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Ativistas gaúchos lançam Frente de Solidariedade ao Povo Palestino

10/jul/2015, 7h44min

Ativistas gaúchos lançam Frente de Solidariedade ao Povo Palestino

Foto: Guilherme Santos/Sul21

Na ocasião, também foi exposta a arte feita por Cláudia Stella | Foto: Guilherme Santos/Sul21

Débora Fogliatto

Militantes, movimentos sociais, políticos, trabalhadores, professores e estudantes participaram, nesta quinta-feira (9), do lançamento da Frente Gaúcha de Solidariedade ao Povo Palestino. A entidade, fundada por ativistas pelos direitos humanos e contrários às violações cometidas pelo Estado de Israel, pede que a população do Rio Grande do Sul se una ao chamado “boicote, desinvestimento e sanções” (BDS). O lançamento ocorreu na sede do Sindicato dos Bancários, no Centro de Porto Alegre, a partir das 18h30.

O BDS é um movimento político global que surgiu em 2005, com a intenção de que as pessoas peçam para seus governantes romperem relações com empresas que apoiem ou estejam ligadas ao governo israelense. Defendendo que os cidadãos palestinos vivem em sistema de apartheid, eles pedem que a comunidade internacional realize um movimento parecido com o que aconteceu na África do Sul e gerou o fim do apartheid racial lá.

O advogado brasileiro-palestino Nader Baja, que nasceu no Rio Grande do Sul mas se mudou para a Palestina com apenas 5 anos, retornando ao país depois de adulto, é um dos criadores da Frente. Ele acredita que existe um interesse do povo gaúcho neste assunto, mas isso não é o suficiente. “É preciso que esse público realize uma pressão concreta nos governos para impedir qualquer interação de qualquer ordem com o governo israelense, em função da violação constante dos direitos humanos do povo palestino lá”, defende.

Foto: Guilherme Santos/Sul21

Maren, o advogado Paulo Torelly e o advogado Nader Baja | Foto: Guilherme Santos/Sul21

No lançamento, Malek Rashid, descendente de palestinos e representante da Federação Árabe-Palestina do Brasil, destacou que a Frente surgiu “da necessidade de enfrentamento em relação ao que ocorre lá”. “Nossa Constituição menciona o direito à autodeterminação dos povos. Essa é uma questão de direitos humanos, muito mais profunda do que o conflito político que alguns fazem parecer”, refletiu.

Os problemas na região da Palestina começaram em 1948, quando foi criado o Estado de Israel, que ocupou, além das terras previamente decididas pela ONU, também as que seriam dedicadas aos palestinos que lá viviam, causando um grande movimento de saída dos territórios que fizeram com que haja mais de 6 milhões de refugiados palestinos no mundo atualmente. A data do lançamento da Frente lembra o aniversário de um ano do maior ataque às terras palestinas perpetuados por Israel nos últimos anos: no dia 8 de julho de 2014, Israel lançou uma investida militar na Faixa de Gaza — parte dos territórios palestinos — que vitimou mais de 2 mil palestinos e deixou 100 mil desabrigados.

Em um manifesto lido no início do evento, a Frente chama atenção para o fato de as políticas israelenses serem denunciadas diversas vezes pela ONU e pelo Tribunal Internacional de Haia, que em 2004 considerou Israel culpado de violações de direitos humanos, afirmando que o mundo possui a obrigação “de não reconhecer e não compactuar com as graves violações à legislação internacional promovidas por Israel”. Para os ativistas, a decisão dá legitimidade à campanha de BDS.

Nader considera que o BDS é uma maneira criada pelos povos para criar um instrumento “pacífico, democrático, baseado no respeito aos seres humanos” e que, ao mesmo tempo, seja eficaz. “Vamos sempre estar monitorando e denunciando que nossos governos se relacionem com um Estado que viole os direitos humanos”, garantiu.

Foto: Guilherme Santos/Sul21

Lançamento ocorreu no SindBancários | Foto: Guilherme Santos/Sul21

A ativista Maren Montovani, da ONG Stop the Wall, que luta pelo fim do muro levantado por Israel para segregar a população do território palestino da Cisjordânia, lembra que no ano passado houve uma forte campanha gaúcha pelo cancelamento dos contratos do governo estadual com a empresa AEL Sistems, subsidiária da Elbit, uma fabricante de armas israelenses. “Percebemos, depois disso, um necessidade bastante generalizada de continuar na luta, retomar a luta. Se conseguimos derrubar esse contrato com a Elbit, muitas coisas podem ser feitas”, reflete.

Para isso, a Frente conta também com o apoio do Comitê Estudantil de Apoio à Palestina, que no início deste ano realizou uma semana contra o apartheid em universidades gaúchas. Para Maren, a urgência do momento pelo qual o povo palestino está passando reforça a necessidade do lançamento da Frente. “Se vermos o que está acontecendo na Palestina, a solidariedade é mais importante do que nunca. Essa é a primeira vez que todos juntos, publicamente, dizemos que estamos prontos para trabalhar juntos para um Rio Grande do Sul livre de apartheid israelense”, afirmou.

Boaventura: a possível extinção do Estado de Israel

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8/3/2013: Jovem manifestante palestino Un manifestante palestino foge dos guardas de fronteira israelense, durante confrontos contra a expropriação de terras palestinas em Kafr Qaddum

8/3/2013: Jovem manifestante palestino foge dos guardas de fronteira israelense, durante confronto contra a expropriação de terras palestinas em Kafr Qaddum

Criá-lo foi ato desumano de colonialismo. Extinto, pode dar lugar a Estado plurinacional e secular, onde judeus e palestinos convivam pacífica e dignamente

Por Boaventura de Sousa Santos

Podem simples cidadãos de todo o mundo organizar-se para propor em todas as instâncias de jurisdição universal possíveis uma ação popular contra o Estado de Israel no sentido de ser declarada a sua extinção, enquanto Estado judaico, não apenas por ao longo da sua existência ter cometido reiteradamente crimes contra a humanidade, mas sobretudo por a sua própria constituição, enquanto Estado judaico, constituir um crime contra a humanidade? Podem. E como este tipo de crime não prescreve, estão a tempo de o fazer. Eis os argumentos e as soluções para restituir aos judeus e palestinianos e ao mundo em geral a dignidade que lhes foi roubada por um dos atos mais violentos do colonialismo europeu no século XX, secundado pelo imperialismo norte-americano e pela má consciência europeia desde o fim da segunda guerra mundial.

O termo sionismo designa o movimento que apoia o “regresso” dos judeus à sua suposta pátria de que também supostamente foram expulsos no século V AC. Há, no entanto, que distinguir entre sionismo judaico e sionismo cristão. O sionismo judaico tem origem no antissemitismo que desgraçadamente sempre perseguiu os judeus na Europa e que viria a culminar no holocausto nazi. O sonho de Theodor Herzl, judeu austríaco e grande poponente do sionismo, era a criação, não de um Estado judaico, mas de uma pátria segura para os judeus. O sionismo cristão, por sua vez, é antissemita, e a ideia de um Estado judaico deveu-se a políticos britânicos, sionistas e anglicanos devotos, como Lord Shaftesbury, que, acima de tudo, [1]desejavam ver o seu país livre dos judeus-enquanto-judeus. Eram tolerados os judeus cristianizados (como Benjamin Disraeli, que chegou a ser Primeiro Ministro), mas só esses. Esta tolerância estava de acordo com a profecia cristã de que é destino dos judeus converterem-se ao cristianismo. O mesmo sentimento se encontra hoje entre os evangélicos norte-americanos, que apoiam Israel como Estado judaico, bem como a sua desapiedada expansão colonialista contra os palestinianos, por acreditarem que a redenção total ocorrerá no fim dos tempos, com a conversão dos judeus na Parusia (o regresso de Jesus Cristo).

Terá sido Lord Shaftesbury quem, ainda no século XIX, formulou o pensamento “uma terra sem povo para um povo sem terra” que ajudaria mais tarde a justificar a criação do Estado de Israel na Palestina em 1948. E alguns anos mais tarde, foi outro sionista não judeu (Arthur James Balfour) quem propôs a criação de “uma pátria para os judeus” na Palestina, sem consultar os povos árabes que habitavam esse território há mais de mil anos.

“Os Grandes Poderes” (Áustria, Rússia, França, Inglaterra), lê-se no Memorandum Balfour de 11 de Agosto de 1919, “estão comprometidos com o Sionismo. E o Sionismo, correto ou incorreto, bom ou mau, tem as suas raízes em antiquíssimas tradições, em necessidades atuais e em esperanças futuras, que são bem mais importantes do que os desejos de 700.000 árabes que neste momento habitam aquele antigo território”. Urgia, pois, transformar esses árabes em um não-povo. Em 1948, com o beneplácito dos poderes ocidentais, especialmente da Inglaterra, foi criado o Estado de Israel numa Palestina povoada de árabes e 10% de judeus imigrantes.

TEXTO-MEIO 

 

Argumentava-se então que havia de se encontrar um espaço para o povo judeu, que ninguém queria receber depois do genocídio alemão. Muito antes dessa catástrofe, os sionistas judeus tinham já pensado em vários locais para[2] o seu futuro Estado. No final do século XIX, a região do Uganda, no que é hoje o Quénia, então colónia inglesa, foi ponderada como um possível local para o futuro Estado de Israel. Um espaço na Argentina chegou também a ser considerado. Mais tarde, auscultado sobre um local no norte de África (no que é hoje a Líbia), o rei da Itália, Victor Emmanuel, terá recusado, respondendo: “Ma è ancora casa di altri”. Mas nenhum europeu, por mais preocupado com a situação dos judeus, jamais pensou num lugar dentro da própria Europa. Havia que inventar-se “uma terra sem povo para um povo sem terra”. Mesmo que fosse necessário obliterar um povo. E assim se vem paulatinamente eliminando um povo da face da terra desde há sessenta e seis anos. A Cisjordânia palestiniana vem sendo desmantelada pelos colonatos ilegais e a Faixa de Gaza transformada em prisão a céu aberto. A extrema-direita israelita é apenas mais estridente do que o governo ao reclamar que os “árabes fedorentos de Gaza sejam lançados ao mar”. O que é espantoso, comenta o historiador judeu israelita, Ilan Pappé em The Ethnic Cleansing of Palestine (2006), é ver como os judeus, em 1948, há tão pouco tempo expulsos das suas casas, espoliados dos seus pertences e por fim exterminados, procederam sem pestanejar à destruição de aldeias palestinianas, com expulsão dos seus habitantes e massacre daqueles que se recusaram a sair. O controverso comentário de José Saramago de há alguns anos de que o espírito de Auschwitz se reproduz em Israel faz hoje mais do que nunca.

Assim foi sacrificada a Palestina, invocadas razões bíblicas e históricas, que a Bíblia não sanciona e a história viria a desmistificar. Muitos judeus, como os que constituem a Jewish Voice for Peace, não são sionistas e consideram que o Estado de Israel, nas condições em que foi criado (um território, um povo, uma língua, uma religião) é uma arcaica aberração [3] colonialista fundada no mito de uma “terra de Israel” e de um “povo judaico”, que a Bíblia nem sequer confirma. Como bem demonstra, entre outros, o historiador judeu israelita, Shlomo Sand, a Palestina como a “terra de Israel” é uma invenção recente (The Invention of the Land of Israel, 2012). Aliás, ainda segundo o mesmo autor, também o conceito de “povo judaico” é uma invenção recente (The Invention of the Jewish People, 2009).

A criação do Estado judaico de Israel configura um crime continuado cujos abismos mais desumanos se revelam nos dias de hoje. Declarada a sua extinção, os cidadãos do mundo propõem a criação na Palestina de um Estado secular, plurinacional e intercultural, onde judeus e palestinianos possam viver pacifica e dignamente. A dignidade do mundo está hoje hipotecada à dignidade da convivência entre palestinianos e judeus.

O rigor temporal de Saramago ante o genocídio do povo palestino 18/11/2012 |

O rigor temporal de Saramago ante o genocídio do povo palestino

18/11/2012 | Destaques,Israel,Palestina

Entrevista com José Saramago em 2002.

(Português/Español).

O colaborador da BBC na Cisjordânia, José Vericat, conversou em Ramalah com o escritor português José Saramago.

BBC — Que propósito teve a sua visita à Palestina?

Saramago — A intenção tem sido a de enviar aqui uma delegação de membros do Parlamento Internacional de Escritores para manifestar solidariedade aos narradores, poetas, dramaturgos palestinos.

BBC — O que pode ter este conflito palestino-israelense de particular?

Saramago — Vamos ver: Isto não é um conflito. Poderíamos chamá-lo conflito se se tratasse de dois países, com uma fronteira e dois estados, com um exército cada um. Aqui trata-se de uma coisa completamente distinta: Apartheid. Ruptura da estrutura social palestina pela impossibilidade de comunicação.

BBC — Que pensa de Israel?

Saramago — Um sentimento de impunidade caracteriza hoje o povo israelense e o seu exército. Eles converteram-se em financiadores do holocausto. Com todo o respeito pela gente assassinada, torturada e sufocada nas câmaras de gás. Os judeus que foram sacrificados nas câmaras de gás quiçá se envergonhariam se tivéssemos tempo de dizer-lhes como estão se comportando seus descendentes. Porque eu pensei que isto era possível; que um povo que tem sofrido deveria haver aprendido de seu próprio sofrimento. O que estão fazendo com os palestinos aqui é no mesmo espírito do que sofreram antes.

Eu creio que eles não conhecem a realidade. Todos os artigos que apareceram contra mim têm sido escritos por pessoas que não foram nunca saber como vivem os palestinos, quer dizer, eles não querem saber o que está passando aqui. Sería lógico que estivessem aqui os capacetes azuis (soldados da ONU). Mas o governo israelense não o permite. O que me indigna, e não posso calar-me, é a covardia da comunidade internacional que se deixa calar. Nem sequer falo dos Estados Unidos, do lobby judeu, de tudo isso que é mais que conhecido. Falo da União Européia. Europa, o berço da arte, da grande literatura, tudo isso. E todos assistindo a isto, a este desastre, e ninguém intervém.

BBC — Parece-lhe pertinente a analogia entre o sofrimento dos palestinos hoje, e o sofrimento dos judeus que teve lugar durante o regime nazista e em particular nos campos de concentração?

Saramago — Isso de Auschwitz foi, evidentemente, uma comparação a propósito. Um protesto formulado em termos habituais, quiçá não provocasse a reação que tem provocado. Claro que não há câmaras de gás para exterminar palestinos, mas a situação na qual se encontra o povo palestino é uma situação concentracionária: Ninguém pode sair de seus povoados.

Eu o disse e dito está. Mas, se a vocês incomoda muito isso de Auschwitz, eu posso substituir essa palavra, e em lugar de dizer Auschwitz digo crimes contra a humanidade. Não é uma questão de mais vítimas ou menos vítimas; não é uma questão de mais trágico ou menos trágico: É o fato em si. Isto que está acontecendo em Israel contra os palestinos é um crime contra a humanidade. Os palestinos são vítimas de crimes contra a humanidade cometidos pelo governo de Israel com o aplauso de seu povo.

BBC — Não crê que suas declarações têm um efeito contraproducente?

Saramago — Não há nenhum efeito contraproducente. Há críticas e há críticas. Há críticas que são conhecidas e portanto não têm nenhum efeito; quer dizer: se fazem e se repetem infinitamente.

BBC — O que o senhor escreveu que tenha mais relevância com este conflito?

Saramago — Uma novela que publiquei há cinco ou seis anos, Ensaio Sobre a Cegueira, que vendeu aqui sessenta mil exemplares. (Até há alguns dias, eu era aqui um bestseller. Agora os meus livros estão sendo retirados das livrarias) É uma novela que narra como todo o mundo se torna cego. Porque minha opinião é que todos somos cegos. Cegos porque não temos sido capazes de criar um mundo que valha a pena. Porque este mundo, como está e como é, não vale a pena.

Isto poderia ter relevância, se os políticos se interessassem por literatura. Se há algo sobre o que refletir, é sobre a capacidade que temos, ou que não temos, de inventar um modo de relação humana onde o imperativo seja o respeito humano, e o respeito ao outro.

BBC — Qual é o papel da literatura neste conflito?

Saramago — Nenhum. Essa idéia de que os escritores têm que salvar o mundo… Gostaríamos de fazê-lo, é claro. Se fosse pela arte e tudo o que temos feito de bonito no passado, se isso servisse para algo, não estaríamos como estamos. A intervenção que os escritores possam e devam ter, é pelo simples fato de que são cidadãos. Claro que também são escritores. Se se nos pede algo, ou por iniciativa nossa temos algo para dizer, o escrevemos. Mas, além de ter o que tenhamos para dizer, também há o que temos para fazer. E o fazer é intervir na vida, não só no seu próprio país, mas também no mundo.

BBC — A imprensa internacional publicou declarações atribuídas ao senhor referindo-se aos atos do exército israelense como atos “nazistas” e fazendo críticas bastantes duras ao governo de Israel. Qual é exatamente a sua posição diante do conflito no Oriente Médio?

Saramago — A declaração de que o exército israelense se tornou “judeu nazi” foi de um grande intelectual judeu (Yeshayahu Leibowitz, que morreu em 1994) respeitado tanto do ponto de vista moral como do ponto de vista intelectual. Não estou usando essa espécie de guarda-chuva para me proteger de qualquer tempestade. Mas esta idéia de que algo de profundamente negativo, destrutivo, entrou no espírito de Israel, eu não fui a primeira pessoa a dizer. Hoje mesmo outros israelenses reconhecem isso.

BBC — Outra afirmação que o senhor teria feito sobre Israel, foi comparar a forma com que o governo israelense tem tratado os palestinos como uma espécie de apartheid…

Saramago — Não é uma espécie de apartheid, é rigorosamente um apartheid, e sobre isso só tem dúvidas quem não veio aqui nunca. Se alguém quiser ser informado, supondo que as autoridades militares permitam o acesso, a passagem nos postos de controle para chegar às aldeias e cidades palestinas que estão completamente isoladas, onde não se pode entrar e de onde não se pode sair sem a autorização do Exército, se se quer ver como isto é efetivamente, há que vir aqui.

A informação que nós temos, aquela que circula internacionalmente, dá sempre uma imagem de um lado e deixa outro praticamente omisso, ou apenas com as imagens de palestinos disparando para o ar quando acompanham os seus mortos. Eu não estou aqui dizendo que os israelenses são uns demônios e que os palestinos são uns anjos, não se trata disso, anjos e demônios há de um lado e de outro.

O que se passa é que a situação política aqui, a situação de guerra que se criou, teve como resultado a ocupação militar de praticamente todo o suposto território palestino, o isolamento de todas as aldeias e cidades palestinas e a impossibilidade de se circular no próprio território. Isso, se não é apartheid, como é que havemos de chamar?

BBC — O senhor diria que nos últimos anos, principalmente durante o governo do primeiro-ministro Ariel Sharon, essa situação tem se agravado?

Saramago — Ela tem se agravado nos últimos tempos. Mas, enquanto foi primeiro-ministro o sr. Barak, construíram-se mais assentamentos no interior do território palestino do que aqueles construídos quando foi primeiro-ministro o sr. Netanyahu. Quer dizer, o mesmo sr. Barak, que supostamente se propunha a fazer a paz, instalava cada vez mais assentamentos no interior dos territórios ocupados.

E aqui há um ponto que é necessário reconhecer: os assentamentos precisam do exército para se defender. Mas o exército precisa dos assentamentos para estar instalado ali. E desta lógica, que é uma lógica absolutamente infernal, não se consegue sair, porque efetivamente a paz que querem os governos de Israel não é uma paz justa, não é uma paz que reconheça efetivamente os direitos dos palestinos de ter um Estado, de ter uma identidade própria, uma vida que seja sua. Os palestinos são desprezados pela população de Israel, e isso não é demagogia, é a mais pura das verdades, e quem quiser confirmá-la que venha aqui.

BBC — O senhor falou sobre como a comunidade internacional vê esse conflito. O senhor não acredita que, principalmente depois de atos de extrema violência como o atentado de ontem (quarta-feira, em que 20 israelenses foram mortos numa explosão) fica mais difícil ainda para a comunidade palestina divulgar a sua luta, as suas reivindicações à comunidade internacional?

Saramago — Em primeiro lugar, eu não estou nem a justificar nem a defender este ato.

Todos os atos de violência praticados pelos palestinos são obstáculos à paz. Mas os atos de violência praticados pelo exército israelense não são obstáculos à paz… Aldeias arrasadas, milhares de mortos, gente expulsa em 1948… Fala-se do Holocausto judeu, mas também houve uma espécie de Holocausto palestino. Um milhão de pessoas foram deslocadas de suas casas em 1948.

Ainda ontem estivemos em Gaza, e 150 casas foram destruídas por tanques e escavadeiras. Aqui se castiga uma ação de violência praticada por um palestino com a destruição da casa, ou de casas, ou de uma aldeia. Então os atos de violência dos israelenses não são obstáculos à paz?

BBC — Nessa situação, que perspectivas o senhor vê para esse conflito? O senhor tem algum otimismo em relação ao plano de paz saudita, ou às atuais negociações?

Saramago — Eu não tenho nenhum otimismo, porque efetivamente o governo de Israel não quer a paz. Quer uma paz que lhe convenha, não uma paz justa que levasse em conta o direito do povo palestino de ter a sua própria vida. Sou completamente cético em relação ao êxito de qualquer plano.

E, recentemente, numa proposta dos Estados Unidos nas Nações Unidas, foi reconhecido que o povo palestino tem direito a viver no seu próprio Estado. Mas como se organiza esse Estado, se os assentamentos israelenses nos territórios ocupados são 205, e todos eles protegidos pelo exército e eles próprios armados? Como se quer falar num plano de paz que ignore essa realidade?

BBC — Devido às suas mais recentes declarações, tem havido em Israel um boicote aos seus livros. Como o senhor vê esse tipo de reação?

Saramago — Isso é natural. Acho que, no fundo, são reações de pessoas que não agüentam que se lhes diga a verdade. Retirar os meus livros das livrarias é, talvez, um primeiro passo, que pode levar a um segundo passo, que é queimá-los em praça pública. Tudo pode acontecer.

Fonte: http://www.alfredo-braga.pro.br/discussoes/davi-golias.html

2015/07/03 10:01 A Autoridade Palestina está traindo o povo palestino

2015/07/03 10:01
A Autoridade Palestina está traindo o povo palestino

Por Khalid Amayreh na Palestina ocupada
A Autoridade Palestina (AP) foi criado há mais de 20 anos atrás, a fim de promover os interesses nacionais palestinos, libertar o povo palestino das garras da ocupação israelense duradoura e acelerar o estabelecimento de um Estado palestino viável independente. Agora, é muito claro que a PA fracassou totalmente para alcançar alguns de seus objetivos declarados. Na verdade, a PA tem mais ou menos tornar-se o principal obstáculo que impede a criação de um verdadeiro Estado palestino. Além disso, a subserviência quase total do PA de Israel, tem realmente habilitado a entidade judaico-sionista de liquidar de forma eficaz a questão palestina sob a rubrica de um “processo de paz” fictício que todos nós sabemos que tem uma forma, mas nenhuma substância. De fato, sob o falso guarda-chuva desse processo sham, Israel tem quase completamente erradicada quaisquer perspectivas restantes para a verdadeira criação do Estado palestino. Isso foi feito por meio da expansão assentamentos judeus em toda a Cisjordânia e confisco de centenas de milhares de hectares de terras palestinas, não deixando espaço suficiente para a criação de uma entidade palestina significativa digna desse nome. Como a Jerusalém, a cidade Israel ocupou em 1967 e que Os palestinos insistem será a futura capital de seu pretenso estado, nós exageramos muito pouco, dizendo que a sua identidade árabe-muçulmano antigo foi destruído. atormentando palestinos em nome de Israel Escusado será dizer que o PA, que era suposto ser um igual parceiro de paz-vis-à-vis Israel de acordo com as infelizes Acordos de Oslo efetivamente foi reduzida a um suplicante vencido, implorando Israel para quase tudo, de autorizações de viagem, água e fornecimento de energia elétrica para os salários mensais de seu pessoal de segurança e funcionários públicos. Além disso, a humilhação imposta ao PA por um Israel insolente é realmente reaplicada ou projectados para as massas palestinas em uma variedade de maneiras. A humilhação é realçado pelo fato de que centenas de milhares de palestinos dependem para sua subsistência e sobrevivência financeira sobre os salários que recebem do PA. E quando esses salários são retidos por Israel, com a finalidade de chantagear o PA em fazer concessões políticas, os palestinos que sofrem são empurrados para a beira da falência, ou ainda pior. PA: sem dignidade, sem honra É particularmente lamentável que o PA continua a atormentar e maltratam o seu próprio povo, a fim de obter um certificado de boa conduta da potência ocupante. As agências de segurança da AP continuam a prender ativistas palestinos em nome de Israel. Até mesmo os direitos humanos básicos e as liberdades civis são negados a fim de apaziguar Israel. Isso acontece no contexto do chamado Regime de Coordenação de Segurança entre a AP e Israel através do qual o último age como informante e policial para o primeiro. Na verdade, o regime PA tem sido freqüentemente descrito como um “Judenrat palestino” servir o interesse de Israel segurança e política. Muitas vezes, o PA busca liberar sua frustração por culpar o Hamas, o grupo de resistência islâmico palestino, que vê Israel como sua arquiinimigo. Hamas venceu as eleições gerais em 2006, para o desgosto do PA, Israel e os Estados Unidos, guardião-aliado de Israel. O Hamas também é especialmente odiado por colocar uma resistência significativa às agressões militares recorrentes de Israel, frustrando os planos de Israel para liquidar a causa palestina. Muitos observadores acreditam que o Hamas está por trás PA relutância em dar amplas concessões a Israel. rastejando aos pés de Sissi O PA também foi trair o povo palestino de outras maneiras também. O PA reagiu com entusiasmo, em vez de uma decisão por uma decisão egípcia “tribunal”, declarando Hamas uma organização terrorista. A decisão é vista pela maioria dos palestinos e egípcios honoráveis ​​como equivalente a cometer um ato de fornicação com a verdade se apenas porque o Hamas representa o auge da honra árabe e muçulmano em nosso tempo. Nós todos sabemos que todo o sistema de justiça egípcia sob a quadrilha Sissi tem foi reduzido a um mero carimbo de borracha nas mãos do ditador assassino. boquilhas PA reivindicar sim gloatingly que o Hamas realmente efectuadas a medida egípcia hostil sobre si mesma, como resultado de sua recusa em prestar serviço de bordo para a quadrilha sangrento golpe contra o legítimo e democraticamente eleito Presidente, Dr. Muhammad Mursi. Mas, teria sido moralmente correto se o Hamas tomou o partido dos assassinos contra as vítimas no Egito? Caso Hamas ter dito o tirano mal, Bravo, por assassinar milhares a sangue frio? Se o tivesse feito, então todos os palestinos, árabes e muçulmanos, assim como apoiadores da causa nacional palestina, estaria em posição de culpar apoiadores de Israel. Sim, é compreensível que uma entidade salvaguarde os seus interesses. No entanto, nunca é aceitável que uma sacrifícios uma de princípios morais por uma questão de conveniência imediata. correção moral Hamas realmente adotou a posição moral e religiosamente correto contra uma autoridade penal ilegítimo. Sim, este suporte fez os golpistas em Cairo furiosos, como esperado. Mas foi Hamas esperado para chamar Sissi um anjo de paz e amor depois de tudo que ele fez para o seu povo? Além disso, será que alguém no seu perfeito juízo realmente acha que os assassinaram mutilados e atormentado o seu próprio povo, a fim de usurpar o poder vai ser qualificado como libertadores da Palestina e salvadores do seu povo? Além disso, há um único palestino sob o sol que pode pensar que o Hamas como uma organização terrorista? Tal pessoa, se ele ou ela já existiu, preferiria ser um ignorante ou traidor ou ambos. Na verdade, o indiciamento do Hamas na verdade é o mesmo que acusar todo o povo palestino. De fato, um tribunal que considera o Hamas um grupo terrorista também consideraria um grupo terrorista Fatah também. Afinal, tanto Fatah e Hamas são parceiros no mesmo longa luta pela liberdade e libertação da ocupação nazi-like. Seria também indiciar todos os mártires palestinos e líderes caídos de Izzidin al-Qassam a Yasser Arafat como terroristas. Finalmente, eu gostaria de perguntar ao regime Ramallah esta pergunta: para que causam e por que razões você está barateando a si mesmo e seu povo? E o que você tem feito pelo apego a esses regimes traiçoeiras e falidos?

“Judeus deveriam ser judeus – não nazistas”

Tal pai, tal filho: Um tributo a Moshe e Yehudi MenuhinMoshe Menuhin e seu filho Yehudi, o maior violinista do século passado, defenderam a igualdade e a justiça para os palestinos como premissa para a paz na região. Condenando o regime de apartheid israelense, Moshe declarou: “judeus deveriam ser judeus, não nazistas”
GRACE HALSELL*
Moshe Menuhin, um dos primeiros anti-sionistas, uma vez escreveu para mim, “judeus deveriam ser judeus – não nazistas”. Ele estava falando sobre a opressão israelense aos palestinos.
Sem dúvida Moshe Menuhin, com quem eu me correspondi por um período de 12 anos até sua morte, ficaria contente em saber que seu filho, um violinista famoso, tem a mesma firmeza ao se posicionar contra o sionismo. E de fato, Yehudi Menuhin tem, a meu ver, mostrado ainda mais coragem do que seu pai. Nesta era, o sionismo está infinitamente mais forte e mais perigoso do que quando Moshe Menuhin se expressou. E também, o pai foi um dos vários grandes filósofos liberais judeus anti-sionistas que alertaram contra o sionismo. Mas Yehudi Menuhin resiste virtualmente sozinho na sua causa anti-sionista, e isto é de fato verdade em seu terreno, a música.
Em 1971, eu tive a oportunidade de visitar Yehudi Menuhin depois de um concerto que ele deu com a orquestra sinfônica de Detroit. Eu fui até os bastidores com uma amiga. Dorothy Johnson, uma mulher rica e influente que apoiava a arte, principalmente a sinfônica de Detroit. Ela conheceu pessoalmente Yehudi Menuhin e sua esposa Diana, ex-atriz inglesa e dançarina de balé. Os dois, Menuhin e sua esposa foram acolhedores e gentis. Diana falava mais. Alta e atraente, ela foi aberta e franca se referindo ao poder dos sionistas para diminuir o número de concertos que o seu marido poderia dar. Diana Menuhin disse depois que isso ficou revelado, que Yehudi Menuhin sentiu haverem dois lados do conflito no Oriente Médio e que, especialmente depois de haver dado um concerto para beneficiar órfãos palestinos, seus agendamentos caíram dramaticamente.
Nessa época, eu achei difícil de entender como qualquer um cancelaria a performance do, talvez, maior violinista vivo porque ele não estaria dando a Israel seu apoio cego e total. Agora, ainda que um quarto de século mais tarde, eu percebo que, nos anos que se seguiram, pessoalmente não vi o nome de Menuhin listado como solista em qualquer sala de música dos Estados Unidos.
Menuhin, nascido em Nova Iorque, mudou-se para a Inglaterra se tornando um cidadão britânico em 1985. E a Inglaterra fez dele Lord Menuhin. Ele tem uma escola para músicos na Inglaterra e uma academia na suíça para jovens músicos talentosos, aos quais ele freqüentemente conduz, e ajudou a fundar uma série de festivais de música. Ele é detentor Prêmio da Paz Nehru e é embaixador da boa vontade pela UNESCO.
Yehudi Menuhin nasceu em 1916 de pais judeus russos que emigraram separadamente através da Palestina. Alarmado com o crescimento do sionismo militante, Moshe Menuhin deu voz ao sentimento de tantos judeus como Martin Buber, Judah L. Magnes, Albert Einstein e Hannah Arendt, todos os quais se identificaram como não sionistas mas como integrantes do judaísmo.
Moshe Menuhin expressou vários temas que o seu filho endossou de forma consistente:
Justiça para os árabes: “O ensinamento do judaísmo profético que eu recebi do meu avô” disse Moshe Menuhin, “não permite que eu me transforme em uma pessoa que odeia os árabes. Os judeus e árabes podem e devem se tornar bons vizinhos e colaborar conjuntamente em todos os sentidos. E assim que os árabes ganhem seu Estado político e liberdade (na Palestina) e, na medida em que o mundo se concentra cada vez mais na paz, justiça e ajuda mútua, as linhas de fronteira deixarão de ter qualquer significado”.
“Igualdade Absoluta”
Yehudi Menuhin, estava seguindo os passos do pai quando, dirigindo-se ao Knesset [parlamento israelense] na ocasião de recebimento da maior honraria israelense pelas suas realizações enquanto músico, declarou, em 1991: “Vocês devem amar se desejam ser amados, vocês devem confiar para serem confiáveis, servir para serem servidos”. Ele acrescentou que se os Palestinos possuírem um Estado separado ou se junto com os israelenses em um Estado Federado, uma coisa é certa: Entre palestinos e israelenses, “tem que haver reciprocidade absoluta, igualdade absoluta”.
Sem exclusividade: Logo cedo, Moshe Menuhin discursou contra a idéia de judeus exigindo Jerusalém como uma cidade exclusivamente judaica: “Os judeus no mundo nunca precisaram de Jerusalém para suas vidas espirituais”. Por 2000 anos, cada pai apontou a seu filho, “foi a diáspora que deu bens espirituais para aqueles poucos judeus que viveram em paz com os árabes na Palestina Árabe. Com a chegada da nova ordem mundial de natureza civilizada, tais demandas de influência sobre centros espirituais se tornaram arcaicas e fora de época. O melhor de todas as nações e raças pertence a toda a humanidade, e as fases negativas da evolução vai descartá-las como o lixo ‘espiritual’.”
Em uma entrevista de 1996, Yehudi Menuhin novamente ecoou os sentimentos de seu pai: “A idéia de Jerusalém como uma cidade exclusivamente judaica é impensável porque muitos grupos diferentes se sentem leais a ela, religiosa e politicamente, e todos que tentaram tratar Jerusalém como sua foram à ruína.”
Moshe Menuhin disse que deixou Israel por que viu que os sionistas estavam adorando não a Deus mas a seu próprio poder. E uma vez na América, disse que os judeus deste país deveriam antes de tudo ser americanos – não conferindo lealdade prioritariamente a uma terra estrangeira. Ele estava esperançoso de que isso passaria.
Em uma entrevista anterior neste ano, Yehudi Menuhin disse a um repórter da Reuters que se entristeceu pela renovação da guerra no Oriente Médio, “por que Israel precisa de amigos e a reação ao presente desencadeamento de matança indiscriminada não vai dar a Israel quaisquer amigos.”
Em uma bonita autobiografia, Viajem Inacabada, Yehudi Menuhin conta como ele começou a tocar violino quando tinha quatro anos de idade. O leitor pode imaginar um pequeno garoto com bermuda tendo a confiança de se apresentar diante de músicos distintos e de anunciar que eles deveriam lhe dar ouvidos. Ele estreou como violinista com apenas 7 anos de idade. Aos 13, já havia se apresentado em Paris, Londres, Nova Iorque e Berlim. Em Berlim, sua apresentação foi saudada pelo físico Albert Einstein.
Um repórter da Reuters, Roger Jeal escreveu, em Londres, que Yehudi Menuhin era, provavelmente, o músico mais bem pago do mundo “antes de estender sua atuação à condução e a lecionar.” Alguém poderia pensar se a mudança nas quantias que recebia – e na quantidade de concertos que tocava – não aconteceu porque ele cada vez mais acrescentava à apresentação de violino a fala sobre maior entendimento e justiça – não apenas para judeus – mas para toda a Humanidade.
Este ano, Yehudi Menuhin completou 80 anos. Eu o saúdo como um de meus grandes heróis. E me parece que o pai Moshe Menuhin teria muito orgulho de seu filho.
Do Jornal Hora do Povo
*Texto originalmente publicado pela revista Washington Report on Middle East Affairs
 
E abaixo você assiste a um trecho da Paixão segundo são Mateus de Bach com Yehudi Menuhin no violino e a contralto Eula B
 https://www.youtube.com/watch?v=gIdNBgyC88o#t=27
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A esquerda, o sionismo e a tragédia do povo palestino

A esquerda, o sionismo e a tragédia do povo palestino

Publicado em 14/08/2014 | 1 comentário

losurdoPor Domenico Losurdo.*

Em um contexto de mobilização internacional em torno do massacre em Gaza, da proliferação do debate sobre o conflito no Oriente Médio Blog da Boitemporecupera um artigo de Domenico Losurdo, publicado originalmente na revista italiana L’ERNESTO, em 2001. Nele, o historiador italiano defende a necessidade de a esquerda tomar uma posição em relação ao sionismo, rejeitando as análises que apontam para a “complexidade” desse movimento, esquivando-se de emitir um julgamento sobre ele. Traçando um panorama histórico e conceitual, o autor insiste que a esquerda deve denunciar o colonialismo sionista e suas práticas racistas, recusando a equiparação entre anti-sionismo e anti-semitismo. 

***

Os “escravos enfurecidos” e o sermão da “complexidade”.

Em Durban, por ocasião da Conferência internacional sobre racismo promovida
pela ONU, três mil organizações não governamentais provenientes de todo o mundo condenaram com palavras candentes Israel por causa da opressão nacional e da discriminação infligidas aos palestinos, da ferocidade de uma repressão militar que não se detém nem mesmo diante de “atos de genocídio”.

Mais timidamente agiram as delegações oficiais. A perseverante cumplicidade da União Européia para com Israel privou o documento final de muito de sua força. E, contudo, talvez pela primeira vez na história, o Ocidente capitalista e imperialista foi obrigado de modo tão solene a sentar-se no banco dos acusados, foi posto com força diante de algumas páginas de sua história, constantemente recalcadas, que vão do tráfico dos escravos negros ao martírio do povo palestino. A fuga indecorosa das delegações norte-americana e israelense selou o ulterior isolamento daqueles que hoje são os responsáveis de crimes horríveis contra a humanidade e os piores inimigos dos direitos do homem. Trata-se de um resultado de importância extraordinária. E, contudo, até mesmo à esquerda não faltaram aqueles que torceram o nariz. Dando-se ares professorais em relação aos palestinos, convidaram-nos a moderar o tom: sim, a crítica a Israel pode ser justa, mas por que trazer à discussão o sionismo e por que acusá-lo até de racismo?

Em seu tempo, Fichte, troçando da leviandade de certos discursos relativos aos “excessos” da Revolução francesa, exprimiu o seu desprezo por aqueles que, estando em segurança e continuando a gozar de todas as comodidades da vida, pretendem pregar a moral aos “escravos enfurecidos” e decididos a tirar dos ombros a opressão. Não contentes com a lição de moral, os atuais professores do povo palestino pretendem também dar uma lição de epistemologia: pôr em acusação o sionismo enquanto tal – eles sentenciam – significa perder de vista a “complexidade” deste movimento político, caracterizado pela presença no seu interior de correntes muito diversas entre si, de direita, de esquerda e até mesmo de uma esquerda de orientação socialista e revolucionária.

Na realidade, a se seguir de maneira coerente a metodologia aqui sugerida, não é somente com relação ao sionismo que seremos obrigados a calar. Em 1915, a intervenção da Itália no primeiro conflito mundial foi por alguns círculos reivindicada com palavras de ordem explicitamente expansionistas e imperialistas, por outros como uma contribuição à causa do triunfo da democracia e da paz a nível mundial. Mas, pelo menos para os comunistas, não deveria haver dúvidas sobre o fato de que se tratava de uma guerra imperialista em todos os sentidos, não obstante as boas intenções e a sinceridade democrática e até mesmo revolucionária dos seguidores do “intervencionismo democrático”.

Sirvamo-nos de outro exemplo. Não há dúvida de que o colonialismo em certos
casos assumiu um caráter explicitamente exterminador (que se pense em particular no nazismo, mas também, anteriormente, aos que fizeram os aborígines australianos e outros grupos étnicos desaparecer da face da terra), ao passo que outras vezes deteve-se no limiar do genocídio. No fim do século XIX a expansão colonial do Ocidente na África desenvolveu-se agitando a palavra de ordem da libertação dos escravos negros, enquanto alguns decênios mais tarde Hitler promove a colonização da Europa oriental com o objetivo declarado de obter a massa de escravos de que necessita a “raça dos senhores” arianos. Se o Terceiro Reich, no curso de sua marcha expansionista, enaltece as virtudes purificadoras e regeneradoras da guerra, o colonialismo, em certos momentos de sua história (por ocasião da sanguinária expedição conjunta das grandes potências para a repressão da revolta dos Boxers na China), não hesitou em se auto-celebrar por sua contribuição decisiva para a causa da paz perpétua1.

Seria errado ignorar aqui a “complexidade” do fenômeno histórico em exame e suas diferenças internas, as quais, contudo, não nos podem impedir de pronunciar um juízo sobre o colonialismo enquanto tal: mesmo no caráter múltiplo e matizado das suas manifestações, o colonialismo é sinônimo de pilhagem e de exploração, e implicou em guerra, em agressão e na imposição em larga escala de formas de trabalho forçado em dano das populações coloniais, mesmo quando se declarou movido pelo intento humanitário de promover a realização da paz perpétua e a abolição da escravidão, e mesmo quando alguns expoentes políticos ou alguns ideólogos das grandes potências do Ocidente acreditaram sinceramente em tais boas intenções!

Sionismo e colonialismo

Não escolhi por acaso o exemplo do colonialismo. Uma pergunta logo se impõe: existe alguma relação entre sionismo e colonialismo? Não há dúvida de que o sionismo, mesmo na multiplicidade dos seus componentes, se caracteriza por uma palavra de ordem inequívoca: “uma terra sem povo para um povo sem terra”! Estamos em presença da ideologia clássica da tradição colonial, que sempre considerou res nullius, terra de ninguém, os territórios conquistados ou cobiçados e sempre teve a tendência a reduzir a uma grandeza insignificante as populações indígenas. Ademais da ideologia, o sionismo toma de empréstimo da tradição colonial as práticas de discriminação e opressão. Bem antes da fundação do Estado de Israel, já no curso da Segunda Guerra mundial, quando se estabelecem na Palestina os sionistas programam a deportação dos árabes. “Deve ficar claro que não há lugar para todos os dois povos neste país”; faz-se necessário “transferir os árabes para os países confinantes, transferi-los todos”: inequívoco é o programa enunciado no final de 1940 por um dirigente de primeiro plano do movimento sionista.

Sobre isso chama a atenção Edward W. Said2; e se o iminente intelectual palestino devesse resultar suspeito, tenha-se presente que, em outubro de 1945, Hannah Arendt condena com veemência os planos – que, no entanto, depois do fim da Segunda Guerra mundial, se tornaram muito concretos – de “transferência dos árabes da Palestina para o Iraque”3. Aqui, com um gracioso eufemismo, fala-se de “transferência” ao invés de deportação. Mas, três anos depois, Arendt descreve de modo preciso a violência terrorista desencadeada contra a população árabe. Eis a sorte reservada a Deir Yassin:

“Esta aldeia isolada e circundada de território hebraico não tinha participado da guerra e havia até mesmo proibido o acesso a bandos árabes que queriam utilizar a aldeia como ponto de apoio. No dia 9 de abril [1948], segundo o New York Times, bandos terroristas [sionistas] atacam a aldeia, que no decorrer dos combates não representava nenhum objetivo militar, e matam a maioria da sua população – 240 homens, mulheres e crianças; deixam uns poucos com vida para fazê-los desfilar como prisioneiros em Jerusalém”.

Não obstante a indignação da grande maioria da população judaica, “os terroristas se orgulham do massacre, tratam de lhe dar ampla publicidade convidando todos os correspondentes estrangeiros presentes no país para verem os montes de cadáveres e a devastação generalizada em Deir Yassin”4.

Não há dúvida: nem todos os componentes e os membros individuais do movimento sionista se comportam dessa maneira, e seja como for a promover a fundação do Estado de Israel estão também sionistas com uma longa história de esquerda às costas; mas nenhum comunista, bem como nenhum democrata, pensaria em justificar o comportamento da social-democracia alemã, por ocasião do início e no curso da primeira guerra mundial, com o argumento das grandes lutas populares conduzidas por esse partido no passado e do prestígio internacional por esse modo acumulado.

De resto, olhemos mais de perto a esquerda sionista, fiando-nos ainda na análise e no testemunho de Arendt. Também ela faz referência ao “movimento nacional judaico social-revolucionário”, e eis como o caracteriza: trata-se de círculos certamente empenhados no prosseguimento de experiências coletivistas e de uma “rigorosa realização da justiça social no interior de seu pequeno círculo”, mas, quanto ao resto, prontos a apoiar os objetivos “chauvinistas”. No conjunto estamos em presença de um “conglomerado absolutamente paradoxal de tentativas radicais e reformas sociais revolucionárias em política interna, e de métodos antiquados e totalmente reacionários em política externa, ou seja, no campo das relações entre judeus e outros povos e nações”5.

No decorrer de sua história, o movimento comunista sempre se recusou a considerar de esquerda esse “conglomerado”, taxando-o sempre com o nome de social-chauvinismo. Tão pouco de esquerda é esse entrelaçamento de expansionismo (em dano dos povos coloniais) e de espírito comunitário (chamado para cimentar o povo dominante empenhado numa difícil experiência de guerra), que uma grande personalidade judaica chega a ver nele até mesmo um dos motivos de semelhança entre sionismo e nazismo6.

Sionismo e racismo

Chegamos, assim, ao ponto crucial. Aos hipócritas que se escandalizam com as acusações de racismo dirigidas ao sionismo, pode-se contrapor o exemplo de laicismo e de coragem intelectual de Victor Klemperer, acima citado. Quando obrigado a se esconder para escapar à perseguição e à “solução final” que o Terceiro Reich reservou aos judeus, ele não hesita em falar, a propósito dos escritos e da ideologia de Herzl, de “extraordinário parentesco com o hitlerismo”, de “profunda comunhão com o hitlerismo”. Pode-se talvez chegar a uma conclusão ainda mais radical: “A doutrina da raça de Herzl é a fonte dos nazistas; são estes que copiam o sionismo, não vice-versa”.

Na associação entre nazismo e sionismo temos todavia um “enfático norte-americanismo”, ou seja, o mito de um Far West a ser colonizado, de um território virgem que o Terceiro Reich procura na Europa oriental e o sionismo na Palestina. Não é o próprio Herzl que remete de maneira explícita ao modelo doFar West? O único esclarecimento é que os sionistas pretendem proceder a uma “tomada de posse da terra” que não deixe nada à improvisação7. A conclusões não muito diversas daquelas de Klemperer, chega Hannah Arendt. De estímulo para a chacina de Deir Yassin houve uma mistura explosiva de “ultranacionalismo”, “misticismo religioso” e pretensão de “superioridade racial”.

Assumindo “a linguagem dos nacionalistas mais radicais”, o sionismo configura-se de maneira explícita como “pan-semitismo”8; mas por que razão o pan-semitismo deveria ser melhor do que o pan-germanismo? Herzl está obcecado pela preocupação de manter firme a identidade cultural e étnica do judaísmo: não declara ele mesmo que o sionismo deverá procurar os seus “aliados” e os seus “amigos mais devotos” entre os anti-semitas, eles mesmos desejosos de evitar contaminações entre povos diversos na sua alma e na sua essência9? A partir disso Arendt chega a uma conclusão radical: o sionismo “não é mais que a aceitação acrítica do nacionalismo de inspiração alemã”. Ele assimila as nações a “organismos biológicos superhumanos”; mas também para Herzl “não existiam mais do que agregados sempre iguais de pessoas, vistas como organismos biológicos misteriosamente dotados de vida eterna”10. E, novamente, remetendo ao “nacionalismo de inspiração alemã”, cheio de motivos “biológicos”, somos reconduzidos ao nazismo ou, pelo menos, à ideologia sucessivamente herdada e radicalizada pelo Terceiro Reich.

Utilizei até agora os artigos e as intervenções de Arendt anteriores à sua virada anticomunista e antimarxista ocorrida com a eclosão da guerra fria. Mas é interessante notar que, ainda em 1963, a filosofa não perdeu nada de sua carga desmistificadora. Por ocasião do processo Eichmann, “o ministério público denunciou as infames leis de Nuremberg de 1935, que tinham proibido os matrimônios mistos e as relações sexuais de judeus com alemães”. Contudo, no próprio momento em que foi pronunciado esse requisitório, em Israel tinha vigência uma legislação análoga, de modo que “um judeu não pode casar com um não judeu”. E não é tudo. A “lei rabínica” comporta toda uma série de discriminações de base étnica: “Os filhos nascidos de matrimônios mistos são, por lei, bastardos (os filhos nascidos de pais judeus fora do vínculo matrimonial são legitimados), e se alguém tem por acaso uma mãe não-judia, não pode se casar e não tem direito ao funeral”. Sobretudo, Arendt chama a atenção sobre o entusiasmo suscitado, no seu tempo, no criminoso nazista pelas teses expressas por Herzl no seu livro O Estado judeu: “Depois da leitura deste famoso clássico sionista, Eichmann aderiu prontamente e para sempre às ideias sionistas”11.

Talvez, nesse caso, em Klemperer e na própria Arendt, mais que uma exasperação polêmica, há um real excesso de simplificação: é difícil atribuir ao sionismo as ambições de domínio planetário e de inversão radical em sentido reacionário do curso da história que desempenham um papel central na ideologia e no programa político de Hitler; além do mais não existe equivalência entre racismo e contra-racismo (ou seja, racismo de reação). Mais equilibrada, revela-se uma outra eminente personalidade judaica, o historiador George L. Mosse, o qual, aliás, também chama a atenção para o fato de que o sionismo pensa a “nação judaica” nos termos naturalistas propagados pelos turvos “ideais neogermânicos”, que se difundem a partir do fim do século XIX, desempenhando um papel não insignificante no processo de preparação ideológica do Terceiro Reich12. Sobre isso será preciso continuar a raciocinar e a discutir, mas os gritos escandalizados surgidos por ocasião da Conferência de Durban querem justamente impedir o raciocínio e a discussão.

Contudo, pelo menos um ponto resulta agora suficientemente claro. Sobre a abertura concreta do sionismo, sobre as relações sociais e “raciais” vigentes atualmente em Israel, damos a palavra a judeus de orientação democrática, esclarecendo que não se trata de nenhum modo de extremistas, dado que publicam as suas intervenções no International Herald Tribune. Pois bem, aqui podemos ler que, ainda que uma democracia, Israel é uma “democracia de casta segundo o modelo da antiga Atenas” (que por fundamento tinha a escravidão dos bárbaros), ou seja, segundo o modelo do “Sul dos USA” nos anos da discriminação racial contra os negros.

O quadro que Israel apresenta é claro: “A sua minoria de árabes israelenses vota, mas tem um estatuto de segunda classe sob muitos outros aspectos. Os árabes, sob seu governo na Cisjordânia ocupada, não votam e estão privados quase de todo direito”13. A prática da discriminação contra os palestinos caminha pari passo com a sua “desumanização”14. É um dado de fato: nos territórios de uma maneira ou de outra controlados por Israel, o acesso à terra, à educação, à água, a liberdade de movimento, o gozo dos direitos civis mais elementares, tudo depende do pertencimento étnico. Somente os palestinos correm o risco de ter a propriedade destruída, de serem deportados, de serem torturados (mesmo os que ainda são menores de idade), de serem entregues aos esquadrões da morte: e, tudo isso, não na base em uma sentença da magistratura, mas na base no arbítrio das autoridades policiais e militares, ou seja, sob a decisão soberana do Primeiro ministro. Sharon “fala ainda com orgulho da sua dura campanha contra os militantes palestinos em Gaza trinta anos atrás, quando destruía com tratores as casas e deportava os pais dos adolescentes envolvidos nos protestos”15. Assim, como no-lo informa a imprensa norte-americana, é possível ser deportado não somente com base em uma suspeita, mas também a partir de vínculos de parentesco com um jovem suspeito de ter lançado uma pedra contra um soldado israelense. E corre-se este risco sempre e somente sendo palestino.

Não é racismo tudo isso? Por outro lado, enquanto rejeita com horror a reivindicação dos refugiados palestinos de retorno à terra da qual foram expulsos pela violência, Israel convida os judeus de todo o mundo a se estabelecerem no Estado judeu e encoraja a colonização dos territórios ocupados, dos quais os palestinos continuam a serem expulsos. O que é isso senão limpeza étnica?

As árvores e a floresta

Diante da terrível evidência da realidade, como parecem retrógrados os apelos que uma certa esquerda dirige aos palestinos e árabes para que não se ocupem de problemas muito “complexos” como o sionismo e o racismo de Israel, concentrando se ao invés disso na crítica ou na condenação de Sharon [ou de Netanyahu]! Mas, por parte da esquerda ocidental, esta condenação está pelo menos à altura da situação? No fim de 1948, por ocasião da visita de Begin aos EUA, Arendt apelava à mobilização contra o responsável pela chacina de Deir Yassin, fazendo notar que o partido por ele dirigido resultava “estreitamente aparentado com os partidos nacional-socialistas e fascistas”16. Por que a esquerda ocidental não ousa exprimir-se com a mesma clareza com relação ao responsável pelo massacre de Sabra e Chatila? Além do mais, ainda que a condenação de Sharon estivesse à altura dos crimes, nem por isso o assunto poder-se-ia considerar encerrado.

Com a mesma lógica, com a qual uma certa esquerda convida a deixar de lado a questão do racismo de Israel e do papel do sionismo, poderíamos nos perguntar: por que não se limitar à denúncia do governo de Berlusconi (ou dos precedentes governos Amato e D’Alema) ao invés de criticar o capitalismo? E por que não centrar fogo sobre Bush filho (ou sobre Clinton ou sobre Bush pai) ao invés de trazer à discussão o imperialismo? É a lógica dos reformistas mais medíocres e mais miúdos: estão dispostos – bondade deles – a dar uma olhada nessa ou naquela árvore, mas ai de você se lhes acenar para a existência de uma floresta! Contudo, se não se olha para a floresta será impossível não só resolver positivamente a tragédia do povo palestino, como também analisá-la de modo adequado.

Esta tragédia não teve início com [Netanyahu], Sharon, ou com Barak, e nem mesmo com os governos anteriores. De “injustiça perpetrada contra os árabes”, Arendt17 fala já em 1946, e nessa mesma circunstância afirma que a fundação de Israel “tem pouco a ver com uma resposta aos anti-semitas”. Com efeito, basta folhear ainda que rapidamente Herzl, para dar-se conta que para ele a contradição principal é a que contrapõe os “judeus fiéis à estirpe” aos judeus “assimilados”, acusados de fazer o jogo de quantos gostariam do “ocaso dos judeus mediante miscigenação” e de praticar matrimônios mistos (onde por matrimônios mistos estão compreendidos também aqueles entre judeus convertidos e judeus “fiéis à estirpe” e à religião18).

A ferocidade do anti-semitismo (que culmina no horror de Auschwitz) tem indubitavelmente alimentado de maneira poderosa o movimento sionista, mas os seus fundadores sempre declararam de maneira aberta que a opção sionista é independente do anti-semitismo e continuaria a ser válida “ainda que o anti-semitismo desaparecesse completamente do mundo”19. Para dizê-lo com as palavras de Arendt, o sionismo está empenhado em utilizar o anti-semitismo como “o fator mais saudável da vida judaica”, como a “força motriz” primeiro da criação e depois do desenvolvimento do Estado judeu20.

Particularmente instrutiva é a recente visita de Sharon a Moscou. Ele observou o desenvolvimento na Rússia da vida cultural e religiosa da comunidade judaica: é uma espécie de “época de ouro”. Tudo bem, portanto? Ao contrário, porque o primeiro ministro israelense assim prosseguiu: “Isso me preocupa, pelo fato de que nós temos necessidade de um outro milhão de judeus russos”21. Para angustiar Sharon não está o perigo do antisemitismo, mas, pelo contrário, o da assimilação. Tornam-se agora evidentes os resultados desastrosos a que conduz a tendência a lançar o olhar às árvores tomadas isoladamente, mas desinteressando-se da floresta no seu complexo.

Critica-se a política de colonização dos territórios ocupados, mas cala-se sobre o convite aos judeus russos (ou norte-americanos ou alemães e de todo o mundo) para imigrar maciçamente a Israel: como se entre as duas coisas não houvesse nenhum nexo! Se, ao contrário, queremos captar tal nexo, devemos ousar olhar para a floresta. Esta floresta é o sionismo, o colonialismo sionista, com as práticas racistas que toda forma de colonialismo comporta.

Refugiar-se na “complexidade” para evitar a obrigação intelectual e moral de exprimir um julgamento sobre o sionismo, significa assumir uma atitude similar à do revisionismo histórico, o qual também não se cansa de sublinhar a “complexidade”, no caso do fascismo, por exemplo. E não sem alguma razão, dado que, em seu tempo, foi o próprio Palmiro Togliatti que alertou contra as simplificações apressadas, chamando a atenção para o fato de que o fascismo é sim um movimento reacionário, mas um movimento reacionário que, pelo menos por um certo período de tempo, graças também à sua demagogia social, chegou a gozar de uma base de massa e até mesmo a atrair intelectuais que sucessivamente iriam amadurecer uma nítida opção pela esquerda. É uma lição de método que vai muito além da análise do fascismo. Remeter à complexidade é legítimo e fecundo quando estimula uma articulação mais rica e concreta do julgamento histórico, chamado a dar conta dos elementos de diferenciação e contradição que sempre irrompem no curso do processo de desenvolvimento de um fenômeno histórico complexo. Outras vezes, ao contrário, remeter à complexidade é uma fuga ao julgamento histórico, é um abandonar-se à mística da inefabilidade: é expressão de vontade mistificadora, ou seja, de assombro.

A causa anti-sionista dos palestinos e a causa dos judeus progressistas

Negar que o sionismo e a fundação do Estado de Israel sejam em primeiro lugar a resposta ao anti-semitismo e afirmar que desde o início os palestinos sofreram
uma injustiça, significa que se deva lutar pela destruição do Estado de Israel? Como fundamento dos EUA há um crime originário realizado contra os pele-vermelhas e os negros. E, todavia, ninguém pensa em fazer retornar os brancos à Europa, os negros à África e em despertar os que são de pele-vermelha do sono eterno. Desde os seus inícios, Israel tratou os palestinos em parte como se fossem pele-vermelhas (privando-os de suas terras e às vezes submetendo-os a dizimações), em parte como negros, discriminados, torturados, humilhados, na melhor das hipóteses constrangendo-os a ocupar os segmentos inferiores do mercado de trabalho.

O reconhecimento desse crime originário é o primeiro pressuposto para que possa haver justiça e reconciliação. Mas uma crítica tão radical a Israel e ao próprio sionismo não corre o risco de realimentar o anti-semitismo? Hannah Arendt fez troça do mito de um antisemitismo eterno. É um mito que afunda suas raízes no sionismo. Pelo menos os seus expoentes mais radicais, a partir de sua visão naturalista da nação, tendem a instituir uma contraposição natural e eterna “entre os judeus e os gentis”. Ou seja, o mito do anti-semitismo eterno afunda suas raízes em uma visão ela mesma densa de humores racistas. Em todo caso, é evidente o componente chauvinista dessa visão.

Não afirma Herzl que “uma nação é um grupo de pessoas mantidas juntas por um
inimigo comum”? É a partir de tal “teoria absurda” – observa a corajosa pensadora de origem judaica – que os sionistas cultivam o mito do anti-semitismo eterno22. São observações que remontam a 1945, mas que hoje são mais atuais do que nunca. Ainda depois de sua virada em sentido anticomunista e antimarxista, em 1963, Arendt declara que o “anti-semitismo, graças a Hitler, ficou desacreditado, talvez não para sempre, mas certamente pelo menos para a época atual”23. Por sua vez um conhecido cientista político norte-americano escreveu que, em nossos dias, “na Europa ocidental o anti-semitismo para com os judeus foi em larga medida suplantado pelo antisemitismo para com os árabes”24. Na realidade, isso não vale somente para as metrópoles urbanas na Europa Ocidental, mas também e sobretudo para o Oriente Médio.

A autenticidade do envolvimento contra o racismo mede-se não a partir da homenagem, ainda que devida, para com as vitimas do passado, mas, a partir em primeiro lugar, do apoio às vitimas atuais. Se não sabe tornar própria até o fundo a causa do povo palestino, a luta contra o racismo é somente uma frase vazia. É para ficar então atônito quando se lê em um “diário comunista” o convite para deixar “o anti-semitismo – antisionismo de princípio – aos racistas”25. A autora dessa afirmação, ou melhor dessa assimilação, ao mesmo tempo em que se recusa a levar em consideração a acusação de colonialismo e de racismo dirigida ao sionismo, de fato não hesita em taxar de racistas, entre outros, Victor Klemperer e Hannah Arendt. Quando esta última, em 1963, publica Eichmann em Jerusalém, com as suas flechas contra o sionismo e contra a tentativa de Israel de instrumentalizar o processo em sentido antiárabe, torna-se alvo de acusação como anti-semita. Na França, o semanário Nouvel Observateur, ao publicar trechos do livro (escolhidos com perfídia), pergunta-se sobre a autora:Est-elle nazie? É nazista?26.

Essa campanha não cessou, ainda que agora tenha em mira alvos considerados mais cômodos. Das colunas do International Herald Times expoentes progressistas da comunidade judeus norte-americana lançaram um grito de alarme: objetos de “desumanização” não são somente os palestinos, mas também os judeus que exprimem um julgamento crítico complexo sobre Israel, chegando às vezes a colocar em discussão o sionismo enquanto tal. É uma atitude que lhes pode custar caro, porque, além dos insultos, eles recebem repetidas ameaças de morte27.

Aceitando acriticamente a equiparação de anti-sionismo e anti-semitismo propalada pelos dirigentes de Israel, uma certa esquerda trai não só a luta dos palestinos, mas também a dos judeus progressistas em Israel e no mundo, sob certos aspectos, não menos difícil e não menos corajosa.

* Tradução é de Modesto Florenzano para a revista Crítica Marxista de 2007.

50 mil ortodoxos em NY protestam: “Sionistas não representam Judeus “

50 mil ortodoxos em NY protestam: “Sionistas não representam Judeus “.

[Imagem: 4001105394.jpg]

Cerca de 50.000 judeus ultra-ortodoxos participaram “Grande Assembléia Prayer ‘neste domingo em Nova York para apoiar seus” irmãos em apuros “em Israel, antes da próxima votação da Knesset sobre legislação controversa.

Por Chemi Shalev | março 10 de 2014

A cena era completamente surreal: um cantor chorando suplicando ao Senhor em iídiche com sotaque hebraico para ouvir suas orações, alto-falantes de alta octanagem amplificando o clamor em toda a parte baixa de Manhattan, dezenas de milhares de judeus vestidos de negro, judeus ultra-ortodoxos sinceramente repetiam os Salmos no frio de Nova York, alguns devidamente exasperados, e os olhares de espanto nos rostos dos turistas desavisados ​​que pensaram que estavam simplesmente andando pelas vielas perto de Wall Street, quando se depararam com uma visão que pode ser comum em Bnei Brak, mas parecia totalmente fantástico no coração de Nova York.

Alguns dos 50.000 crentes ultra-ortodoxos se esforçaram para Water Street, perto do East River na tarde de domingo, atendendo ao chamado para participar da ” Grande Assembléia Prayer “, que visa reforçar apoio ” aos nossos irmãos em apuros “que estão lutando contra a nova Força de Defesa de Israel, o projeto de lei que deverá entrar em votação Knesset em breve.

Eles vieram em ônibus de Brooklyn, no metrô de Queens, em balsas de Staten Island, em carros de Manhattan e em comboios de Monsey, New York, no norte, a Lakewood, New Jersey, no sul.

“Um, dois, EINZ” os alto-falantes tocavam, o seu sinal de teste em Inglês e iídiche, como o dedicado jockeyed e manobrou em esforço para chegar mais perto do pódio central. Os policiais ordenaram que permanecessem dentro das áreas destinadas pelas barricadas, mas não pareciam ter sido preparados para o ardil israelo-Haredi tradicional: os infratores acenaram para sinalizar que tinham ouvido as advertências e continuaram em seu formato original, como se tudo fosse apenas um mal entendido amigável.

“Esta é uma demonstração de força”, eu ouço algumas análises de especialistas, diz o jornalista Jacob Kornbluh. “Agudat Israel na América queria provar que eles não eram menos hábeis do que os seus colegas em Israel em mobilizar as massas”, diz ele. “E o Satmar Rebbe Aaron Teitelbaum” – trancado em uma luta de poder com seu irmão Zalman – “queria mostrar quão bem sucedido ele esteva em convencer seus seguidores da hostilidade de Israel a qualquer coisa religiosa.”

“É uma lei má porque é um esforço para arrancar a religiosidade de Israel”, disse um estudante yeshiva de Lakewood, no entanto, ele prefere manter o anonimato, “porque não estamos autorizados a falar com pessoas como você.” Então, seu amigo cantarola: “Israel existe por causa de milagres provocados por aqueles que estudam a Torá.”

E eles eram os moderados. Um jovem Satmar – que concorda em revelar seu primeiro nome, Moshe – diz-me que “os sionistas criaram todos esses problemas com os árabes, e agora eles querem nos arrastar para lutar as suas guerras para eles.”

“Quem vai defender Israel?” Eu pergunto, e ele olha para mim como se eu fosse um idiota:
“É melhor do que ninguém o faça, a fim de que Israel entre em colapso e os judeus possam voltar a viver em segurança, como sempre.” Como eu sai, seu amigo me deu um cartão de visitas de trueotorahjews.com, com o slogan “sionistas não representam Judeus “.

Olhando em volta esta Gleiberman Yossi, um vendedor de relógio mais antigo do Brooklyn, que se recusa a catalogar sua filiação religiosa, porque “todos nós temos nos tornado tão rotulados.” Ele diz que muitos judeus ortodoxos entendem que Israel é desafiado pelo rápido crescimento da população e são Haredi disposto a “sentar e discutir soluções” Mas a resposta, acrescenta, não se pode “criminalizar estudo da Torá.”

Gleiberman orgulhosamente me diz que ele veio para a assembléia de oração acompanhado por dois de seus filhos e uma filha, assim como sua esposa e sua avó. As mulheres, claro, estão em uma área separada, longe do pódio principal, perto de South Street Seaport, onde a polícia tenta movê-los mais para o norte, enquanto os carros cheios de novos manifestantes continuam vindo.

Depois de pouco mais de uma hora de oração, de lágrimas e dor sincera, a multidão se dispersa silenciosamente, os policiais soltam um grande suspiro de alívio e os turistas da China, Noruega e Japão continuam a clicar, porque sem prova fotográfica, eles percebem, na volta para casa quem vai acreditar neles.

http://www.haaretz.com/jewish-world/jewi…m-1.578830

Leia mais: http://forum.antinovaordemmundial.com/Topico-50-mil-ortodoxos-em-ny-protestam-sionistas-n%C3%A3o-representam-judeus#ixzz3SpFgZp00

Israel: cientista judeu alega que sua raça NÃO É semita e sim proveniente da Khazaria Posted by Thoth3126 on 16/02/2015

Israel: cientista judeu alega que sua raça NÃO É semita e sim proveniente da Khazaria

Posted by  on 16/02/2015

Top cientista israelense diz que judeus Ashkenazi vieram da Khazaria, região da Europa Central, e que não tem origem na Palestina (n.t. ou na antiga cidade de UR, na antiga Mesopotâmia, como descendentes de Abraão, que descendia de Sem, portanto Semitas)

Eran Elhaik, da John Hopkins University, um cientista geneticista molecular israelense, publicou uma pesquisa que diz desmascarar essa afirmação. E isso desencadeou um enorme e previsível confronto. “Ele esta simplesmente errado”, disse Marcus Feldman, da Universidade de Stanford, um dos principais pesquisadores em genética judaica, referindo-se a pesquisa de Elhaik.

Tradução, edição e imagens:  Thoth3126@gmail.com

Um geneticista israelense desafia a  hipótese sionista” de que todos os judeus pertencem a uma raça e estão intimamente relacionados, dando-lhes, assim, um ancestral comum na Terra Santa e uma reivindicação bíblica para a Palestina. 

Fonteshttp://www.darkmoon.me/2013/top-israeli-scientist-says-ashkenazi-jews-came-from-khazaria-not-palestine/

Postado por Montecristo

Os cientistas não costumam chamar uns aos outros de “mentirosos” e “fraudulentos”. Mas isso é como o pesquisador Eran Elhaik, da Johns Hopkins University, com pós-doutorado, descreve um grupo de geneticistas amplamente respeitados, incluindo Harry Ostrer, professor de patologia e genética do Albert Einstein College of Medicine da Universidade de Yeshiva e autor do livro Legacy: A Genetic History of the Jewish People, publicado em 2012 .  

Região da Europa Central, no Cáucaso, que seria a origem do atual povo judeu Askhenazim, da raça branca, não semita, de acordo com o pesquisador e outros.

Há anos, os resultados do professor Ostrer e vários outros cientistas têm se mantido praticamente incontestados sobre a genética dos judeus e a história que contam sobre as suas origens comuns do Oriente Médio compartilhadas por muitas populações judaicas em todo o mundo. Judeus – e particularmente os Ashkenazim – são de fato uma raça, um povo, como a pesquisa de Ostrer demonstra.

É uma teoria que mais ou menos afirma o entendimento daquilo que os próprios judeus mantêm de quem eles são no mundo: um povo que, embora disperso, compartilham um vínculo étnico-racial enraizado em sua origem ancestral comum dos judeus nativos da antiga Judeia ou Palestina, como os romanos chamavam a região depois que conquistaram a pátria judaica.

Mas agora, Elhaik, um cientista geneticista molecular israelense, publicou uma pesquisa que diz desmascarar essa afirmação. E isso desencadeou um enorme e previsível confronto. “Ele esta simplesmente errado”, disse Marcus Feldman, da Universidade de Stanford, um dos principais pesquisadores em genética judaica, referindo-se a pesquisa de Elhaik.

As vezes fortes emoções geradas por essa disputa científico de uma questão central e politicamente carregada que cientistas e outros têm ponderado por décadas: DE ONDE no mundo que os judeus Ashkenazi tem a sua ORIGEM?

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O debate toca sobre questões sensíveis como a de que se o povo judeu é uma raça ou uma religião, e se os judeus ou os palestinos são descendentes dos habitantes originais daquilo que é hoje o Estado de Israel.

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A teoria de Ostrer às vezes é empacotada para emprestar uma autoridade de ciência para a narrativa sionista, que vê a migração de judeus modernos ao que hoje é Israel e seu domínio sobre aquela terra, como um simples ato de reintegração de posse pelos descendentes  dos moradores originais daquela terra.

Ostrer se recusou a ser entrevistado para esta reportagem. Mas, em seus escritos, Ostrer aponta os perigos de tal reducionismo, alguns dos mesmos marcadores genéticos comuns entre os judeus, ele identifica que podem ser encontrados em palestinos, também.

O pesquisador israelense Eran Elhaik, da Johns Hopkins University, com pós-doutorado.

Ao utilizar ferramentas moleculares sofisticadas, Feldman, Ostrer e a maioria dos outros cientistas no campo genético descobriram que os judeus são geneticamente homogêneos. Não importa onde eles vivam, dizem esses cientistas, os judeus são geneticamente mais semelhantes entre si do que com seus vizinhos não-judeus, e eles têm uma ascendência comum do Oriente Médio.

Essa pesquisa dos geneticistas faz apontar para o que é conhecido como a Hipótese Renânia. Segundo essa hipótese, os judeus Ashkenazi seriam descendentes dos judeus que fugiram da Palestina depois da conquista muçulmana no século VII e se estabeleceram no sul da Europa. No final da Idade Média eles se mudaram da Alemanha ou desde a Renânia para a Europa Oriental.

“Bobagem”, disse Elhaik, um judeu israelense de 33 anos de idade, de Beersheba, que obteve um doutorado em evolução molecular da Universidade de Houston. Ele é filho de um homem italiano e uma mulher iraniana que se casaram em Israel, Elhaik, um homem compacto, de cabelos escuros, sentou-se recentemente para uma entrevista em seu despojado cubículo estreito de um escritório na Universidade Johns Hopkins, onde ele trabalhou por quatro anos.

Em  “A conexão perdida da ascendência européia judaica: Contrastando as Hipóteses Renânia e a Khazar”,  publicado em dezembro na revista Genome Biology and Evolution, Elhaik diz que ele comprovou que as raízes Ashkenazi dos judeus residem no Cáucaso – uma região no fronteira da Europa e da Ásia, que se situa entre os mares Negro e Cáspio – e não no Oriente Médio. Eles são descendentes, argumenta ele, dos khazares, um povo turco que viveu em um dos maiores estados medievais da Eurásia e depois migrou para a Europa Oriental, nos séculos 12 e 13. A genética e os Genes do tipo Ashkenazi, Elhaik acrescentou, são muito mais heterogêneas do que Ostrer e outros proponentes da Hipótese Renânia acreditam. Elhaik  encontrou um marcador genético comum do Oriente Médio em DNA de judeus, mas, segundo ele, este poderia ser do Irã, não da antiga Judéia.

Elhaik escreve que os khazares (que foram) convertidos ao judaísmo no século VIII, embora muitos “historiadores” acreditem que apenas a realeza e alguns membros da aristocracia se converteram.Mas a conversão generalizada pelos khazares ao judaísmo é a única maneira de explicar o enorme crescimento da população judaica européia para 8 milhões no início do século 20 a partir de sua minúscula base desde a Idade Média, diz Elhaik.

Elhaik baseia sua conclusão na análise de dados genéticos publicados por uma equipe de pesquisadores liderados por Doron Behar, geneticista populacional e médico sênior do Rambam Medical Center, em Israel, em Haifa. Usando os mesmos dados, a equipe de Behar, publicado em 2010 um documento concluindo que a maioria dos judeus contemporâneos de todo o mundo e algumas populações não-judaicas do Levante, ou do Mediterrâneo Oriental, estão intimamente relacionados.

Elhaik usou alguns dos mesmos testes estatísticos como Behar e outros, mas ele escolheu comparações diferentes. Elhaik comparou “assinaturas genéticas” encontrados em populações judaicas como os armênios  e georgianos (n.t. caucasianos como o antigo povo Khazar) modernos, que ele usa como um padrão atual para os Khazarians há muito extintos, porque eles vivem na mesma área em que existiu aquele estado medieval Khazar.

A Khazaria e o império Khazar entre os anos de 600 a 850 d.C. quando o judaísmo foi adotado no reino. Esse povo era da raça branca ariana e caucasiana e nunca foi semita.

“É uma premissa irrealista”, disse o geneticista da Universidade de Arizona Michael Hammer, um dos co-autores da pesquisa de Behar, que Elhaik usou. Hammer salienta que os armênios têm raízes no Oriente Médio, que, segundo ele, é por isso que eles pareciam estar geneticamente relacionados com os judeus Ashkenazi no estudo de Elhaik.

Hammer, que também co-escreveu o primeiro artigo que mostrava que osKohanim(*) dos tempos modernos são descendentes de um único ancestral masculino, chama Elhaik e outros proponentes da Hipótese khazar “gente isolada… que têm um ponto de vista minoritário que não é suportado cientificamente. Eu acho que os argumentos que eles fazem são muito fracos e que expandem o que sabemos”.

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(*) Kohanim, Kohen ou Cohen (ou Kohain ; hebraico : כֹּהֵן ., “padre”, pl כֹּהֲנִים Cohanim ) é a palavra hebraica para sacerdote. Os Cohanim judaicos acredita-se serem haláchicos  e tradicionalmente ser de descendência patrilinear direta do sacerdote personagem bíblico Aarão, o irmão de Moisés.

Durante a existência do Templo de Jerusalém, os Cohanim realizavam as oferendas diárias e nos feriados religiosos (deveres Yom Tov). Hoje o sacerdote Cohanim mantém uma situação menos distinta dentro do judaísmo, e estão vinculados a restrições adicionais de acordo com o judaísmo ortodoxo.

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Feldman, diretor do Stanford’s Morrison Institute for Population and Resource Studies ecoa Hammer. “Se você pegar toda a cuidadosa análise genética populacional que tem sido feito ao longo dos últimos 15 anos … não há dúvida sobre a origem comum do povo judeu no Oriente Médio”, disse. Ele acrescentou que o resultado da pesquisa de Elhaik “é uma espécie de outsider”.

A análise estatística de Elhaik não passaria pela maioria dos estudiosos contemporâneos, disse Feldman: “Ele parece estar aplicando as estatísticas de uma forma que lhe dá resultados diferentes daquilo que todo mundo tem obtido a partir de dados essencialmente semelhantes.” Elhaik, que sequer acredita que Moisés, Aarão ou as 12 tribos de Israel algum dia existiram, dá de ombros para as críticas.

“Esse é um argumento circular”, disse ele sobre a noção de que semelhanças genéticas de judeus e armênios  resultam de ancestrais comuns no Oriente Médio e não da região da Khazaria, a área onde os armênios vivem. Se você acredita nisso, diz ele, então outras populações não-judaicas, como a Geórgia, que são geneticamente semelhantes aos armênios devem ser consideradas geneticamente relacionados aos judeus, também, “e assim por diante e assim por diante.”

Dan Graur, supervisor de doutorado de Eran Elhaik na Johns Hopkins University, e membro do conselho editorial da revista que publicou o resultado de suas pesquisas, chama seu ex-aluno de “muito ambicioso, muito independente. Isso é o que eu gosto”. Graur, um romeno-nascido judeu que atuou no corpo docente da Universidade de Tel Aviv por 22 anos antes de se mudar há 10 anos para a escola de Houston, disse sobre Elhaik”, que ele escreve mais provocante do que poderia ser necessário, mas é o estilo dele”. Graur chama a conclusão da pesquisa de Elhaik de que os judeus Ashkenazi se originaram a leste da Alemanha” de uma estimativa muito honesta”.

Shlomo Sand, professor de história na Universidade de Tel Aviv e autor do polêmico livro de 2009 “The Invention of the Jewish People”

Em uma   reportagem  que acompanhou o artigo de revista de Eran Elhaik, Shlomo Sand, professor de história na Universidade de Tel Aviv e autor do polêmico livro de 2009 “The Invention of the Jewish People” (Invenção do Povo Judeu), disse que o estudo reinvindica o mesmo que as suas idéias desde longa data.

“É tão óbvio para mim”, disse Sand a revista. “Algumas pessoas, historiadores e  até mesmo cientistas, fecham os olhos para a verdade. Uma vez que, antigamente dizer que os judeus eram uma raça era ser anti-semita, agora dizer que eles não são uma raça é que é ser anti-semita. É uma loucura como (n.t. os manipuladores da) a história brinca com a gente. “

O artigo recebeu pouca cobertura na mídia norte americana (n.t. controlada pelos sionistas e elitistas da NWO), mas tem atraído a atenção de grupos anti-sionistas e da “supremacia branca anti-semitas”, disse Elhaik.

Curiosamente, enquanto os blogueiros anti-sionistas têm aplaudido o trabalho de Elhaik, dizendo que isso prova que os judeus contemporâneos não têm direito legítimo nenhum ao território de Israel (Palestina), alguns supremacistas brancos atacaram ele.

David Duke, por exemplo, é perturbado pela afirmação de que os judeus não são uma raça.”O comportamento disruptivo e conflitivo que marcou as atividades da supremacia judaica através dos milênios sugere fortemente que os judeus mantiveram-se mais ou menos geneticamente uniformes e têm … desenvolvido uma estratégia de sobrevivência evolutiva de grupo baseada em uma unidade biológica comum – algo que milita fortemente contra a teoria Khazar”, escreveu o ex- integrante da (racista) Ku Klux Klan e ex-deputado estadual da Louisiana-EUA em seu blog, em fevereiro.

“Eu não estou me comunicando com eles”, disse Elhaik sobre os supremacistas brancos. Ele disse que eles também o incomodam, e Elhaik é um veterano de sete anos de serviço no exército israelense, o que os anti-sionistas têm capitalizado sobre a sua pesquisa, pelo menos porque  “ela não vai ser provada estar errada a qualquer momento ou em breve . “

Mas os defensores da hipótese Renânia também têm uma agenda política, disse ele, afirmando que eles “foram motivados para justificar e corroborar a narrativa (do movimento) sionista . “

Para ilustrar seu ponto de vista, Elhaik gira em torno de sua cadeira para ficar de frente ao seu computador e busca por uma troca de e-mail de 2010, com Ostrer.  “Foi um grande prazer ler o artigo recente do seu grupo, “Filhos de Abraão na era do genoma”, que iluminam  a história do nosso povo”, escreveu Ostrer a Elhaik . “É possível ver os dados utilizados para o estudo?”

Ostrer respondeu que os dados não estão disponíveis publicamente. “É possível colaborar com a equipe por escrito através de uma breve proposta que descreva o que você pretende fazer”, escreveu ele. “Critérios para revisão incluem a novidade e a força da proposta, sem sobreposição com as atividades atuais ou previstas, e sem caráter difamatório (n.t. ou apenas contrário) para o povo judeu“.

Essa última exigência, Elhaik argumenta, revela o viés de Ostrer e de seus colaboradores.

Permitindo aos cientistas o acesso aos dados somente se a pesquisa não vai difamar os judeus é (uma situação) “muito peculiar”, disse Catherine DeAngelis, que editou o Journal of the American Medical Association por uma década. “O que isso faz é configurar-se para receber uma crítica: espere um minuto. O que esses caras estão tentando esconder? “

Apesar do que seus críticos afirmam, Elhaik diz, ele não esta lá para provar que os judeus contemporâneos não têm ligação com o povo judeu da Bíblia. Seu foco principal de pesquisa é a genética da doença mental, o que, explica ele, levou-o a questionar o pressuposto de que os judeus ashkenazim são uma população útil para estudar porque eles são tão homogêneos.

Elhaik diz que ele leu pela primeira vez sobre a hipótese khazar uma década atrás, em um livro de 1976 escrito pelo falecido autor (judeu) húngaro-britânico Arthur Koestler, ” A Décima Terceira Tribo “, escrito antes que os cientistas tivessem até mesmo as ferramentas para comparar genomas.

O autor (judeu) húngaro-britânico Arthur Koestler, e seu livro “A Décima Terceira Tribo”

Koestler, que era judeu de nascimento, disse que seu objetivo ao escrever o livro era eliminar as bases racistas do anti-semitismo na Europa. “Se essa teoria (origem dos judeus no Cáucaso, no império Khazar) se confirmar, o termo” anti-semitismo “se tornaria vazio de significado”, a capa do livro declara. Embora o livro de Koestler tivesse sido geralmente bem revisado, alguns céticos questionaram a compreensão do autor da história da Khazaria .

Para Graur não é surpresa que Eran Elhaik tenha se levantado contra a “panelinha“de cientistas que acreditam que os atuais judeus são geneticamente homogêneos (n.t. semitas e com origem no Oriente, na Palestina) . “Ele gosta de ser combativo”, disse Graur. “Isso é o que é ciência.”

O Reino dos Khazares, parte II final

O Reino dos Khazares, parte II final

Posted by  on 06/02/2015

“Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e a quem bate, abrir-se-lhe-á”. Mateus, 7, vers. 7 e 8  

Na definição das origens dos judeus ashkenazim, Alan Brook afirma que: “A localização geográfica dos judeus Ashkenazim, baseado em referências na Torah, pode ser centrado em torno do sul da Rússia, Armênia e Ásia Menor. Ashkaenoi (askae ou askai) foram também as pessoas conhecidas como Phrygians ou Mysians (Meseque). 

O Reino dos Khazares – Parte II e final

Tradução, edição e imagensThoth3126@gmail.com do site:

Fontehttp://www.apfn.org/THEWINDS/library/khazars.html

Parte II – A ORIGEM DOS Judeus KHAZARES ASHKENAZIM

“Judá… se casou com a filha de um deus estranhoO Senhor vai cortar o homem que fizer isto. “ Malaquias 2:11, 12

Alguns historiadores afirmam que o nome Ashkenaz aplica-se exclusivamente aos judeus alemães. Entretanto, a evidência mais recente mostra que eles imigraram a partir das regiões do sul da Rússia e da Ásia ocidental e da Ásia Menor – a região que já foi claramente identificada como o local e a origem dos khazares antigos.

Os modernos judeus são essencialmente divididos em duas categorias principais, étnica e culturalmente: sefaradim e ashkenazim (Sefaradi e Ashkenazi). Os primeiros são principalmente de origem semita espanhola, o nome Sefaraditas sendo derivado de Sefarada palavra hebraica para a Espanha, e provavelmente eles são o mais próximo dos antigos judeus semitas reais que pode ser estabelecido. Eles foram expulsos da Espanha no início do século XVI, e emigraram em direção para o leste do Mediterrâneo e região dos Bálcãs (Croácia, Sérvia, Bósnia, Eslovênia).

Ainda em 1960 os judeus Sefaraditas eram apenas cerca de quinhentos mil, em comparação com os Ashkenazim do mesmo período estimado em cerca de doze milhões de europeus. 61

Na definição das origens dos ashkenazim, Alan Brook afirma que: “A localização geográfica dos judeus Ashkenazim, baseado em referências na Torah, pode ser centrado em torno do sul da Rússia, Armênia e Ásia Menor. Ashkaenoi (askae ou askai) foram também as pessoas conhecidas como Phrygians ou Mysians (Meseque). “Alguns historiadores afirmam que o nome Ashkenaz aplica-se exclusivamente aos judeus alemães. Entretanto, a evidência mais recente mostra que imigraram a partir das regiões do sul da Rússia e da Ásia ocidental e da Ásia Menor – a região que foi claramente identificada como o local e a origem dos khazares antigos.

As fronteiras do Império Khazar entre 600 e 850 d.C.

O nome inicialmente indicava iranianos e mais tarde foi dado como o nome do deus de MesequeHomens Askaenos. “Também deve ser salientado,” Brook acrescenta, “que Ashkenaz não se tornou uma denominação definitiva judaica na Alemanha até ao século XI.” 62

Segundo a “explicação do Talmud”, escreve Hugo Freiherr “, Ashkenaz foi assim, um país próximo do Mar Negro, entre o Monte Ararat e das Montanhas do Cáucaso, na região original do Império Khazar“. 63

Essa, novamente, é precisamente a localização geográfica do Império Khazar. A observação talmúdica é auxiliada pelas Escrituras, que a denominação  Ashkenaz não é dado como descendente de Sem, mas sim através de Jafé: Gomer, e cujos tios eram Magog e Tubal. (Veja Gênesis, 10:3)

O termo Ashkenaz (pronúnia: Asquenaz) é mencionado apenas em mais uma  escritura bíblica, além de 1 Crônicas 1:6, que é apenas uma outra referência à genealogia dos descendentes de Jafé. No livro de Jeremias, o profeta, Deus anuncia que Israel está a recorrer a outras nações como aliados para trazer os seus juízos contra a Babilônia. Entre os aliados, que , e, portanto, não poderiam ser contados como judeus, esta Asquenaz. (Ver Jeremias. 51:27)

A UNESCO, da United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization, publicou uma série de folhetos intitulada The Race Question in Modern Science, no qual um dos autores, Harry Shapiro, afirma:

A ampla gama de variação entre as populações judaicas em suas características físicas e à diversidade das freqüências de genes de grupos sanguíneos  tornam para eles qualquer classificação racial unificada uma contradição em termos. Pois, embora a teoria racial moderna admita um certo grau de polimorfismo ou variação dentro de um grupo racial, que não se permite a grupos muito diferentes, medidos por seus próprios critérios de raça, para serem identificados como um integrante da raça. Para fazer isso tornaria os efeitos biológicos de classificação racial fútil e todo o procedimento arbitrário e sem sentido, apesar dos esforços que continuam a serem feitos, para provar de alguma forma segregando os judeus como uma entidade racial distinta. (O  dogma do povo eleito)64

Assim, a tentativa de afirmar a existência de uma específica “raça” de judeus tem tal afirmativa, provado ser uma impossibilidade antropológica. Embora o seu deus de forma consistente os tenha advertido contra misturarem-se entre raças de não-judeus, suas tendências à miscigenação racial estão bem documentadas, e que resultou no seu completo apagamento como um povo geneticamente distinto.

Quando, inevitavelmente, houve mistura de judeus europeus ocidentais e khazarianos judeus, havia uma diferença notável entre os níveis educacionais das duas sub-culturas judaicas. Os Khazares admiravam muito menos suas fileiras numerosas, mas muito mais o aprendizado ocidental (de língua alemã) dos seus irmãos em religião e rapidamente adotaram o seu idioma, a educação e práticas culturais. Isso resultou, também, em uma equiparação de seus outros talentos na área de Economia, negócios e outras coisas sobre política.

“Os khazares eram descendentes de tribos nômades”, diz Koestler, “mas, como vimos, eles compartilharam um certo cosmopolitismo e outras características sociais, com os seus correligionários alemães.” 65  Em algum lugar incubada nas Raízes Históricas dos judeus  khazares-Ashkenazi  havia um desejo de possuir um lar nacional judaico. Esse desejo manifestou-se sob a forma de um movimento messiânico no século XII na Khazaria que assumiu a textura de uma cruzada “judaica”, cujo objetivo era a subjugação forçada da Palestina. Um judeu Khazar chamado Salomão ben Duji instigou o movimento e começou uma correspondência internacional com todos os judeus das nações circunvizinhas.

Parece que Ben Duji estava possuído de ilusões messiânicas de sua autoria em que ele afirmou que “chegara a hora em que deus reuniria Israel, Seu povo de todas as terras em Jerusalém, a cidade santa, e que Salomão Ben Duji era Elias, e seu filho, o Messias “. 66

Ruínas de uma fortaleza Khazar, em Sarkel, às margens do Rio Don (acima na foto), hoje situada no sul da Rússia

Este desejo de uma pátria judaica ecoou ao longo dos séculos e encontrou expressão novamente. “Foi entre os judeus ASKHENAZIM”, diz a Encyclopedia Americana“, que a idéia do sionismo político surgiu, levando finalmente à criação do moderno Estado de Israel em 1948…. No final dos anos 1960, os judeus ashkenazim contavam cerca de 11 milhões de europeus, cerca de 84 por cento da população judaica do mundo.” 67

Às vezes, Arthur Koestler, em seu tratamento amplo e abrangente do tema, aparece, como um judeu, ele mesmo, para debater com a flagrante contradição de que os judeus, que não têm identidade nem genética ou étnica verdadeira, têm direito a terras que nunca ocuparam, por qualquer direito de origem, propriedade ou da posse, e cujos ancestrais nunca a ocuparam.

Em seguida, alegando ser o Estado de Israel, criado pela vontade das Nações Unidas, foi arbitrariamente retirada a terra palestina da posse dos que legitimamente a possuíram e ocuparam há milhares de anos. Mr. Koestler afirma que esse direito “não se baseia na hipótese das origens do povo judeu, nem sobre o pacto mitológico de Abraão com Deus, é baseada no direito internacional – ou seja, sobre as Nações Unidas ter tomado a decisão em 1947 para repartição da Palestina[efetivamente declarados em 14 de maio de 1948.] ” 68

Assim, ele elimina o que logicamente, pareciam ser os motivos mais legítimos (se houver algum) para o estabelecimento de Israel pela posse da Palestina (pela linhagem e descendência racial), e baseia a sua argumentação sobre a tese tão vaporosa do que ele chama de “direito internacional”.

O que fez as Nações Unidas, em 1948 foi sem dúvida tomar o seu primeiro ato oficial cometendo  uma violação da sua Carta na desapropriação de mais de quatro milhões de palestinos para o propósito de criar uma nação de um povo que não tinha ancestrais ou direito atual e legal,o que quer que seja  para a terra.

O aparente conflito na mente de Koestler torna-se evidente em uma aparente contradição, quando ele conclui que a fé do judaísmo “transformou os judeus da Diáspora em uma pseudo-nação sem qualquer um dos atributos e os privilégios de nacionalidade, realizadas em conjunto frouxamente por um sistema de crenças tradicionais baseados em premissas raciais e históricas que acabam por serem ilusórias “. 69 Ele afirmou sucintamente, alegando que a idéia de uma identidade nacional judaica é baseada em uma ilusão criada por uma história que não existe.

Será mostrado que o afluxo de que agora sabemos ser judeus não semitas, de origem Khazar constituí a primeira “invasão” de Gog da terra de Magog, como profetizado nas escrituras bíblicas. O aspecto fascinante disto é que, como virtualmente em todas as outras profecias, que aqueles que reivindicam pré-eminência teológica em seu conhecimento das Escrituras, esqueceram completamente o respeito e o cumprimento às mesmas profecias – assim como fizeram os judeus na primeira vinda do Messias.

Gog, Magog e os  Ashkenazim

Há muito que a crença do cristianismo dos anos no século XX (e, agora, vigésimo primeiro século) que perto do final da história deste mundo como descrita na Bíblia, Gog da terra de Magog, definida pelos cristãos como Rússia – o “Rei do Norte “- iria invadir a Terra Santa da atual Israel e antiga Palestina.

Ministérios locais e do mundo católico conservador gastam enormes quantidades de tempo na tentativa de “decifrar” profecias como as encontradas em Ezequiel 38 e 39, Daniel 11 e Apocalipse 20, e praticamente todos eles chegaram à conclusão anteriormente  mencionada. Na maioria dos casos, a crença na invasão de Israel pela Rússia e pela derrota do anti-Cristo na subseqüente guerra do Armagedom é acompanhada pela idéia de que haverá um reinado de mil anos de paz após o retorno de Cristo à terra.

Representante desta crença quase universal, como Jeffrey Grant, Tim LaHaye (principal co-autor da série de livros “Deixados Para Trás”), o ministro Jack Van Impe, etc. Van Impe, amplamente conhecido evangelista de rádio e televisão nos EUA, publicou volumes de literatura sobre a profecia bíblica e muito sobre o assunto de Gog e Magog.

“Quando a Rússia se dirigir para o sul para travar a batalha”, escreve Van Impe em um artigo intituladoArmageddon: O fim ou o começo? “Ela vai ser uma força muito poderosa quando ela vier contra o exército do Anticristo com carros, cavaleiros e com muitos navios. Esta é a primeira onda militar”, disse Van Impe, que continua “, da campanha militar começando em três vertentes, o Armageddon mencionado em Daniel 11:40 quando o rei do sul (Egito e sua Federação Árabe) e o rei do norte (Rússia) começa seu movimento de pinça.

Ezequiel 38:16 diz: “E subirás contra o meu povo de Israel, como uma nuvem, para cobrir a terra e será nos últimos dias, e vou trazer-te contra a minha terra, para que as nações me conheçam a mim, quando eu me houver santificado em ti, ó Gogue, diante dos seus olhos. ” Uma vez que a Rússia fizer seu movimento, o Anticristo ficará furioso. Ele (O anti Cristo) vai entrar na “terra gloriosa”, em Israel. “Imediatamente”, concluiu Van Impe “, ele posiciona-se em Jerusalém”.

Em referência ao ex-presidente russo Boris Yeltzin e outros líderes russos, Van Impe pergunta: “Poderia um destes líderes acima ser o” Gog “de Ezequiel 38:2?”. (Esse líder poderia ser Vladimir Putin, que já expulsou da Rússia judeus askhenazis  ( começo do século XXI) que tinham controle sobre o mercado financeiro, petróleo e outras áreas importantes de seu país.)

Essa perspectiva bíblica de Gog invadir Israel vindo do norte em algum momento futuro é também em grande parte idealizado por teólogos judeus. Por exemplo, em 1° de Outubro de 1996, o jornal Jerusalém Post, publicou artigo intitulado “Todos à Gog”, o colunista Moshe Kohn, aborda o assunto:   “A guerra para acabar com todas as guerras esta para ser lançada contra Eretz Israel por “Gog da terra de Magog, príncipe e chefe de Meseque e Tubal ‘como predito em Ezequiel 38 e 39.

“Nós não sabemos o que ou quem MagogMesequeTubal e Gog  são, só sabemos que Gog e seus aliados estão para descer em Eretz (Terra de) Israel pelo norteDeus irá destruir os invasores, e ‘Eu vou restaurar a fortuna de Jacó, e tenho misericórdia de toda a casa de Israel … e não vou esconder o meu rosto deles mais.“


Acima: As estrelas da Constelação do Dragão (DRACO em Latim) localizadas bem próximas do Polo NORTE (Marcada pela estrela Polaris, da Constelação da Ursa Menor-Ursa Minor) Celeste

{n.T. Esta invasão VINDA DO NORTE, poderia significar vindo dos céus ao norte, vinda do Sistema Solar de Thuban, uma das estrelas da Constelação do DRAGÃO (Origem de um tipo de reptilianos). Poderá ser uma futura guerra literalmente interplanetária, e na qual não lutaremos sozinhos, pois teremos a ajuda da Frota Interestelar (que hoje cerca e protege o planeta Terra) da Federação. Por isso esta dito que Deus não vai mais esconder o seu rosto, do seu “povo”. Finalmente nos LIVRAREMOS do jugo das raças extraterrestes reptilianas, uma delas oriunda do Sistema Estelar de Thuban, da Constelação do Dragão}


“O Novo Testamento também menciona a Guerra de Gog / Magog, em Apocalipse 20, como a batalha final entre os governantes da Terra, os exércitos liderados por Satanás e as forças de Deus (lideradas por Ashtar Sheran e cia). Nessa versão, esta guerra também poderá ser o que é chamado na tradição cristã como Batalha do Armagedon, um lugar mencionado no Apocalipse 16:16. ” 70  Como alguns historiadores vêem as origens de Gog e Magog:

  • Flavius Josephus afirmou que “Magog fundou aqueles que dele foram nomeados Magogites, mas que são chamados pelos gregos de Citas”. 71
  • Josefo viveu e morreu um meio-milênio antes da fundação do reino Khazar e, portanto, não poderia ligar os da região dos citas com os khazares. A Enciclopédia Católica observa que “Josephus e outros identificam Magog com a Cítia, na antiguidade, mas este nome foi usado para designar vagamente toda a população do norte.” 72
  • No entanto Josefo não tem um comentário interessante sobre Tubal, o irmão de Magog e  Meseque, que soa como se fosse feito especificamente para os seus descendentes, os khazares: “Tubal ultrapassou todos os homens em força, e ficou muito famoso e especialista em espetáculos marciais. ” 73
  • O escritor Vasiliev em “Os godos na Criméia”, em citações do Vida por São Abo de Tbilisi, que alegou que “os khazares eram filhos selvagens” de Magogue “que não tinham” nenhuma religião que seja, embora reconhecendo a existência de um Deus único. ” 74
  • As referências feitas pelo Rabino Petakhiah em seu diário de viagem Sibbuv ha-Olam, relativo à conversão do Rei Khazar, Bulan ao judaísmo, faz menção de que o reino era o de Meseque antigo. 75
  • Muito em harmonia com a terminologia bíblica profética, Koestler escreve que os persas e os bizantinos é que se referem a Khazaria como o “Reino do Norte” com o qual quase todos os teólogos modernos ligam Gog e Magog. 76
  • Ibn Fadlan, o famoso viajante árabe dos anos 700 fez o comentário em seu diário que “os Khazares e seu rei são todos judeus. Os búlgaros e seus vizinhos estão sujeitos a ele. Eles tratam-no com obediência reverente. Alguns são de opinião que Gog e Magog são os khazares.
  • O “Monge Vestefália, Christian Druthmar de Aquitânia, escreveu um tratado em latim Expositio in Evangelium Mattei, No qual ele relata que existem pessoas sob o céu em regiões onde os cristãos não podem ser encontrados, cujo nome é Gog e Magog, e que são os povos hunos, entre eles um povo, chamado de Gazari [khazares] que são circuncidados e observam o Judaísmo na sua totalidade. ” 77
  • “Após um século de guerra”, observa Koestler, os cronistas árabes “, obviamente, não tinham grande simpatia por khazares. Tampouco os escribas georgianos ou armênios, cujos países, de uma cultura muito mais antiga, tinham sido repetidamente devastados pelos cavaleiros Khazares. A Crônica georgiana, ecoando uma antiga tradição, identifica-os (os Khazares) com os exércitos de Gog e Magog – “homens selvagens com rostos hediondos e os costumes de feras, os comedores de sangue ‘”. 78
  • O Talmud – Avodah Zara 3B afirma: “A guerra de Gog e Magog [Rússia], será um dos principais eventos para anunciar na vinda da Era Messiânica. O Targum Jerusalém afirma que, “No final dos dias, Gog e Magog devem marchar contra Jerusalém, mas perecerão pela mão do Messias”.
  • Simplesmente falando, “Gog é um nome simbólico, representando o líder dos poderes do mundo antagônico a Deus.” [A Bíblia Imperial-dicionário]

Em resposta àqueles que acreditam que Gog, da terra de Magog é especificamente a Rússia, no livro do Apocalipse 20:8 fornece uma clarificação quanto à região geográfica verdadeira de Gog nos últimos dias: “As nações que estão nos quatro cantos da terra, Gog e Magog ,…” Esta força mundial, que para”os quatro cantos da terra” é onipresente, não existente não só na Rússia, apenas exclusiva para a área da bússola ao norte da Palestina. Os nomes Gog e Magog parecem ser usados apenas como uma indicação de suas origens, e não a sua localização geográfica final (certíssimo).

{N.T. O grande erro que os eruditos, estudiosos e entendidos cometem ao analisar as escrituras que se referem a essa batalha, é que eles não percebem que toda a narrativa É ALEGÓRICA e os locais citados não são necessariamente baseados em terra firme/regiões físicas do planeta.}

Existe um grupo identificável, mas que se encaixa à “designação” onipresente de ocupar “os quatro cantos da terra”, um grupo cuja identidade cultural-religiosa manteve-se intacta, apesar de suas origens étnicas desapareceram na Antiguidade, que, apesar de dois mil anos sendo dizimada pela perseguição, a emigração forçada, doenças e guerra, ainda sobreviveu, e cujas raízes estão justamente onde a Escritura profética diz que estaria – nas terras do norte de Magog, as estepes ao sul da Rússia.

Assim como os judeus, por má interpretação das Escrituras buscando atender seus desejos nacionalistas,perderam a primeira vinda de seu Messias, assim também os cristãos (eu diria católicos), da mesma forma,reinventando os mesmos erros, perderam as questões proféticas dos últimos dias – e — a segunda vinda do Messias. Eles colocaram a invasão da Palestina como em algum momento no futuro, quando ela já ocorreu em 1948, e de uma maneira tão inesperada como se tivesse chegado em cima deles de repente, como o Messias, como “um ladrão na noite”.

Como um profeta do século XIX, escreveu: “O mundo não esta mais pronto a dar crédito a mensagem profética para este tempo do que foram os judeus para receber os avisos do Salvador acerca de Jerusalém.” 79Este é claramente o caso, tanto agora como quando as palavras foram escritas.

UMA PÁTRIA PARA GOG E MAGOG

Se a tendência atual continuar por mais 37 anos (Começo do século XXI) na mesma direção e à mesma taxa com que aconteceu nos últimos 37 anos, a fé cristã/católica como ela é hoje professada pelos cristãos/católicos terá desaparecido da face da terra. De que forma ou por que medida a missão de Jesus Cristo será então continuada posteriormente a fazer-se manifestar aqui na terra é tão imprevisível como é inevitável. – Benjamin H. Freedman

“Em uma palavra, para resumir nosso sistema de manter sob controle os governos dos goyim (termo que designa todos os povos não judeus) na Europa, em cheque, vamos mostrar nossa força para um deles por atentados terroristas e para todos, se permitirmos que a possibilidade de um levante contra nós, aconteça, nós deveremos responder com as armas da América (que é controlada pelos judeus askhenazim)”. — Sétimo Protocolo dos Sábios de Sião 

Não é minha intenção nesta carta expor os conspiradores que estão dedicando-se à destruição da fé cristã, nem para a natureza e extensão da conspiração em si. Que a exposição iria preencher muitos volumes. A história do mundo durante os séculos passados e diversos eventos no país americano e no exteriorconfirmam a existência de tal conspiração. O clero católico/cristão parece ser mais ignorante ou mais indiferente sobre essa conspiração do que os outros cristãos. O clero católico/cristão pode ficar chocado ao saber que eles foram os maiores cúmplices dedicados aos inimigos da fé cristã. – Freedman

“A liberdade de consciência foi declarada em toda parte, de modo que agora só alguns anos faltam para o momento da completa destruição do que é a religião católico-cristã: em relação às outras religiões, teremos ainda menos dificuldade em lidar com elas. Agiremos como clérigos e através do clericalismo em tal quadro estreito para fazer seu movimento de influência ser regressivo  na mesma  proporção do seu progresso.– O Décimo Sétimo Protocolo dos Sábios de Sião 

Que poder de segredo misterioso tem sido capaz de em inúmeras gerações de manter a origem e a história dos khazares e do Reino Khazar fora do contexto histórico, dos livros de história e fora das aulas e cursos de história na história de todo o mundo? A origem e a história dos khazares e do Reino Khazar certamente hoje são incontestáveis fatos históricos. – Freedman

Direita: Benjamin Freedman, como mencionado anteriormente, era um judeu Ashkenazim que foi um funcionário público altamente colocado no governo norte americano no início de meados do século XX e teve acesso livre a presidentes e estadistas mundiais até a administração Kennedy.

“Nosso poder na atual condição cambaleante de todas as formas de poder será mais invencível do que qualquer outro, porque ele permanecerá invisível e astuto até o momento em que ganhará tal força que não poderá mais ser minado.” – O Primeiro Protocolo dos Sábios de Sião 

O Sr. Freedman, sendo um rico empresário judeu, tornou-se desiludido com sua herança judaica após saber de suas origens e suas maquinações políticas em todo o mundo. Rompendo com o judaísmo organizado,gastou a maior parte da sua grande fortuna na tentativa de revelar ao mundo a verdadeira força motriz por trás da criação da nação de Israel pelas Nações Unidas, bem como outros equívocos históricos relativos às raízes khazarianas do judaísmo moderno.

acima: Capa do livro “Fatos São Fatos” a verdade sobre os judeus khazares , escrita por UM JUDEU KHAZAR, o Sr. Benjamim H. Freedman, em foto à esquerda.

Em uma convincente narrativa da história do mundo da época, Freedman relaciona o fomento da traição que presenciou na manipulação do resultado da Primeira Guerra Mundial. A Alemanha, de acordo com Freedman e outros historiadores, estava aparentemente vencendo o primeiro conflito mundial, e tinha virtualmente ganha a guerra, quando eles fizeram, no verão de 1916, uma oferta muito magnânima e surpreendente  para a Grã-Bretanha.

A Inglaterra estava em uma posição muito precária naquele momento, essencialmente sem munição e com suprimentos de comida para cerca de uma semana restante, a serem seguidos por inanição nacional; os submarinos alemães, tendo pego os aliados completamente de surpresa, haviam cortado todos os comboios de transporte de suprimentos. Então acima de tudo veio o inesperado,– a Alemanha ofereceu condições para a paz, apesar de estar vencendo a guerra(1916).

“Naquele tempo”, disse Freedman, “o exército francês tinha se revoltado. Tinham perdido 600.000 homens na flor da juventude francesa na defesa de Verdun no vale do rio Somme. O exército russo estava desertando, eles pegaram seus brinquedos e foram para casa , eles não queriam jogar mais a guerra, eles não gostavam do Czar. E o exército italiano tinha desmoronado.

“Nem um único tiro foi disparado em solo alemão” Freedman continua. “Nem um único soldado havia atravessado a fronteira para a Alemanha” e eles ainda ofereceram a paz. Paz e não o ordinário tratado imposto pelo conquistador ao conquistado. Os alemães propuseram um status quo anterior à guerra no acordo de paz, o que significa que ambas as partes retornariam ao status de antes do início das hostilidades.

Com a sedução de tal oferta, e com todas as outras opções efetivamente eliminadas, a Grã-Bretanha não tinha outra escolha senão aceitar. No entanto, surgiu outra, muito mais atraente para o ego britânico, que traria uma vitória até aquele momento impossível. Enquanto que a Alemanha estava tentando acabar com a guerra em uma forma mais que equitativa, os judeus sionistas alemães, representando judeus sionistas da Europa Oriental, aproximou-se do Gabinete de Guerra Britânico e ofereceu-lhes uma alternativa para apenas fingir que uma guerra nunca tivesse acontecido.

Neste ponto, seria boa a definição do significado de SIONISTA. “Aqueles foram (e são) os judeus, cujo objetivo dominante era o estabelecimento (o maior interessado nesse projeto foi Rothschild e sua familia) de uma pátria judaica na Palestina“, uma proposição de que a maioria dos judeus na época não endossavam. O Webster’s Collegiate Dictionary define o “sionismo”, como “origem de um movimento internacional para o estabelecimento de uma comunidade judaica nacional e religiosa, na Palestina e, mais tarde para o apoio da nação de Israel moderna.“

Uma imagem muito difícil de ser publicada nos principais meios de comunicação (controlados) , judeus protestando contra a existência do estado de Israel. Pesquise no site indicado na faixa:  www.nkusa.org

Ao mesmo tempo em que a ONU decretou que Israel seria um Estado legítimo, em 14 de maio de 1948, a mais conservadora das seitas judaicas, os Hasidimfez forte oposição à criação de um Estado secular de Israel, alegando que era errado fazer isso, além da vinda do Messias. A oferta feita aos britânicos no momento perto da vitória total da Alemanha consistiu de uma proposta para trazer os Estados Unidos na guerra apóiando a Grã-Bretanha e, assim, garantir uma vitória dos Aliados.

A Inglaterra teria que concordar, nesse caso, após a derrota da Alemanha, acordando para garantir uma grande parte da Palestina como uma pátria judaica – mantendo em mente que essa trama foi sendo criada por aqueles judeus que não tinham ascendência diretamente ligada, qualquer uma que seja, com as tribos semitas do antigo Israel, e portanto nenhum direito ancestral para fabricar ou mesmo reivindicar um controle remoto para a região da Palestina.

Outra imagem que não recebe publicidade: RABINOS ANTI-SIONISTAS JUDEUS ORTODOXOS se REÚNEM e confraternizam COM ERUDITO MUÇULMANO
01 de fevereiro de 2011: Rabinos Ortodoxos Anti-Sionistas se reuniram com o estudioso muçulmano, Shiek Yousef Al-Qaradawi em Doha, no Catar.

Foreign Office (Relações Exteriores) – 2 de novembro de 1917Freedman faz a observação de que a Inglaterra não tinha mais direito à fazer a promessa da Palestina para os judeus do que “os Estados Unidos teriam de prometer o Japão para a Irlanda” – mas é precisamente isso que eles fizeram. Esta promessa resultou na elaboração de um documento histórico pequeno chamado A Declaração de Balfour. A seguir está o texto, na íntegra (um fato muito curioso e  SINTOMÁTICO, a carta foi emitida no dia de finados, o dia dos mortos02 de novembro), do documento histórico curto e conciso:

Caro Lord Rothschild,

Eu tenho muito prazer em transmitir-lhe, em nome do governo de Sua Majestade, a seguinte declaração de simpatia com as aspirações judaicas Sionistas, que foi submetida e aprovada pelo Diretor de Gabinete.

“A visão do Governo de Sua Majestade é com favor de estabelecimento na Palestina de um lar nacional para o povo judeu, e usará seus melhores esforços para facilitar a realização do presente objeto,ficando claramente entendido que nada será feito que possa prejudicar os direitos civis e religiosos, os direitos das existentes comunidades não-judaicas na Palestina, ou os direitos e o estatuto político dos judeus desfrutados em qualquer outro país “.

Ficaria muito grato se você levar esta declaração ao conhecimento da Federação Sionista.

Atenciosamente,

Arthur James Balfour

Abaixo: Fac-símile da Carta endereçada  à Rothschild:

Observe a segunda frase (que também é o segundo parágrafo), que afirma que “que nada será feito que possa prejudicar os direitos civis e religiosos das comunidades não-judaicas existentes na Palestina“. Seria, talvez, que não devesse ser considerado naquele tempo que a expropriação forçada de outras pessoas de sua terra e da sua propriedade – a saber, os árabes palestinos – foi uma violação ou prejudicou os seus direitos “civis e religiosos”? Isso parece ser um bocado forçado.

Um ponto interessante na apresentação de Freedman é que os judeus alemães foram muito bem tratados em suas terras, muitos deles fugiram da perseguição da Rússia e outros países do Leste Europeu. Como Freedman coloca, “os judeus nunca foram tão bem tratados em qualquer outro país no mundo como tinham sido na Alemanha até então.” Quase todos os grandes gigantes industriais da época,  Rathenaus,  Balins, Bleichroder, os Warburg, e claro, os Rothschilds (a quem a carta de Balfour é dirigida)eram (e continuam sendo) judeus askhenazis e residiam na Alemanha.

O que os judeus sionistas khazares e askhenazis fizeram não foi nada menos que uma clássica “VENDA” da sua própria pátria alemã. Os métodos utilizados para levar os Estados Unidos a entrar na guerra contra a Alemanha, também parecem ser clássicos e que foi um modelo padrão para muitas outras INDUÇÕES, que levaram os E.U.A. a entrar em guerras que ele não tinha razão para lutar. Tal como acontece com o conflito sérvio e muitos outros desta época recente, quando foram fabricadas atrocidades contra  minorias étnicas, mulheres e crianças foram usadas para obter o acordo do Congresso americano e os seus cidadãos, de modo que o mesmo dispositivo também foi usado para trazer os E.U.A. na Primeira Guerra Mundial.

Freedman observa que a mídia americana, que, que antes havia sido um pouco pró-Alemãnha, começou a relatar que os alemães estavam envolvidos na prática de atrocidades que, mais tarde foi provado, eram totalmente falsas: atrocidades como o assassinato de enfermeiras da Cruz Vermelha e do corte de mãos de bebês, etc

Durante envolvimento de Freedman com questões de Estado em que participou da Conferência de Paris, em 1919, onde foi apresentada a Alemanha as exigências de reparações de guerra. Nessa conferência, segundo o Sr. Freedman, havia 117 judeus presentes, sendo representados por Bernard Baruch, apresentando suas demandas para a divisão da Palestina como uma pátria judaica.

Quanto ao que tornou possível a criação efetiva do Estado de Israel, ao contrário de uma mera declaração política por parte das Nações Unidas, expõe o Sr. Freedman. “Isso é um bem-estabelecido fato histórico inegável”, escreve ele, “que a participação ativa dos Estados Unidos na conquista da Palestina, em nome dosjudeus SIONISTAS, FOI O FATOR RESPONSÁVEL PELA CONQUISTA DA PALESTINA PELOS SIONISTAS. Sem a participação ativa dos Estados Unidos”, disse Freedman, que enfatiza,”é certo que os sionistas jamais teriam tentado a conquista da Palestina pela força das armas”.

O resto, como se diz, é história.

Quando se considera toda essa história que tem envolvimento na formação do mundo e especialmente no Oriente Médio como é hoje, torna-se menos misteriosa a razão pela qual os muçulmanos palestinos são possuídos de tal animosidade e ódio daqueles que, de acordo com tudo o que foi apresentado aqui, literalmente roubou suas vidas e terras. Parece também contribuir para remover o mistério da questão do presidente americano que perguntou aos árabes por que motivo eles odeiam tanto a América como eles fazem, a América, que tem sido o principal fornecedor e chefe militar e financeiro de Gog e Magog, os judeus khazarianos askhenazis e sionistas na usurpação da Palestina. Como o Sr. GeOrGe Bush disse: “Se você apoiar os terroristas, você é um terrorista,” assim também pode ser dito pelos muçulmanos, “Se você apoiar os nossos inimigos que roubam a nossa terra e nossa dignidade e nossa história, você também é nosso inimigo”.

Essa mensagem deveria ter tocado alto e claro como um sino durante o atentado ao World Trade Center, em New York, em 11 de setembro de 2001, quando ainda dois dos melhores evangelistas cristãos da América (Pat Robertson e Jerry Falwell) alegaram que o ato foi castigo divino para os pecados da América. Eles, claro, abandonaram a posição impopular quando o sentimento do público se voltou contra eles. Seria preciso perguntar se, nesse caso, os dois homens tinham efetivamente definidos os termos convicção e compromissopara com os seguidores de sua marca de “cristianismo”.

EPÍLOGO

Muitos historiadores, alguns citados neste trabalho, amplamente citados no livro de Arthur Koestler “A Décima Terceira Tribo”, como um recurso literário credível para uma história global dos judeus Khazares. Estes escritos também tem se apoiado na obra de Mr. Koestler, bem como vários outros historiadores judeus e acadêmicos. É interessante notar que os estudiosos judeus citando o livro A Décima Terceira Tribo” em seus relatos históricos, praticamente nenhum cita tais comentários de Koestler, citados anteriormente, sobre “A história do Império Khazar, uma vez que emerge lentamente do passado, começa a parecer a mais cruel FARSA que já foi praticada na história.” Seria preciso perguntar se tais omissões não são intencionais e não constituem, de fato, uma censura em muitos aspectos impopulares deste assunto interessante e de grande alcance histórico.

A vasta maioria da humanidade vive em um mundo absolutamente controlado e se considera livre. “O melhor escravo é aquele que “pensa” que é um homem livre.”

Koestler, ele próprio um judeu Ashkenazi, expressa esses sentimentos em uma aparente decepção com a história de sua própria fé e, essencialmente, o efeito deletério que teve sobre o mundo. No entanto, ele não abandonará a religião de seus pais, nem está implícita nesta tese que deveria fazê-lo.

Para um não-judeu, como este escritor, a citá-lo e usar o seu trabalho de tal forma, incorporá-lo de modo a ilustrar que as profecias bíblicas sobre os males de Gog e Magog apontam claramente para os judeus Khazarianos  e talmúdico, corre os riscos da acusação de anti-semitismo. Tal resposta, no entanto, deveria ter sido claramente demonstrado ser vazia na melhor das hipóteses, considerando as provas aqui apresentadas que aqueles judeus que detêm poder político sobre a Palestina não são sequer remotamente descendentes de tribos semitas.

Não se pode, contudo, deixar de ficar admirado com a habilidade de consumação de seus planos esses povos que, constituído de um a seis por cento da média da população dos países fora de Israel, conseguiram adquirir posições de poder e influência muito superior a sua representação em relação a população geral dessas nações.

O Sr. Freedman, como mencionado, foi um judeu Ashkenazi também. Em seu desgosto com o que testemunhou de seus irmãos, fazendo com que ele tenha usado uma linguagem bastante violenta descrevendo suas ações e origens. No que lhes dizem respeito, inequivocamente, ele afirma:

Não houve um deles que tivesse um antepassado que tenha colocado um pé sequer na Terra Santa. Não só na história do Antigo Testamento, mas desde o começo dos tempos. Nem um deles! E ainda assim eles vêm para os cristãos e lhes pedem para apoiar as insurreições armadas na Palestina, dizendo:

“Você quer ajudar a repatriar o Povo Escolhido de Deus à Terra Prometida, seu lar ancestral, não é? É o seu dever cristão. Demos a voces um dos nossos meninos como seu Senhor e Salvador. Você agora vai à igreja no domingo, e você se ajoelha na adoração de um judeu, e nós somos judeus. Mas eles são judeus khazares askhenazis pagãos que se converteram apenas tanto quanto o mesmo que os irlandeses. É tão ridículo chamá-los de “povos da Terra Santa”, como seria chamar os 54 milhões de chineses muçulmanos de um povo “árabe”.

O fato, cristalino e sem corte, a conclusão da questão é que Gog e Magog claramente e furtivamente – embora, em uma onda de movimento lento das marés – é o invasor pelo norte, da terra santa, como na profecia bíblica. Não só invadiu a Palestina, mas o mundo inteiro, cada nação sobre os “quatro cantos da terra” estão dentro dos limites da sua influência.

Esses descendentes dos khazares “pagãos” que professam ser o verdadeiro e original povo de Deus que insinuou-se em todos os bastiões do poder nos governos dos países da terra. Se existem quaisquer exceções a esse fato, eles são tão insignificantes, em seu entender das coisas, como uma mosca a um rinoceronte.

O atual estado moderno de Israel, fundado em 1948,  e os judeus esqueceram-se do significado da estrela de David (Selo de Vishnu) em sua bandeira.

Eles (a raça de GOG) controlam totalmente uma grande percentagem do Senado dos Estados Unidos, provavelmente o mais poderoso e influente corpo legislativo na terra. Eles têm habilidade de controlar a Administração dos E.U.A., o Departamento de Defesa, Relações Exteriores (CFR) e de novo envolvendo esta nação em uma guerra na qual ela não tem interesse direto.

Esta raça extraordinariamente engenhosa e talentosa colocou óculos montados nos narizes dos políticos e cristãos que fazem com que apareça para eles como se esse conflito fosse justificado, para obter depoimentos, como os do Presidente dos E.U.A., que aqueles para os quais (Guerra do Iraque) esta nação declarou guerra são inimigos da democracia e da liberdade, quando tudo o que realmente queriam era ficarem sozinhos com seus problemas para adorar sob os princípios de sua própria religião, sem serem molestados por aqueles que já roubaram quase tudo o que têm – e tudo feito com o dinheiro, influência política e armas dos Estados Unidos da América.

Este escritor passou algum tempo em Israel testemunhando pessoalmente as injustiças perpetradas lá por um povo que não teve nenhuma direito  de reivindicação dà terra, em cima de um povo que a tem. Tendo ido lá com um pouco a favor, um “viés” pró Israel, logo se tornou evidente que qualquer classe dominante que habilmente deselvolve uma economia em que um segmento goza de uma vantagem média de 15-1 de renda sobre o outro, sob o mesmo custo de vida, não pode fingir inocência quando  experiênciam o ódio e a animosidade daqueles a quem oprimem.

Esquerda: Eis aqui o verdadeiro significado da geometria da alegada estrela de David, que na realidade é uma CÓPIA do  Selo de Vishnu (muito mais antigo), o SÍMBOLO do QUARTO CHAKRA, oAnahata, que foi tomado  emprestado pelos judeus da cultura hindu (da qual o povo hebreu é descendente) da Índia e que representa o Quarto Chakra, o cardíaco, no CORAÇÃO humano, a sede do AMOR, da doação e serviço e não do ódio, do controle, e de pretensa superioridade racial sobre as demais raças do planeta)

O “espírito de Gog” não disse que usaria as armas “da América” para realizar seus propósitos, e que agora é visto claramente, no Afeganistão, Iraque e Paquistão, como se derrama o sangue de quem querem, para realizar aquilo que eles querem, que eles não estavam de brincadeira quando fizeram aquela afirmação.

Outro elemento fascinante que inspira admiração é a maneira notável em que a profecia bíblica foi tão fielmente cumprida – E – como o cristianismo (reduzido aos dogmas e doutrinas católicos da igreja romana) atualmente perdeu essa realização. No início parece estranho que esses “eruditos” bíblicos tenham perdido as lições da história: em primeiro lugar, que as profecias nunca foram interpretadas antes da sua realização, exceto pelos profetas que as deu. No entanto, eles continuam a tentar, e o resultado é divertido no melhor dos casos, e pelo menos trágico, pois eles são abandonados em sua vaidade  e erudição para acompanhar as interpretações de sua própria invenção – fagulhas em seu próprio graveto. Eles foram tão hipnotizados e drogados” pela idéia de apoiar e financiar o “retorno maravilhoso dos judeus, o “povo escolhido/eleito” para à sua pátria” que eles são como Lêmingues sendo conduzidos de bom grado para a morte no mar, para morrerem afogados em sua própria ignorância, vaidade, empáfia, erudição e imbecilidade.

Sim, Gog e Magog invadiram o mundo inteiro, e o que é ainda mais surpreendente é que foi feito não só com a bênção do cristianismo professo (ou antes o catolicismo romano ignorante que nunca foi sequer Cristão),mas com seu apoio financeiro e incentivo litúrgico. Os católicos (e todas as demais seitas dai resultante, como os evangélicos) têm realmente cavado as suas próprias sepulturas eclesiásticas. São todos, ainda, túmulos caiados de branco.

“Eis que está a chegar, e isso é feito, diz o Senhor Deus; Este é o dia de que falei “. Ezequiel 39:8

A INVENÇÃO DA ”TERRA DE ISRAEL”

A INVENÇÃO DA ”TERRA DE ISRAEL”

 

Professor de história contemporânea da Universidade de Tel Avivrefuta a ideia de que os judeus tivessem direitos sobre o território da Palestina,defendida pelos sionistas com base, segundo ele, na confusãoentre uma visão teológica e uma aspiração geopolítica
por
Mateus Soares de Azevedo
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 www.historiaviva.com.br
   H   I   S   T    Ó   R   I   A   V   I   V   A
hlomo Sand é, há mais de 20 anos, professor de histó-ria contemporânea da Universidade de Tel Aviv, a maisimportante de Israel. Ele é um homem corajoso, comoo título de seu livro mais recente,
 A invenção da Terra deIsrael
(Saraiva, 2014), indica. Mesmo assim, ele decidiuesperar até obter seu doutorado e sua estabilidade nauniversidade antes de começar a expor
urbi et orbe
suasteses, que põem em xeque tudo aquilo que o
establish-ment
nacionalista judeu tem sustentado desde a cria-ção do Estado de Israel, em 1948. No Brasil, seu primeiropetardo intelectual foi lançado em 2011, com
 A inven-ção do povo Judeu
. É a obra de autor israelense mais tra-duzida em todo o mundo, com uma vintena de ediçõesem diferentes línguas. Com as controvérsias que seuslivros criaram, Sand se tornou um pária da
intelligentsia
 israelense, sobretudo num momento em que o conflitocom os palestinos se acirra. Mensagens e telefonemasde ameaça não são uma experiência incomum para ele.Mas não é surpresa que seus livros recebam elogios ecríticas tão ácidas como extravagantes, especialmentedo mundo acadêmico e político israelense.
 A invenção da Terra de Israel
é uma obra extraordi-nária, brilhantemente escrita e argumentada. Começopelo fim do livro, cujo derradeiro capítulo é uma tocan-te homenagem a Cheique Muwannis, “tranquilo vilarejoque desapareceu como se nunca tivesse existido”, paradar lugar ao campus da universidade em que ShlomoSand atualmente dá aulas. Ele também mora na área(assim como moraram lá dois falecidos primeiros-minis-tros, Golda Meir e Yitzhak Rabin, além do ex-presidenteShimon Perez), de maneira que se justifica a dedicató-ria da obra à memória dos antigos moradores, “que hámuito tempo foram arrancados do local onde hoje vivoe trabalho”.Sand escreve: “Tanto meu apartamento como meulocal de trabalho estão localizados sobre as ruínas daaldeia árabe que deixou de existir em 30 de março de1948. Naquele dia, os últimos amedrontados morado-res seguiram a pé pela estrada de terra, levando comeles os pertences que conseguiram carregar, desapa-recendo lentamente da vista dos inimigos que haviamcercado a aldeia (…). Na fuga apressada, em terror, dei-xaram mobília, utensílios de cozinha, malas e trouxas, junto com o esquecido e confuso bobo da vila, que nãoconseguiu entender por que havia sido abandonado.
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Livros de Sando tornaram um“pária” nomundo acadêmicoisraelense
(…) Assim, os habitantes de Cheique Muwannis desapare-ceram das páginas da história da Terra de Israel e caíramnas profundezas do esquecimento”.Alguns dos habitantes foram parar nos campos de re-fugiados palestinos da Faixa de Gaza; outros vagaram peloOriente Médio; um pequeno grupo se exilou nos EstadosUnidos e no Canadá e a vila foi desapropriada pelas au-toridades israelenses. Aqueles poucos que conseguirampermanecer no país foram classificados como “ausentes”e destituídos de todos os direitos de propriedade sobreterras e casas. “Não é preciso dizer”, conclui Sand, “que ne-nhum dos aldeões recebeu qualquer indenização.”
400 ALDEIAS ARRASADAS
A história de Cheique Muwannis não é única. Maisde 400 aldeias palestinas foram arrasadas durante e de-pois de 1948. O local abriga hoje uma “curiosa e intrigan-te”, como classifica Sand, concentração de museus quecomemoram a história sionista. Nenhum deles diz nadasobre o milenar passado não judeu do lugar, já que aPalestina como um todo foi um território predominan-temente, mas não exclusivamente, árabe e muçulmanopor mais de 1.300 anos – desde que os conquistadoresdo Crescente derrotaram, não os judeus, mas os bizanti-nos/romanos, já na primeira metade do primeiro séculoda Hégira, o VII d.C., sendo que a minoria de cristãos e ju-deus religiosos que lá vivia sempre gozou de liberdade deculto sob o domínio maometano.Hoje, graças ao livro de Shlomo Sand, CheiqueMuwannis e seus antigos habitantes tiveram sua trágicahistória resgatada e voltaram a viver, ainda que literaria-mente. Sand acredita que “é obrigação do Estado de Israe
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 Tropasisraelenses emGaza durante aGuerra dos SeisDias, em junhode 1967:Sand apoia aexistência dosdois Estados
reconhecer a catástrofe que foi infligida a outros pelomero fato de sua criação (…) e que a universidade de TelAviv deveria afixar na entrada uma placa em memóriadaqueles que foram arrancados de Cheique Muwannis”.
FALSIFICAÇÕES IDEOLÓGICASE CONSTRUÇÕES MITOLÓGICAS
Relatada a justa homenagem, passemos ao cerneda obra. Não há dúvida que o autor de
 A invenção daTerra de Israel
 é um sujeito corajoso. Seu propósito nãopoderia ser mais ousado e arriscado, isto é, expor as“falsificações ideológicas e as construções mitológicas”que sustentam os pilares do moderno nacionalismo ju-daico, cujo rebento institucional é o Estado surgido daexpulsão da população nativa do território conhecidocomo “Palestina” desde a época da presença romana,há 2000 anos. Nas palavras de Sand: “Nunca pensei queos judeus tivessem direito histórico a esta terra (…). Osionismo se apoderou ilicitamente do termo religioso‘Terra de Israel’ e o transformou num termo geopolí-tico (…).
Eretz Israel
não é a pátria dos judeus, ela só setornou tal na passagem dos séculos XIX-XX, com o sur-gimento do movimento sionista”. Em outros termos, omoderno nacionalismo transformou a teologia em umprograma político.Não surpreende que o autor tenha de confrontarhoje a célebre
hasbará
, poderosa máquina de propa-ganda internacional formada pelo Estado e seus defen-sores mundo afora. Até mesmo em seu departamentona Universidade de Tel Aviv Sand percebe uma “crescen-te sensação de isolamento” em relação a seus colegasprofessores, como notou em entrevista recente.Nascido em 10 de setembro de 1946, em Linz, Áus-tria, de família judia polonesa que emigrou para Jaffa,Israel, em 1948, Shlomo Sand sustenta que a vinculaçãoe o apego dos judeus à mítica “Terra de Israel” é, histo-ricamente, uma fabricação, ou uma ‘’invenção’’. E ele fazisso oferecendo uma extensa e abrangente pesquisahistórica que, de fato, comprova que o elo dos hebreusda diáspora com a região foi, ao longo dos últimos 2000anos, frágil. Vinculação histórica nacional, dizemos, nãoligação religiosa e simbólica, que certamente existiu,mas que não pressupõe necessariamente a formaçãode uma entidade territorial nacional. Ou seja, Jerusaléme o espaço em torno da cidade santa para três religiõessempre foram predominantemente encarados comoterritório sagrado e simbólico, foco de anseios espiritu-ais, mas não necessariamente de anseios nacionalistasno senso moderno.O cerne da tese de Sand é expor a confusão intencio-nal, por parte do nacionalismo judaico, entre o conceitodo Israel bíblico e a noção de um território sob domíniode um grupo particular.
Eretz Israel
 é, originalmente, umconceito teológico, não a “terra pátria” dos nacionalistas.Historicamente, a Terra de Israel não tinha o significado eo papel que lhe são atribuídos pelo sionismo político mo
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Festival em NabiRubin, em 1935:uma dascomunidadespalestinasarrasadasem 1948
MATEUS SOARES DE AZEVEDO
é mestre em história das religiões pelaUSP e autor de
Homens de um livro só: fundamentalismo no Islã, nocristianismo e no pensamento moderno
 (Best Seller, 2008), entre outros
derno. Heinrich Heine, poeta alemão de origem judaica,protagonizou uma vez um episódio em que tomou umaBíblia nas mãos e disse: “Esta é a minha pátria portátil!”.Ele expressou assim o ponto de vista tradicional, no qual“Israel” assume um valor simbólico, não sendo necessa-riamente um lugar para viver, e certamente não exige acriação de um Estado para determinado povo.Mesmo, certamente, reconhecendo uma afinidadeentre os judeus e a Terra Santa, Sand argumenta queuma ligação religiosa com o lugar não pode basear di-reitos territoriais exclusivos. Ainda assim – e isto podeparecer contraditório –, ele apoia a existência de Israel.Não por uma razão histórica, mas meramente ‘’porqueo país hoje existe e porque tentar desconstruí-lo resul-tará em novas tragédias”. Nesse sentido, ele se conside-ra um ‘’pós-sionista”.
PÓS