blindados. Nenhum deles pode ser obtida sem um financiamento significativo. Embora a fonte é bastante ilusória, há alguma evidência de que levará a uma trilha.

Em primeiro lugar, temos de olhar para as origens de Daesh, e mesmo que não é facilmente discernível. Escrevendo para o The Guardian, em agosto de 2014, Ali Khedery sugere :

“Principalmente, Isis é o produto de um genocídio que continuou inabalável como o mundo ficou para trás e assisti. É o filho ilegítimo nascido do ódio puro e puro medo – o resultado de 200.000 sírios assassinados e de milhões deslocados e divorciados de suas esperanças e sonhos. A ascensão de Isis também é um lembrete de como abraço maquiavélica de Bashar al-Assad da al-Qaida iria voltar para assombrá-lo.

 

De frente para serviços militares e de inteligência de Assad, do Líbano Hezbollah, milícias xiitas islâmicos do Iraque e sua grande patrono, Guarda Revolucionária do Irã, os manifestantes inicialmente pacíficos da Síria rapidamente tornou-se desencantado, desiludido e marginalizados – e depois radicalizou e violentamente militante “.

É interessante que o Sr. Khedery diz que “abraço da al-Qaida” de Assad voltou para assombrá-lo. Ele traz à mente uma situação paralela nos Estados Unidos. (Na verdade, existem muitos, mas vamos olhar para apenas uma.)

Examinando as teorias sobre as origens da Daesh

No início de 1960, quando a liderança dos Estados Unidos suportado do Iraque estava se tornando um pouco grande demais para suas calças – pelo menos na visão dos Estados Unidos – emquerer desafiar Israel como um jogador importante no Oriente Médio, os EUA decidiram que seu líder, Abdel Karim Kassem, tinha que ir. Selecionando uma festa virulento anti-comunista para lançar o seu apoio a, os EUA trabalharam de perto com um jovem chamado Saddam Hussein. Nós todos sabemos o quão bem que finalmente funcionou. A fonte de muito, mas não todos, da instabilidade no Oriente Médio hoje pode ser rastreada até que a decisão dos EUA.

Outras teorias sobre a formação de Daesh também valem a pena considerar. Yasmina Haifi, um funcionário sênior do Centro de Segurança Cibernética Nacional do Ministério da Justiça holandês do, afirmou que Daesh foi criado por sionistas que procuram dar o Islã uma má reputação. “ISIS não tem nada a ver com o Islã. É parte de um plano de sionistas que estão deliberadamente tentando manchar o nome do Islã “, escreveu ela no Twitter, em agosto de 2014.

E, finalmente, ele foi mais do que sugeriu que Daesh “é made-in-the-EUA, um instrumento de terror projetados para dividir e conquistar, rica em petróleo do Oriente Médio e para combater a crescente influência do Irã na região”, como Garikai Chengu , um estudioso pesquisa na Universidade de Harvard, colocá-lo em setembro de 2014.

No entanto, se o papel dos Estados Unidos não era tão flagrante, ele certamente existiu, de acordo com Seumas Milne, editor colunista e associado da The Guardian. Ele argumentouem um artigo de opinião de junho:

“[O] EUA e seus aliados foram não só apoiar e armar uma oposição que sabiam a ser dominada por grupos sectários extremas; eles estavam preparados para aprovar a criação de uma espécie de “Estado islâmico” – apesar da “grave perigo” para a unidade do Iraque – como um tampão sunita para enfraquecer a Síria . “

Não importa como se olha para ela, há muitas causas possíveis que gerou Daesh. Quando olhamos para suas fontes de financiamento, tudo pode se tornar mais clara.

Financiamento e material, cortesia do Tio Sam e seus amigos

No papel de Daesh como se opondo a Síria (apenas um de seus muitos papéis) se acredita que a organização terrorista ter recebido financiamento da Arábia Saudita, Kuwait, Qatar e os Emirados Árabes Unidos , como parte de sua oposição ao regime de Assad.

Mas também gera sua própria renda, ter assumido o controle das empresas locais, a tributação de outros, e venda de petróleo. Entre os seus clientes , incrivelmente, é a Síria. Desde Daesh controla grande parte da infra-estrutura de produção de petróleo no país, a Síria tem pouca escolha a não ser comprar petróleo desde o grupo que busca derrubar seu governo.

Relatórios indicam também que Israel é o principal comprador de petróleo Daesh . A venda não é direta; óleo é contrabandeada por traficantes curdos e turcos, e depois negociadores turcos e israelenses determinar o preço. Como resultado dessas vendas de petróleo, Daesh tem receitas anuais estimadas em $ 500.000.000 , de acordo com dados compilados pelo Tesouro dos EUA.

Em novembro deste ano, o presidente russo, Vladimir Putin afirmou que Daesh está sendo financiado em pelo menos 40 países – incluindo membros do G20. Com esse financiamento generalizada, será difícil de derrotar Deash.

Os EUA, na sua política externa equivocada e destrutiva para o Oriente Médio (suas políticas externas equivocadas e destrutivas para com o resto do mundo são tópicos para uma discussão em separado), também fornecidos Daesh com um vasto arsenal.

No ano passado, o Departamento de Defesa, comentando sobre os avanços contra este novo “inimigo” no Iraque, emitiu um comunicado : “Os três greves destruiu três veículos armados Isil e ISIL arma de artilharia anti-aeronaves montadas em veículos, um posto de controle ISIL e . uma colocação IED “Comentando sobre essa afirmação no Alternet, Alex Kane escreveu :

“O que passou não mencionado pelo Pentágono é que esses veículos armados e armas de artilharia bombardearam foram provavelmente pagos com o dinheiro dos impostos americanos . Os braços ISIS possui são uma outra forma sombria do blowback da invasão americana do país (Iraque) em 2003. É semelhante à forma como a intervenção dos EUA na Líbia, que derrubou o ditador Muammar Gaddafi, mas também desestabilizou o país, vamos a uma inundação de armas aos militantes em Mali, onde a França e os EUA declararam guerra em 2013. “

Os EUA deixaram quantidades incalculáveis ​​de armamento no Iraque, e como o país entrou em guerra civil seguinte salvação impar dos Estados Unidos do mesmo, que o armamento era livre para a tomada.

Assim, mesmo se, como sugerido acima, os EUA não dão à luz Daesh, tem certamente alimentados-lo.

A-carrossel que nunca pára de fiação

É interessante notar que os contribuintes norte-americanos estão gastando US $ 615.482 a cada hora para lutar uma “guerra” em que o “inimigo” está sendo bem-financiado pelos países com os quais os EUA têm relações diplomáticas plenas. Será que isto não fazer parecer que “vitória” sobre este inimigo não é o objetivo? Com muitos países o financiamento e fornecimento de Daesh, pode o maior fornecedor mundial de armamento , os EUA, não estar muito interessado em perder um mercado tão lucrativo? É interessante notar que dos Estados Unidos “militares estrangeiras vendas subiu para um recorde de US $ 46,6 bilhões no ano fiscal de 2015.” Com esse dinheiro vaca saudável, iria poder-corretores do país realmente quer acabar com a guerra? Por que matar a galinha que está colocando esses ovos consideravelmente dourado?

Como os EUA e seus aliados infelizes continuar esta “guerra ao terror”, um mal definido e nebulosa “inimigo” se alguma vez houve um, Síria e Iêmen parecem estar arcando com o ônus da violência. Como em toda guerra moderna, pelo menos desde a Primeira Guerra Mundial, homens inocentes, mulheres e crianças são as vítimas mais frequentes , sofrendo indescritivelmente e morrendo mortes horríveis. E, de alguma forma, máquina militar mais poderosa do mundo, de propriedade e operados por os EUA, é incapaz de derrotar Daesh. Ele deve, portanto, continuar a armar seus aliados, que estão armando Daesh. Assim, os EUA oferece financiamento para os países para combater Deash; alguns desses países transferir dinheiro e armamentos para Daesh, que os EUA estão a bombardear. E parece que este mortal merry-go-round continuará seu giro interminável.

E por que não deveria? Os Estados Unidos podem, com cada vez menor credibilidade, fingir para ficar como um farol de liberdade e liberdade, revolucionários armar e desestabilizar governos que desagradam-lo, enquanto armando aliados do país na revolução, que por sua vez ajudar naquele país. Portanto, esta “guerra contra o terror” nunca termina, e nem os lucros abundantes de tomada de guerra.

E quando a posse da superioridade moral é apenas uma ilusão, quando retórica vomitada da boca de políticos hipócritas para obter a cidadania para embrulhar-se na bandeira e derramar uma lágrima por torta de maçã, maternidade e Old Glory, e quando o todo-poderoso dólar é sempre a linha de fundo, nada vai mudar.

America Criuo Al-Qaeda e o Grupo terrorista isis

America Criuo Al-Qaeda e o  Grupo terrorista isis

artigo incisivo publicado originalmente pelo GR em setembro de 2014. ataques terroristas ou fuzilamentos em massa supostamente perpetrados pelo ISIS, a pergunta que deve ser feita: quem são os Estados patrocinadores do Al Qaeda eo ISIS? (M.Ch. GR Editor).

Muito parecido com a Al Qaeda, o Estado Islâmico (ISIS) é made-in-the-EUA, um instrumento de terror projetados para dividir e conquistar, rica em petróleo do Oriente Médio e para combater a crescente influência do Irã na região.

O fato de que os Estados Unidos têm uma longa história e tórrido de apoiar grupos terroristas só vai surpreender aqueles que assistir ao noticiário e ignorar a história.

A CIA se alinhou pela primeira vez com Islã extremista durante a Guerra Fria. Naquela época, a América viu o mundo em termos bastante simples: de um lado, o nacionalismo União Soviética e do Terceiro Mundo, que a América considerado como uma ferramenta Soviética; do outro lado, as nações ocidentais e islamismo militante político, que a América considerado um aliado na luta contra a União Soviética.

O diretor da Agência de Segurança Nacional sob Ronald Reagan, o general William Odom observou recentemente, “por qualquer medida os EUA têm usado por muito tempo o terrorismo. Em 1978-1979 o Senado estava tentando aprovar uma lei contra o terrorismo internacional – em cada versão que eles produziram, os advogados disseram que os EUA seria uma violação “.

Durante a década de 1970 a CIA usou a Irmandade Muçulmana no Egito como uma barreira, tanto para impedir a expansão soviética e impedir a propagação da ideologia marxista entre as massas árabes. Os Estados Unidos também apoiaram abertamente Sarekat Islã contra Sukarno na Indonésia, e apoiou o grupo terrorista Jamaat-e-Islami contra Zulfiqar Ali Bhutto no Paquistão. Por último, mas certamente não menos importante, há Al Qaeda.

Para que não esqueçamos, a CIA deu à luz a Osama Bin Laden e amamentado sua organização durante a década de 1980. O secretário do Exterior britânico anterior, Robin Cook, disse à Câmara dos Comuns que a Al Qaeda foi sem dúvida um produto das agências de inteligência ocidentais. Cook explicou que a Al-Qaeda, que significa literalmente uma abreviatura de “banco de dados” em árabe, era originalmente a base de dados informatizada dos milhares de extremistas islâmicos, que foram treinados pela CIA e financiados pelos sauditas, a fim de derrotar o russos no Afeganistão.

relação da América com a Al Qaeda tem sido sempre um caso de amor e ódio. Dependendo se um grupo terrorista específica Al Qaeda em uma determinada região favorece os interesses americanos ou não, o Departamento de Estado dos EUA, quer fundos ou agressivamente alvos que grupo terrorista. Mesmo que os fabricantes de política externa norte-americanos afirmam se opor extremismo muçulmano, eles conscientemente fomentar-lo como arma de política externa.

O Estado Islâmico é a sua mais recente arma que, assim como Al Qaeda, é, certamente, frustrada. ISIS recentemente subiu à proeminência internacional, após seus bandidos começaram a decapitação de jornalistas norte-americanos. Agora, o grupo terrorista controla uma área do tamanho do Reino Unido.

A fim de entender por que o Estado Islâmico cresceu e floresceu tão rapidamente, a pessoa tem que dar uma olhada em raízes apoiado pelos americanos da organização. A invasão de 2003 americanos e ocupação do Iraque criou as pré-condições para grupos sunitas radicais, como a ISIS, para se enraizar.América, em vez imprudentemente, destruiu secular máquina estatal de Saddam Hussein e substituiu-o com uma administração predominantemente xiita. A ocupação norte-americana causou grande desemprego em áreas sunitas, ao rejeitar o socialismo e do encerramento de fábricas na esperança ingênua de que a mão mágica do livre mercado criaria empregos. Sob o novo regime xiita apoiado pelos Estados Unidos, perderam centenas de milhares de empregos da classe trabalhadora de sunitas. Ao contrário dos Afrikaners brancos na África do Sul, que foram autorizados a manter a sua riqueza depois da mudança de regime, classe alta de sunitas foram sistematicamente despojados dos seus bens e perderam a sua influência política. Ao invés de promover a integração religiosa e unidade, a política americana no Iraque exacerbou as divisões sectárias e criou um terreno fértil para breading descontentamento sunita, a partir do qual Al Qaeda no Iraque criou raízes.

O Estado Islâmico do Iraque e da Síria (ISIS) costumava ter um nome diferente: Al Qaeda no Iraque.Depois de 2010 o grupo rebatizou e reorientada seus esforços na Síria.

Existem essencialmente três guerras travadas na Síria: um entre o governo e os rebeldes, um outro entre o Irã e Arábia Saudita, e ainda um outro entre a América ea Rússia. É este terceiro, batalha da guerra neo-Fria que fez US decisores políticos estrangeiros decidir correr o risco de armar os rebeldes islâmicos na Síria, porque o presidente sírio, Bashar al-Assad, é um aliado-chave da Rússia. Em vez embaraçosamente, muitos desses rebeldes sírios têm agora acabou por ser bandidos ISIS, que estão brandindo abertamente fuzis de fabricação americana de assalto M16.

política no Oriente Médio dos Estados Unidos gira em torno do petróleo e Israel. A invasão do Iraque tem sede parcialmente satisfeito de Washington para o petróleo, mas os ataques aéreos em curso na Síria e as sanções econômicas contra o Irã têm tudo a ver com Israel. O objetivo é privar os inimigos vizinhos de Israel, o Hezbollah no Líbano eo Hamas da Palestina, do apoio sírio e iraniano crucial.

ISIS não é meramente um instrumento de terror utilizada pela América para derrubar o governo sírio; ele também é usado para colocar pressão sobre o Irã.

A última vez que o Irã invadiram outra nação foi em 1738. Desde a independência em 1776, os EUA tem sido envolvida em mais de 53 invasões militares e expedições. Apesar do que a guerra da mídia ocidental chora nos querem fazer crer, o Irã não é claramente a ameaça à segurança regional, Washington é. Um relatório de inteligência publicado em 2012, endossado por todas as agências de inteligência dos EUA dezesseis, confirma que o Irã encerrou seu programa de armas nucleares em 2003. A verdade é que qualquer ambição nuclear iraniana, real ou imaginária, é como um resultado da hostilidade americana em relação ao Irã, e não o contrário.

América está usando ISIS de três maneiras: para atacar seus inimigos no Oriente Médio, para servir como um pretexto para a intervenção militar dos EUA no exterior, e em casa para fomentar uma ameaça doméstica fabricada, usada para justificar a expansão sem precedentes de vigilância doméstica invasivo.

Ao aumentar rapidamente, tanto sigilo e vigilância do governo, o governo de Obama está aumentando seu poder de assistir seus cidadãos, enquanto diminui o poder dos seus cidadãos de assistir ao seu governo. O terrorismo é uma desculpa para justificar a vigilância em massa, em preparação para a revolta de massas.

A chamada “Guerra ao Terror” deve ser visto pelo que realmente é: um pretexto para a manutenção de um militar norte-americana perigosamente grandes dimensões. Os dois grupos mais poderosos do establishment da política externa dos EUA são o lobby de Israel, que dirige a política americana para o Oriente Médio, e o complexo militar-industrial-Complex, que lucra com as ações do ex-grupo. Desde George W. Bush declarou a “guerra contra o terror” em Outubro de 2001, que custou ao contribuinte americano aproximadamente 6,6 trilhão de dólares e milhares de filhos e filhas caídos; mas, as guerras também arrecadou bilhões de dólares para elite militar de Washington.

Na verdade, mais de setenta empresas e indivíduos norte-americanos ganharam até US $ 27 bilhões em contratos de trabalho no Iraque pós-guerra e no Afeganistão durante os últimos três anos, de acordo com um estudo recente do Centro para a Integridade Pública. De acordo com o estudo, cerca de 75 por cento destas empresas privadas tiveram funcionários ou membros do conselho, que seja servido em, ou tiveram laços estreitos com o poder executivo das administrações republicanas e democratas, membros do Congresso, ou os mais altos níveis do militares.

Em 1997, um relatório do Departamento de Defesa dos Estados Unidos declarou, “os dados mostram uma forte correlação entre o envolvimento dos EUA no exterior e um aumento nos ataques terroristas contra os EUA” A verdade é que a única maneira de os Estados Unidos podem vencer a “guerra ao terror” é se ele pára de dar terroristas a motivação e os recursos necessários para atacar a América. O terrorismo é o sintoma; imperialismo norte-americano no Oriente Médio é o câncer. Simplificando, a guerra contra o terrorismo é terrorismo; somente, ele é conduzido em uma escala muito maior por pessoas com jatos e mísseis.

Garikai Chengu é um estudioso pesquisa na Universidade de Harvard. Contacte-lo emgarikai.chengu@gmail.com

A fonte original deste artigo é Global Research
Copyright © Garikai Chengu , Global Research, 2016

Como Israel terceiriza tortura para seu subcontratado palestino

Na sexta-feira, fevereiro 26, 2016 em Notícias .

 

Como Israel terceiriza tortura para seu subcontratado palestino

Quando a Autoridade Palestina faz o trabalho sujo de Israel, é alguma surpresa que tantos palestinos não diferenciar entre os dois?

Por Hagar Shezaf

policiais palestinos bloquear manifestantes durante uma manifestação contra a visita do presidente dos EUA, Barak Obama para a Cisjordânia, Ramallah, 21 de março de 2013. (Foto: Keren Manor / Activestills.org)

policiais palestinos bloquear manifestantes durante uma manifestação contra a visita do presidente dos EUA, Barak Obama para a Cisjordânia, Ramallah, 21 de março de 2013. (Foto: Keren Manor / Activestills.org)

 

Como a mais recente onda de violência eclodiu, eu dirigi para cobrir uma manifestação na cidade do banco ocidental de Al-Bireh, adjacente a Ramallah. Durante uma de minhas entrevistas, um homem de 20 anos de idade, me disse que ele eo resto dos manifestantes foram se levante contra o “regime”. “Qual o regime?”, Perguntamos.“Ambos – eles são a mesma coisa”, disse ele enquanto ele ria e fugiu. A noção de que a Autoridade Palestina e Israel são uma ea mesma coisa se repetiu durante as entrevistas com vários ativistas políticos na Cisjordânia.

Coordenação de segurança entre Israel e a Autoridade Palestina tem estado no centro do debate público, tanto na Cisjordânia e Israel  ao longo dos últimos meses. De ameaças Mahmoud Abbas para pôr fim à coordenação para a posição tomada pelo Shin Bet (Agência de Segurança de Israel), segundo a qual o PA faz todo o possível para reprimir protestos na Cisjordânia, parece que este é um dos mais político central questões na sociedade palestina hoje.

Um novo relatório por organizações israelenses de direitos humanos B’Tselem e Hamoked , que detalha alegado abuso e tortura de prisioneiros palestinos nas instalações de interrogatório do Shin Bet “Shikma”, nos dá outro olhar sobre essa coordenação de segurança. Segundo o relatório, um terço (39) dos prisioneiros palestinos entrevistados para o relatório foram presos pelas forças de segurança palestinas antes de sua detenção e interrogatório pelo Shin Bet de Israel.

Vinte e seis dos detidos disseram as organizações que o Shin Bet estava na posse de registros de interrogatório da Autoridade Palestina, dos quais 22 disseram que os interrogadores israelenses lhes disse explicitamente que o PA tinha entregado os registros para o Shin Bet.

activistas israelitas participar numa acção protestando contra o uso da tortura, de 2011. (foto: Oren Ziv / Activestills.org)

 

activistas israelitas participar numa acção protestando contra o uso da tortura, de 2011. (foto: Oren Ziv / Activestills.org)

 

Em 22 dos 39 desses casos, os interrogadores israelenses disseram os detidos que tinham os registros de interrogatório da Autoridade Palestina em sua posse, às vezes confissões produzindo mesmo que tinham sido assinados para o PA.

Um dos detidos, Adi ‘Awawdeh, um estudante de 21 anos de idade, de Karmah, descreve como ele foi preso novamente por Israel, poucos dias depois de ser libertado a partir de 70 dias de detenção, que incluíam a tortura, sob a Autoridade Palestina:

 

Meu fi le estava preparado e tudo feito, porque o interrogador [israelense] me a fi le que ele recebeu do PA mostrou. Vi meus fi impressões digitais lá. O interrogador disse: “Aqui está o seu fi le. Está tudo pronto. Você quer acrescentar alguma coisa e salvar-nos algum tempo?

“interesses compartilhados”

Estes testemunhos refletir a natureza da coordenação entre o exército israelense eo PA , que Maj. Tali Kvitoro, um oficial da Coordenação Distrital e de Ligação (DCL) em Jenin, apelidado de “contacto indirecto.” Em um artigo publicado em 2011, Kvitoro entra em detalhes sobre como os interesses de Israel e da Autoridade Palestiniana de segurança partilhados levou a um sistema em que o IDF transfere inteligência sobre as agências de segurança a do PA “, sobre a existência de um laboratório de fabrico de bombas em Nablus, por exemplo, que é então destruído pelas forças de segurança palestinas. “Assim, Israel ea transferência de inteligência PA entre si em uma base regular, com este último que realizam detenções e outras acções em vez de as forças de segurança de Israel.

Esta coordenação forte esquema de segurança tornou-se parte integrante da regra Mahmoud Abbas . No mesmo artigo, Kvitoro descreve aumento de Abbas como um ponto de viragem significativa: “A partir de 10 anos de crise para os interesses de segurança comuns”. Esta nova era trouxe uma reforma no setor de segurança palestino apoiado pelos EUA, de tal forma que combinava com a Palestina compromissos da autoridade apresentado em do presidente Bush “roteiro para a paz.”

Foto ilustrativa de prisioneiros palestinos em uma prisão militar de Israel (por ChameleonsEye / Shutterstock.com)

 

Foto ilustrativa de prisioneiros palestinos em uma prisão militar de Israel (por ChameleonsEye / Shutterstock.com)

 

ascensão do Hamas ao poder na Faixa de Gaza causou a CIA para aprofundar e reforçar o seu apoio – sob os auspícios do general Dayton – no desenvolvimento da força palestina Preventiva de Segurança (a cargo da “guerra contra o terror”) e do Serviço Geral de Inteligência. Mesmo assim, os EUA foi fortemente criticado por apoiar agências que torturaram detidos.

Voltar para o relatório: o fato de que o PA utiliza a tortura não é nova. Ao longo de 2015, a Comissão Independente para os Direitos Humanos (IHCR), instituição nacional da Autoridade Palestina direitos humanos, recebeu 292 denúncias de tortura nas suas prisões e centros de interrogatório em toda a Cisjordânia. Só se pode assumir que o número real é muito maior. Também é nenhum segredo grande que o Shin Bet usa tortura, com dezenas de relatórios de organizações israelenses e palestinos sobre o uso da agência de privação do sono, violência e abuso.

O que é interessante no novo relatório é o fato de que ele aponta para a conexão entre os torturadores. É surpreendente descobrir até que ponto os registros de interrogatório PA – que foram extraídas mediante tortura – são utilizados por autoridades israelenses.

“Fui torturado pela PA, eles me desliguei por alguns dias. Eles iriam enforcá-lo a partir da janela, da janela moldura superior (pelas mãos), com os pés no ar, você mal podia chegar ao chão com as pontas dos dedos dos pés “, diz 20-year-old Muhammad ‘Asi , de Beit Liqya. “Eles me deixaram descansar apenas duas ou três horas … O interrogador [israelense] disse explicitamente que ele queria me mostrar o quanto melhor eles são. Isso significa que ele sabe como me foi interrogado e torturado pela PA “.

inspiração americana

O uso da tortura tem provado uma e outra vez para ser uma maneira eficiente de obter confissões forçadas. Não é, no entanto, a forma mais eficiente de obtenção de informação fiável. Em dezembro passado, professor de pesquisa do cérebro experimental Shane O’Mara publicou um livro intitulado “Por que a tortura não funciona”. Um dos argumentos centrais do livro é que a força extrema infligida ao cérebro e do corpo durante a tortura na verdade faz com que eles colapso, transformando o detido em uma fonte de informação confiável. O livro também reacendeu o debate público sobre os métodos de tortura da CIA, que foram utilizados seguintes 9/11 sobre os detidos na Baía de Guantanamo, Iraque, Afeganistão e Egito.

Israel usa confissões que foram extraídos usando tortura nas prisões PA, incluindo pendurado detentos do teto-los trancando-os em um quarto de congelamento durante horas. De acordo com um dos testemunhos, um interrogador israelense chegou a ameaçar um detento que se ele não confessar, o PA seria re-prendê-lo.

foto ilustrativa de protestos contra a Guantanamo (Foto por Lilac Montanha / Shutterstock.com)

 

foto ilustrativa de protestos contra a Guantanamo (Foto por Lilac Montanha / Shutterstock.com)

 

Semelhante às instalações de interrogatório da CIA no Egito e no Afeganistão, o relatório mostra que os casos mais horríveis de tortura não foram cometidos pelos interrogadores israelenses, mas sim pela própria Autoridade Palestina. Embora o relatório não discute quem está por trás das prisões por parte da PA, a percentagem relativamente elevada de casos em que interrogadores israelenses disseram os detidos que seus registros de interrogatório veio direto do PA oferece um olhar para o quão sistemática coordenação da segurança é quando se trata a confissões forçadas.

A capacidade de usar registros de interrogatório recolhidos por meio de tortura sem realmente recorrer aos detidos abusando é uma das principais razões por que muitos vêem o PA como nada mais do subcontratante de Israel.

Hagar Shezaf é um jornalista israelense com base em Jaffa. Este artigo foi publicado em hebraico on Call Local. Leia-o aqui .

Chomsky: ‘Este é o momento mais crítico na história da humanidade’

Chomsky: ‘Este é o momento mais crítico na história da humanidade’

Chomsky repassa as principais tendências do cenário internacional, a escalada militarista do seu país e os riscos crescentes de guerra nuclear.

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Agustín Fernández Gabard e Raúl Zibechi – La Jornada

Ministerio de Cultura de la Nación Argentina / Flickr

“Os Estados Unidos sempre foram uma sociedade colonizadora. Inclusive antes de se constituírem como Estado já trabalhavam para eliminar a população indígena, o que significou a destruição de muitas nações originárias”, como bem lembra o linguista e ativista estadunidense Noam Chomsky, quando se pede que descreva a situação política mundial. Crítico feroz da política externa de seu país, ele recorda 1898, quando ela apontou seus dardos ao cenário internacional, com o controle de Cuba, “transformada essencialmente numa colônia”, e logo nas Filipinas, “onde assassinaram centenas de milhares de pessoas”.

Chomsky continua seu relato fazendo uma pequena contra-história do império: “roubou o Havaí da sua população originária 50 anos antes de incorporá-lo como um dos seus estados”. Imediatamente depois da II Guerra Mundial, os Estados Unidos se tornaram uma potência internacional, “com um poder sem precedente na história, um incomparável sistema de segurança, controlando o hemisfério ocidental e os dois grandes oceanos. E, naturalmente traçou planos para tentar organizar o mundo conforme a sua vontade”.

Contudo, ele aceita que o poder da superpotência diminuiu com respeito ao que tinha em 1950, o auge da sua hegemonia, quando acumulava 50% do produto interno bruto mundial, muito mais que os 25% que possui agora. Ainda assim, Chomsky lembra que “os Estados Unidos continua sendo o país mais rico e poderoso do mundo, e incomparável a nível militar”.

Um sistema de partido único

Em algum momento, Chomsky comparou as votações em seu país com a eleição de uma marca de pasta de dentes num supermercado. “Nosso país tem um só partido político, o partido da empresa e dos negócios, com duas facções, democratas e republicanos”, proclama. Mas ele acredita que já não é possível continuar falando dessas duas velhas coletividades políticas, já que suas tradições sofreram uma mutação completa durante o período neoliberal.

Chomsky considera que “os chamados democratas não são mais que republicanos modernos, enquanto a antiga organização republicana ficou fora do espectro, já que ambas as vertentes se moveram muito mais à direita durante o período neoliberal – algo que também aconteceu na Europa”. O resultado disso é que os novos democratas de Hillary Clinton adotaram o programa dos velhos republicanos, enquanto estes foram completamente dominados pelos neoconservadores. “Se você olha os espetáculos televisivos onde dizem debater política, verá como somente gritam entre eles e as poucas políticas que apresentam são aterrorizantes”.

Por exemplo, ele destaca que todos os candidatos republicanos negam que o aquecimento global ou são céticos – não o negam mas dizem que os governos não precisam fazer algo a respeito. “Entretanto, o aquecimento global é o pior problema que a espécie humana terá pela frente, e estamos nos dirigindo a um completo desastre”. Em sua opinião, as mudanças no clima têm efeitos comparáveis somente com os da guerra nuclear. Pior ainda, “os republicanos querem aumentar o uso de combustíveis fósseis. Esse não é um problema de centenas de anos, mas sim um criado pelas últimas duas gerações”.

A negação da realidade, que caracteriza os neoconservadores, responde a uma lógica similar à que impulsiona a construção de um muro na fronteira com o México. “Essas pessoas que tratamos de distanciar são as que fogem da destruição causada pelas políticas estadunidenses”.

“Em Boston, onde vivo, o governo de Obama deportou um guatemalteco que viveu aqui durante 25 anos, ele tinha uma família, uma empresa, era parte da comunidade. Havia escapado da Guatemala destruída durante a administração de Reagan. A resposta a isso é a ideia de construir um muro para nos prevenir. Na Europa acontece o mesmo. Quando vemos que milhões de pessoas fogem da Líbia e da Síria para a Europa, temos que nos perguntar o que aconteceu nos últimos 300 anos para chegar a isto”.

Invasões e mudanças climáticas se retroalimentam

Há apenas 15 anos, não existia o tipo de conflito que observamos hoje no Oriente Médio. “É consequência da invasão estadunidense ao Iraque, que é o pior crime do século. A invasão britânica-estadunidense teve consequências horríveis, destruíram o Iraque, que agora está classificado como o país mais infeliz do mundo, porque a invasão cobrou a vida de centenas de milhares de pessoas e gerou milhões de refugiados, que não foram acolhidos pelos Estados Unidos, e tiveram que ser recebidos pelos países vizinhos pobres, obrigados a recolher as ruínas do que nós destruímos. E o pior de tudo é que instigaram um conflito entre sunitas e xiitas que não existia antes”.

As palavras de Chomsky recordam a destruição da Iugoslávia durante os Anos 90, instigada pelo ocidente. Assim como Sarajevo, ele destaca que Bagdá era uma cidade integrada, onde os diversos grupos culturais compartilhavam os mesmos bairros e se casavam membros de diferentes grupos étnicos e religiosos. “A invasão e as atrocidades que vimos em seguida fomentaram a criação de uma monstruosidade chamada Estado Islâmico, que nasce com financiamento saudita, um dos nossos principais aliados no mundo”.

Um dos maiores crimes foi, em sua opinião, a destruição de grande parte do sistema agrícola sírio, que assegurava a alimentação do país, o que conduziu milhares de pessoas às cidades, “criando tensões e conflitos que explodiram após as primeiras faíscas da repressão”.

Uma das suas hipóteses mais interessantes consiste em comparar os efeitos das intervenções armadas do Pentágono com as consequências do aquecimento global.

Na guerra em Darfur (Sudão), por exemplo, convergiram os interesses das potências ocidentais e a desertificação que expulsa toda a população às zonas agrícolas, o que agrava e agudiza os conflitos. “Essas situações desembocam em crises espantosas, e algo parecido acontece na Síria, onde se registra a maior seca da história do país, que destruiu grande parte do sistema agrícola, gerando deslocamentos, exacerbando tensões e conflitos”, reflete.

Chomsky acredita que a humanidade ainda não pensa com mais atenção sobre o que significa essa negação do aquecimento global e os planos a longo prazo dos republicanos, que pretendem acelerá-lo: “se o nível do mar continuar subindo e se elevar muito mais rápido, poderá engolir países como Bangladesh, afetando a centenas de milhões de pessoas. Os glaciares do Himalaia se derretem rapidamente, pondo em risco o fornecimento de água para o sul da Ásia. O que vai acontecer com essas bilhões de pessoas? As consequências iminentes são horrendas, este é o momento mais importante da história da humanidade”.

Chomsky crê que estamos diante um ponto crucial da história, no qual os seres humanos devem decidir se querem viver ou morrer: “digo isso literalmente, não vamos morrer todos, mas sim se destruiriam as possibilidades de vida digna, e temos uma organização chamada Partido Republicano que quer acelerar o aquecimento global. E não exagero, isso é exatamente o que eles querem fazer”.

Logo, ele cita o Relógio do Apocalipse, para recordar que os especialistas sustentam que na Conferência de Paris sobre o aquecimento global foi impossível conseguir um tratado vinculante, somente acordos voluntários. “Por que? Simples: os republicanos não aceitariam. Eles bloquearam a possibilidade de um tratado vinculante que poderia ter feito algo para impedir essa tragédia massiva e iminente, uma tragédia como nenhuma outra na história da humanidade. É disso que estamos falando, não são coisas de importância menor”.

Guerra nuclear, possibilidade certa

Chomsky não é de se deixar impressionar por modas acadêmicas ou intelectuais. Seu raciocínio radical e sereno busca evitar o furor, e talvez por isso não joga palavras ao vento sobre a anunciada decadência do império. “Os Estados Unidos possuem 800 bases ao redor do mundo e investe em seu exército tanto quanto todo o resto do mundo junto. Ninguém tem algo assim, soldados lutando em todas as partes do mundo. A China tem uma política principalmente defensiva, não possui um grande programa nuclear, embora seja possível que cresça”.

O caso da Rússia é diferente. É a principal pedra no sapato da dominação do Pentágono, porque “tem um sistema militar enorme”. O problema é que tanto a Rússia quanto os Estados Unidos estão ampliando seus sistemas militares, “ambos estão atuando como se a guerra fosse possível, o que é uma loucura coletiva”. Chomsky acredita que a guerra nuclear é irracional e que só poderia suceder em caso de acidente ou erro humano. Contudo, ele concorda com William Perry, ex-secretário de Defesa dos Estados Unidos, que disse recentemente que a ameaça de uma guerra nuclear hoje é maior que durante a Guerra Fria. O intelectual estima que o risco se concentra na proliferação de incidentes que envolvem as forças armadas de potências nucleares.

“A guerra esteve a ponto de ser deflagrada inumeráveis vezes”, admite ele. Um de seus exemplos favoritos é o sucedido sob o governo de Ronald Reagan, quando o Pentágono decidiu provar as defesas russas através de uma simulação de ataques contra a União Soviética.

“Acontece que os russos levaram a sério. Em 1983 depois que os soviéticos automatizaram seus sistemas de defesa, foi possível detectar um ataque de mísseis estadunidense. Nesses casos, o protocolo é ir direto ao alto mando e lançar um contra-ataque. Havia uma pessoa que tinha que transmitir essa informação, Stanislav Petrov, mas decidiu que era um alarme falso. Graças a isso, podemos estar aqui falando”.

Chomsky defende que os sistemas de defesa dos Estados Unidos possuem sérias falhas, e há poucas semanas se conheceu um caso de 1979, quando se detectou um ataque massivo com mísseis que vinham da Rússia. Quando o conselheiro de Segurança Nacional, Zbigniew Brzezinski, estava levantando o telefone para chamar o presidente James Carter e lançar um ataque de represália, chegou a informação de que se tratava de um alarme falso. “Há cada ano são registradas dúzias de alarmes falsos”, assegura ele.

Neste momento, as provocações dos Estados Unidos são constantes. “A OTAN está realizando manobras militares a 200 metros da fronteira russa com a Estônia. Nós não toleraríamos algo assim se acontecesse no México”.

O caso mais recente foi a derrubada de um caça russo que estava bombardeando forças jihadistas na Síria, no final de novembro. “Há uma parte da Turquia quase rodeada pelo território sírio e o bombardeiro russo voou através dessa zona durante 17 segundos, até ser derrubado. Uma grande provocação que, por sorte, não foi respondida pela força”. Chomsky argumenta que fatos similares estão sucedendo quase diariamente no mar da China.

A impressão que ele tem, e que expressa em seus gestos e reflexões, é que se as potências agredidas pelos Estados Unidos atuassem com a mesma irresponsabilidade que Washington, o destino do planeta estaria perdido.

Visão sobre a Colômbia

O linguista estadunidense Noam Chomsky conhece de perto a realidade colombiana. Fiel ao seu estilo e suas ideias, ele visitou o país e sua diversidade, conheceu a Colômbia que existe longe dos focos acadêmicos e midiáticos, adentrou no Vale do Cauca, onde grupos indígenas constroem sua autonomia, com base em seus saberes ancestrais, atualizados em meio ao conflito armado.

“Parece haver sinais positivos nas negociações de paz”, reflete Chomsky. “A Colômbia tem uma terrível história de violência desde o século passado, a violência nos Anos 50 era monstruosa”, lembrou ele, reconhecendo que a pior parte foi obra de operações paramilitares. Mais recentes são as fumigações realizadas pelos Estados Unidos, verdadeiras operações de guerra química, que deslocaram populações enormes de camponeses, para beneficio das multinacionais.

Como consequência, a Colômbia se tornou o segundo país do mundo em número de migrantes dentro do próprio território, depois do Afeganistão. “Deveria ser um país rico, próspero, mas está se quebrando em pedaços”, agrega. Por isso, se as negociações tiverem sucesso, eliminarão alguns dos problemas, mas não todos. “A Colômbia, mesmo sem o problema da guerrilha, continuará sendo um dos piores países para os defensores dos direitos humanos, para líderes sindicais e outros”.

Um dos perigos que ele observa, no caso de que se assine o acordo definitivo de paz, seria a integração dos paramilitares ao governo, uma realidade latente no país. Ainda assim, ele sustenta que a redução do conflito com as FARC seria um grande passo para frente, por isso acredita que deve se fazer todo o possível para contribuir com o processo de paz.

Tradução: Victor Farinelli

Os mitos da culpa palestina pela ocupação israelense

Os mitos da culpa palestina pela ocupação israelense

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No início do século XX, Lorde Balfour, chanceler do Reino Unido, proclamava: “As grandes potências estão comprometidas com o sionismo. E o sionismo, seja ele correto ou errado, bom ou ruim, tem raízes em tradições de eras, em necessidades atuais, em esperanças futuras, de importância muito mais profunda do que os desejos e preconceitos dos 700 mil árabes que agora habitam a antiga terra”.

Por Moara Crivelente*

Esta declaração é parte dos argumentos pela limpeza étnica da população árabe da Palestina. Esta é a condição para um Estado judeu idealizado pelo limitado e elitista círculo que se adjudicava – e se adjudica – a representação de todos os judeus do planeta. Hoje, é disseminada e irresponsável a acusação, contra os que criticam as práticas do governo de Israel, de “antissemitismo”. Já os judeus críticos do projeto são taxados de “judeus que se odeiam”, mas há agressões ainda mais virulentas.

É simbólico e rasteiro o uso de uma tragédia humana, o Holocausto, para manter Israel como vítima global, enquanto a sua política “securitária” é correlata da insegurança e do genocídio dos palestinos. Mas os promotores desta política já estão treinados a descreditar esta palavra politizada.

De acordo com o Direito Internacional Humanitário, genocídio é a perseguição a um grupo específico por motivos políticos, de etnia, religião ou cultura, o seu massacre, a sua expulsão e a destruição sistemática da sua propriedade. Exatamente o que acontece na Palestina ocupada; algumas vezes, de forma mais “eficiente”, com recorrentes “operações militares” cujos métodos e resultados são denunciados pelos próprios soldados. Muitos deles, jovens fadados a servir a máquina da guerra ou ir para a prisão, e é isso o que muitos têm escolhido.

Judeus de várias nacionalidades manifestam rechaço contundente à apropriação da sua história, religião e cultura pelo sionismo virulento e pela liderança israelense. Em 2014, por exemplo, 327 sobreviventes do Holocausto ou seus descendentes, na International Jewish Anti-Zionist Network (Rede Judaica Internacional Antissionista), manifestaram-se contra o “contínuo massacre do povo palestino”, estarrecidos diante da 12ª ofensiva israelense contra a Faixa de Gaza desde a criação do Estado de Israel, de acordo com o historiador Jean Pierre Filiu, ou a terceira em cinco anos.1

Israelenses também denunciam o embrutecimento de uma sociedade altamente militarizada e uma extrema-direita sedenta de sangue, que reprime, persegue e bane organizações de oposição. Recentemente, foi o caso da Breaking the Silence, associação de veteranos que denuncia as práticas do Exército israelense na Palestina ocupada. Os ministros da Educação e da Defesa proibiram sua presença em escolas, faculdades ou eventos oficiais, acusada de ter objetivos “maléficos”.

Uma das suas denúncias foi sobre o emprego da Doutrina Dahiya durante as ofensivas militares. Trata-se do uso deliberado de “força desproporcional” para “dissuadir” a resistência. O nome nasceu da tática aplicada em 2006 contra o Líbano, quando o bairro homônimo de Beirute, tido como reduto do Hezbollah, foi devastado. Foi também o caso do bairro Shujai’ya, em Gaza, tido como reduto do Hamas, onde em julho de 2014 cerca de 70 pessoas morreram num só dia durante os ataques do Exército de Israel, o “exército mais moral do mundo”.

Falei com o Dr. Belal Dabour, médico do maior hospital de Gaza, al-Shifa, durante as ofensivas, e o desespero era tremendo. Dos 2.200 palestinos mortos em 51 dias de bombardeios, a maior parte era civil e quase 600 eram crianças. A população de Gaza é de 1,8 milhão de pessoas confinadas em um dos territórios mais densamente habitados do planeta, sob bloqueio completo desde 2007. Cerca de 1,2 milhão buscou ali refúgio de outros massacres.

Desafiando o “consenso internacional” – o estabelecimento do Estado da Palestina nas fronteiras anteriores a junho de 1967 (quando Israel ocupou os territórios palestinos e de outros vizinhos árabes) – o aparato da ocupação israelense buscou criar “fatos” que enterrariam de vez a “solução de dois Estados”, construindo colônias ilegais e o muro de separação – denominado “barreira de segurança” pela direita israelense. É o que denuncia o israelense-estadunidense Jeff Halper, num livro de 2015 sobre a assombrosa “matriz de controle” de Israel.

É desfaçatez que o senhor Alon Feuerwerker, em seu recente artigo na Folha de S.Paulo (“Quatro Premissas Erradas sobre Israel”, 24/01/2016), indague “qual o problema de existir uma minoria judaico-israelense na Palestina”. Como analista político que é, duvido que a pergunta resulte da desinformação sobre as condições da instalação acelerada dos 560 mil colonos israelenses em território ocupado palestino. Não estará ele com a cabeça enterrada na areia quando a construção das casas em condomínios fechados e verdadeiras cidades acontece apesar do repúdio internacional, inclusive do aliado EUA – embora de forma tímida e hipócrita, dada a sua responsabilidade no caso. Faltou a Feuerwerker alguma honestidade para com o leitor, o que seria facilmente corrigido com a contextualização dos documentos citados por ele e dos posicionamentos dos palestinos.

Os crimes de guerra da ocupação

A condenação internacional, ao contrário do que alega a propaganda israelense, não nasce da perseguição ou do “antissemitismo”, mas do Direito Internacional Humanitário. O espólio das terras palestinas acontece, por exemplo, através da decisão arbitrária de Israel de não reconhecer registros de propriedade do período do Mandato Britânico e das atuais desapropriações. Se se desse ao trabalho de conversar com um palestino entre os milhares engajados em movimentos sociais que buscam justiça, ou com a liderança palestina, o senhor Feuerwerker ouviria que conviver com “uma minoria judaico-israelense na Palestina” nunca foi o problema. Sempre houve judeus entre os palestinos, que não invadiram residências e se instalaram, com a proteção dos soldados e a anuência do governo da Potência Ocupante, como recentemente aconteceu em Hebron, mais uma vez.

Mas esta fala dos palestinos não serve à sua representação como “terroristas” que precisam ser contidos através da ocupação e da “punição coletiva” (pelo delito de resistência): a demolição de casas, o anúncio das “zonas fechadas” de controle militar, batidas noturnas, uso de munições letais para reprimir protestos, detenções arbitrárias e o encarceramento massivo por motivos políticos, etc. Aliás, a palavra “ocupação” também é banida; juristas simpáticos ao sionismo virulento esforçam-se constantemente por desconstruir esta realidade manipulando o direito internacional contra a condição palestina, em resistência diante do espólio violento que ocupa o seu cotidiano.

A catástrofe – Nakba, em árabe, que culminou em 1948, com a expulsão de 750 a 800 mil palestinos e a destruição de mais de 500 vilas – é, na verdade, contínua. Os palestinos continuam sendo expulsos das suas terras ou tendo suas casas demolidas através de diversas regulamentações do regime militar imposto por Israel – enquanto mais de 560 mil colonos israelenses são assentados em verdadeiros condomínios fechados ou cidades com a infraestrutura de que os palestinos não dispõem, estradas particulares, água abundante, serviços e movimentação privilegiada.

Em linguajar jurídico, isso traduz-se como “crime de guerra”. A transferência de população da Potência Ocupante para o território ocupado, concomitante à expulsão da população residente, é assim classificada pela Quarta Convenção de Genebra, que foi ratificada por Israel em 1952. Àquela altura, processar criminosos de guerra era do “interesse nacional”.

Algumas das regulamentações usadas para “controlar” os palestinos e “aplastar seu desejo de resistir” são heranças do Mandato Britânico, parte da mesma regulamentação que sionistas acusam de ter servido aos colonizadores britânicos para os reprimir. Afinal, o acordo era o de que a colonização seria conduzida pelos britânicos – daí a “dosagem” da migração mesmo assim massiva – mas milícias sionistas como a Irgun ou aHaganah, que se opunham ao controle, foram responsáveis por atos que, se perpetrados por árabes, seriam taxados de “terroristas”. Foram mais de 60 ataques ou explosões, como aquela contra o Hotel King David, onde estava sediada a administração britânica, em Jerusalém, em 1946. Mais de 90 pessoas morreram.

Massacres como o de Deir Yassin, perpetrado pela Irgun em 1948, e tantos outros, são fatos que a liderança israelense e seus simpatizantes buscam esconder embaixo do tapete. Mas historiadores como Shlomo Sand, Ilan Pappé e outros menos críticos, como Benny Morris, denunciam em diversas obras, aulas, entrevistas, artigos e outras manifestações o rastro de sangue palestino. Também o fazem jornalistas como Amira Hass e Gideon Levy, do diário Haaretz, que durante a ofensiva de 2014 teve de contratar guarda-costas, pois recebia ameaças dos seus leitores.

Na narrativa israelense oficial, entretanto, apenas a sua própria versão de outras – as suas – tragédias é permitida, para construir a impressão, como fez Feuerwerker, de que se trata de um conflito simétrico, com dois lados de igual responsabilidade pela continuidade da violência que vitima também israelenses. Se comprometidos com a paz, os sucessivos líderes sionistas teriam desocupado a Palestina e se engajado no infinito “processo de paz” que, monopolizado por seu maior aliado, os Estados Unidos, só fez enraizar a ocupação israelense, para o desespero ou a exasperação dos palestinos.

“Preocupações securitárias” – claro, com a “segurança” dos israelenses – dominaram as sucessivas negociações para ditar aos palestinos mais condições inaceitáveis como, por exemplo, a permanência de tropas israelenses no Vale do Jordão. Outro “impasse” foi apresentado como a recusa dos palestinos em reconhecer Israel como “Estado judeu” – enquanto Israel sequer pretende reconhecer o Estado da Palestina, uma promessa eleitoral de Netanyahu. Quase 20% da população de Israel é palestina, mas sua cidadania inferior é garantida por cerca de 50 leis racistas (a informação é da organização israelense de defesa dos direitos humanos B’Tselem).

Transferir a responsabilidade pela falta de avanço diplomático aos palestinos também é uma estratégia patente. Imagine alguém há décadas obrigado a dar um pedaço do seu corpo, na esperança de manter a alma. Ao negar-se a entregar também a alma, o inferno é o destino. E é isso o que a ocupação israelense oferece. Muitos israelenses já entenderam que a paz, assim como a justiça, não têm lugar no inferno. Mas enquanto a liderança for agraciada pela impunidade – e daí a importância do boicote que tem sim afetado o brio da elite política e os bolsos da elite econômica de Israel, já que a justiça tarda – a violência mantém-se.

1 Haaretz (23 de agosto de 2014) ‘Holocaust survivors condemn Israel for “Gaza Massacre”; call for boycott’ Haaretz, <http://www.haaretz.com/israel-news/1.612072> [20 de dezembro de 2015]

*Doutoranda em Política Internacional e Resolução dos Conflitos, cientista política, jornalista e membro do Cebrapaz, assessorando a presidência do Conselho Mundial da Pa