Arquivo da categoria: Judeus Anti-Sionistas

Origens do conflito entre Israel e a Palestina

9.01.2006

AS ORIGENS DO CONFLITO ENTRE ISRAEL E A PALESTINA

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The Origin of the Palestine-Israel Conflict,
colhido junto da organização de judeus Norte Americanos
Publicado pela organização :

Continuando a perda de vidas no Médio Oriente, achamos que a procura de uma solução justa tem de passar pela compreensão das origens do conflito. Dir-nos-á a sabedoria convencional, embora ambos os lados cometam erros, que os Palestinos são “terroristas” irracionais, a cujo ponto de vista não vale a pena dar ouvidos.
No entanto, a nossa posição é a de que os Palestinos têm uma razão de queixa real: aquela que foi a sua pátria por mais de mil anos foi-lhes arrancada contra a sua vontade, predominantemente pela força, durante a criação do Estado de Israel. E todos os crimes subsequentes – cometidos por ambos os lados – derivaram inevitavelmente dessa injustiça inicial.

Este trabalho traça o perfil da história da Palestina para demonstrar como teve lugar este processo e qual seria o tipo de solução adequada para este problema moral.
Se o leitor se preocupa de facto com os povos do Médio Oriente, sejam árabes ou judeus, deve a si mesmo a leitura deste relato, que é uma visão do outro lado dos acontecimentos históricos.

Introdução

A posição sionista habitual é de que os judeus apareceram na Palestina nos fins do sec. XIX, reclamando a posse da sua pátria ancestral.
Os Judeus compraram terra e começaram a construir a comunidade Judia naquele local. Enfrentaram uma oposição cada vez mais violenta dos árabes palestinos, que teria derivado dum anti-semitismo inato da parte destes.
Os sionistas viram-se forçados a defender-se e, duma maneira geral, é essa a situação até aos dias de hoje.

O problema desta visão das coisas é de que, pura e simplesmente, não corresponde à verdade, tal como iremos documentar mais adiante.

O que aconteceu de facto é que o movimento sionista, desde o início, teve o intuito de desapossar totalmente os árabes originários, de modo a garantir que Israel pudesse ser um estado totalmente judeu, ou tão próximo disso quanto possível.
A terra adquirida pelo Fundo Nacional Judaico foi registada em nome do povo judaico com a disposição de que jamais poderia ser vendida ou de qualquer forma cedida a árabes (situação que é mantida até ao presente).

A comunidade árabe, à medida que se foi apercebendo das intenções judaicas, cada vez mais se opôs ao aumento da imigração de judeus e à compra de terras por parte destes, dado que isso colocava um perigo real e iminente à própria existência da sociedade árabe na Palestina. Devido a esta oposição, nunca teria sido possível levar por diante o projecto sionista como um todo, sem o apoio militar britânico.
A vasta maoiria da população da Palestina tinha sido de origem árabe, não obstante, desde o sec VII (isto é, durante mais de 1.200 anos).
Em resumo, o sionismo baseou-se numa concepção errada do mundo, colonialista no sentido em que não considerava os direitos da população pré-existente.

A oposição árabe ao sionismo não se baseou em nenhuma forma de anti-semitismo, mas essencialmente no receio totalmente razoável de usurpação do seu próprio território.
Devemos esclarecer, além do mais, na nossa qualidade de judeus que as posições que aqui defendemos representam UMA CRÍTICA AO SIONISMO e de modo nenhum UMA POSIÇÃO ANTI-SEMITA.

Não cremos que os judeus tenham actuado pior do que qualquer outro grupo nas mesmas circunstâncias.
Os SIONISTAS (que eram uma minoria especial de judeus até depois da 2ª Guerra Mundial) tinham a compreensível aspiração de estabelecer um local onde os judeus pudessem ser donos do seu próprio destino, dada a negra história das perseguições anti-semitas.
Especialmente depois do perigo que o fim dos anos trinta, e seguintes, constituiu para os judeus residentes na Europa, as diligências empreendidas pelos sionistas foram ditadas por autêntico desespero.

ANTIGUIDADE

Antes da chegada dos Hebreus , cerca de 1800 AC, a terra de Canaan era ocupada pelos canaanitas.

“…Entre os anos 3.000 e 1.100 AC a civilização canaanita ocupou aquilo que é hoje Israel, a Cisjordânia, o Líbano e a maior parte da Siria e da Jordânia.
Aqueles que permaneceram nas colinas de Jerusalem (depois dos romanos terem expulsado os judeus no 2º século AC ) eram uma mescla de povos: agricultores e vinhateiros, pagãos e convertidos ao Cristianismo, descendentes de árabes, persas, samaritanos, gregos e velhas tribus canaanitas”.
In: “Their Promised Land”, Marcia Kunstel e Joseph Albright.

Ascendência ancestral dos actuais “palestinos”

“…todos estes povos diversos vindos para a terra de Canaan eram acrescentos, enxertos da árvore mãe… e essa era a árvore canaanita. Os árabes invasores do sec. VII fizeram dos nativos muçulmanos convertidos, e com eles foram casando, com o resultado de que hoje se encontram de tal modo arabizados que é impossível dizer onde acabam os antigos canaanitas e começam os mais recentes árabes”.
In: “Árabes e Judeus na Antiga Terra de Canaan”, Illene Beatty.

Os reinados judaicos foram apenas um de muitos períodos da antiga Palestina

Os extensos reinados de David e Salomão, nos quais os sionistas basearam as suas pretensões territoriais, resistiram apenas 73 anos… tendo-se desagregado logo depois…
(mesmo) se considerarmos de independência todo o período de vida dos antigos reinados judaicos, desde a conquista de Canaan por David em 1.000 AC até à expulsão de Judá em 585 AC, conclui-se que foi apenas de 414 anos o predomínio dos judeus…”;
In: “Árabes e Judeus na Antiga Terra de Canaan”, Illene Beatty.

Ainda a respeito da civilização canaanita recentes escavações arqueológicas forneceram provas de que Jerusalém já era uma grande cidade fortificada em 1.800 AC.
Os achados revelam que a existência prévia de um elaborado sistema de canalização de águas, até ao presente atribuído aos conquistadores israelitas, era anterior a eles cerca de oito séculos e era ainda mais elaborado do que se supunha.
O Dr. Ronny Reich que dirigiu as escavações, bem como Eli Shuicrun, disse que a totalidade do sistema tinha tido a concepção global dos canaanitas do período intermédio da Idade do Bronze, cerca de 1.800 AC.”
In: “The Jewish Bulletin”, 31 de Julho de 1998.

Por quanto tempo foi a Palestina território árabe?

“…A Palestina tornou-se um território predominantemente árabe e islâmico por alturas do fim do século sétimo.
Quase imediatamente depois as suas fronteiras e as suas características – incluindo o seu nome em árabe “Filistina” – tornaram-se conhecidos de todo mundo islâmico, tanto devido à sua fertilidade e beleza quanto ao seu significado religioso.
Em 1516 a Palestina tornou-se uma província do Império Otomano, mas isso não diminuiu em nada a fertilidade das suas terras, ou a condição árabe ou islâmica dos seus habitantes, sessenta por cento dos quais se dedicava à agricultura, encontrando-se no geral divididos entre habitantes de localidades e pequenos grupos nómadas.
Todos porém se consideravam pertencer à Palestina, muito embora fizessem parte integrante da grande nação Árabe.
Apesar da chegada regular à Palestina de colonos judeus depois de 1882, é importante notar-se que nunca tinha havido ali, até poucas semanas antes da constituição de Israel na primavera de 1948, nada a não ser uma esmagadora maioria de árabes.
Por exemplo, a população judaica em 1931 era de 174.606 num total de 1.033.314…”
In: “The Question of Palestina”, Edward Said.

Como funcionava na Palestina a propriedade tradicional da terra, e quando é que se transformou

“…O Código Otomano da Terra” de 1858 requeria o registo das propriedades rústicas em nome individual do seu proprietário, o que maioritariamente nunca tinha sido feito antes, sendo vigentes as normas tradicionais de posse da terra, na área das colinas da Palestina (ou “masha’as”) ou em versão comunitária.
A nova lei implicava que, pela primeira vez, um camponês poderia ser privado não da titularidade da sua terra, de que aliás não havia disfrutado antes, mas sim do direito de nela habitar, cultivar e transmitir aos seus herdeiros, coisa inalienável até então.
De acordo com a Lei de 1858 os direitos comunitários ao uso da terra foram frequentemente ignorados. Em vez disso, os membros das classes privilegiadas, experimentados na utilização das leis em proveito próprio, registaram em seu nome largas porções de terreno.
Os “fellahin” (camponeses) considerando de modo natural que certas terras eram suas, vinham a descobrir que tinham deixado de ser os seus legítimos proprietários apenas no instante em que elas eram vendidas a colonos judeus por proprietários considerados “absentistas”.
A aquisição das terras em causa não ficava por aí: os seus cultivadores árabes eram desapossados e substituídos por estrangeiros abertamente orientados de acordo com objectivos políticos para a Palestina.”
In: “Blaming the Victims” (“Culpando as Vítimas”) Rashid Khalidi, ed. Said and Hitchens.

A oposição dos árabes à chegada dos sionistas era baseada em sentimentos anti-semitas ou na sensação de perigo real para a sua comunidade?

“O objectivo do Fundo Nacional Judaico era o de “redimir a terra da Palestina e a sua posse inalienável pelo povo judaico”.
Logo a partir de 1891 o líder sionista Ahad Há’am escreveu que os árabes “entenderam muito bem quais eram os nossos propósitos “;
por seu turno Theodor Herzl, o fundador do sionismo declarou que “…procuraremos volatilizar a população (árabe) sem vintém para lá da fronteira, procurando dar-lhe que fazer em países de passagem, negando-lhes emprego na nossa própria terra…”;
“…tanto processo de expropriação ou remoção dos pobres deve ser empreendido de forma discreta e circunspecta”;
Em variadas localidades do Norte da Palestina os agricultores Árabes negaram retirar-se de terras compradas por colonos a proprietários considerados “absentistas” , e as autoridades turco-otomanas, a pedido do Fundo Nacional Judaico expulsou-os!…
Os próprios judeus indígenas da Palestina reagiram negativamente ao sionismo. Não compreenderam a necessidade de um estado judeu na Palestina e não quiseram deteriorar as relações com os árabes;
In: “Palestine and Israel: A Challenge to Justice” de John Quigley.

Anti-semitismo inerente? Continuação…

“Antes do sec. XX , a maior parte dos judeus da Palestina pertencia ao velho Yushuv, ou comunidade que se tinha estabelecido mais por razões religiosas do que por motivos políticos. Não havia praticamente conflito nenhum entre eles e a população árabe. As tensões começaram a surgir quanto chegaram os primeiros colonizadores sionistas em 1880… quando efectuaram as compras aos tais considerados “proprietários absentistas” o que conduzia à expropriação dos que as haviam trabalhado…”
In: “The Arab-Israeli Dispute” de Don Peretz.

“…(durante a Idade Média ) o Norte de África e o Médio Oriente árabe tinha-se tornado um lugar de refúgio e porto seguro para os judeus expulsos de Espanha e de outros sítios… Na Terra Santa… conviveram em (relativa) harmonia, uma harmonia apenas comprometida no momento em que os sionistas começaram a reinvindicar a “direito legítimo” à exclusão dos residentes árabes e cristãos”.
In: “Bitter Harvest” de Sami Hadawi.

Atitude dos judeus perante os árabes assim que chegaram à Palestina

“… os judeus que eram geralmente servos nos países da “Diáspora” (ou seja, todos aqueles onde haviam residido na qualidade de povo errante), acharam-se subitamente em liberdade na Palestina, resultando neles tal mudança numa inclinação para o despotismo. Tratam os árabes de forma hostil, privam-nos dos seus direitos, ofendem a sua causa, gabando-se mesmo de tais atitudes, sem que ninguém entre eles se oponha a esta lamentável e perigosa conduta “
(citação feita no livro “Bitter Harvest”, de Sami Hadawi de palavras proferidas pelo escritor sionista Ahad Há’am)

Propostas de colaboração entre árabes e judeus

“…um artigo de Yitzhak Epstein, publicado no “Hashiloha” em 1907 apelava para uma nova política do sionismo relativamente aos árabes após 30 anos de actividades de colonização judadaico-sionista na Palestina…”, tal como Ahad-Há’am em 1891, Epsteim afirma que uma terra devoluta não presta, pelo que a implantação judaica significava espoliação dos árabes.
A solução de Epstein para o problema, de modo a evitar um novo “problema judaico”, era a criação de um programa bi-nacional e não exclusivista de colonização e desenvolvimento. A compra de terras não deveria implicar a espoliação dos pequenos agricultores associados. O que envolvia a criação conjunta de uma comunidade agrícola na qual os árabes beneficiassem de moderna tecnologia. Escolas, hospitais e bibliotecas não seriam segregacionistas e a educação seria bilingue. A concepção de uma cooperação pacífica em vez da prática da espoliação encontrou poucos adeptos. Epstein foi caluniado e ridicularizado por ter demonstrado fraqueza de ânimo…”
In: “Original Sins”, de Benjamin Beith-Hallahmi, escritor israelita.

Quando o movimento sionista arrancou, qual era a situação de preferência relativa da Palestina como destino de refúgio dos judeus vítimas de perseguições?

“Os progroms forçaram muitos judeus a abandonar a Rússia. Sociedades tais como os “Amantes de Sion”, percursores das organizações sionistas, convenceram alguns dos assustados emigrantes a ir para a Palestina. Ali, argumentavam, os judeus iriam reconstruir os “reinos de David e Salomão”.
A maior parte dos judeus ignoraram um tal apelo e escaparam-se para a Europa e os Estados Unidos. Por voltas de 1900, só nos Estados Unidos, tinham-se estabelecido cerca de um milhão”
In: “Our Roots Are Still Alive” in “The Peolple Press Palestine Book Project”.

Período do Mandato Britânico – 1920/1948

A “declaração Balfour” promete uma pátria judaica na Palestina

“A declaração Balfour, feita em Novembro de 1917 pelo Governo Britânico… foi feita
a) por uma potência europeia;
b) a respeito de um território não-europeu;
c) na mais absoluta indiferença quer pela presença quer por desejos expressos da maioria dos nativos ali residentes”..
(de acordo com declarações escritas pelo próprio Balfour em 1919):
“…As contradicções de conteúdo da “Aliança” (tendo prometido a declaração anglo-francesa de 1918 a independência aos árabes das colónias Otomanas como recompensa do seu apoio aos aliados) são ainda mais flagrantes no que toca à nação Palestina independente do que à nação Síria independente. Porque no caso da Palestina nem sequer propomos empreender qualquer consulta popular junto dos residentes naquele território; As quatro potências estão comprometidas perante o sionismo e apenas perante ele, esteja certo ou errado, seja bom ou ruim, esteja baseado em tradição remota ou necessidades apenas actuais e expectativas futuras de maior calibre que o prejuízo de 700 000 árabes que actualmente residem naquele antigo teritório…”
In: “The Question of Palestine”, de Edward Said.

A Palestina: terra desértica antes da chegada dos judeus?

“O alto comissário britânico para a Palestina, John Chancellor recomendou a suspensão total da emigração para a Palestina e a compra de terra, para protecção da agricultura dos árabes. Declarou que “toda a cultivável se encontra ocupada e que nenhuma parcela da mesma poderia ser vendida a judeus, a menos que se quisesse criar uma classe de agricultores árabes sem terra…”
O Ministério das Colónias rejeitou essa recomendação, de acordo com o que nos diz John Quigley na sua obra “Palestine and Israel: A Challenge to Justice”.

Os sionistas fundadores planeavam coexistir com os Árabes?

Em 1919 a “Americam King-Crane Commission” passou seis semanas na Síria e na Palestina entrevistando delegações e lendo requerimentos.
No seu relatório podia ler-se: “…os membros da comissão iniciaram o estudo do sionismo tendo inicialmente uma predisposição favorável ao mesmo… Tornou-se porém repetidamente evidente nos seus encontros com os sionistas que estes tinham a intenção de excluir completamente os actuais residentes não judeus da Palestina, através de formas várias de compra…”

“…Se o princípio da autodeterminação é para pôr em prática, e se os desejos do povo palestiniano são para ser tidos em conta, deve lembrar-se que a população não judaica da Palestina – ou seja, nove décimos da mesma – estão declaradamente contra o programa sionista. Sujeitar um povo assim determinado a uma imigração ilimitada de judeus , a par com uma pressão financeira e social para que cedam terras, será uma violação grosseira do princípio referido.
“…Nenhum dos agentes britânicos contactados pelos membros da Comissão acreditava que o programa sionista pudesse ser levado a cabo a não ser pela força das armas. Pensavam aliás, duma forma geral que, mesmo para lhe dar início, seriam necessários nunca menos de cinquenta mil homens. Por si só esse facto comprova o forte sentido de injustiça que caracterizava o programa sionista. …”
“…A pretensão inicial, frequentemente apresentada por representantes sionistas, de que tinham “o direito” à Palestina com base na ocupação de há dois mil anos, dificilmente pode ser levada a sério..”
Vide: “The Israel-Arab Reader”, ed. Laquer and Rubin.

Lado a lado – continuação

“…A política de terras dos sionistas foi incorporada na Constituição da Agência Judaica para a Palestina;
“…a terra é para ser adquirida como propriedade judaica e o título de posse deve ser registado em nome do Fundo Nacional Judaico, com a finalidade de que o mesmo deve ser conservado como propriedade inalienável do povo judaico…”
Essa determinação vai ao ponto de estipular que a Agência deve promover a colonização de tais terras por mão de obra judaica…
O efeito para os árabes desta política sionista de colonização, era de que a terra adquirida pelos judeus como que desaparecia do mapa, cessando de existir para eles no presente e no futuro, fosse para que efeito fosse…”

“…Os sionistas não ocultaram as suas intenções, tanto que em 1921 o Dr. Eder, membro da Comissão Sionista, declarou desassombradamente em Tribunal que:
– Apenas pode existir uma pátria na Palestina, e terá de ser Judaica, sem igualdade na parceria entre árabes e judeus, mas sim preponderância destes sobre aqueles, logo que seja possível reunir uma quantidade suficientemente numerosa de elementos da mesma raça; ao que acrescentou a pretensão de que apenas aos judeus seria permitido o uso de armas…”
In: “Bitter Harvest”, de Sami Hadawi.

Frente à oposição árabe, terão os sionistas feito diligências para estabelecer “regras maioritárias” na Palestina?

“É claro que a última coisa que os sionistas desejavam era de que todos os habitantes da Palestina tivessem direitos iguais no governo do território…” Chaim Weizmann tinha inculcado junto de Churchill a ideia de que um governo democrático-representativo teria ditado o insucesso da Pátria Nacional Judaica na Palestina…”
“Churchill declarou que:
“- A actual forma de governo continuará por muitos anos. Passo a passo desenvolveremos instituições representativas que conduzam ao pleno auto-governo, mas os filhos dos nossos filhos morrerão antes que isso possa ser uma realidade…”
In: “The Gun and The Olive Branch”, de David Hirst.

A recusa aos árabes de auto-determinação

“Mesmo que ninguém perca a sua terra, o programa sionista era injusto à partida porque recusava direitos políticos à maioria.
Os sionistas, em princípio, não podiam conceder aos povos nativos da região o exercício de direitos políticos, porque isso implicava a condenação da sua empresa…”
In: “Original Sins”, de Benjamin Beit-Hallahmi.

Resistência árabe ao sionismo pré-israelita

“…em 1936-39 os árabes da Palestina tentaram uma revolta nacionalista… David Ben-Gurion, eminentemente um realista, reconheceu a natureza da mesma. Em discussões internas referiu que “na nossa argumentação política exterior minimizamos a importância da oposição que nos é feita pelos árabes”, mas acentuou que “entre nós não devemos ignorar a verdade”. E a verdade era que “politicamente nós somos os agressores e eles estão a defender-se… O país é deles, porque o habitam, enquanto que nós queremos vir-nos estabelecer aqui, o que na sua opinião significa que lhe queremos usurpar a sua terra, sem termos sequer entrado ainda…”
A revolta foi esmagada pelos britânicos, com brutalidade, de acordo com o que nos diz Noam Chomsky no seu livro “The fateful Triangle”.

A opinião de Gandhi a respeito do conflito na Palestina, 1938

“…a Palestina pertence aos árabes no mesmo sentido que a Inglaterra pertence aos ingleses ou a França aos franceses…
Aquilo que está a acontecer hoje em dia na Palestina não pode ser justificado por nenhum código moral de conduta…
Se os judeus olham para a Palestina como a sua pátria natural, é errado dar entrada ali ao abrigo da protecção armada britânica. Um acto religioso não pode ser perpetrado à ponta das baionetas e à bomba…
Apenas podem estabelecer-se ali se houver boa vontade dos árabes… e, como as coisas se apresentam limitam-se a ser cúmplices dos ingleses na espoliação de um povo que não lhes fez mal nenhum…
Não estou a defender os excessos árabes. Preferia que eles tivessem escolhido a via da não-violência para resistir contra aquilo que eles consideram uma invasão do seu próprio país. De acordo com os modelos normalmente aceites de certo e de errado, nada pode ser dito contra a resistência árabe em face de infortúnios arrazadores…”
Palavras de Mahatma Gandhi, citado em “A Land of Two Peoples”, ed. Mendes-Flohr.

Qual a percentagem de terra comprada pelos sionistas antes do estabelecimento de Israel?

“…Em 1948, no momento em que Israel se declarou um estado, era proprietário de pouco mais de 6% (seis por cento) da terra da Palestina…
Depois de 1940, quando autoridades mandatárias restringiram a posse da terra pelos judeus a zonas específicas no interior da Palestina, continuou a haver compras (e vendas) dentro dos 65% da área total da Palestina que era exclusiva dos árabes.
Desta forma, quando o plano de partilha foi anunciado em 1947 incluiu terras que estavam ilegalmente na posse de judeus, cuja incorporação no interior das fronteiras do estado judaico foi entendido como “facto consumado”. E depois de Israel ter anunciado a constituição do seu estado, uma impressionante quantidade de leis fizeram a assimilação de vastas porções de terreno (cujos proprietários tinham passado à condição de refugiados e pronunciados como “proprietários absentistas”, de forma a permitir a expropriação das suas terras e impedir o seu regresso sob que circunstâncias fosse)…”
In: “The Question of Palestine”, de Edward Said.

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A partilha da Palestina pelas Nações Unidas

Porque razão recomendaram as Nações Unidas a partilha da Palestina entre estado judeu e estado árabe?

“…Em Novembro de 1947 os Estados Unidos revelaram-se o mais agressivo proponente da partilha. Fizeram com que a Assembleia Geral adiasse uma votação “para ganhar tempo e conseguir alinhar certos estados da América Latina com as suas posições”.
Alguns delegados acusaram os Estados Unidos de “intimidação diplomática” .
Sem a “pressão violenta” por parte dos EUA junto de governos que não podiam dar-se ao luxo de arriscar-se a sofrer represálias da sua parte, declarou um editorialista anónimo , a resolução nunca teria “passado”
Referido por John Quigley no seu livro “Palestine and Israel: A Challenge to Justice”.

Qual era a posição de Truman?

“Lamento muito meus Senhores, mas tenho que corresponder a centenas de milhar que aguardam ansiosamente pelo sucesso do sionismo. Dos meus eleitores não fazem parte centenas de milhar de árabes”
Palavras do Presidente Harry Truman, citado na obra de Abed-Rabbo e Mezvinsky “Anti-sionismo”, ed. Teikener.

Teria sido justa a partilha da Palestina, para árabes como para judeus?

“A rejeição árabe foi baseada no facto de que, enquanto a população do estado israelita era para ser metade judaica, não chegando os judeus a possuir 10% da área do estado, eram estes que ficavam como sector dominante – decisão que nenhum povo com respeito por si próprio poderia aceitar sem protesto, para dizer o mínimo…
A acção das Nações Unidas entrou em conflito com os princípios básicos que determinavam a organização mundial, nomeadamente quanto ao direito de todos os povos à auto-determinação.
Ao recusar aos árabes da Palestina, que constituíam uma maioria de dois terços dos habitantes do país, o direito a decidir por si mesmos, as Nações Unidas violaram a sua própria carta constitutiva.”
In: “Bitter Harvest”, de Sami Hadawi.

Estavam os sionistas preparados para aceitar a partilha de território oferecida em 1947 pelas Nações Unidas?

“Enquanto que a liderança do Yishuv aceitou formalmente a Resolução de Partilha de 1947, vastos sectores da sociedade israelita – incluindo Ben-Gurion – ou se opunham à mesma ou se mostravam por ela abertamente contrariados, passando a encarar dali em diante a guerra como oportunidade ideal para expandir as fronteiras do novo estado para além daquelas que tinham sido demarcadas pelas Nações Unidas, à custa dos Palestinos”
In: “Tikkun”, Março/Abril de 1998, por Benny Morris, historiador israelita.

Posições públicas contra posições privadas sobre esta questão

“Em discussão interna de 1938, declarou David Ben-Gurion que: “depois de nos termos tornada numa força poderosa, como consequência da formação do nosso estado, aboliremos a “partilha” e vamo-nos expandir por todo o estado da Palestina.”
Em 1948 Menachem Begin declarou que “a partilha do território pátrio é ilegal. Nunca será reconhecido. As assinaturas de entidades individuais e colectivas no acordo redigido são inválidas e não vinculam o povo de Israel, no seu todo. E para sempre”!
In: “The Fateful Triangle”, de Noam Chomsky.

O começo da guerra

“Em Dezembro de 1947, os britânicos anunciaram que se retirariam da Palestina no ano seguinte, a 15 de Maio.
Os palestinos de Jerusalém e Jaffa convocaram uma greve geral contra a “partilha”. A luta estalou nas ruas de Jerusalém quase imediatamente. Confrontos violentos descambaram numa guerra total.
Durante o fatídico Abril de 1948, oito de treze dos principais ataques militares dos sionistas aos palestinos tiveram lugar em territórios que pertenciam ao estado árabe.”
Publicado pelo “People Press Palestine Book Project” sob o título: “Our Roots Are Still Alive”.

Os sionistas desrespeitam as fronteiras da “partilha”

“…Antes do fim do mandato e, por conseguinte antes de existirem possibilidades de qualquer intervenção dos estados árabes, os judeus, aproveitando a sua organização e superioridade militar ocuparam a maior parte das cidades árabes da Palestina, antes de 15 de Maio de 1948. Tiberias foi ocupada a 19 de Abril, Haifa a 22 de Abril, Jaffa a 28, os bairros árabes da Nova Cidade de Jerusalém a 30 de Abril, Beisan a 8 de Maio, Safad a 10 de Maio, Acre a 14…
Em contraste os árabes palestinos não tomaram nenhum dos territórios reservados para o estado israelita, conforme a resolução da “partilha”…”
In: “Palestine, the Arabs and Israel”, de Henry Cattan, autor britânico.

As culpas duma escalada do conflito

“Menahem Begin, líder do Irgun, diz-nos em Jerusalém como noutros locais “fomos os primeiros a passar da defensiva à ofensiva… Os árabes começaram a fugir aterrorizados… a Hagana (o exército israelita) empreendia ataques com êxito noutras frentes , enquanto que todas as forças israelitas continuavam a avançar por Haifa como faca em manteiga”… Os israelitas argumentavam agora que a guerra da Palestina tinha começado com a entrada das forças árabes na Palestina depois de 15 de Maio de 1948. Porém essa era a segunda fase da guerra; com efeito os israelitas ignoraram os massacres, as expulsões e as usurpações que tinham ocorrido antes daquela data, e que teriam justificado a intervenção de outros estados árabes”
In: “Bitter Harvest”, de Sami Hadawi.

O massacre de palestinianos de Deir Yassin por soldados judeus

“Durante todo o dia 9 de Abril de 1948, os soldados da Irgun e da LEHI levaram a cabo matanças a sangue frio.
Os atacantes alinharam homens, mulheres e crianças contra os muros e liquidavam-nos a tiro.
A ferocidade dos ataques a Deir Yassin chocou a própria comunidade judaica mundial, semeou o pânico na sociedade árabe e conduziu à fuga de civis desarmados dos seus lares por todo o país”
In: “The Birth of Israel” de Simha Flapan, autor israelita.

Foi o massacre de Deir Yassin o único do mesmo calibre?

“…em 1948 os judeus não somente eram capazes “de se defender” como o eram de cometer atrocidades. Sem dúvida, de acordo com as informações prestadas pelo antigo director dos arquivos secretos do exército israelita “em quase todas as localidades ocupadas por nós durante a Guerra da Independência foram cometidos actos definíveis como crimes de guerra, tais como assassinatos, massacres e violações”. Uri Milstein , o autorizado historiador militar da guerra de 1948 vai mais além, afirmando que qualquer escaramuça com árabes acabava num massacre”.
In: “Image and Reality of the Israel-Palestine Conflict”, de Norman Finkelstein.

Cidadania e Expulsão

1948

Reacção dos árabes à criação do estado de Israel

“…Os exércitos dos estados árabes entraram em guerra imediatamente a seguir à fundação do Estado de Israel em Maio. A luta continuou, tendo decorrido quase toda dentro da parte do território que tinha sido atribuído ao Estado Palestino”
“…Cerca de 700 000 palestinos fugiram ou foram expulsos durante o conflito de 1948”.
In: “The Fateful Triangle”, de Noam Chomsky

Que riscos para o estado de Israel de parte dos exércitos árabes?

“A Liga Árabe convocou apressadamente os seus membros para que enviassem tropas regulares para combater na Palestina. A sua missão era apenas a de salvaguardar as áreas da Palestina que tinham sido atribuídas aos árabes.
Eram contudo tropas mal equipadas sem comando central unificado.
O rei Abdullah da Jordânia prometeu aos israelitas e aos britânicos que as suas tropas (a Legião Árabe), únicas dentre os exércitos árabes com reais capacidades de luta, evitariam recontros com colónias de judeus. Contudo, certos historiadores ocidentais relatam este facto como tendo sido “…uma luta travada entre o jovem estado judaico e as “hordas avassaladoras” de cinco estados árabes…”
A única realidade era a intensificação da ofensiva israelita contra os palestinos;
referido pelo “Peoples Press Palestine Book Project” intitulado: “Our Roots Are Still Alive”.

Limpeza étnica da população árabe da Palestina

“Joseph Weitz, foi director do “Jewish National Land Fund” (Fundo Judaico do Território Nacional); a 19 de Dezembro de 1940 escreveu:
“…Deve tornar-se claro que não existe espaço neste país para dois povos…
A empresa sionista até agora tem sido levada a cabo com êxito no seu devido tempo, servindo-se adequadamente do processo de “compras de terra” – mas isso não concretizará o Estado de Israel, que deve formar-se num todo, à maneira de uma Salvação (tal é o segredo da ideia Messiânica);
E não há outra forma senão a de transferir os árabes daqui para os territórios vizinhos, “transferi-los” a todos.
Exceptuando talvez Belém, Nazaré e a velha Jerusalém não devemos deixar uma única simples localidade, uma única tribo.
Declarações como estas feitas por elementos sionistas, houve-as às centenas!
In: “The Question of Palestine”, de Edward Said.

Limpeza étnica; continuação

“A seguir à eclosão de 1936, nenhum líder sionista da corrente dominante foi capaz de configurar perspectivas que não implicassem uma separação física nítida entre os dois povos – praticável apenas por meio de deslocações ou expulsão. Publicamente continuavam todos a falar de coexistência, atribuindo actos de violência a minorias de fanáticos ou agitadores. Mas essa atitude era meramente exterior. Ben Gurion sintetizou: “com deslocações obrigatórias conseguiremos uma vasta área de colonização; pela minha parte sou adepto das deslocações obrigatórias, não vejo mal nenhum nisso”.
In: “Righteous Victims”, de Benny Morris, historiador israelita.

“…Ben-Gurion desejava claramente tão poucos árabes remanescentes no estado judaico quanto possível . A sua esperança era vê-los desaparecer. Foi tanto quanto disse aos seus colegas e assistentes nas reuniões de Agosto, Setembro e Outubro de 1948. No entanto nenhuma política de expulsões foi publicamente pronunciada e Ben-Gurion inibiu-se de emitir claras ordens de expulsão por escrito; preferiu que os seus generais “entendessem” o que devia ser executado. Não queria dar entrada na história como “o grande expulsor” e não queria ver o governo israelita implicado numa política moralmente questionável.
Contudo, enquanto que não existia uma política de expulsões”, as ofensivas de Julho e Outubro de 1948 eram caracterizadas por muito mais expulsões, sem dúvida muito mais brutalidade para com os civis árabes, do que na primeira metade da guerra…”
In: “The Birth of the Palestinian Refugee Problem, 1947 – 1949”, de Benny Morris.

Não teriam os palestinos abandonado voluntariamente as suas casas durante a Guerra de 1948?

“…A propaganda israelita negligenciou acentuadamente a queixa de que o êxodo dos palestinos de 1948 fora “auto-induzido”. Os meios oficiais aceitaram implicitamente que a população árabe fugira como consequência da acção israelita – directamente como no caso de Lydda e Ramleh, ou indirectamente, devido ao pânico provocado em centros populacionais árabes por massacres que tinham tido lugar através da Palestina, tal como o de Deir Yassin.
No entanto, embora o registo histórico tenha relutantemente reconhecido o facto, o regime israelita, e os seus continuadores, ainda recusam aceitar moral ou publicamente a responsabilidade pelo programa que activamente criaram…”
In: “Blaming the Victims”, citação de Peretz Kidron; ed. Said and Hitchens.

Os árabes contra a evacuação da Palestina!

“…A BBC monitorizou todas as emissões radiofónicas efectuadas no Médio Oriente durante o ano de 1948. As gravações existentes e bem assim as de uma empresa de monitorização Estado Unidense, podem ser observadas no British Museum.
De parte das emissoras de rádio árabes, localizadas dentro ou fora da Palestina, não foi emitida uma única ordem ou feito qualquer apelo de evacuação da Palestina, em 1948. Existe ao contrário, o registo de apelos árabes repetidos, e até ordens claras dadas aos civis palestinos para ali permanecerem…”
In: “Bitter Harvest”, de Sami Hadawi citando Erskine Childers, investigador britânico.

“… É muito difícil não acreditar na intenção de Ben-Gurion de evacuar tantos árabes quanto fosse possível do estado judaico, quanto mais não seja pela diversidade de meios que utilizou para consegui-lo, principalmente no que se refere à destruição de localidades por inteiro com expulsão da totalidade dos seus residentes, mesmo aqueles que não tivessem participado na guerra e que tivessem ficado em Israel na esperança de viver em paz e igualdade, tal como fora prometido na Declaração de Independência…”
In: “The Birth of Israel” de Simha Flapan, autor israelita.

A destruição deliberada de localidades árabes para evitar o seu regresso

“…Durante o mês de Maio de 1948 começaram a cristalizar as ideias de como consolidar e dar permanência ao exílio palestino, e a destruição de localidades foi de imediato entendida como forma elementar de concretizar esse objectivo. Já antes disso, a 10 de Abril do mesmo ano a Haganah tomou Abu Susha. A vila foi destruída nessa mesma noite.
Khulda foi arrazada em 20 de Abril por bulldozers israelitas;
Abu Zureiq foi completamente demolida;
Al Mansi e Na Naghnaghiva, a sudoeste, foi também arrazada;

Em meados do ano de 1949 a maioria das 350 localidades que haviam sido despovoadas fora parcial ou totalmente reduzida a ruínas ou encontrava-se completamente inabitável…”
In: “The Birth of the Palestinian Refugee Problem, 1947-1949”, de Benny Morrys.

Depois de ter terminado a luta, porque é que os palestinos não regressaram às suas casas?

“…A primeira resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas, que tem o número 194, e que afirma o direito do povo palestino a regressar ao lar e às suas terras, foi aprovado no dia 11 de Dezembro de 1948.
Foi reapreciada não menos do que 28 (vinte e oito) vezes desde essa primeira data.

Muito embora o direito moral e político de uma pessoa regressar ao lugar de residência permanente seja reconhecido em todo a parte, Israel negou essa possibilidade, tornando sistemática e juridicamente impossível o regresso dos palestinos à sua terra, fosse porque processos fosse, retirando-lhe ainda quaisquer direitos compensatórios, ou sequer o direito de viver em Israel em paridade de direitos com qualquer judeu israelita…”
In: “The Question of Palestine”, de Edward Said.

Qual a justificação para esta expropriação da terra?

“…O facto dos árabes terem fugido apavorados devido ao receio da repetição dos massacres sionistas de 1948, não era razão para lhes recusar as suas casas, terrenos e demais pertences. Os civis que são surpreendidos em áreas onde se travam acções militares entram geralmente em pânico. Mas é-lhes sempre permitido regressar ao lar quando o perigo deixa de existir. A conquista militar não extingue o direito à propriedade privada, nem dá aos vencedores o direito de confiscar bens dos civis não beligerantes. A apropriação de propriedades árabes por parte dos israelitas foi ultrajante…”
In: “Bitter Harvest”, Sami Hadawi

As negociações após as guerras de 1948-1949

“…Em Lausanne, o Egipto, a Síria, o Líbano e os palestinos tentaram salvar através de negociações o que tinham perdido na guerra – um estado palestiniano a par do de Israel. Israel contudo preferiu um precário armistício em vez de um tratado de paz definitivo que envolvesse concessões territoriais e a repatriação que fosse de um simbólico número de refugiados. A recusa do reconhecimento do direito dos palestinos à auto-determinação e à cidadania demonstrou ser, ao longo dos anos, a origem principal da agitação, da violência e do morticínio que vieram a acontecer…”
In: “The Birth of Israel” de Simha Flapan, autor Israelita

A admissão de Israel às Nações Unidas e a rejeição das condições sob as quais isso ocorreu

“…A conferência de Lausanne abriu oficialmente no dia 27 de Abril de 1949. A 12 de Maio o Comité das Nações Unidas de Conciliação da Palestina concretizou o seu único êxito ao induzir as partes a assinar um protocolo conjunto para uma paz global. Israel aceitou pela primeira vez o princípio da repatriação dos refugiados árabes e a internacionalização de Jerusalém, mas fê-lo como mero exercício de relações públicas destinado a reforçar a sua imagem internacional.
Walter Eytan, chefe da delegação israelita declarou:
– O meu objectivo principal era o de sabotar o protocolo de 12 de Maio, que tínhamos assinado sob o condicionamento imposto pelas negociações da nossa admissão às Nações Unidas. Sabíamos que uma não aceitação do documento teria efeito negativo imediato junto do Secretário Geral das Nações Unidas e de vários governos …”
In: “The Making of the Arab-Israel Conflict, 1947-1951”, de Ilan Pappe, historiador israelita.

“…O preambulo da resolução de admissão de Israel às Nações Unidas incluiu uma salvaguarda do seguinte teor: “Em referência à resolução de “partilha” de territórios de 29 de Novembro de 1947 e de 11 de Dezembro de 1948 (a respeito de indemnizações compensatórias) e levando em conta as declarações e explicações feitas pelo representante de governo de Israel ante o Comité Político ad-hoc, a respeito do cumprimento das ditas resoluções, a Assembleia Geral decide admitir Israel como membro das Nações Unidas…”.

“Deverá sublinhar-se estar aqui uma condição e um compromisso de levar à prática as resoluções mencionadas.
Não se punha a questão desse cumprimento ter de esperar pela declaração de paz segundo as pretensões de Israel, tal como mais tarde veio a reclamar para justificar o seu não cumprimento das mesmas resoluções. “
In: “Bitter Harvest” de Sami Hadawi.

Qual o destino dos palestinos que se tinham tornado refugiados

“…O Inverno de 1949, o primeiro Inverno de exílio para mais de setecentos e cinquenta mil palestinos, foi rigoroso e difícil. Famílias refugiadas em cavernas, cabanas abandonadas ou tendas improvisadas. Muitos desses esfomeados estavam apenas a meia dúzia de km das suas antigas hortas e pomares, na Palestina ocupada – o novo estado de Israel…”
No fim de 1949 as Nações Unidas actuaram finalmente, organizando a Administração das Tarefas de Auxílio das Nações Unidas (UNRWA) para se encarregar de mais de sessenta campos de refugiados, esforço que conseguiu, embora a custo, fazer sobreviver refugiados…”
In: “Peoples Press Palestine Book Project” intitulado: “Our Roots Are Still Alive”.

A guerra de 1967 e a ocupação israelita da Cisjordânia e da Faixa de Gaza

Foram os Egípcios que de facto começaram a guerra de 1967, tal como afirmou de início Israel ?

“O anterior comandante da Força Aérea, General Ezer Weitzman, considerado um “falcão” , declarou que não havia “ameaça de destruição, mas que o ataque ao Egipto, à Jordânia e à Síria contudo se justificava de modo a que Israel pudesse existir de acordo com a escala, o espírito e a qualidade que lhe agora lhe corresponde”; Menahem Begin tinha as seguintes observações a fazer: “Em Junho de 1967, mais uma vez não tínhamos alternativa. As concentrações do exército Egípcio em aproximação ao Sinai não comprovavam que Nasser estivesse para nos atacar.
Temos de ser honestos connosco próprios: Nós é que decidimos atacá-lo.
In: “The Fateful Triangle” de Noam Chomsky.

A Guerra de 1967 foi defensiva? (continuação)

“Não julgo que Nasser quizesse a guerra. As duas divisões que ele mandou para o Sinai não teriam sido suficientes para lançar uma ofensiva de guerra. Ele sabia-o e nós também.”
Yitzhak Rabin, Chefe do Estado Maior Israelita em 1967, in Le Monde 28 de Fevereiro de 1968.

Declarações póstumas de Moshe Dayan a respeito dos Montes Golan

“Moshe Dayan o celebrado comandante que em 1967, como ministro da Defesa, deu ordens para conquistar o Golan disse que muitas das escaramuças com os Sírios foram deliberadamente provocadas por Israel, e que os residentes do Kibbutz que fizeram pressão sobre o governo para tomar os montes Golan fizeram-no menos por segurança do que para conquistar terra arável, e acrescentou: Nem sequer tentaram esconder a sua avidez pela terra… estávamos prontos para fazer avançar um tractor para lavrar um bocado de terra qualquer na zona desmilitarizada, ainda que nela nada se pudesse cultivar, e tínhamos de antemão a certeza de que os Sírios começariam logo a disparar. Se o não fizessem mandávamos o tractor continuar a avançar, até que fosse inevitável que eles o fizessem.
A seguir a isso começaríamos com a artilharia, depois com a força aérea, e pronto, foi o que se passou. Ao fim de quatro dias os Sírios tinham cessado de ser uma ameaça para nós…”
In: “The New York Times”, 11 de Maio de 1997.

A história do expansionismo Israelita

A aceitação da “partilha” não nos compromete a renunciar à Transjordânia (Parte oeste da Jordânia que se estende ao longo da margem esquerda do rio Jordão); Ninguém pode pedir a alguém que renuncie aos seus intentos. Aceitamos um estado cujas fronteiras sejam fixadas num dado momento. Mas as fronteiras das aspirações sionistas são da responsabilidade do povo judeu e nenhum factor externo poderá limitá-la”.
Afirmação de David Bem-Gurion de 1936, citado por Noam Chomsky na sua obra “The fateful Triangle”.

“O principal perigo que Israel, como estado judaico, coloca ao seu povo, aos outros judeus e aos seus vizinhos é a procura ideologicamente motivada de expansão teritorial e a inevitável série de guerras resultante desse objectivo…”
Nenhum político sionista repudiou alguma vez a ideia de Bem-Gurion de que as políticas do estado Israelita devem ser baseadas (dentro dos limites das considerações práticas) na reconstituição das fronteiras bíblicas do estado judaico…”
Declaração do professor israelita Israel Shahak, in “Jewish History, Jewish Religion: The Weight of 3000 Years”.

Expansão

Nos diários pessoais do primeiro ministro Israelita Moshe Sharatt há um excerto de Maio de 1955 no qual ele cita Moshe Dayan: Israel deve tomar as armas como meio principal, senão o único, para manter o seu moral alto e a prontidão das suas disposições. Para concretizar isso não só pode, como deve inventar perigos e, para fazê-lo, deve adoptar o método da provocação-vingança… E acima de tudo – tenhamos esperança numa nova guerra com os países árabes, de modo a podermos ver-nos livres dos nossos problemas e conquistar mais espaço…”
Citação feita por Livia Rokach, in: “”Israel’s Sacred Terrorism”.

E a terra ocupada aos árabes, não era necessária à segurança de Israel?

“..O senador J. William Fulbright propôs em 1970 que a América devia assinar formalmente um tratado que garantisse a segurança de Israel, recorrendo à intervenção armada se necessário. Em contrapartida Israel retirar-se-ia para as suas fronteiras de 1967. O Conselho de Segurança das Nações Unidas asseguraria este acordo, convencendo nesse sentido a União Soviética – na altura fornecedora de apoio político e de armas aos países árabes. Na altura em que as tropas Israelitas se retirassem dos Montes Golan, da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, seriam substituídas por forças de manutenção da paz da ONU. Israel garantiria a aceitação de certo número de palestinos e os restantes seriam instalados num estado palestino fora de Israel.

O plano suscitou apoio jornalístico nos Estados Unidos, mas foi frontalmente rejeitado por Israel. “Fulbright ficou muito contrariado, tal como disse o seu biógrafo Randall Woods: Os israelitas nem sequer estavam interessados em actuar na defesa dos seus próprios direitos…”
In: “Issues in the American Council for Judaism”, Allan Brownfield, Outubro de 1997.
(Nota: esta foi apenas uma de muitas propostas então apresentadas para resolução do problema)

O que aconteceu depois do fim da guerra de 1967?

“…Violando a legislação internacional, Israel confiscou 52 por cento da terra da Cisjordânia e 3 por cento da Faixa de Gaza para fins militares ou colonatos civis judaicos. De 1967 a 1982 o governo militar de Israel demoliu 1.338 casas de famílias de palestinos na Cisjordânia. Durante esse período mais de 300.000 palestinos foram detidos por forças de segurança israelitas, sem julgamento, por períodos variáveis de tempo….”
In: “Intifada: The Palestinian Uprising Against Israeli Occupation”, ed. Lockman and Beinin.

Opinião internacional a respeito da legalidade da acção de Israel na Cisjordânia e na Faixa de Gaza

De acordo com a carta das Nações Unidas não são legítimos os ganhos territoriais com base na guerra, mesmo da parte de países agindo em legítima defesa. A resposta de outros estados às ocupações feitas por Israel mostram a opinião unânime de que, mesmo se fosse defensiva a actuação de Israel, a sua retenção da Faixa de Gaza e da Cisjordânia não seria legal. A Assembleia Geral das Nações Unidas caracterizou a ocupação daqueles territórios como uma denegação do direito à autodeterminação e, deste modo, uma “uma ameaça séria e crescente à paz e à segurança internacional…”
In: “Palestine and Israel: A Challenge to Justice” de John Quigley.

Exemplos dos efeitos da ocupação israelita

“…Um estudo dos estudantes da Bethlehem University referido pelo Comité de Coordenação Internacional das ONG’s em Jerusalém mostraram que muitas famílias naqueles territórios passam cinco dias por semana sem água corrente disponível. O relatório indica que “é restringido o uso da água para os palestinos ali residentes enquanto que os colonos judeus dispõem de quantidades de água praticamente ilimitadas…”

“…Uma visita de Verão a um assentamento judaico à beira do deserto da Judeia a menos de 8 km de Belém, confirmou esta iniquidade no uso da água. Enquanto que os árabes residentes em Belém compravam água distribuída por camiões-tanque a preços altamente inflaccionados, os relvados no assentamento estavam verdes, a rega por aspersão estava ligada ao meio dia em pleno sol de Agosto e ruído alegre das crianças nadando em piscinas exteriores acrescentava a essa visão um toque de irrealidade…”.
In: “The Link”, da autoria de Betty Jane Bailey, Dezembro de 1996.

“Deverá ser recordado que noventa por cento das crianças com dois ou mais anos já passaram – algumas de modo frequente – pela experiência de viverem numa casa frequentemente invadida pela tropa israelita, ver parentes seus espancados e pertences seus destruídos. Muitos deles foram espancados, sofreram fracturas, apanharam tiros, sofreram o efeito de gases lacrimogéneos, ou viram vizinhos e parentes seus sofrerem tal tratamento. O lado emocional da criança é afectado pela falta de segurança. A criança necessita de se sentir segura. E as consequências posteriores são observáveis. Nas nossas investigações descobrimos que as crianças que são expostas a traumatismos assumem comportamentos e concepções políticas extremados.. “
Afirmações do Dr. Samir Quota, director de investigações do Programa de Saúde Mental da Comunidade de Gaza, citado no “The Journal of Palestine Studies”, Verão de 1996, pg. 84.

“…Não há coisa que se pareça com aquilo que se sente ao ouvir um palestino de 35 anos que trabalhou 15 anos clandestinamente em Israel para poupar para construir uma casa para a família, tendo regressado a casa um dia descobrindo que a mesma tinha sido arrasada por um buldozer israelita. Quando lhe perguntei porque foi feita tal coisa, de notar que o terreno era propriedade sua, disse-me que um soldado israelita lhe tinha dado um papel no dia seguinte afirmando que a casa tinha sido construída sem licença. Em que outra parte do mundo será exigida uma licença (que sempre lhe fora recusada) para construir em terreno de sua propriedade? Os judeus podem construir, mas os palestinianos nunca. Isto é “apartheid”….”
In: “The Nation”, de Edward Said, 4 de Maio de 1998

Todos os colonatos judaicos nos territórios ocupados pela guerra de 1967 são uma violação directa da Convenção de Genebra, subscrita por Israel

“…A convenção de Genebra exige que as forças ocupantes modifiquem o menos possível a ordem existente nos territórios ocupados, durante a ocupação respectiva. É parte dessa obrigação deixar o território para a população que lá encontrou, não podendo transferir para ali população sua para ocupar o território. Tal proibição encontra-se inscrita no Artigo 49 da Convenção que declara: “A potência ocupante não deportará ou transferirá parte da sua própria população para o território que ocupa…”
In: “Palestine and Israel: A Challenge to Justice”, de John Quigley.

Excertos dos relatórios a respeito da Intifada, do Departamento de Estado dos USA

“A seguir, alguns excertos dos “Relatórios Regionais sobre a Prática dos Direitos Humanos” do Departamento de Estado dos USA, de 1988 a 1991:

1988: “…Muitas mortes e muitos feridos evitáveis foram causados porque os soldados israelitas usaram frequentemente armas de fogo em situações que não representavam perigo mortal para esses soldados. As forças armadas israelitas usaram bastões para quebrar membros e espancar palestinianos que não estavam directamente envolvidos em distúrbios ou resistindo aos aprisionamentos… Foi noticiado que pelo menos treze palestinos morreram de tais espancamentos…”

1989: “…Grupos de defesa dos direitos humanos acusaram seguranças vestidos à civil terem actuado como esquadrões da morte que assassinaram activistas sem culpa formada, depois destes se terem rendido ou depois de se encontrarem subjugados…”

1991: “…o relatório acrescenta que os grupos de defesa dos direitos humanos publicaram “relatórios credíveis e detalhados de sessões de tortura, sevícias sexuais e maus tratos infligidos a prisioneiros palestinianos detidos em prisões ou centros de detenção…”
Afirmações de Paul Findley, ex-congressista dos USA no livro “Deliberate Deceptions”.

Jerusalém – Capital eterna e indivisível de Jerusalém?

“…Na edição de 28 de Fevereiro de 2000 do “The Jerusalém Report”, Leslie Susser fazia notar que as actuais fronteiras foram traçadas depois da guerra dos seis dias. A responsabilidade por esse traçado recaiu sobre o Chefe do Comando Central Rehavan Ze’evi. A linha que o mesmo traçou envolveu não somente os 5 km quadrados de Jerusalém Leste árabe, mas também 65 km quadrados de terrenos abertos circundantes e localidades, muitas das quais jamais tinham tido relacionamento municipal com Jerusalém. Do dia para a noite essa enorme área passou a fazer parte da “capital eterna e indivisível” de Israel…”
In: The Washington Report On Middle East Affairs, Maio de 2000, por Allan Brownfield.

A História do Terrorismo na Região

..

Nota do Editor:
Acreditamos que o assassinato de crianças está errado seja em que caso for. Deste modo, não podemos tolerar o uso de terrorismo por extremistas palestinos, especialmente durante os anos 70. Dito isto, contudo, é necessário examinar o contexto no qual estes acontecimentos tiveram lugar.

Ouvimos falar abundantemente do terrorismo palestiniano. O que é que há a respeito dos israelitas?

“…O relatório acerca do terrorismo israelita data das origens do estado respectivo – ou, muito antes, com efeito – incluindo:
– O massacre de 250 civis e a expulsão brutal de setente mil outros de Lydda e Ramle em Julho de 1948;
– O massacre de centenas de outros na indefesa localidade de Doueimah, perto de Hebron em Outubro de 1948;
– As matanças de Quibya, Kafr Kassem e uma lista de outras localidades assassinadas;
– A expulsão de milhares de beduínos das zonas desmilitarizadas pouco depois da guerra de 1948, e de milhares de outros do Nordeste do Sinai no começo dos anos 70, incluindo a destruição das suas localidades, para abrir a região à colonização judaica;
– e uma longa lista de etc….”
In: “Blaming The Victims”, de Noam Chomsky, ed. Said and Hitchens.

“…Por muito que se lamente e até se deseje de certo modo vingar as perdas de vidas e o sofrimento de inocentes devido à acção dos palestinianos, penso que ainda é necessário dizer que nenhum movimento nacional como o deles foi tão injustamente penalizado pelos seus pecados, difamado e sujeito a represálias desproporcionadas.

A política de contra ataques punitivos de Israel (ou terrorismo de estado) parece ser a de tentar matar 50 a 100 árabes por cada baixa israelita. A devastação dos campos de refugiados no Líbano, hospitais, escolas, mesquitas, igrejas e orfanatos; as prisões sumárias, deportações, destruição de habitações, as mutilações, as torturas de palestinos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza… tudo isso e o número de palestinianos mortos, a escala das perdas materiais, as privações físicas, políticas e psicológicas, excederam de forma tremenda o prejuízo causado pelos palestinianos aos israelitas…”
In: “The Question os Palestine” de Edward Said.

O preconceito do Governo dos USA e dos meios de comunicação sobre o terrorismo no Médio Oriente

“…É simplesmente extraordinário e sem precedentes que a história de Israel – levando em conta que se trata de um estado baseado em conquista e invasão de território de países circundantes, bombardeamento e destruição à vontade, e considerando ainda que ocupa actualmente, contra a legislação internacional, territórios que foram parte do Líbano, da Síria e da Palestina – o seu passado nunca é citado, nunca sujeito a apreciação nos meios de comunicação da América do Norte e nunca mencionado nos discursos oficiais… e nunca referido como parte actuante em nenhum processo causador do “terror Islâmico”…”
In: “The Progressive”, de Edward Said, 30 de Maio de 1996.

Vozes judaicas que criticam o sionismo

“Albert Einstein:
Penso que seria muito mais razoável a concórdia com os árabes e a coexistência pacifica com eles do que a criação de um estado judaico. Além de considerações de ordem prática, a minha noção da natureza do judaísmo opõe-se à criação de um estado judaico, com fronteiras, exército, e a construção de um poder temporal, mesmo que modesto. Receio os prejuízos interiores que isso vai provocar no judaísmo…”

“Erich Fromm
(Sociólogo e filósofo americano de origem alemã (1900 – 1980) considerado como um dos grandes humanistas do sec XX, judeu, notável escritor e pensador) declarou que
“…em legislação geral e internacional mantém-se o princípio de que nenhum cidadão perca a sua propriedade ou os seus direitos de cidadania; e quanto a estes últimos têm os árabes de Israel muito mais legitimidade que os próprios judeus. Porque os árabes fugiram? E desde quando é que isso é punível com confiscação da propriedade, com o impedimento de regressar à terra onde viveram com seus antepassados durante gerações e gerações? Deste modo as pretensões dos judeus à terra de Israel não são legítimas. Se todas as nações reivindicassem subitamente os territórios dos seus antepassados de há dois mil anos, o mundo tornar-se-ia um manicómio… Acredito que, politicamente falando, só há uma solução para Israel, nomeadamente o reconhecimento unilateral da obrigação de um estado para os árabes – não como base para regatear politicamente, mas sim como forma de reconhecimento integral das obrigações morais do estado de Israel para com os anteriores habitantes da Palestina…”

Nathan Chofshi – Somente uma revolução interna pode ter o poder de curar o nosso povo da sua doença assassina de ódio sem causa que está destinado a fazer cair sobre nós uma completa ruína. Só nessa altura os velhos e os novos da nossa terra terão a ideia da magnitude da nossa responsabilidade perante aqueles miseráveis refugiados árabes em cujas cidades estabelecemos colonos judeus que para aqui foram trazidos de muito longe; cujas casas herdámos; cujos campos agora semeamos e colhemos; em cujos pomares, jardins e vinhedos colhemos os respectivos frutos; e em cujas cidades que roubámos construímos casas para a educação, a caridade e a prece, enquanto papagueamos em delírio que somos o “Povo do Livro” e a “luz das nações”…”

Num artigo publicado no “Washington Post” de 3 de Outubro de 1978, o Rabbi Hirsh de Jerusalém, é citado do seguinte modo: “O 12º princípio da nossa fé, acredito, é de que o Messias reunirá os exilados judeus que se encontram dispersos pelas nações deste mundo. O sionismo é diametralmente oposto ao judaísmo. O sionismo pretende definir o povo judeu como entidade nacionalista. Os sionistas dizem, com efeito:
– Olha, Deus, não gostamos do exílio. Traz-nos de regresso, e se não o fizeres, arregaçaremos as mangas e regressaremos por nós mesmos. Isto, prossegue o Rabbi, é uma heresia. O povo judeu está comprometido por juramento divino a não forçar o seu regresso à Terra Santa contra o desejo daqueles que ali residem…”
In: “Bitter Harvest” de Sami Hadawi”

“…Não vale a pena ter um lar judeu na Palestina construído pela força das baionetas e da opressão, como tentativa bem sucedida. Ao contrário valeria bem a pena tentar fazê-lo pacificamente, em cooperação, acordo, educação e boa vontade, ainda que como tentativa falhada…”
Rabbi Judah L. Magnes, primeiro presidente da Universidade Hebraica de Jerusalém, citado em “Like All The Nations”, ed. Brinner Rischin.

Palavras de Martin Buber a respeito do que deveria ser o sionismo

“…O primeiro facto é que quando fizemos a aliança (admito aliás não adequadamente definida) com um estado europeu e lhe proporcionámos o direito de governar a Palestina, nada fizemos para chegar a um acordo com os árabes que ali residiam relativamente às bases e condições para levar a cabo a instalação dos judeus.
Esta abordagem negativa levou os árabes que tomaram conhecimento e se preocupavam com o futuro do seu povo, a encararem-nos cada vez mais como um grupo interessado em viver em colaboração com eles, mas como alguém que aparece sem ser convidado na representação de interesses estranhos (facto que na altura assinalei explicitamente).
Segundo, porque lançámos mão das posições chave da economia do país sem compensar a população árabe, o que que quer dizer que não lhes concedemos uma quota parte quer no capital, quer no trabalho relativo à nossa actividade económica. Pagando aos proprietários mais abastados o preço de terras adquiridas ou pagar rendas aos locatários de outras não é o mesmo que compensar todo o povo de um país. Como consequência, muitos dos árabes mais avisados entenderam o avanço dos assentamentos judaicos como uma espécie de conjura para privar as gerações futuras do seu povo da terra necessária para a sua existência e desenvolvimento. Somente mediante uma política económica vigorosa e abrangente, dirigida à organização e desenvolvimento de interesses comuns teria sido possível contrariar esse ponto de vista e as respectivas consequências. E isso foi o que não fizemos.
Terceiro facto foi que, ao ter-se aproximado o fim do mandato britânico, não só não propusemos à população árabe do país a implantação de uma administração conjunta, como avançámos para a autoridade exclusiva que exigimos para a totalidade do território (o programa Biltmore) como consequência política adequada dos ganhos que já havíamos feito. Com essa medida, fornecemos por nossas próprias mãos aos nossos inimigos do lado árabe, a ajuda e o conforto mais precioso – o apoio da opinião pública – sem o qual o ataque militar que nos foi feito não teria sido possível. Conforme o que agora parece à população árabe a respeito das actividades em que estávamos envolvidos havia anos, comprando terras e desenvolvendo o país, já estávamos a preparar o terreno para lançar mão premeditadamente do controle de todo o país…”
Citação de palavras de Martin Buber, in “A Land of Two Peoples”, ed. Mendes-Flohr

Os novos historiadores de Israel refutam agora os mitos fundadores do estado

“…Desde os anos 80 que os estudiosos de Israel coincidem com os seus congéneres palestinianos de que o sionismo foi levado a cabo exclusivamente numa base de colonialismo puro contra a população local: um misto de expropriação e exploração…

Estavam motivados a apresentar um parecer revisionista ao revelar arquivos secretos de Israel, Grã-Bretanha e Estados Unidos (por exemplo…)

Contestando o mito da aniquilação – O novo quadro historiográfico é um desafio fundamental para a história oficial que afirma que a comunidade judaica enfrentava a ameaça de uma aniquilação nas vésperas da guerra de 1948. Documentos de arquivo revelam um mundo árabe fragmentado pela desespero e pela confusão e por uma comunidade palestiniana sem capacidades militares com as quais pudesse ameaçar Israel.

As responsabilidades de Israel pelos refugiados – A supremacia militar dos judeus traduziu-se pela expulsão em massa de mais de metade da população árabe. As forças israelitas, aparte raras excepções , expulsaram os palestinianos de todas as cidades e vilas que ocupavam. Em certos casos, a expulsão era acompanhada por massacres de civis tal como foi o caso em Lydda, Ramleh, Dawimiyya, Sa’sa, Ein Zietun e noutros lugares. A expulsão foi acompanhada de violações, saques e confiscações de terra e pertences árabes…”

O mito da intransigência árabe – As Nações Unidas patrocinaram uma conferência de paz em Lausanne, na Suiça, na Primavera de 1949. Antes da mesma, A Assembleia Geral adoptou uma resolução que substituía a resolução de “partilha” de Novembro de 1947. Esta nova resolução, a Resolução nº 194 de 11 de Dezembro de 1948 aceitou a proposta de Bernardotte (mediador das Nações Unidas) de uma base triangular para uma paz abrangente: o regresso incondicional de todos os refugiados para suas casas, a internacionalização de Jerusalém, e a repartição da Palestina em dois estados. Nessa altura, vários estados árabes e vários representantes dos palestinianos aceitaram a proposta como base para negociações, tal como os Estados Unidos, que estavam a comandar as operações em Lausanne.
O primeiro ministro de Israel David Ben-Gurion opôs-se fortemente a quaisquer negociações de paz nessa base. A única razão que o trouxera à conferência fora o receio que tinha da reacção americana. Por isso se pode afirmar que não se ter aberto caminho à paz foi devido à posição de Israel e não a qualquer intransigência árabe.

Conclusões

– Os novos historiadores israelitas desejam rectificar aquilo que a sua investigação revela como sendo flagelos do passado. Foi muito caro o preço a pagar pela criação de um estado judaico na Palestina. E houve vítimas cujo sacrifício envolve compromissos que ainda alimentam o conflito que ali se trava.
In: “The Link”, de Ilan Pappe, historiador israelita, Janeiro de 1998.

“Já não é o meu país”

“…Para mim esta empresa chamado o estado de Israel já acabou. Já não suporto mais ver a injustiça que é feita aos árabes, aos beduínos. Todo o tipo de escumalha vinda dos Estados Unidos desembarca dos aviões e passa à ocupação de terras que reivindica como suas. Nada posso fazer contra isso. Só me resta fugir a isto e mandar todos para o inferno sem mim…”
Palavras de Rivka Mitchell, atriz israelita, citadas no jornal israelita do movimento pela paz « The Other Israel » em Agosto de 1998.

O efeito do sionismo nos judeus americanos

“…A corrupção do judaísmo como religião de valores universais através da sua politização pelo sionismo e pela substituição da dedicação a Deus e à lei moral pela dedicação a Israel, foi o que alienou tantos jovens americanos que, em busca de significado espiritual na vida, pouco encontraram na comunidade judaica organizada…”
In: “Issues of the American Council for Judaism”, palavras de Allan Brownfield, Primavera de 1997.

O SIONISMO E O HOLOCAUSTO

As decisões das Nações Unidas para fazer a “partilha” da Palestina e depois a de admitir o estado de Israel como seu membro foram tomadas, em parte, como resposta emocional aos horrores do holocausto. Em condições verdadeiramente normais a justa reivindicação da maioria árabe à soberania teria levado a melhor.
Esta reacção de culpa de parte dos aliados ocidentais foi compreensível, mas isso não significa que os palestinianos devessem ter de pagar pelos crimes cometidos por outros – exemplo clássico que dois erros somados não produzem uma decisão certa.
O holocausto é frequentemente usado como argumento final a favor do sionismo, mas será tal associação legítima?

Há muitos aspectos a considerar na resposta honesta a essa questão. Primeiro teremos que examinar os arquivos históricos quanto ao papel que os sionistas desempenharam para salvar a comunidade judaica dos nazis.

Shamir propôs uma aliança com os nazis

“… em 1941 o grupo sionista LEHI, e o seu líder Yitzhak Shamir que chegaria mais tarde a ser primeiro ministro de Israel, abordou os nazis em nome da sua organização originária, a IRGUN (NMO) nos seguintes termos:
O estabelecimento do estado histórico dos judeus baseado no totalitarismo e no racismo e ligado ao Reich alemão por um tratado seria no interesse do reforço do futuro das relações de força da nação alemã no Próximo Oriente. O NMO da Palestina propõe tomar parte activa na guerra ao lado da Alemanha…”
Os nazis rejeitaram a proposta de uma aliança porque, de acordo com declarações, consideraram o poder militar da LEHI como insignificante…”

In: The Washington Report On Middle East Affairs, Julho/Agosto 1998, por Allan Brownfield.

Salvar Judeus do holocausto não seria o principal objectivo do sionismo?

“…Em 1938 foi organizada uma conferência de trinta e um países em Evian, França, para a reinserção das vítimas do nazismo. O Organização Mundial Sionista recusou-se a participar, receando que a reinstalação de judeus noutras partes do mundo reduzisse o número de judeus disponíveis para colonizar a Palestina…”
In: “Palestine and Israel: A Challenge to Justice”, de John Quigley.

“…O encontro do executivo da Agência Judaica em 26 de Junho de 1938 concluiu que o mais aconselhável para os sionistas era menosprezar tanto quanto possível a conferência de Évian e procurar que não chegasse a conclusões.
“Estamos especialmente preocupados se organizações judaicas conseguirem reunir grandes somas em dinheiro para ajudar refugiados judeus e que tais importâncias prejudiquem as nossas próprias recolhas de fundos…” Ben-Gurion declarou nesse mesmo encontro: “Nenhuma justificação pode transformar a conferência de modo a fazê-la passar de perigosa a útil. O que podemos fazer é limitar os seus estragos o mais possível…”
In: “Jewish State or Israeli Nation?” de Boas Evron, autor israelita.

“…Ben-Gurion declarou: “…se eu soubesse que era possível salvar todas as crianças da Alemanha transportando-as para a Inglaterra, mas somente metade delas para a Palestina, escolheria a segunda hipótese – porque aquilo que enfrentamos não é apenas o reconhecimento de tais crianças, mas o reconhecimento histórico do povo judeu…”
A seguir aos “progroms” da “Kristallnacht” , Ben-Gurion comentou que “a consciência humana pode levar vários países a abrir as suas portas a refugiados judeus da Alemanha. Ben-Gurion viu isso como um perigo e recomendou: “O sionismo está em perigo”
In: “The Seventh Million” de Tom Segev, historiador israelita.

“…mesmo o simpático biógrafo de Ben-Gurion reconheceu que ele nada fez na prática para o salvamento de judeus, dedicando as suas energias a tarefas relativas ao pós-guerra. Delegou as tarefas de salvamento a Yotzak Gruenbaum que declarou: “Vão dizer que sou anti-semita, que não quero evitar o exílio, que não tenho um “varm yiddish hartz” (um quente coração judeu)… deixá-los dizer o que quiserem! Não vou pedir à Agência Judaica que mobilize 300.000 ou 100.000 libras para ajudar a comunidade judaica da Europa. E penso que quem quer que peça uma tal coisa está a levar a cabo uma acção anti-sionista…”

“…os sionistas da América assumiram a mesma posição. No encontro de Maio de 1943 do “American Emergency Committee for Zionist Affairs”, Nahum Goldmann argumentou: “se se preparar um golpe contra o “Livro Branco” (política britânica de restrição à emigração judaica para a Palestina) as manifestações de massas contra o assassinato de judeus na Europa terão que ser deixadas de lado. Não temos gente disponível para ambas as campanhas…”
In: “The Holocaust in American Life” de Peter Novick

“O movimento sionista interferiu e obstruiu outras organizações judaicas e não-judaicas sempre que imaginasse que as suas actividades políticas ou humanitárias fossem de sentido diverso ou competissem com os objectivos sionistas, mesmo quanto tais actividades fossem favoráveis aos judeus, mesmo quando se apresentassem como questões de vida ou de morte. Beit Zvi documenta a indiferença da liderança dos sionistas quanto ao salvamento de judeus da ameaça nazi, excepto nos casos em que judeus pudessem ser trazidos para a Palestina, por exemplo no caso da disponibilidade do ditador da República Dominicana Rafael Trujillo de receber cem mil refugiados judeus e a sabotagem dessa ideia pelo movimento sionista, como de outras que também houve para localizar judeus no Alaska e nas Filipinas…”

“…A imbecilidade do movimento sionista relativamente à comunidade judaica da Europa não a impediu, mais tarde, de proferir acusações exaltadas contra todo o mundo pela indiferença relativamente à catástrofe judaica ou de efectuar exigências materiais, políticas e morais, a todo o mundo, devido a essa indiferença…”
In: “Israeli State or Israeli Nation”, de Boas Evron, autor israelita.

“…Já aprofundei exaustivamente as razões de estarmos aqui, razões pelas quais eu como pioneiro de 1906 posso afirmar que nada têm a ver com os nazis!… Estamos aqui porque a terra é nossa. E estamos aqui porque a fizemos nossa de novo neste momento e com o trabalho que nela praticámos. O nazismo e o nosso martírio no estrangeiro nada tem a ver directamente com a nossa presença em Israel…”
In: “Memoirs”, de David Ben-Gurion.”

“…Olhando o passado é fácil dizer que os milhões de judeus que foram assassinados pelo holocausto teriam sido poupados se a Palestina estivesse disponível para aceitar uma imigração ilimitada. A história deste período não é simples.
Primeiro, recordemos que outros planos de instalação foram propostos e energicamente recusados pelo movimento sionista.
Segundo, a grande maioria dos judeus europeus não eram sionistas e não tinham tentado emigrar para a Palestina antes de 1939.
Terceiro, depois de a guerra ter começado, à medida que os nazis iam ocupando países, recusaram-se a deixar sair judeus, tornando a emigração virtualmente impossível. E a Palestina, como já mostrámos, já se encontrava ocupada; Os árabes ali residentes tinham razões mais válidas do que qualquer outro país para querer limitar a imigração judaica. Leia-se o seguinte:

Emigração para a Palestina antes da Segunda Guerra Mundial

“…Em 1936 a União Social Democrata (Social Democratic Bund) teve uma vitória acentuada na Polónia, nas eleições para a “Kehilla” (comunidade) judaica. As suas principais palavras de ordem incluíam “uma hostilidade inflexível” ao sionismo, e à promoção da emigração de judeus polacos para a Palestina. A União desejava lutar contra o anti-semitismo na Polónia, permanecendo ali. O objectivo dos sionistas era contrário, por uma questão de princípio, a todos os principais partidos e movimentos da comunidade judaica de antes da guerra de 1939… Nos outros países da Europa de Leste a influência do sionismo era ainda mais fraca…”
In: “The Myth os Rescue”, pelo Prof. William Rubinstein.

“…De facto o sionismo sofreu a sua própria derrota no holocausto, falhando como movimento. Ao fim ao cabo não tinha conseguido convencer a maioria dos judeus a deixar a Europa para se fixarem na Palestina enquanto isso ainda era possível…”
In: “The Seventh Million”, de Tom Segev, historiador israelita.

Emigração durante a 2ª Guerra Mundial

“…quando começou a Guerra o governo nazi decretou a proibição da emigração na Alemanha e em todos os países que foram caindo sob o seu poder. Depois de 1940 tornou-se portanto impossível para os judeus emigrarem da Europa que fora ocupada pelos nazis, para lugares seguros. As portas tinham-se fechado pesadamente: pelos nazis, que não fiquem dúvidas…”
In: “The Myth os Rescue”, pelo Prof. William Rubinstein.

A Palestina também não era porto seguro

“…em Setembro de 1940, os italianos, em guerra com a Grã-Bretanha bombardearam a parte baixa da cidade de Tel-Aviv, com mais de cem vítimas. Como o exército alemão estava a conquistar a Europa e o Norte de África parecia possível que acabaria por fazer o mesmo à Palestina. No Verão de 1940 e na Primavera de 1941, e de novo no Outono de 1942 o perigo parecia eminente. Os yushuv entraram em pânico. Muitas pessoas tentaram escapar-se do país, mas não era fácil. Muitos, não querendo correr certos riscos, traziam consigo cápsulas de cianeto…”
In: “The Seventh Million”, de Tom Segev, historiador israelita.

Em todo o caso a Grã Bretanha não podia ceder a Palestina: ela já estava ocupada!…

“… viemos para este país que já estava povoado por árabes, e estamos a instalar aqui um estado hebreu, quer dizer, um estado judeu. Vilas judaicas foram construídas no lugar de vilas árabes. Não há uma única comunidade no país que não tenha sido anteriormente povoada por árabes…”
Palavras de Moshe Dayan, líder israelita citado por Benjamin Beit-Hallahmi no seu livro “Original Sins”.

“…podemos argumentar pelo direito de uma minoria perseguida a encontrar refúgio noutro país capaz de o receber; é constrangedor, no entanto, argumentar pelo direito de uma minoria pacífica deslocar politica e até fisicamente a população indígena doutro país. Esta contudo era a intenção real do movimento sionista…”
In: “Image and Reality of the Israel-Palestine Conflict”, de Norman Finkelstein.

O uso do holocausto com fins políticos

“…em 1947 as Nações Unidas nomearam uma comissão especial, a UNSCOP (United Nations Special Committee on Palestine) para tomar decisões a respeito da Palestina. Os seus membros foram solicitados a visitar os campos de sobreviventes do holocausto. Muitos de tais sobreviventes desejavam emigrar para os Estados Unidos, um desejo que minava as pretensões sionistas de que o destino da comunidade judaica da Europa estava ligado ao da comunidade judaica da Palestina. Quando os representantes da UNSCOP chegaram aos campos, não se deram conta de manobras de bastidores que limitavam o seu contacto apenas com candidatos à emigração para a Palestina…”
In: “The Link – January, March, 1998” de Ilan Pappe, historiador Israelita.

“…no interior dos campos de pessoas deslocadas (DP camps), emissários da Yushuv organizavam os programas de actividade, principalmente quanto ao testemunho a ser dado pelos deslocados quanto ao lugar para onde tencionavam ir, quer ao “Anglo-American Committee of Inquiry”, quer à UNSCOP.
Os enviados da Agência Judaica fizeram um relatório para Israel de que tinham tido êxito em impedir testemunhos “indesejáveis” no decurso das entrevistas. Um deles escreveu à sua namorada dizendo “que temos de mudar constantemente o estilo de escrita e de caligrafia de maneira que eles pensem que os questionários foram preenchidos pelos refugiados…”
In: “The Holocaust in Americam Life”, de Peter Novick.

Conselheiro de Roosevelt explica porque razão não foi oferecido direito de asilo nos EUA aos judeus refugiados depois da 2ª Guerra Mundial

“…Que aconteceria se o Canada, a Austrália, a América do Sul, Inglaterra e os Estados Unidos se dispusessem todos a abrir a porta a certa migração? Mesmo agora, em 1947, é minha opinião, e tenho ido à Alemanha desde o fim da guerra, que só uma minoria dos refugiados judeus escolheria a Palestina para viver…”

“…Roosevelt propôs um orçamento mundial para facilitar a emigração de 500.000 derrotados da Europa. Cada nação abriria as suas portas a alguns milhares. Sugeriu-me portanto que durante as minhas viagens por sua conta a Inglaterra durante a guerra fosse sondando por alto e informalmente os lideres de opinião pública, dentro e fora do governo. A resposta foi simples: a Grã-Bretanha fará tal e qual o que fizerem os EUA, pessoa por pessoa, quanto a admissões de gente proveniente da Europa. Parecia pois, que tudo estava combinado. Com o resto do mundo provavelmente na disposição de aceitar 200.000 refugiados, havia fortes razões para que o presidente pressionasse o Congresso para receber pelo menos 150.000 imigrantes, depois da guerra…”

“…livrar-nos-ia da hipocrisia de fecharmos as nossas próprias portas, ao mesmo tempo que fazíamos pias exigências aos árabes. Mas a ideia não funcionou. O falhanço das organizações de liderança judaicas para apoiar de forma zelosa este programa de imigração pode ter estado na origem de o presidente nunca se ter preocupado muito com o cumprimento do mesmo…”

“…Falei com muitos activistas das organizações judaicas. Sugeri o plano e fiquei estupefacto, e até senti como um insulto quando líderes judeus me não ligaram importância, me ridicularizaram e depois me atacaram como se eu fosse um traidor. Penso que sei a razão para a maior parte dessa oposição. Há um interesse profundo, genuíno, fanático e emocional mesmo, em propagandear o movimento sionista. Homens como Ben Hecht estão muito pouco preocupados em evitar que o sangue corra, a menos que seja o seu próprio…”
In: “So Far, So Good”, de Morris Ernst, assessor jurídico e amigo do presidente Roosevelt.

“Vitimologia”

“…os judeus que jogaram a cartada de se armarem em vítimas têm consciência não só da sua eficácia social, mas também da sua utilidade em assegurar a obtenção de solidariedade judaica e, por isso, meios de sobrevivência. Se fossemos odiados para sempre por todos e sendo condenados a ser para sempre odiados por todos, o melhor seria cerrar fileiras e tirar o melhor partido disso. Pessoalmente nunca achei que essa ideia do “gentio” eternamente portador de ódio, tivesse qualquer coisa a ver com a realidade. Parece um mito, puro e simples e por sinal, bem feio…”

“…Será eficaz como meio de controlo social? Talvez, mas com que custos? Aliena a fé e a história de judeus e de gentios de igual maneira, salvo no que toca a alguns meses das suas confrontações mútuas. Atola-se num imaginário sinistro e exalta para todo o sempre um judeu moralmente superior, vitimizado pelo, para todo o sempre, inferior “goy”. Passei a maior parte da minha vida de adulto na companhia de Judeus hassídicos, a maior parte dos quais eram sobreviventes do holocausto, e nunca tive de suportar a infatigável e patética “vitimologia” e a doentia necessidade de memoralizá-la. A “vitimologia” permite aos judeus passar de lado a sua própria fé e oferecer em substituição lealdade nacional ao estado Israel/holocausto…”
Palavras do Rabbi Mayer Schiller, citadas em “Issues of the American Council for Judaism”, Verão de 1998.

“A Atrocity Hideous”: Noam Chomsky sobre ataque de Israel a Gaza e US Apoio à Ocupação

 

Hideous. Sádico. Vicioso. Assassina. Isso é como Noam Chomsky descreve ofensiva de 29 dias de Israel em Gaza, que matou quase 1.900 pessoas e deixou quase 10.000 pessoas feridas. Chomsky tem escrito extensivamente sobre o conflito Israel / Palestina por décadas. Depois da Operação Chumbo Fundido de Israel em 2008-2009, Chomsky co-autor do livro “Gaza em Crise: Reflexões sobre a guerra de Israel contra os palestinos” com estudioso israelense Ilan Pappé. Seus outros livros sobre o conflito Israel / Palestina incluem “Paz no Oriente Médio ?: Reflexões sobre a Justiça e Nationhood” e “The Triangle Fateful: Os Estados Unidos, Israel e os palestinos.” Chomsky é um dissidente político, lingüista e autor de renome mundial, Instituto Professor Emérito do Instituto de Tecnologia, onde ele lecionou por mais de 50 anos Massachusetts.

CÓPIA

Esta é uma transcrição rush. Cópia pode não estar em sua forma final.

JUAN GONZÁLEZ: Para falar mais sobre a crise em Gaza, nós vamos agora para Boston, onde estamos unidos por Noam Chomsky, dissidente político de renome mundial, lingüista, autor, Instituto Professor Emérito do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, onde ele lecionou por mais de 50 anos. Ele tem escrito extensivamente sobre o conflito Israel-Palestina durante décadas.

AMY GOODMAN : Quarenta anos atrás, neste mês, Noam Chomsky publicou a Paz no Médio Oriente ?: Reflexões sobre a Justiça e Nationhood . Seu livro de 1983, The Triangle Fateful: Os Estados Unidos, Israel e os palestinos , é conhecido como um dos trabalhos definitivos sobre o conflito Israel-Palestina. Professor Chomsky se junta a nós a partir de Boston.

Bem-vindo de volta ao Democracy Now! , Noam. Por favor, primeiro apenas um comentário, uma vez que não falei com você durante todo o ataque israelense a Gaza.Seus comentários sobre o que acabou de acontecer?

NOAM CHOMSKY : É uma atrocidade hedionda, sádico, perverso, assassino, totalmente sem qualquer pretexto credível. É mais um dos exercícios periódicos israelenses em que eles delicadamente chamamos de “cortar a grama”. Isso significa fotografar peixes na lagoa, para se certificar de que os animais ficar quieto na gaiola que você construiu para eles, após o qual você vai para um período de que é chamado de “cessar-fogo”, o que significa que o Hamas observa o cessar-fogo, como Israel admite, enquanto Israel continua a violá-la. Em seguida, ele é quebrado por uma escalada israelense, a reação Hamas. Então você tem período de “cortar a grama”. Este é, em muitos aspectos, mais sádicos e cruéis até mesmo do que os anteriores.

JUAN GONZÁLEZ: E quanto ao pretexto de que Israel usou para lançar esses ataques?Você poderia falar sobre isso e em que grau você se sentir que tinha qualquer validade?

NOAM CHOMSKY : Como altos funcionários israelenses admitem, o Hamas tinha observado o cessar-fogo anterior por 19 meses. O episódio anterior de “cortar a grama” foi em novembro de 2012. Havia um cessar-fogo. Os termos do cessar-fogo eram de que o Hamas não iria disparar foguetes-o que eles chamam-foguetes e Israel se moveria para acabar com o bloqueio e parar de atacar o que eles chamam militantes em Gaza.Hamas viveu até. Israel reconhece isso.

Em abril deste ano, um evento ocorreu que horrorizou o governo israelense: Um acordo de unidade foi formado entre Gaza e na Cisjordânia, entre o Hamas eo Fatah. Israel tem sido desesperadamente tentando impedir que por um longo tempo. Há um fundo poderíamos falar sobre, mas é importante. De qualquer forma, o acordo de unidade veio.Israel estava furioso. Eles ficaram ainda mais chateado quando os EUA mais ou menos endossado ele, que é um grande golpe para eles. Eles lançaram um tumulto na Cisjordânia.

O que foi usado como pretexto foi o brutal assassinato de três adolescentes colonos.Houve uma pretensão de que eles estavam vivos, embora soubessem que eles estavam mortos. Isso permitiu uma enorme-e, é claro, eles culparam-lo imediatamente sobre o Hamas. Eles ainda têm de produzir uma partícula de evidência, e de fato os seus próprios maiores autoridades mundiais apontou de imediato que os assassinos eram provavelmente a partir de uma espécie de um clã desonestos em Hebron, o clã Qawasmeh, o que acaba aparentemente para ser verdade. Eles têm sido um espinho nos lados do Hamas durante anos. Eles não seguem as suas ordens.

Mas de qualquer maneira, que deu a oportunidade para uma agitação na Cisjordânia, prendendo centenas de pessoas, re-prender muitos que tinham sido libertados, a maioria direcionada ao Hamas. Os assassinatos aumentaram. Finalmente, houve uma resposta Hamas: os chamados ataques de foguetes. E isso deu a oportunidade para “cortar a grama” novamente.

AMY GOODMAN : Você disse que Israel faz isso periodicamente, Noam Chomsky. Por que eles fazem isso periodicamente?

NOAM CHOMSKY : Porque eles querem manter uma certa situação. Há um fundo. Por mais de 20 anos, Israel tem se dedicado, com apoio dos Estados Unidos, para separar Gaza da Cisjordânia. Isso está em violação direta dos termos do Acordo de Oslo, há 20 anos, que declarou que a Cisjordânia e Gaza são uma entidade única cuja integridade territorial deve ser preservada. Mas para estados párias, acordos solenes são apenas um convite para fazer o que quiser. Então, Israel, com o apoio dos EUA, tem sido comprometida com mantê-los separados.

E há uma boa razão para isso. Basta olhar para o mapa. Se Gaza é a única saída para o mundo exterior para qualquer eventual entidade palestina, seja ele qual for, o West Bank-se separado de Gaza, a Cisjordânia é essencialmente preso-Israel de um lado, a ditadura da Jordânia, por outro. Além disso, Israel é sistematicamente condução palestinos fora do Vale do Jordão, afundando poços, construção de assentamentos. Eles primeiro chamá-los de zonas militares, em seguida, colocados em assentamentos de a história de costume. Isso significaria que quaisquer que sejam os cantões são deixados para os palestinos na Cisjordânia, após Israel toma o que quer e integra-la em Israel, seriam completamente preso. Gaza seria uma saída para o mundo exterior, assim, portanto, mantê-los separados um do outro é um alto objetivo da política, dos EUA e da política israelense.

E o acordo de unidade que ameaçou. Algo mais ameaçado Israel tem vindo a afirmar há anos. Um de seus argumentos para o tipo de negociações evasão é: Como eles podem negociar com os palestinos quando eles estão divididos? Bem, OK, por isso, se eles não estão divididos, você perde esse argumento. Mas o mais importante é simplesmente o geoestratégica um, que é o que eu descrevi. Assim, o governo de unidade era uma ameaça real, juntamente com o aval morna, mas real, do mesmo pelos Estados Unidos, e eles reagiram imediatamente.

JUAN GONZÁLEZ: E, Noam, o que você acha do-como você diz, Israel procura manter o status quo, enquanto ao mesmo tempo continuar a criar uma nova realidade no terreno de construir colonatos. O que você acha da contínua recusa de uma administração após o outro aqui, nos Estados Unidos, que oficialmente se opõe à expansão dos colonatos, de recusar a chamar Israel para a mesa nesta tentativa de criar a sua própria realidade no terreno?

NOAM CHOMSKY : Bem, sua frase “oficialmente oposição” é totalmente correcta. Mas podemos olhar para-você sabe, você tem que distinguir a retórica de um governo de suas ações ea retórica dos líderes políticos de suas ações. Isso deveria ser óbvio.Assim, podemos ver quão comprometido os EUA é com esta política, facilmente. Por exemplo, em fevereiro de 2011, o Conselho de Segurança da ONU considerada uma resolução que pedia-que apelou a Israel para cessar a sua expansão dos assentamentos. Observe que a expansão dos assentamentos não é realmente a questão. É assentamentos. Os assentamentos, o desenvolvimento de infra-estrutura, tudo isso é uma violação grosseira do direito internacional. Isso foi determinado pelo Conselho de Segurança, o Tribunal Internacional de Justiça. Praticamente todos os países do mundo, fora de Israel, reconhece isso. Mas esta foi uma resolução pedindo um fim à expansão da política de colonatos-oficial dos EUA. O que aconteceu? Obama vetou a resolução. Isso diz-lhe alguma coisa.

Além disso, a declaração oficial de Israel sobre a expansão dos assentamentos é acompanhada por aquilo que na linguagem diplomática é chamado uma piscadela-indicação tranquilo que nós realmente não queria dizer isso. Assim, por exemplo, o mais recente condenação do recente de Obama, como ele diz, a violência de todos os lados foi acompanhado através do envio de mais ajuda militar para Israel. Bem, eles podem entender isso. E isso tem sido verdade o tempo todo. Na verdade, quando Obama tomou posse, ele fez as declarações habituais contra a expansão dos assentamentos. E sua administração foi-porta-vozes foram convidados em conferências de imprensa se Obama faria qualquer coisa sobre isso, a forma como o primeiro George Bush fez algo-leve-as sanções para bloquear as expansões de assentamentos. E a resposta foi: “Não, isso é apenas simbólico.” Bem, isso diz o governo israelense exatamente o que está acontecendo. E, de fato, se você olhar passo a passo, a ajuda militar continua, a ajuda econômica continua, a protecção diplomática continua, a proteção ideológica continua.Por isso, quero dizer enquadrar as questões de maneira que estejam em conformidade com a demanda israelense. Tudo isso continua, juntamente com uma espécie de cacarejo da língua, dizendo: “Bem, nós realmente não gosto disso, e não é útil para a paz.” Qualquer governo pode entender isso.

AMY GOODMAN : Eu quero voltar para o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que falava aos jornalistas estrangeiros ontem.

PRIME MINISTRO BENJAMIN NETANYAHU : Israel aceitou e Hamas rejeitou a proposta de cessar-fogo egípcia de 15 de julho. E eu quero que você saiba que, naquela época o conflito tinha reivindicado cerca de 185 vidas. Apenas na segunda-feira à noite que o Hamas finalmente concordar com essa mesma proposta, que entrou em vigor ontem de manhã. Isso significa que 90 por cento, um total de 90 por cento, das mortes neste conflito poderia ter sido evitado se o Hamas não rejeitou depois o cessar-fogo que aceita agora. Hamas devem ser responsabilizados pela perda trágica da vida.

AMY GOODMAN : Noam Chomsky, você pode responder ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu?

NOAM CHOMSKY : [inaudível] resposta estreito e uma ampla resposta. A resposta estreito é que, é claro, como Netanyahu sabe, que a proposta de cessar-fogo foi organizado entre a ditadura militar egípcio e Israel, ambos muito hostil ao Hamas. Não foi ainda comunicada ao Hamas. Eles aprenderam sobre isso através da mídia social, e eles ficaram irritados com isso, naturalmente. Eles disseram que não irá aceitá-lo nesses termos. Agora, essa é a resposta estreito.

A ampla resposta é que 100 por cento das vítimas ea destruição ea devastação e assim por diante poderia ter sido evitado se Israel tinha vivido até o acordo de cessar-fogo após o de novembro de 2012, em vez de violá-la constantemente e, em seguida, a escalada da violação em a maneira que eu descrevi, a fim de bloquear o governo de unidade e de persistir na sua política de-as políticas de assumir o que eles querem na Cisjordânia e manutenção separando-lo a partir de Gaza, e mantendo Gaza no que chamei uma “dieta”, famoso comentário de Dov Weissglas. O homem que negociou o chamado retirada em 2005 apontou que o propósito da retirada é acabar com a discussão de qualquer solução política e para bloquear qualquer possibilidade de um Estado palestino, e enquanto isso os habitantes de Gaza será mantido em uma dieta, ou seja, apenas calorias suficientes permitidos por isso nem todos eles morrem, porque que não ficaria bem para Israel desaparecendo reputação, mas nada mais que isso. E com a sua capacidade técnica alardeada, Israel, especialistas israelenses calculados precisamente quantas calorias seriam necessárias para manter os moradores de Gaza em sua dieta, sob cerco, bloqueado de exportação, bloqueado de importação. Os pescadores não podem sair para pescar. Os navios de guerra levá-los de volta à costa. Uma grande parte, provavelmente, mais de um terço, e talvez mais, de terra arável de Gaza está impedido de entrada para os palestinos. É chamado de uma “barreira”. Essa é a norma.Essa é a dieta. Eles querem mantê-los em que, por sua vez separada da Cisjordânia, e continuar o projeto em andamento de assumir-I podem descrever os detalhes, mas não é obscura a assunção sobre as partes da Cisjordânia que Israel pretende-se integrar em Israel e, presumivelmente, em última análise, irá anexar de alguma forma, desde que os Estados Unidos continuam a apoiá-lo e bloquear os esforços internacionais para levar a um acordo político.

JUAN GONZÁLEZ: E, Noam, como todo este mês tem se desdobrado e estas imagens da carnificina em Gaza se espalharam ao redor do mundo, qual é a sua avaliação do impacto sobre a relação já abismal que existe entre o governo dos Estados Unidos e do árabe e muçulmano mundo? Estou pensando especialmente de todos os jovens muçulmanos e árabes ao redor do mundo que talvez não tivesse sido expostos a atrocidades anteriores no conflito israelo-palestiniano.

NOAM CHOMSKY : Bem, primeiro de tudo, temos de distinguir entre as populações muçulmana e árabe e sua diferença governos-marcantes. Os governos são na sua maioria ditaduras. E quando você ler na imprensa que os árabes apoiar-nos no so-and-so, o que se quer dizer é os ditadores nos apoiar, e não as populações. As ditaduras são moderadamente favoráveis ​​do que os EUA e Israel estão fazendo. Isso inclui a ditadura militar no Egito, muito brutal uma; Ditadura da Arábia Saudita. A Arábia Saudita é o aliado mais próximo dos EUA na região, e é o Estado fundamentalista islâmico mais radical do mundo. Ele também está se espalhando suas doutrinas Salafi-wahabitas em todo o mundo, doutrinas fundamentalistas extremistas. Tem sido o principal aliado dos Estados Unidos durante anos, assim como foi para a Grã-Bretanha antes dele. Eles ambos tendem a preferir o Islã radical para o perigo do nacionalismo secular ea democracia. E eles são bastante favoráveis ​​a-eles não gostam, eles odeiam Hamas.Eles não têm interesse em os palestinos. Eles têm a dizer coisas para tipo de apaziguar suas próprias populações, mas, novamente, a retórica e ação são diferentes. Assim, as ditaduras não são horrorizado com o que está acontecendo. Eles provavelmente estão silenciosamente torcendo-lo.

As populações, é claro, são bastante diferentes, mas que é sempre verdadeira. Assim, por exemplo, na véspera das manifestações praça Tahrir, no Egito, que derrubou a ditadura de Mubarak, havia urnas internacionais assumidos nos Estados Unidos pelas principais agências de votação, e eles mostraram muito claramente que eu acho que cerca de 80 por cento dos egípcios consideradas as principais ameaças para eles como sendo Israel e os Estados Unidos. E, de fato, a condenação dos Estados Unidos e suas políticas foram tão extrema que mesmo que eles não gostam de Irã, a maioria sentiu que a região pode ser mais seguro se o Irã tivesse armas nucleares. Bem, se você olhar ao longo de toda a história de votação ao longo dos anos, isso meio que varia em torno de algo assim. Mas isso é a população. E, claro, as populações muçulmanas em outros lugares não gosto, também. Mas não é apenas as populações muçulmanas. Assim, por exemplo, houve uma manifestação em Londres recentemente, o que provavelmente tinha centenas de milhares de pessoas, foi um enorme as atrocidades israelenses em Gaza, protestando demonstração. E isso está acontecendo em outras partes do mundo também. Vale a pena lembrar que-você voltar algumas décadas, Israel foi um dos países mais admiradas do mundo. Agora é um dos países mais temidos e odiados no mundo.Propagandistas israelenses gostam de dizer, bem, este é apenas o anti-semitismo. Mas na medida em que há um elemento anti-semita, que é leve, é por causa das ações israelenses. A reação é às políticas. E enquanto Israel persistir nestas políticas, isso é o que vai acontecer.

Na verdade, este tem sido muito claro desde o início da década de 1970. Na verdade, eu tenho escrito sobre isso desde então, mas é tão óbvio, que eu não tomar nenhum crédito por isso. Em 1971, Israel tomou a decisão fatídica, o mais fatídico de sua história, eu acho. Presidente Sadat do Egito ofereceu a Israel um tratado de paz completa, em troca da retirada de Israel do Sinai egípcio. Esse foi o governo trabalhista, o chamado governo trabalhista moderado no momento. Eles consideraram a oferta e rejeitou-a. Eles estavam planejando a realização de programas de desenvolvimento extensos no Sinai, construir uma enorme, grande cidade do Mediterrâneo, dezenas de assentamentos, kibbutzim, outros, grande infra-estrutura, dezenas de milhares de beduínos condução fora da terra, destruindo aldeias e assim por diante . Aqueles eram os planos, começando a implementá-las. E Israel tomou a decisão de escolher expansão ao longo de segurança.Um tratado com o Egito teria significado segurança. Essa é a única força militar significativa no mundo árabe. E isso tem sido a política desde então.

Quando você seguir uma política de repressão e expansão sobre a segurança, há coisas que vão acontecer. Haverá degeneração moral dentro do país. Haverá uma crescente oposição e raiva e hostilidade entre as populações fora do país. Você pode continuar a receber o apoio de ditaduras e de, você sabe, o governo dos EUA, mas você vai perder as populações. E isso tem uma conseqüência. Você poderia prever-na verdade, eu e outros previram para trás na década de 70-que, só para citar a mim mesmo “, aqueles que se dizem defensores de Israel são realmente partidários de sua degeneração moral, isolamento internacional, e muito possivelmente destruição final. ” Isso é não-sei-que é o curso que está acontecendo.

Não é o único exemplo na história. Há muitas analogias desenhadas à África do Sul, a maioria deles bastante duvidosa, em minha mente. Mas há uma analogia que eu acho que é bastante realista, que não é muito discutida. Deveria ser. Em 1958, o governo nacionalista do Sul Africano, que estava a impor o regime do apartheid dura, reconheceu que eles estavam se tornando internacionalmente isolado. Nós sabemos de documentos desclassificados que em 1958 o ministro das Relações Exteriores Sul-Africano chamado o embaixador americano. E nós temos a conversa. Ele essencialmente lhe disse: “Olhe, estamos nos tornando um Estado pária. Estamos perdendo toda a-todo mundo está votando contra nós nas Nações Unidas. Estamos nos tornando isolado. Mas isso realmente não importa, porque você ‘ re a única voz que conta. E, desde que você nos apoiar, não importa o que o mundo pensa. ” Isso não foi um mau prognóstico. Se você olhar para o que aconteceu ao longo dos anos, a oposição ao apartheid sul-Africano cresceu e se desenvolveu. Houve um embargo de armas da ONU. Sanções começou.Boicotes começou. Ele era tão extrema na década de 1980 que até mesmo o Congresso dos Estados Unidos estava passando sanções, que o presidente Reagan teve de veto.Ele foi o último defensor do regime do apartheid. Congresso realmente reintegrado as sanções sobre o seu veto, e ele, em seguida, violou-los. Em 1988, Reagan, o último reduto, seu governo declarou o Congresso Nacional Africano, Congresso Nacional Africano de Nelson Mandela, para ser um dos grupos terroristas mais famosos do mundo. Assim, os EUA tiveram de continuar a apoiar África do Sul. Ele estava apoiando grupo terrorista UNITA em Angola. Por fim, mesmo os Estados Unidos se juntou ao resto do mundo, e muito rapidamente o regime do apartheid desmoronou.

Agora isso não é totalmente análogo ao caso Israel por qualquer meio. Havia outras razões para o colapso do apartheid, duas razões cruciais. Um deles foi que havia um acordo que era aceitável para o Sul Africano e negócios internacionais, a liquidação simples: manter o sistema socioeconômico e permitir-colocá-lo metaforicamente-negros permitir alguns rostos negros nas limusines. Essa foi a liquidação, e isso é muito bonito o que já foi implementado, não totalmente. Não há nenhuma solução comparável em Israel-Palestina. Mas um elemento crucial, não discutido aqui, é Cuba. Cuba enviou forças militares e dezenas de milhares de trabalhadores técnicos, médicos e professores e outros, e que levou os agressores sul-Africano de Angola, e obrigou-os a abandonar detido ilegalmente Namíbia. E mais do que isso, como de fato Nelson Mandela indicou assim que ele saiu da prisão, os soldados cubanos, que aliás eram soldados negros, quebrou o mito da invencibilidade dos super-homens brancos. Isso teve um efeito muito significativo sobre a África negra e da África do Sul branca. É indicado para o governo Sul-Africano e da população que não está indo para ser capaz de impor a sua esperança de um sistema de apoio regional, pelo menos tranqüila do sistema, que lhes permita prosseguir as suas operações dentro África do Sul e suas atividades terroristas além. E isso foi um fator importante na libertação da África negra.

AMY GOODMAN : Noam, temos de quebrar, e nós vamos voltar a esta discussão.Estamos conversando com Noam Chomsky, dissidente político de renome mundial, lingüista, autor, Instituto Professor Emérito do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.Esta é Democracy Now! Estaremos de volta com o professor Chomsky em um minuto.

[Pausa]

AMY GOODMAN : Este é ! Democracy Now , democracynow.org, O Relatório de Guerra e Paz . Eu sou Amy Goodman, com Juan González. Nosso convidado é o professor Noam Chomsky. Eu quero voltar para o presidente Obama falando quarta-feira em uma entrevista coletiva em Washington, DC

PRESIDENTE BARACK OBAMA : A longo prazo, tem de haver um reconhecimento de que Gaza não pode sustentar-se permanentemente separada do mundo e incapaz de fornecer algumas oportunidades, empregos, o crescimento económico para a população que vive lá, particularmente dado o quão densa que a população é, como os jovens que a população é. Nós vamos ter que ver uma mudança em oportunidade para o povo de Gaza. Eu não tenho nenhuma simpatia por Hamas. Eu tenho grande simpatia por pessoas comuns que estão lutando dentro de Gaza.

AMY GOODMAN : Isso é ontem o presidente Obama. Noam Chomsky, você pode responder?

NOAM CHOMSKY : Bem, como sempre, para todos os estados e todas as lideranças políticas, temos de distinguir a retórica da ação. Qualquer líder político pode produzir adorável retórica, mesmo Hitler, Stalin, quem quiser. O que nós pedimos é: O que eles estão fazendo? Então exatamente o que Obama sugerir ou realizar como um meio para atingir o objetivo de acabar com o cerco israelense apoiado pelos EUA, bloqueio de Gaza, que está criando essa situação? O que ele fez no passado? O que se propõe fazer no futuro? Há coisas que os EUA poderiam fazer muito facilmente. Novamente, não quero chamar a analogia do Sul Africano muito de perto, mas é indicativo. E não é o único caso. O mesmo aconteceu, como você se lembra, no caso da Indonésia-Timor-Leste. Quando os Estados Unidos, Clinton, finalmente disse aos generais indonésios “, O jogo acabou” eles tiraram imediatamente. Poder dos EUA é substancial. E, no caso de Israel, é fundamental, porque Israel conta com o apoio praticamente unilateral dos EUA.Há uma abundância de coisas os EUA podem fazer para implementar o que Obama falou. E a pergunta é-e, de fato, quando os EUA dá ordens, Israel obedece. Isso aconteceu uma e outra vez. Isso é completamente óbvio porque, dadas as relações de poder. Então, as coisas podem ser feitas. Eles foram feitos por Bush dois, por Clinton, por Reagan, e os EUA poderiam fazê-los novamente. Então nós vamos saber se aquelas palavras eram outra coisa senão a retórica agradável habitual.

JUAN GONZÁLEZ: Falando sobre separar a retórica de ações, Israel sempre alegou que já não ocupa Gaza. Democracy Now! conversou recentemente com Joshua Hantman , que é um conselheiro sênior do embaixador israelense para os Estados Unidos e um ex-porta-voz da Defesa israelense Ministério. E Hantman disse, citações, “Israel, na verdade, deixou a Faixa de Gaza em 2005. Nós removemos todos os nossos assentamentos. Nós removemos as IDF forças. Nós tirou 10.000 judeus de suas casas como um passo para a paz, porque Israel quer a paz e se estendeu sua mão para a paz. ” Sua responsabilidade?

NOAM CHOMSKY : Bem, diversos pontos. Em primeiro lugar, as Nações Unidas, todos os países do mundo, inclusive os Estados Unidos, considera Israel como potência ocupante em Gaza, por uma razão muito simples: Eles controlam tudo o que há. Eles controlam as fronteiras, a terra, mar, ar. Eles determinam o que entra em Gaza, o que sai. Eles determinam quantas calorias crianças de Gaza precisa para se manter vivo, mas não a florescer. Isso é ocupação, sob a lei internacional, e ninguém questiona isso, fora de Israel. Mesmo os EUA concorda, seu patrocinador habitual. Isso coloca-com isso, nós terminamos a discussão sobre se eles são uma potência ocupante ou não.

Quanto aos que querem a paz, olhar para trás, que os chamados retirada. Observe que ele deixou Israel como potência ocupante. Até 2005, os falcões israelenses, liderados por Ariel Sharon, falcão pragmático, reconheceu que ele só faz sentido para Israel para manter alguns milhares de colonos em Gaza devastada e dedicar uma grande parte daIDF , os militares israelenses, para protegê-los, e muitas despesas dividir Gaza em partes separadas e assim por diante. Não fazia sentido para fazer isso. Fez muito mais sentido ter esses colonos de seus assentamentos subsidiados em Gaza, onde eles residiam ilegalmente, e enviá-las aos assentamentos subsidiados na Cisjordânia, em áreas que Israel pretende manter-ilegalmente, é claro. Esse senso pragmático acabou de fazer.

E havia uma maneira muito fácil de fazê-lo. Eles poderiam simplesmente ter informado os colonos em Gaza que no dia 1º de agosto, o IDF está indo para a retirada, e nesse ponto eles teriam subiu para os camiões que são fornecidos a eles e ido para seus assentamentos ilegais na Cisjordânia e, incidentalmente , o Golan Heights. Mas decidiu-se construir o que é às vezes chamado de “trauma nacional”. Assim, um trauma foi construído, um teatro. Foi apenas ridicularizado pelos principais especialistas em Israel, como o líder sociólogo-Baruch Kimmerling feito apenas diversão. E trauma foi criado para que pudesse ter meninos, fotos deles implorando com os soldados israelenses “Não destrua minha casa!” e, em seguida, chamadas de fundo “Nunca mais.” Isso significa “Nunca mais nos fazer deixar nada”, referindo-se à Cisjordânia, principalmente.E um trauma nacional encenado. O que a tornou particularmente ridículo era que era uma repetição do que até mesmo a imprensa israelense chamada “National Trauma ’82,” quando eles fizeram uma trauma quando eles tiveram que retirar-se Yamit, a cidade que ilegalmente construído no Sinai. Mas eles mantiveram a ocupação. Eles seguiram em frente.

E eu vou repetir o que disse Weissglas. Lembre-se, ele era o negociador com os Estados Unidos, confidente de Sharon. Ele disse que o objetivo da retirada é a negociações sobre um direitos de estado e palestinos palestinos fim. Isso vai acabar com ela. Isto irá congelá-lo, com o apoio dos Estados Unidos. E depois vem imposição da dieta em Gaza para mantê-los mal vivo, mas não florescente, eo cerco. Dentro de algumas semanas após a chamada retirada, Israel intensificou os ataques a Gaza e impôs sanções muito duras, apoiados pelos Estados Unidos. O motivo foi que uma eleição livre teve lugar na Palestina, e ele saiu da maneira errada. Bem, Israel e os Estados Unidos, é claro, amo a democracia, mas apenas se se trata do jeito que eles querem. Assim, os EUA e Israel impôs duras sanções imediatamente. Ataques israelenses, que realmente nunca terminou, aumentou. Europa, a sua vergonha, fui junto. Em seguida, Israel e os Estados Unidos imediatamente começou a planejar um golpe militar para derrubar o governo.Quando o Hamas antecipou-se que golpe, houve fúria nos dois países. As sanções e ataques militares aumentou. E então nós estamos prontos para o que discutimos antes: “. Cortar a grama” episódios periódicos de

AMY GOODMAN : Nós só de Noam, só temos um minuto.

NOAM CHOMSKY : Sim.

AMY GOODMAN : Muito rapidamente, neste momento, um monte de mídia dos EUA está dizendo que os EUA tinham sido postos de lado, agora é tudo sobre o Egito a fazer essa negociação. O que precisa acontecer agora? O cessar-fogo vai acabar em questão de horas, se não for prorrogado. Que tipo de trégua precisa ser feito aqui?

NOAM CHOMSKY : Bem, para Israel, com o apoio dos EUA, a situação atual é uma espécie de uma situação win-win. Se o Hamas concorda em estender o cessar-fogo, Israel pode continuar com suas políticas regulares, que eu descrevi antes: assumir o que eles querem na Cisjordânia, que a separa Gaza, mantendo a dieta e assim por diante.Se o Hamas não aceitar o cessar-fogo, Netanyahu pode fazer outro discurso como o que você-o discurso cínico você citou anteriormente. A única coisa que pode quebrar este é se os EUA altera as suas políticas, como já aconteceu em outros casos. Eu mencionei dois: África do Sul, Timor. Há outros. E isso é decisivo. Se houver vai ser uma mudança, dependerá crucialmente de uma mudança na política dos EUA aqui. Há 40 anos, os Estados Unidos tem sido quase unilateralmente apoio israelense rejeição, recusa para entreter o esmagador consenso internacional sobre uma solução de dois Estados.

AMY GOODMAN : Noam, temos que deixá-lo lá, mas vamos continuar a nossa conversa de pós-show, e nós estamos indo para publicá-la online no democracynow.org. Noam Chomsky, mundialmente renomado dissidente político, lingüista e autor, professor emérito no Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

Noam Chomsky: As ações de Israel na Palestina são “Muito pior que o apartheid” na África do Sul

Noam Chomsky: As ações de Israel na Palestina são “Muito pior que o apartheid” na África do Sul

Parte 2 da nossa conversa com o famoso lingüista e dissidente político Noam Chomsky sobre a crise em Gaza, o apoio dos EUA a Israel, o apartheid ea BDS movimento. “Nos territórios ocupados, o que Israel está fazendo é muito pior que o apartheid”, diz Chomsky. “Para chamá-lo de apartheid é um presente para Israel, pelo menos se por ‘apartheid’ você quer dizer apartheid sul-Africano de estilo. O que está acontecendo nos territórios ocupados é muito pior. Há uma diferença crucial. Os nacionalistas sul-africanos precisavam da população negra. Essa foi sua força de trabalho. … A relação de Israel com os palestinos nos territórios ocupados é totalmente diferente. Eles simplesmente não querem. Eles querem-los, ou pelo menos na prisão. ”

Clique aqui para assistir Parte 1 da entrevista.

AMY GOODMAN : Este é ! Democracy Now , democracynow.org, O Relatório de Guerra e Paz . Eu sou Amy Goodman. E nós estamos continuando nossa conversa com Noam Chomsky, dissidente político, lingüista, autor, escreveu muitos livros de renome mundial, entre eles, um dos livros mais recentes, Gaza em Crise . Eu quero virar agora para Bob Schieffer, o anfitrião da CBS Face the Nation . Isto é como ele fechou um show recente.

BOB Schieffer : No Oriente Médio, o povo palestino se encontram sob o domínio de um grupo terrorista que se embarcou em uma estratégia para obter as suas próprias crianças mortas, a fim de construir simpatia por sua causa-uma estratégia que pode realmente estar trabalhando, em menos em alguns trimestres. Na semana passada eu encontrei uma citação de muitos anos atrás por Golda Meir, um dos primeiros líderes de Israel, que poderia ter sido disse ontem: “Podemos perdoar os árabes para matar nossos filhos”, disse ela, “mas nunca podemos perdoá-los por forçando-nos a matar os seus filhos. ”
AMY GOODMAN : Isso foi CBS Bob Schieffer jornalista. Noam Chomsky, você pode responder?

NOAM CHOMSKY : Bem, nós realmente não tem que ouvir a CBS , porque podemos ouvir diretamente para as agências de propaganda israelense, que ele está citando. É um momento vergonhoso para a mídia dos EUA quando se insiste em ser subserviente às agências de propaganda grotescas de um estado violento, agressivo. Como para o próprio comentário, o comentário que ele Israel-propaganda comentário que ele citou, eu acho que talvez o melhor comentário sobre isso foi feito pelo jornalista israelense Amira grande Hass, que apenas o descreveu como “sadismo mascarado como compaixão.” Isso é sobre a caracterização direita.

AMY GOODMAN : Eu queria também perguntar-lhe sobre o papel da ONU e os EUA-vis-à-vis, assim, os Estados Unidos. Este é o comissário da ONU alta para os direitos humanos, Navi Pillay, criticando os EUA por seu papel no ataque israelense a Gaza.

NAVI PILLAY : Eles não só forneceu o armamento pesado, que agora está sendo usado por Israel em Gaza, mas eles também forneceu quase US $ 1 bilhão em fornecer o Domes ferro para proteger israelenses dos ataques com foguetes, mas não tive essa proteção tem sido fornecida para os moradores de Gaza contra o bombardeio. Então, eu estou lembrando Estados Unidos, que é uma festa para o direito humanitário e os direitos humanos do direito internacional.
AMY GOODMAN : Isso foi Navi Pillay, a Alta Comissária da ONU ou dos direitos humanos. Noam, na sexta-feira, este foi o ponto onde o número de mortos por palestinos tinham excedido Operação Chumbo Fundido; ele tinha passado 1.400. Presidente Obama estava na Casa Branca, e ele realizou uma coletiva de imprensa. Ele não levantou a questão de Gaza na coletiva de imprensa, mas ele foi imediatamente questionado sobre Gaza, e ele falou sobre-reafirmou o apoio dos EUA a Israel, disse que o reabastecimento de munição estava acontecendo, que a 220 milhões dólar seria indo para um Iron Dome expandida. Mas, então, o fim de semana teve lugar, mais um ataque a um abrigo da ONU, em uma das escolas onde milhares de palestinos haviam se refugiado, e vários deles foram mortos, incluindo crianças. E mesmo os EUA, em seguida, se juntou com a ONU em criticar o que Israel estava fazendo. Você pode falar sobre o que os EUA têm feito e se você realmente ver uma mudança agora?

NOAM CHOMSKY : Bem, vamos começar com o que os EUA têm feito, e continuar com os comentários com a Comissão de Direitos Humanos da ONU. Direito na época, a época da citação que você deu sobre o rádio que você deu antes, houve um debate na Comissão de Direitos Humanos sobre a possibilidade de ter uma investigação de nenhuma ação, apenas uma investigação-do que tinha acontecido em Gaza , uma investigação de possíveis violações de direitos humanos. “Possível” é uma espécie de piada. Foi aprovada com um voto negativo. Adivinha quem. Obama votou contra uma investigação, enquanto ele estava dando esses comentários educados. Isso é ação. Os Estados Unidos continuam a fornecer, como Pillay apontou, o, o apoio decisivo crítico para as atrocidades. Quando o que é chamado alvos indefesos israelenses aviões a jato bomba em Gaza, que está aviões a jato dos EUA com os pilotos israelenses. E o mesmo com a munição de alta tecnologia e assim por diante e assim por diante. Portanto, este é, de novo, sadismo mascarado como compaixão. Essas são as ações.

AMY GOODMAN : E quanto a opinião pública nos Estados Unidos? Você pode falar sobre o papel que ele desempenha? Vimos algumas mudanças certamente notáveis. MSNBC teve o repórter Ayman Mohyeldin, que tinha sido a Al Jazeera, muito respeitado. Ele tinha sido, juntamente com Sherine Tadros, em 2008 os únicos jornalistas ocidentais em Gaza cobrindo Operação Chumbo Fundido, uma enorme experiência na área. E ele foi puxado para fora por MSNBC . Mas porque havia uma tremenda resposta contra isso, com-eu acho que o que estava tendendo foi “Vamos relatório Ayman”, ele foi então levado de volta. Então, houve uma sensação de que as pessoas queriam ter uma noção do que estava acontecendo no chão . Parecia haver algum tipo de abertura. Você sente uma diferença na população americana, como-a atitude para com o que está acontecendo em Israel e nos territórios ocupados?

NOAM CHOMSKY : Muito definitivamente. Está acontecendo ao longo de alguns anos. Havia uma espécie de um ponto de inflexão que aumentou após Chumbo Fundido, que horrorizou muitas pessoas, e está acontecendo de novo agora. Você pode vê-lo em todos os lugares. Tome-se, por exemplo, The New York Times . O New York Times dedicou uma boa parte da sua página op-ed para um diário Gaza um par de dias atrás, que era de cortar o coração e eloqüente. Eles tiveram fortes op-eds condenando as políticas israelenses extremistas. Isso é novo e reflete algo que está acontecendo no país. Você pode vê-lo nas pesquisas, especialmente entre os jovens. Se você olhar para os resultados eleitorais, a população abaixo de 30, mais ou menos, por agora mudou substancialmente. Você pode vê-lo em campi universitários. Quer dizer, eu vê-lo pessoalmente. Eu estive dando palestras sobre essas coisas há quase 50 anos. Eu costumava ter proteção policial, literalmente, mesmo à minha própria universidade. As reuniões foram divididos violentamente, você sabe, enorme protesto. Dentro do passado, mais ou menos, dez anos, isso mudou substancialmente por agora que a solidariedade palestina é talvez o maior problema no campus. Públicos enormes. Não há sequer-dificilmente consegue obter uma pergunta hostil. Isso é uma tremenda mudança. Isso é notavelmente entre os mais jovens, mas eles se tornam mais velhos.

No entanto, há algo que temos que lembrar sobre os Estados Unidos: Não é uma democracia; é uma plutocracia. Há estudo após estudo que sai em ciência política acadêmica tradicional, que mostra o que todos nós sabemos, ou deveria saber, que as decisões políticas são tomadas por um pequeno sector de privilégio e riqueza extremas, o capital concentrado. Para a maioria da população, as suas opiniões simplesmente não importam no sistema político. Eles estão essencialmente desprivilegiados. Eu posso lhe dar os detalhes, se quiser, mas isso é basicamente a história. Agora, a opinião pública pode fazer a diferença. Mesmo em ditaduras, o público não pode ser ignorado, e em uma sociedade parcialmente democrático como este, menos ainda. Então, em última análise, isso vai fazer a diferença. E quanto tempo é “em última análise”, bem, isso é até nós.

Já vimos isso antes. Tome-se, por exemplo, o caso de Timor Leste, que eu mencionei. Por 25 anos, os Estados Unidos apoiaram fortemente a invasão indonésia vicioso e massacre, genocídio virtual. Estava acontecendo direito a 1999, como as atrocidades indonésias aumentou e aumentou. Depois de Dili, a capital, foi praticamente evacuado após ataques indonésios, os EUA ainda estava apoiando ele. Finalmente, em meados de Setembro de 1999, sob considerável pressão interna também internacional e, Clinton disse calmamente os generais indonésios: “Está consumado”. E eles tinham dito que nunca iria deixar. Eles disseram: “Este é nosso território”. Eles puxaram para fora dentro de dias e permitiu uma força de paz da ONU para entrar sem resistência militar indonésio. Bem, você sabe, isso é uma indicação dramática do que pode ser feito. África do Sul é um caso mais complexo, mas tem semelhanças, e há outros. Mais cedo ou mais tarde, é possível, e isso é realmente até nós, que a pressão interna vai obrigar o governo dos EUA para se juntar ao mundo sobre esta questão, e que será uma mudança decisiva.

AMY GOODMAN : Noam, eu queria perguntar-lhe sobre o seu recente peça para The Nation em Israel-Palestina e BDS . Você era crítica da eficácia do movimento de boicote, desinvestimento e sanções. Uma das muitas respostas vieram de Yousef Munayyer , o diretor-executivo do Fundo de Jerusalém e seu programa educacional, o Centro Palestina. Ele escreveu, citações, “a crítica de Chomsky do BDS parece ser que ele não mudou o poder dinâmico ainda, e assim que ele não pode. Não há dúvida de que o caminho à frente é longa para BDS , mas há também sem dúvida, o movimento está crescendo … Todos os outros caminhos para a mudança, incluindo a diplomacia ea luta armada, tem-se revelado ineficaz, e alguns impuseram custos significativos sobre a vida dos palestinos e de subsistência “. Você pode responder?

NOAM CHOMSKY : Bem, na verdade, eu responder. Você pode encontrá-lo no The Nation website . Mas, em breve, longe de ser crítico de BDS , eu estava fortemente favoráveis a ele. Uma das curiosidades do que é chamado de BDS movimento é que eles não-pode-muitos dos ativistas simplesmente não consigo ver apoio como suporte, a menos que se torne algo como quase adoração: repetir o catecismo. Se você der uma olhada nesse artigo, apoiou fortemente essas táticas. Na verdade, eu estava envolvido com eles e apoiá-los antes do BDS movimento sequer existia. Eles são a tática certa.

Mas deve ser uma segunda natureza para ativistas e normalmente é-que você tem que perguntar a si mesmo, quando você realizar algumas tática, quando você persegui-lo, o que o efeito vai ser sobre as vítimas. Você não perseguem uma tática porque faz você se sentir bem. Você persegui-lo porque ele vai-te estimam que ele vai ajudar as vítimas. E você tem que fazer escolhas. Isto vai muito para trás. Você sabe, por exemplo, durante a Guerra do Vietnã, houve debates sobre se você deve recorrer a táticas violentas, dizem meteorologistas táticas de estilo. Você pode compreender a motivação-pessoas estavam desesperados, mas os vietnamitas encontraram forte oposição. E muitos de nós, eu incluído, também se opuseram, não porque os horrores não justificam uma ação forte, mas porque as consequências seriam dano às vítimas. As táticas iria aumentar o apoio à violência, que na verdade é o que aconteceu. Estas questões surgem o tempo todo.

Infelizmente, os movimentos de solidariedade palestinas foram incomum em sua relutância em pensar essas coisas. Que foi apontado recentemente novamente por Raja Shehadeh, a principal figura-vidas em Ramallah, um apoiante de longa data, o fundador da Al-Haq, a organização jurídica, uma figura muito significativa e poderosa. Ele ressaltou que a liderança palestina tendeu a se concentrar no que ele chamou absolutos, a justiça-presente absoluta é a justiça absoluta que queremos e não prestar atenção a políticas pragmáticas. Isso tem sido muito evidente por décadas. É usado para conduzir as pessoas como Eqbal Ahmad, o realmente comprometido e experiente militante usado para levá-lo louco. Eles simplesmente não podiam ouvir a questões pragmáticas, que são o que importam para o sucesso em um movimento popular, um movimento nacionalista. E aqueles que entendem que pode ter sucesso; aqueles que não entendem que não pode. Se você falar sobre-

AMY GOODMAN : Quais as escolhas que você sente que o BDS movimento, que os ativistas deveriam fazer?

NOAM CHOMSKY : Bem, eles são muito simples, muito claro. Na verdade, eu discuti-los no artigo. Essas ações que têm sido dirigidos contra a ocupação têm sido bastante bem sucedido, muito bem sucedida. A maioria deles não tem nada a ver com o BDS movimento. Portanto, dê, digamos, uma da directiva mais extrema e mais bem sucedida é a decisão da União Europeia,, para bloquear qualquer ligação a qualquer instituição, governamental ou privado, que tenha algo a ver com os Territórios Ocupados. Isso é um movimento muito forte. Esse é o tipo de movimento que foi tomada em relação à África do Sul. Apenas um par de meses atrás, a Igreja Presbiteriana aqui chamado de alienação de qualquer corporação multinacional que está envolvido de alguma forma na ocupação. E tem havido caso após caso assim. Isso faz todo o sentido.

Há também, até agora, não houve quaisquer sanções, de modo BDS é um pouco enganador. É BD, realmente. Mas poderia haver sanções. E não há uma maneira óbvia para prosseguir. Não tem sido há anos, e tem bastante apoio. Na verdade, a Anistia Internacional pediu para ele durante as operações de Chumbo Fundido. Isso é um embargo de armas. Para os EUA de impor um embargo de armas, ou mesmo para discutir o assunto, seria uma questão importante, importante contribuição. Essa é a mais importante das possíveis sanções.

E há uma base para isso. Armas dos EUA a Israel estão em violação da lei dos EUA, violação direta da lei norte-americana. Você olha para a legislação dos EUA ajuda estrangeira, que proíbe qualquer tipo de assistência militar para nenhum país, a unidade, qualquer que seja, envolvidos em violações constantes dos direitos humanos. Bem, você sabe, violação de violações de direitos humanos de Israel é tão extrema e consistente, que dificilmente você tem que discutir sobre isso. Isso significa que a ajuda dos EUA a Israel é in-militar auxílio, está em violação direta da lei norte-americana. E Pillay como assinalei antes, os EUA são um alto-parte contratante das Convenções de Genebra, por isso é violar as suas próprias extremamente graves compromissos internacionais e não impor-trabalhando para impor as Convenções de Genebra. Isso é uma obrigação para as partes contratantes de alta, como os EUA E isso significa impor-para evitar uma violação do direito internacional humanitário, e certamente não abet-lo. Assim, os EUA é ao mesmo tempo em violação dos seus compromissos para com o direito humanitário internacional e também em violação do direito interno dos Estados Unidos. E há alguma compreensão do que isso.

AMY GOODMAN : . Eu queria ter a sua resposta, Noam, com Nicholas Kristof sobre a questão da não-violência palestina Escrevendo no The New York Times no mês passado, escreveu Kristof, citações, “militância palestina tem conseguido nada, mas o aumento da miséria do povo palestino . Se os palestinos, em vez mais voltada para campanhas enormes de resistência não-violência de Gandhi de estilo, os vídeos resultantes iria reverberar em todo o mundo e na Palestina iria conseguir soberania e liberdade. ” Noam Chomsky, a sua resposta?

NOAM CHOMSKY : Bem, primeiro de tudo, que é uma fabricação total. Não-violência palestina já se arrasta por um longo tempo, ações não-violentas muito significativos. Eu não vi as reverberações em colunas de Kristof, por exemplo, ou em qualquer lugar. Quero dizer, há entre movimentos populares, mas não o que ele está descrevendo.

Há também uma boa dose de cinismo nos comentários. O que ele deve fazer é pregar a não-violência para os Estados Unidos, o principal perpetrador de violência no mundo. Não foi relatado aqui, mas uma pesquisa internacional em dezembro passado-Gallup aqui e sua contraparte na Inglaterra, as principais agências-lo voto foi uma pesquisa internacional de opinião pública. Uma das questões que foi feita é: Que país é a maior ameaça para a paz mundial? Adivinha quem foi o primeiro. Ninguém nem perto. Os Estados Unidos foram maneira na liderança. Muito atrás era o Paquistão, e que foi provavelmente porque a maioria dos votos indiano. Bem, isso é o que Nicholas Kristof deve ser comentando. Ele deveria estar chamando para a não-violência onde ele está, onde estamos, onde você e eu somos. Isso faria uma grande diferença no mundo. E, claro, não-violência em nossos estados clientes, como Israel, onde nós fornecemos diretamente os meios para a violência, ou Arábia Saudita, extremo, brutal, estado fundamentalista, onde enviá-los dezenas de bilhões de dólares de ajuda militar, e em e em, de formas que não são discutidos. Isso faria sentido. É fácil pregar a não-violência a alguma vítima em algum lugar, dizendo: “Você não deve ser violento. Nós vamos ser tão violento quanto nós gostamos, mas você não ser violento.”

Isso de lado, a recomendação é correto, e de fato tem sido uma recomendação de pessoas dedicadas a direitos dos palestinos por muitos anos. Eqbal Ahmad, que eu mencionei, 40 anos, você sabe, o seu passado, ele estava ativo na resistência argelina, um longo longa história de ambos análise política muito aguda e envolvimento directo nas lutas do Terceiro Mundo,, ele estava muito perto da OLP instou -consistently isso, como muitas, muitas pessoas fizeram, eu incluído. E, de fato, tem havido muita. Insuficiente. Mas como eu digo, é muito fácil de recomendar às vítimas, “Você ser caras legais.” Isso é barato. Mesmo que seja correcta, é barato. O que importa é o que dizemos sobre nós mesmos. Será que vamos ser bons rapazes? Essa é a coisa importante, particularmente quando é os Estados Unidos, o país que, com toda a razão, é considerado pela-internacionalmente como a principal ameaça para a paz mundial, ea ameaça decisivo no caso israelense.

AMY GOODMAN : Noam, Mohammed Suliman, um trabalhador palestino dos direitos humanos em Gaza, escreveu no The Huffington Post durante o ataque israelense, citações, “A realidade é que se os palestinos parar de resistir, Israel não vai parar de ocupação, como seus líderes afirmam repetidamente . Os judeus sitiados do gueto de Varsóvia tinha um lema “viver e morrer com dignidade.” Quando eu sento no meu próprio gueto sitiada “, ele escreve,” Eu acho que como os palestinos têm honrado este valor universal. Vivemos em dignidade e morrer com dignidade, recusando-se a aceitar a subjugação. Estamos cansados de guerra. Mas … Eu também não pode mais tolerar o retorno a um status quo profundamente injusto. Eu já não pode concordar em viver nesta prisão a céu aberto “. Sua resposta ao que Mohammed Suliman escreveu?

NOAM CHOMSKY : Bem, vários pontos novamente. Em primeiro lugar, sobre o Gueto de Varsóvia, há um debate muito interessante acontecendo agora em Israel na imprensa hebraica para saber se a insurreição do gueto de Varsóvia era justificada. Tudo começou com um artigo, acho que por um sobrevivente, que passou por muitos detalhes e argumentou que a revolta, que era uma espécie de elemento nocivo, disse ele, na verdade, seriamente em perigo os judeus das sobrevivendo-judeus no gueto e feriram . Depois vieram as respostas, e há um debate sobre o assunto. Mas isso é exatamente o tipo de pergunta que você quer perguntar o tempo todo: O que vai ser o efeito da ação sobre as vítimas? Não é uma questão trivial no caso do Gueto de Varsóvia. Obviamente, talvez os nazistas são o extremo em brutalidade na história humana, e você tem que certamente simpatizar e apoiar os habitantes do gueto e sobreviventes e as vítimas, é claro. Mas, no entanto, a questão tática surge. Este não é aberto. E surge aqui, também, o tempo todo, se você é sério sobre a preocupação com as vítimas.

Mas seu ponto geral é preciso, e é essencialmente o que eu estava tentando dizer antes. Israel quer calma, quer que os palestinos para ser agradável e tranquilo e não violenta, a maneira Nicholas Kristof exorta. E então o que vai fazer Israel? Não temos de adivinhar. É o que eles têm feito, e eles vão continuar, enquanto não há nenhuma resistência a ela. O que eles estão fazendo é, resumidamente, assumindo o que eles querem, o que eles vêem como de valor na Cisjordânia, deixando os palestinos em cantões inviáveis, essencialmente, praticamente encarcerado; que separa a Cisjordânia de Gaza em violação dos compromissos solenes de os Acordos de Oslo; mantendo Gaza sob cerco e em uma dieta; Enquanto isso, aliás, que retoma as Colinas de Golã, já anexada em violação de ordens explícitas do Conselho de Segurança; expandir enormemente Jerusalém maneira além de qualquer tamanho histórica, anexando-o em violação das ordens do Conselho de Segurança; grandes projetos de infraestrutura, o que torna possível para as pessoas que vivem nas colinas agradáveis da Cisjordânia para chegar a Tel Aviv em poucos minutos sem ver nenhum árabes. Isso é o que eles vão continuar a fazer, assim como eles têm sido, desde que os Estados Unidos apóiam-lo. Esse é o ponto decisivo, e é isso que devemos estar focando. Estava aqui. Podemos fazer coisas aqui. E isso passa a ser de importância fundamental neste caso. Isso vai ser-não é o único fator, mas é o fator determinante no que será o resultado.

AMY GOODMAN : No entanto, você tem Congress-você está falando população americana mudando parecer de passagem por unanimidade uma resolução em apoio de Israel. Por unanimidade.

NOAM CHOMSKY : É isso mesmo, porque, e isso é exatamente o que temos de combater, por organização e ação. Tome África do Sul novamente. Não foi até a década de 1980 que o Congresso começou a passar sanções. Como eu disse, Reagan vetou-los e depois violou-los quando eles foram passados sobre o seu veto, mas pelo menos eles estavam passando-los. Mas isso é décadas após protestos massivos foram desenvolvendo ao redor do mundo. Na verdade, BDS táticas de lá -estilo nunca foi um BDS táticas de BDS-estilo movimento começou a ser realizado em um nível popular nos Estados Unidos a partir do final dos anos 70, mas realmente pegar na década de 80. Isso é depois de décadas acções em larga escala desse tipo estavam sendo tomadas em outros lugares. E, finalmente, que tinha um efeito. Bem, nós não estamos lá ainda. Você tem que lembrar-é importante lembrar que até o momento o Congresso estava passando sanções contra a África do Sul, até mesmo a comunidade empresarial americana, que é realmente decisivo na determinação da política, tinha praticamente virou contra o apartheid. Só não valeu a pena para eles. E como eu disse, o acordo que foi finalmente alcançado era aceitável para eles, diferença em relação ao caso israelense. Nós não estamos lá agora. Agora Israel é um dos principais receptores de investimento norte-americano. Warren Buffett, por exemplo, recentemente, comprei dois bilhões de dólares gastos em alguma fábrica em Israel, uma parcela, e disse que este é o melhor lugar para os investimentos fora dos Estados Unidos. Intel é a criação de sua principal fábrica de chips nova geração lá. Indústria militar está intimamente ligada à Israel. Tudo isto é muito diferente do caso da África do Sul. E nós temos que trabalhar, uma vez que vai ter um monte de trabalho para chegar lá, mas tem que ser feito.

AMY GOODMAN : E ainda, Noam, você diz que a analogia entre a ocupação israelense dos terrories eo apartheid na África do Sul é um duvidosa. Por quê?

NOAM CHOMSKY : Muitas razões. Tome-se, por exemplo, o termo “apartheid”. Nos territórios ocupados, o que Israel está fazendo é muito pior que o apartheid. Para chamá-lo de apartheid é um presente para Israel, pelo menos se por “apartheid” você quer dizer o apartheid sul-Africano-estilo. O que está acontecendo nos territórios ocupados é muito pior. Há uma diferença crucial. Os nacionalistas sul-africanos precisavam da população negra. Essa foi sua força de trabalho. Ele foi de 85 por cento da força de trabalho da população, e que era basicamente sua força de trabalho. Eles precisavam deles. Eles tinham de sustentá-los. Os bantustões eram horrível, mas a África do Sul tentou sustentá-los. Eles não colocá-los em uma dieta. Eles tentaram mantê-los fortes o suficiente para fazer o trabalho que eles precisavam para o país. Eles tentaram obter apoio internacional para os bantustões.

A relação de Israel com os palestinos nos territórios ocupados é totalmente diferente. Eles simplesmente não querem. Eles querem-los, ou pelo menos na prisão. E eles estão agindo assim. Essa é uma diferença muito marcante, o que significa que a analogia do apartheid, apartheid sul-Africano, aos Territórios Ocupados é apenas um presente a violência israelense. É muito pior do que isso. Se você olhar dentro de Israel, há uma abundância de repressão e discriminação. Eu escrevi sobre isso extensivamente por décadas. Mas não é apartheid. É ruim, mas não é apartheid. Assim, o prazo, eu só não acho que é aplicável.

AMY GOODMAN : Eu queria ter a sua resposta para Giora Eiland , ex-conselheiro de segurança nacional israelense. Em declarações ao The New York Times , Eiland disse, citações, “Você não pode ganhar contra uma organização de guerrilha eficaz quando, por um lado, você está lutando contra eles, e por outro lado, continuar a fornecer-lhes água e comida e gás e eletricidade. Israel deveria ter declarado uma guerra contra o Estado de facto de Gaza, e se houver miséria e fome em Gaza, isso pode levar o outro lado para tomar essas decisões difíceis “. Noam Chomsky, se você pudesse responder a isso?

NOAM CHOMSKY : Isso é basicamente o debate dentro do escalão político israelense top: Devemos seguir a posição da Dov Weissglas de mantê-los em uma dieta de mera sobrevivência, para que garantir que as crianças não recebem barras de chocolate, mas você permitir que eles tenham, digamos , Cheerios na parte da manhã? Caso nós-

AMY GOODMAN : Na verdade, Noam, você pode explicar isso, porque quando você falou sobre isso antes, isso meio que soa-esta dieta soa como uma metáfora. Mas você pode explicar o que você quis dizer quando disse que a dieta das pessoas? Tipo, você está falando número de calorias. Você está realmente falando sobre se as crianças podem comer chocolate?

NOAM CHOMSKY : Israel tem-israelenses especialistas calcularam em detalhes exatamente quantas calorias, literalmente, os habitantes de Gaza precisam para sobreviver. E se você olhar para as sanções que impõem, são grotesco. Quero dizer, mesmo John Kerry condenou com amargura. Eles são sádico. Apenas calorias suficientes para sobreviver. E, claro, é em parte metafórica, porque isso significa que apenas o material suficiente que entra através dos túneis, de modo que eles não totalmente morrer. Israel restringe medicamentos, mas você tem que permitir que um pouco trickle. Quando eu estava lá à direita antes do ataque de novembro de 2012 visitou o hospital Khan Younis, eo diretor nos mostrou que há’s-eles não têm sequer medicamentos simples, mas eles ter alguma coisa. E o mesmo acontece com todos os aspectos do mesmo. Mantê-los em uma dieta, literalmente. E a razão é-muito simples, e eles praticamente disse que: “. Se eles morrem, ele não vai ter uma boa aparência para Israel Podemos afirmar que nós não somos a potência ocupante, mas o resto do mundo não concordo. Até os Estados Unidos não concorda. Estamos a potência ocupante. E se nós matar a população sob ocupação, não vai ter uma boa aparência. ” Não é o século 19, quando, como os EUA expandiu sobre o que é o seu território nacional, praticamente exterminados da população indígena. Bem, pelos padrões imperiais do século 19, que foi sem problemas. Este é um pouco diferente hoje. Você não pode exterminar a população nos territórios que ocupam. Essa é a posição dovish, Weissglas. A posição hawkish é Eiland, que você citou: Vamos matá-los.

AMY GOODMAN : E quem você acha que vai prevalecer, como eu falar com você em meio a esse cessar-fogo?

NOAM CHOMSKY : A posição Weissglas vai prevalecer, porque Israel apenas, você sabe, ele já está se tornando um pária internacional e internacionalmente odiado. Se ele passou a perseguir as recomendações do Eiland, mesmo os Estados Unidos não seria capaz de suportá-lo.

AMY GOODMAN : Você sabe, curiosamente, enquanto os países árabes, a maioria deles, não se manifestaram fortemente contra o que Israel fez em Gaza, os países latino-americanos, um após o outro, do Brasil para a Venezuela e Bolívia, tem. Alguns deles recordaram seus embaixadores para Israel. Eu acredito que o presidente boliviano Evo Morales chamou Israel de um “estado terrorista”. Você pode falar sobre a América Latina e sua relação com Israel?

NOAM CHOMSKY : Sim, basta lembrar os países árabes, os ditadores árabes, os nossos amigos. Isso não significa que as populações árabes, nossos inimigos.

Mas o que você disse sobre a América Latina é muito significativo. Não muito tempo atrás, a América Latina foi o que foi chamado de quintal: Eles fizeram tudo o que disse. No planejamento estratégico, muito pouco foi dito sobre a América Latina, porque estavam sob nosso domínio. Se nós não gostamos de algo que acontece, vamos instalar uma ditadura militar ou bagagem de volta enormes massacres e assim por diante. Mas, basicamente, eles fazem o que nós dizemos. Últimos 10 ou 15 anos, isso mudou. E é uma mudança histórica. Pela primeira vez em 500 anos, uma vez que os conquistadores, a América Latina está se movendo em direção grau de independência da dominação imperial e também um grau de integração, o que é extremamente importante. E o que você acabou de descrever é um exemplo notável disso. Em todo o mundo, tanto quanto eu sei, apenas alguns países latino-americanos tomaram uma posição honrosa sobre esta questão: Brasil, Chile, Peru, Equador, El Salvador retiraram embaixadores em protesto. Eles se juntam a Bolívia e Venezuela, que tinha feito ainda mais cedo em reação a outras atrocidades. Isso é único.

E não é o único exemplo. Havia um exemplo muito marcante, eu acho que talvez um ano ou mais atrás. O Open Society Forum fez um estudo de apoio à capitulação. Rendition, é claro, é a forma mais extrema de tortura. O que você faz é levar as pessoas, as pessoas que você não gosta, e você enviá-los para a sua ditadura favorito para que eles vão ser torturados. Grotesco. Essa foi a CIA programa de entregas extraordinárias. O estudo foi: Quem tomou parte nela? Bem, é claro, as ditaduras do Oriente Médio fez, você sabe, Síria, Assad, Mubarak e outros, porque é onde você enviou-os para serem torturados-Gaddafi. Eles participaram. Europa, quase todo ele participou. Inglaterra, Suécia, outros países permitida, instigados a transferência de prisioneiros para torturar câmaras a ser grotescamente torturado. Na verdade, se você olhar sobre o mundo, só havia realmente uma exceção: Os países latino-americanos se recusaram a participar. Agora, isso é bastante notável, por um lado, porque mostra a sua independência. Mas, por outro, enquanto eles estavam sob o controle dos Estados Unidos, eles eram o centro de torturas do mundo, não há muito tempo, um par de décadas atrás. Isso é uma mudança real.

E por agora, se você olhar para conferências hemisféricas, Estados Unidos e Canadá são isolados. A última grande conferência hemisférica não pôde chegar a uma decisão de consenso sobre as principais questões, porque os EUA eo Canadá não concordou com o resto do hemisfério. As principais questões foram admissão de Cuba para o sistema hemisférico e medidas a favor da descriminalização das drogas. Isso é um grande fardo para os latino-americanos. O problema reside nos Estados Unidos. E os países latino-americanos, mesmo os de direita, quer libertar-se disso. EUA e Canadá não iria junto. Estas são mudanças muito significativas nos assuntos mundiais.

AMY GOODMAN : Eu queria voltar para Charlie Rose entrevistar o líder do Hamas, Khaled Meshaal. Isso foi em julho. Meshaal pediu um fim à ocupação de Gaza de Israel.

KHALED Meshaal : [traduzido] Este não é um pré-requisito. A vida não é um pré-requisito. A vida é um direito para o nosso povo na Palestina. Desde 2006, quando o mundo se recusou os resultados das eleições, o nosso povo, na verdade, viveu sob o cerco de oito anos. Esta é uma punição coletiva. Precisamos levantar o cerco. Nós temos que ter uma porta. Nós temos que ter um aeroporto. Esta é a primeira mensagem.
A segunda mensagem: A fim de parar o derramamento de sangue, é preciso olhar para as causas subjacentes. Precisamos de olhar para a ocupação. Precisamos parar a ocupação. Netanyahu se não tomar cuidado de nossos direitos. E o Sr. Kerry, meses atrás, tentou encontrar uma janela através das negociações, a fim de cumprir nossa meta: a viver sem ocupação, para chegar ao nosso estado. Netanyahu já matou nossa esperança, ou matou o nosso sonho, e ele matou a iniciativa norte-americana.
AMY GOODMAN : Isso é o líder do Hamas, Khaled Meshaal. Nestes últimos minutos que nos resta, Noam Chomsky, falar sobre as demandas do Hamas, Khaled Meshaal, e que acabou de dizer.

NOAM CHOMSKY : Bem, ele foi, basicamente, reiterando o que ele e Ismail Haniyeh, e outros porta-vozes do Hamas vêm dizendo há muito tempo. Na verdade, se você vai para trás a 1988, quando o Hamas foi formado, mesmo antes de se tornarem uma organização funcionando, sua liderança, Sheikh Yassin, quem foi assassinado por Israel e outros, propostas de liquidação oferecidos, que foram rejeitados. E ele permanece praticamente o mesmo. Até agora, é bastante evidente. Preciso esforço para deixar de vê-lo. Você pode lê-lo no The Washington Post . O que eles propõem é: Eles aceitam o consenso internacional sobre uma solução de dois Estados. Eles dizem: “Sim, vamos ter uma solução de dois Estados, na fronteira internacional”. Eles não-eles dizem que não vão dizer: “Nós vamos reconhecer Israel”, mas eles dizem: “Sim, vamos ter uma solução de dois Estados e uma longa trégua, talvez 50 anos. E então nós vai ver o que acontece. ” Bem, que tem sido a sua proposta o tempo todo. Isso é muito mais próxima do que qualquer proposta em Israel. Mas essa não é a forma como é apresentado aqui. O que você lê é, tudo o que nos interessa é a destruição de Israel. O que você ouve é o tipo de repetição da propaganda israelense mais vulgar de Bob Schieffer. Mas que tem sido a sua posição. Não é que eles são agradáveis para as pessoas como, eu não votaria para eles, mas que é a sua posição.

AMY GOODMAN : Seis bilhões de dólares em danos em Gaza agora mesmo. Cerca de 1.900 palestinos são mortos, não está claro quantos realmente, como o entulho não tenha sido escavado neste momento. Meio milhão de refugiados. Você tem algo como 180 mil nas escolas, os abrigos. E o que isso significa para as escolas, porque eles deveriam estar começando dentro de algumas semanas, quando os palestinos estão vivendo nessas escolas, abrigos improvisados? Então, qual é a realidade no terreno que acontece agora, como estas negociações terá lugar no Egipto?

NOAM CHOMSKY : Bem, há uma espécie de um slogan que tem sido usado há anos: Israel destrói, moradores de Gaza reconstruir, a Europa paga. Ele provavelmente vai ser algo como que, até o próximo episódio de “cortar a grama”. E o que vai acontecer, a menos que as mudanças políticas dos EUA, o que é muito provável que aconteça é que Israel continuará com as políticas que tenha sido execução. Não há razão para eles pararem, do seu ponto de vista. E é o que eu disse: pegue o que quiser na Cisjordânia, integrá-lo em Israel, abandonar os palestinos lá em cantões inviáveis, separá-lo de Gaza, manter Gaza em que a dieta, sob o cerco e, é claro, de controle, mantenha as Heights-Oeste e Golan tentar desenvolver um maior Israel. Isto não é por razões de segurança, aliás. Que tem sido entendido pela liderança israelense por décadas. Voltar volta de 1970, eu suponho, Ezer Weizman, mais tarde, o-geral, Força Aérea geral, mais tarde presidente, assinalou, corretamente, que tomar sobre os territórios não melhora a nossa segurança situação-na verdade, provavelmente, faz com que seja pior, mas, ele disse, ele permite que Israel a viver em escala e com a qualidade que nós apreciamos agora. Em outras palavras, podemos ser um, poderoso, rico país expansionista.

AMY GOODMAN : Mas você ouve repetidamente, o Hamas tem em seu estatuto social uma chamada para a destruição de Israel. E como você garante que estes milhares de foguetes que ameaçam o povo de Israel não continuar?

NOAM CHOMSKY : Muito simples. Primeiro de tudo, o Hamas charter significa praticamente nada. As únicas pessoas que prestam atenção a ele são propagandistas israelenses, que a amam. Foi um charter juntos por um pequeno grupo de pessoas sob o cerco, sob ataque em 1988. E é essencialmente sem sentido. Há cartas que significam algo, mas eles não estão falando. Assim, por exemplo, o programa eleitoral do partido do governo de Israel, o Likud, afirma explicitamente que não pode haver um Estado palestino a oeste do rio Jordão. E eles não apenas indicá-lo em sua carta, que é uma chamada para a destruição da Palestina, chamada explícita para isso. E eles não só tem ele em sua carta, você sabe, o seu programa eleitoral, mas implementá-lo. Isso é bem diferente do estatuto do Hamas.

O Israel de seus sonhos se transformou em um pesadelo: Uma carta para estudantes judeus

O Israel de seus sonhos se transformou em um pesadelo: Uma carta para estudantes judeus

Israel / Palestina

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Estou escrevendo para você, porque a Israel da minha infância e de seus sonhos tornou-se um pesadelo, o que não podemos mais ignorar. A passagem do “bill judaica Estado-Nação” pelo gabinete israelense deixa claro o palestino cidadãos de Israel já sabem há anos: que Israel é uma democracia apenas para os judeus. Ao legalizar suas políticas de apartheid, o governo israelense tem nos forçado a reavaliar a nossa relação com Israel.

O ataque militar israelense em Gaza maciça neste verão foi recebido com ampla condenação internacional, criando confusão e angústia entre os judeus da diáspora, especialmente aqueles que se vêem como progressista.Um número sem precedentes de judeus juntaram organizações como Jewish Voice for Peace, J-Street, e Open Hillel, que condenou o ataque Gaza e ocupação em curso de Israel de forma inequívoca. Ao mesmo tempo, os grupos judaicos tradicionais, incluindo Hillel International, e do grupo de franja AMCHA intensificaram seus esforços contra os membros do corpo docente, como eu, que escrevem e ensinam sobre o conflito israelo-palestiniano e estão profundamente comprometidos com uma paz justa e duradoura no Médio Oriente. Organizações como AMCHA criado e divulgado listas negras McCarthy-like, pedindo-lhe para evitar tomar aulas com a gente ou a leitura de nosso trabalho.

Estou mais preocupado com as implicações desses ataques para você um pouco do que para mim e para os meus colegas. Os seus anos de faculdade representam uma oportunidade incrível, realmente um privilégio, para ampliar seus horizontes intelectuais e de expandir o seu conhecimento para além dos limites do que você estava exposto a crescer. Preocupa-me que os recentes ataques contra a liberdade acadêmica e, especialmente, a rotulagem de organizar em torno de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) como anti-semita vai privá-lo da oportunidade de aprender a abordar o conflito israelense-palestino de várias perspectivas, incluindo aqueles que fazer você se sentir desconfortável.

Eu escrevo para você, porque ele foi o desconforto que sentia como um estudante na Universidade de Haifa no início de 1980 que mudou a minha vida, servindo como um catalisador para uma jornada de transformação pessoal, intelectual e político. Eu não estava preparado para essa mudança mais cedo. Como um aluno do primeiro colegial fui escolhido para fazer parte de uma delegação de jovens para a Inglaterra, patrocinado pela Agência Judaica. Demos apresentações em escolas de ensino médio e ficou com hospedeiras famílias judias. A meio da viagem, de março de 1978, Israel lançou uma invasão em massa no sul do Líbano, conhecida como “Operação Litani”, após o ataque terrorista em um ônibus civil, viajando de Haifa a Tel Aviv. Como imagens de civis palestinos mortos e deslocados dos campos de refugiados no sul da Lebaon apareceram nos jornais britânicos e nas telas de TV, tivemos de defender as ações de Israel. Os estudantes judeus e membros da comunidade que nós nos encontramos com criticaram a agressão de Israel, insistindo que não se pode combater a violência com mais violência. Nós não estavam preparados para as suas reacções. Embora alguns de nós estavam desconfortáveis ​​com as imagens de civis inocentes apanhados no fogo, que defendeu o ataque de Israel como um ato de auto-defesa e repetiu um argumento comum de Israel propaganda: que os judeus que gostam de vida pacífica e próspera na diáspora não têm direito de criticar a política de Israel.

Um ano mais tarde, quando me formei no ensino médio, eu comecei meu serviço militar obrigatório. Eu servi no Vale do Jordão, em um papel que me permitiu testemunhar de perto a militarização dos homens jovens. Foi somente durante o serviço militar, que tomei consciência da existência de campos de refugiados na Cisjordânia e na Faixa de Gaza e começou a lidar com a ocupação de pedágio leva em ambos os ocupados e os ocupantes. O que eu aprendi me deixou confuso e frustrado. Mais do que tudo, eu me senti sozinho. Na época, eu não tinha conhecimento de quaisquer organizações israelenses e judeus que expressaram publicamente reservas com invasão do Líbano por Israel e sua ocupação da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. Tudo mudou quando eu matriculado como estudante de graduação na Universidade de Haifa, no outono de 1982. Tive a sorte de estudar com professores brilhantes que me expostos a novas idéias e perspectivas. Fora da sala de aula, comecei a organizar juntamente com estudantes palestinos cujo compromisso com a justiça e igualdade era contagiante. A mudança em minhas visões políticas não aconteceu durante a noite e eu experimentei muitos momentos de desconforto ao longo do caminho, muitas vezes, quando fui confrontado com novas informações sobre a agressão de Israel.Em retrospecto, percebo que houve momentos em que eu vi ou ouvi me fez sentir culpa ou vergonha, mas ao invés disso eu tenho defensiva, porque aceitar a verdade ia contra tudo o que foi ensinado, para não mencionar a minha família e da comunidade.

O privilégio de estudar sobre o conflito me permitiu transformar momentos de desconforto em oportunidades de aprendizagem. Os estudantes palestinos que conheci elogiou meus estudos por me convidar para suas casas e aldeias para testemunhar em primeira mão a discriminação de que são experimentados como cidadãos, de 1948 Israel. Minha primeira visita a um campo de refugiados na Cisjordânia foi um importante ponto de viragem. As condições inabitáveis ​​no campo me fez pensar em como eu imaginava o campo de concentração de meu pai morava em como uma criança durante o Holocausto. Eu não poderia ficar em silêncio anymore. O risco de não falar até parecia maior do que o risco de ser chamado de traidor. Eu conquistei meu desconforto, transformando a minha culpa em uma responsabilidade de agir. Meu pai, um sobrevivente do Holocausto que, com a idade de 13 anos, testemunhou o assassinato do meu avô em um campo de concentração, não podia perdoar a comunidade internacional por seu silêncio e por não agir a tempo. Um militante sionista, meu pai usou o mantra “Never Again” para justificar a agressão de Israel contra os palestinos. A interpretação exclusiva de “Never Again” não fazia sentido para mim. Ficou claro para mim que a memória traumática do Holocausto deveria inspirar em nós a compaixão para outros grupos perseguidos, começando com os palestinos.

Eu estou compartilhando minha história de reconhecer que o desconforto que alguns de vocês se sentem em seu campus universitário é real. Embora as imagens e as informações que você vê ao seu redor podem não refletir a Israel dos seus sonhos, eles não são anti-semita. Na verdade, a rotulagem de seu desconforto anti-semitismo, ou permitir que outros para convencê-lo de que este é o caso, pode realmente prejudicar a nossa luta coletiva contra todas as formas de racismo, incluindo o anti-semitismo. Transformar o seu desconforto e frustração em ataques a estudantes de Justiça na Palestina ou participando da demonização de acadêmicos e movimentos críticos de Israel não vai livrá-lo de seu desconforto. Os desafios que enfrentamos são uma oportunidade para aprender e crescer, pessoal e intelectual, mesmo se você não mudar seus pontos de vista políticos.

Os judeus sempre se orgulharam de ser o “povo do livro.” Você pode transformar seu desconforto em uma oportunidade de expandir o seu conhecimento do conflito israelense-palestino por prestando muita atenção às narrativas palestinos, que a maioria de nós não tenham sido expostos a crescendo. Aprovação do gabinete israelense do “Jewish Nation-State Bill” é uma chamada wake-up rude com judeus em toda parte. O Israel de nossos sonhos é um estado de apartheid e seus líderes parecem certos de que eles têm o nosso apoio. É hora de acordar e falar-se, antes que seja tarde demais.Estudantes judeus nos campi universitários na diáspora pode servir de exemplo para os seus colegas judeus em Israel, mantendo Israel responsável e insistindo que ele adere aos princípios democráticos e respeita o direito internacional.

 

Gilad Atzmon: O judeu errante em Buenos Aires

Gilad Atzmon: O judeu errante em Buenos Aires

Publicado el 04/04/2013 por 

Gilad Atzmon, ex-israelense, saxofonista e compositor, escreveu dois romances e diversos artigos. Sempre polêmico, ele dedica a sua vida a defender a causa palestina e a sua música. Obrigada a Dagoberto Bordin, de Florianópolis, Brasil, que está passando um tempo em Buenos Aires e escreveu este artigo especialmente para nós, mesmo sem ser especialista no assunto.

Gilad Atzmon

Por Dagoberto Bordin.

“Os nazistas me fizeram ter medo de ser judeu, enquanto os israelenses me dão vergonha de ser judeu”. Com esta epígrafe de Israel Shahak, sobrevivente dos campos de concentração na Polônia, Gilad Atzmon dá a tônica do seu novo livro, La identidad errante (editorial Canaán), e mostra por que tanto ele quanto Shahak podem ser considerados antissemitas. Bem-humorado, Atzmon divertiu a plateia quando admitiu, ontem, na Biblioteca do Congresso Nacional, em Buenos Aires, que sente uma excitação quase libidinosa em confrontar os sionistas desde que se define como “judeu que odeia o judaísmo”.

Em La identidad errante, ele busca responder o que significa ser judeu, como se define a identidade política de um judeu, um indivíduo que se sente superior aos demais, afinal pertence ao povo escolhido, e, ao mesmo tempo, um indivíduo que gostaria de ser tratado como os demais. Para ele, o sionismo é um conceito que pertence mais à diáspora judia porque os israelenses, de maneira geral, não são sionistas. “O judaísmo secular é que se encarrega da limpeza étnica e não o judaísmo religioso. Os judeus ultraortodoxos da Torá são contra o sionismo e a favor dos palestinos” (N. da R. Se refere a grupos como Neturei Karta).

Para falar do judaísmo nesta acepção ideológica, ele usa o termo judeidade. “Não falo sobre judaísmo ou sobre judeus como etnia, raça ou religião”. Judeidade seria algo como uma qualidade primordial, transnacional, operada por uma rede que não tem um centro geográfico porque, segundo ele, não existem judeus ingleses, franceses, alemães ou estadunidenses e sim judeus que vivem na Inglaterra, França, Alemanha ou Estados Unidos. “O judeu é sempre um estrangeiro”.

Atzmon compara Israel com a Alemanha nazista. “Eles transformaram Deus em agente imobiliário e a aspiração de Israel não é a da terra prometida senão a de planeta prometido”. Isso faz com que os sionistas se sintam autorizados por Deus a destruir seus inimigos. “Como isso pode estar acontecendo em nossos dias sem o conhecimento do mundo?”, pergunta. E ele mesmo responde, explicando que os meios políticos e midiáticos estão subordinados aos interesses israelenses. A mídia de maneira geral, os bancos e a indústria do cinema, Hollywood, são controlados por judeus tanto nos Estados Unidos quanto na Inglaterra. “Eles conseguem fazer isso porque controlam a oposição”, explicou: “George Soros apoia as causas das minorias, ajuda e eleger Obama, ajuda os oprimidos, os gays. Toda a oposição a Israel também é financiada por Israel. Assim, você determina e limita a oposição”. Segundo ele, os “bons judeus”, esses que falam em nome dos palestinos, por exemplo, podem ser ainda mais perigosos que os “maus judeus”.

Com relação à representação política, ele cita o exemplo da Inglaterra. No Parlamento, se os judeus tivessem uma representação proporcional à de 0,46% da população (são 280 mil habitantes naquele país), eles teriam direito a três assentos. Em vez disso, ocupam 24 posições, oito vezes mais. Se a representação dos muçulmanos fosse nesta mesma proporção, eles teriam que ocupar no mínimo 200 dos 650 assentos da Câmara dos Comuns. “A história dos judeus é um mito, está distante da realidade, é uma invenção, e eles conseguem convencer os outros de que é verdade porque ninguém tem permissão para falar disso, já que os judeus se apropriaram do discurso sobre o racismo”.

Gilad Atzmon, que nasceu em Jerusalém e abdicou da cidadania israelense, critica, de dentro, o etnocentrismo judeu. “Tenho a percepção de que o meu povo vive numa terra roubada”. É uma sensação que ele traz da juventude, de sua experiência no exército, de quando atuou como paramédico, em 1982, durante a Guerra do Líbano, quando viu seu povo destruindo outras pessoas. Foi um trauma que deixou uma enorme cicatriz e o levou à decisão de que ele tinha sido enganado sobre o sionismo. “A oposição binária judeu-nazista é, em si mesma, consequência de um doutrinamento judeucêntrico”. Concluiu então que fazia parte de um estado colonial cujo objetivo era a pilhagem e a limpeza étnica. “Nós fomos doutrinados para a negação da causa palestina e não estávamos conscientes disso”.

Seu editor na Argentina, Saad Chedid, lembrou que a presidenta Cristina Kirchner se solidariza com o povo palestino porque compara a situação das Ilhas Malvinas com a dos territórios ocupados por Israel. “Trata-se do mesmo tipo de colonização”. A apresentação do autor foi feita pela jornalista Telma Luzzani, especialista em política internacional e autora de Territorios vigilados (Random House), em que mostra como operam as bases militares norte-americanas na América do Sul. Telma Luzzani elogiou a forma como o autor costura referências tão ecléticas como Freud, Lacan, os irmãos Cohen e Milton Friedman na sua tentativa de desvendar a identidade judaica. “Há uma rigorosa ignorância do genocídio que ocorre em Gaza e Atzmon, além de escrever, usa a música – o autor é renomado saxofonista – como instrumento para divulgação deste drama”.

O autor apresenta um filme biográfico nesta quinta-feira, Gilad, e, na segunda, 8 de abril, conversa com professores e estudantes no Centro Cultural Borges. Finalmente, na quarta-feira (10 de abril), faz uma palestra na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Buenos Aires.

Fotos de Dagoberto Bordin.

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Nos Não estamos comemorando 60 aniversário de Israel

Nós não estamos celebrando 60º aniversário de Israel

Em maio, as organizações judaicas estarão comemorando o 60 º aniversário da fundação do Estado de Israel. Isso é incompreensível no contexto de séculos de perseguição, culminando no Holocausto. No entanto, nós somos judeus que não estarão comemorando. Certamente, é chegado o momento de reconhecer a narrativa do outro, o preço pago por um outro povo para o anti-semitismo europeu e as políticas genocidas de Hitler. Como Edward Said enfatizou, o que o Holocausto é para os judeus, a Nakba é para palestinos.

Em abril de 1948, o mesmo mês em que o infame massacre de Deir Yassin, e o ataque com morteiros contra civis palestinos na praça do mercado de Haifa, o Plano Dalet foi colocado em operação. Este autorizou a destruição de aldeias palestinas e a expulsão da população indígena fora das fronteiras do estado. Nós não estaremos celebrando.

Em julho de 1948, 70 mil palestinos foram expulsos de suas casas em Lydda e Ramleh no calor do verão, sem comida ou água. Centenas de pessoas morreram. Ele era conhecido como marco da morte. Nós não estaremos celebrando.

Ao todo, 750 mil palestinos tornaram-se refugiados. Cerca de 400 aldeias foram varridas do mapa. Isso não acabou com a limpeza étnica. Milhares de palestinos (cidadãos israelenses) foram expulsos da Galiléia em 1956. Muitos milhares mais quando Israel ocupou a Cisjordânia e Gaza. Sob a lei internacional e sancionada pela resolução 194 da ONU, os refugiados de guerra têm direito ao retorno ou a compensação. Israel nunca aceitou este direito. Nós não estaremos celebrando.

Não podemos comemorar o aniversário de um estado fundado sobre o terrorismo, massacres e da desapropriação de um outro povo de sua terra. Não podemos comemorar o aniversário de um estado que ainda ate  agora se engaja na limpeza étnica, que viola o direito internacional, que está  inflingindo uma punição coletiva monstruoso sobre a população civil de Gaza e que continua a negar aos palestinos seus direitos humanos e as aspirações nacionais.

Nós iremos celebrar quando árabes e judeus viverem em pé de igualdade e em um pacífico Oriente Médio.

Seymour Alexander 
Ruth Appleton 
Steve Arloff 
Rica Pássaro 
Jo Pássaro 
Vereador Jonathan Bloch 
Ilse Boas 
Prof. Haim Bresheeth 
Tanya Bronstein 
Sheila Colman 
Ruth Clark 
Sylvia Cohen 
Judith Cravitz 
Mike Cushman 
Angela Dale 
Ivor Dembina 
Dr. Linda Edmondson 
Nancy Elan 
Liz Elkind 
Pia Feig 
Colin Belas 
Deborah Fink 
Sylvia Finzi 
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Frank Fisher 
Bella Freud 
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Laura Miller 
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Gerry Wolff 
Sherry Yanowitz

Gilad Atzmon: ex-israelense, saxofonista e compositor, escreveu dois romances e diversos artigos——-….Tenho a percepção de que o meu povo vive numa terra roubada

Gilad Atzmon: O judeu errante em Buenos Aires

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Gilad Atzmon, ex-israelense, saxofonista e compositor, escreveu dois romances e diversos artigos. Sempre polêmico, ele dedica a sua vida a defender a causa palestina e a sua música. Obrigada a Dagoberto Bordin, de Florianópolis, Brasil, que está passando um tempo em Buenos Aires e escreveu este artigo especialmente para nós, mesmo sem ser especialista no assunto.

Gilad Atzmon

Por Dagoberto Bordin.

“Os nazistas me fizeram ter medo de ser judeu, enquanto os israelenses me dão vergonha de ser judeu”. Com esta epígrafe de Israel Shahak, sobrevivente dos campos de concentração na Polônia, Gilad Atzmon dá a tônica do seu novo livro, La identidad errante (editorial Canaán), e mostra por que tanto ele quanto Shahak podem ser considerados antissemitas. Bem-humorado, Atzmon divertiu a plateia quando admitiu, ontem, na Biblioteca do Congresso Nacional, em Buenos Aires, que sente uma excitação quase libidinosa em confrontar os sionistas desde que se define como “judeu que odeia o judaísmo”.

Em La identidad errante, ele busca responder o que significa ser judeu, como se define a identidade política de um judeu, um indivíduo que se sente superior aos demais, afinal pertence ao povo escolhido, e, ao mesmo tempo, um indivíduo que gostaria de ser tratado como os demais. Para ele, o sionismo é um conceito que pertence mais à diáspora judia porque os israelenses, de maneira geral, não são sionistas. “O judaísmo secular é que se encarrega da limpeza étnica e não o judaísmo religioso. Os judeus ultraortodoxos da Torá são contra o sionismo e a favor dos palestinos” (N. da R. Se refere a grupos como Neturei Karta).

Para falar do judaísmo nesta acepção ideológica, ele usa o termo judeidade. “Não falo sobre judaísmo ou sobre judeus como etnia, raça ou religião”. Judeidade seria algo como uma qualidade primordial, transnacional, operada por uma rede que não tem um centro geográfico porque, segundo ele, não existem judeus ingleses, franceses, alemães ou estadunidenses e sim judeus que vivem na Inglaterra, França, Alemanha ou Estados Unidos. “O judeu é sempre um estrangeiro”.

Atzmon compara Israel com a Alemanha nazista. “Eles transformaram Deus em agente imobiliário e a aspiração de Israel não é a da terra prometida senão a de planeta prometido”. Isso faz com que os sionistas se sintam autorizados por Deus a destruir seus inimigos. “Como isso pode estar acontecendo em nossos dias sem o conhecimento do mundo?”, pergunta. E ele mesmo responde, explicando que os meios políticos e midiáticos estão subordinados aos interesses israelenses. A mídia de maneira geral, os bancos e a indústria do cinema, Hollywood, são controlados por judeus tanto nos Estados Unidos quanto na Inglaterra. “Eles conseguem fazer isso porque controlam a oposição”, explicou: “George Soros apoia as causas das minorias, ajuda e eleger Obama, ajuda os oprimidos, os gays. Toda a oposição a Israel também é financiada por Israel. Assim, você determina e limita a oposição”. Segundo ele, os “bons judeus”, esses que falam em nome dos palestinos, por exemplo, podem ser ainda mais perigosos que os “maus judeus”.

Com relação à representação política, ele cita o exemplo da Inglaterra. No Parlamento, se os judeus tivessem uma representação proporcional à de 0,46% da população (são 280 mil habitantes naquele país), eles teriam direito a três assentos. Em vez disso, ocupam 24 posições, oito vezes mais. Se a representação dos muçulmanos fosse nesta mesma proporção, eles teriam que ocupar no mínimo 200 dos 650 assentos da Câmara dos Comuns. “A história dos judeus é um mito, está distante da realidade, é uma invenção, e eles conseguem convencer os outros de que é verdade porque ninguém tem permissão para falar disso, já que os judeus se apropriaram do discurso sobre o racismo”.

Gilad Atzmon, que nasceu em Jerusalém e abdicou da cidadania israelense, critica, de dentro, o etnocentrismo judeu. “Tenho a percepção de que o meu povo vive numa terra roubada”. É uma sensação que ele traz da juventude, de sua experiência no exército, de quando atuou como paramédico, em 1982, durante a Guerra do Líbano, quando viu seu povo destruindo outras pessoas. Foi um trauma que deixou uma enorme cicatriz e o levou à decisão de que ele tinha sido enganado sobre o sionismo. “A oposição binária judeu-nazista é, em si mesma, consequência de um doutrinamento judeucêntrico”. Concluiu então que fazia parte de um estado colonial cujo objetivo era a pilhagem e a limpeza étnica. “Nós fomos doutrinados para a negação da causa palestina e não estávamos conscientes disso”.

Seu editor na Argentina, Saad Chedid, lembrou que a presidenta Cristina Kirchner se solidariza com o povo palestino porque compara a situação das Ilhas Malvinas com a dos territórios ocupados por Israel. “Trata-se do mesmo tipo de colonização”. A apresentação do autor foi feita pela jornalista Telma Luzzani, especialista em política internacional e autora de Territorios vigilados (Random House), em que mostra como operam as bases militares norte-americanas na América do Sul. Telma Luzzani elogiou a forma como o autor costura referências tão ecléticas como Freud, Lacan, os irmãos Cohen e Milton Friedman na sua tentativa de desvendar a identidade judaica. “Há uma rigorosa ignorância do genocídio que ocorre em Gaza e Atzmon, além de escrever, usa a música – o autor é renomado saxofonista – como instrumento para divulgação deste drama”.

O autor apresenta um filme biográfico nesta quinta-feira, Gilad, e, na segunda, 8 de abril, conversa com professores e estudantes no Centro Cultural Borges. Finalmente, na quarta-feira (10 de abril), faz uma palestra na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Buenos Aires.

Fotos de Dagoberto Bordin.

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Dr.Ilan Pappe, o único judeu Acadêmico Quem SLAMS ocupação israelita

Dr.Ilan Pappe, o único judeu Acadêmico Quem SLAMS ocupação israelita

Fonte::: A Península

por Mohammed Iqbal

Doha • Dr. Ilan Pappe é o único acadêmico judeu em Israel, que é crítica veemente do sionismo e da formação do Estado de Israel na terra da Palestina.

Um docente de ciências políticas na Universidade Haifa, Pappe diz que ele está a preparar para migrar para o Reino Unido com sua família, como ele tem encontrado cada vez mais difícil de viver em Israel com o seu “indesejável” opiniões e convicções.

“Eu fui boicotado na minha universidade e tinha havido tentativas de expulsar-me do meu trabalho. Estou recebendo chamadas de ameaçar as pessoas todos os dias. Não estou sendo visto como uma ameaça para a sociedade israelita, mas o meu povo pensa que eu sou louco ou quer a minha opinião é irrelevante. Muitos israelenses também acredito que estou a trabalhar como um mercenário para os árabes “, disse em uma entrevista com Pappe A Península ontem.

Em sua primeira visita de sempre para um estado do Golfo, em Doha Pappe foi ontem, a convite da Fundação do Catar para falar na Doha Debates. Ele acredita que dois Estados independentes que não podem coexistir na terra da Palestina e que a única solução duradoura para a questão é formação de um estado, compartilhada por judeus, árabes e outras comunidades que ali vivem. Ele também considera que não existe uma solução imediata para a crise e só a pressão internacional pode forçar Israel a pôr fim à ocupação e as contínuas atrocidades contra os palestinos.

“Durante os últimos seis anos, o governo israelense tem-se tornado mais opressivo, graças ao forte apoio da administração Bush. Eles sentem-se agora que eles podem fazer tudo o que quiserem “, disse Pappe.

Ele nasceu em Israel em 1954 de pais alemães que fugiram durante a opressão nazi the1930s. Eles migraram para a Palestina diretamente da Alemanha, anos antes da formação do Estado israelita, em 1948.

Pappe da transformação de um “típico” judeu para um forte crítico do sionismo começou nos anos oitenta, enquanto ele estava a estudar história na Inglaterra. “Eu reexaminou os acontecimentos de 1948, que mudou a minha percepção e eu percebi como o Estado israelita foi formada a expensas dos palestinianos. Eu não subscrevo a opinião de que uma comunidade que tem um crédito a uma terra que remonta a milhares de anos tinham o direito de ocupá-lo por dispossessing comunidades indígenas “, disse Pappe.

Ele lembrou que os judeus constituíam um mero um por cento da população palestiniana perante o Estado israelita foi formado. O Ocidente, que ele sentia, era favorável de Israel por causa de sua “culpa complexo” sobre o Holocausto e da opressão dos judeus.

“O movimento nazista e do Holocausto, não foram apenas alemão fenómenos, mas uma parte da história europeia. Os países ocidentais pensaram que pode enterrar este capítulo para sempre através da criação de um Estado judeu na Palestina. Mas depois eles perceberam que a questão palestiniana é muito mais complexo que o que eles tinham calculado “, disse Pappe.

Há um lampejo de esperança com a opinião pública internacional crescente contra Israel, mesmo entre os poderosos da comunidade judaica no Ocidente. Existe um movimento formado por um grupo de judeus em que os E.U. denominado «Not in My Name” “Como o nome implica em si, os membros deste grupo não querem atrocidades cometidas por Israel para ser atribuído aos judeus de todo o mundo. Eles estão claramente tentando distanciar-se de crimes a serem cometidos por Israel nos territórios ocupados.

O historiador sentiu o governo de George W Bush é a principal responsável pela situação actual e os E.U. política em relação a Israel poderia mudar com uma mudança no governo. “A política de apoio a Israel e que procuram amizade com os árabes não podem ir de mãos dadas”, disse Pappe.

Um pouco surpreendentemente, ele disse: “Eu apoio Hamas, na sua resistência contra a ocupação israelita que eu discordo com a sua ideologia política. Estou para separar o Estado da religião “, disse Pappe.

Ele considera que a democracia israelense é apenas significou para os judeus, e não há espaço para outras comunidades. “Qualquer estado que perpetrates ocupação não pode ser chamado um Estado democrático”, comentou ele.

Os intelectuais pacifistas de Israel

Os intelectuais pacifistas de Israel

Por meio de uma ampla pesquisa nos arquivos do Estado, eles desmontam os mitos da política oficial e procuram abrir caminho para uma nova relação com os árabes. Graças aos estudos, sabe-se, por exemplo, que a ocupação da Palestina sempre esteve nos planos da direita sionista

Eric Rouleau

A intelligentsia israelense conheceu, nos anos 1980, o começo de uma mutação notável, que marca a ascensão de uma nova geração de homens e de mulheres que não conheceram a shoah [1] nem a criação do Estado de Israel. Essa evolução é também testemunho do amadurecimento progressivo das elites, capazes, a partir de então, de julgar sem complexo o passado e de se livrar dos mitos e tabus propalados pelos dirigentes israelenses.

O anticonformismo desses intelectuais — historiadores, sociólogos, filósofos, jornalistas, escritores, cineastas, artistas — manifestou-se depois da Guerra dos Seis Dias, em 1967: a ocupação, a resistência palestina, a ascensão ao poder da direita nacionalista e religiosa em 1977, a influência crescente dos colonos e dos rabinos expansionistas, a exacerbação das tensões entre religiosos e leigos não deixou de alimentar a contestação. “Quando eles falam de Tel-Aviv, os religiosos usam com freqüência a expressão ‘Sodoma e Gomorra’, ao passo que, para os laicos, Jerusalém é como a Teerã do tempo dos aiatolás”, comenta Michel Warschawski, um dos dirigentes da ala radical do movimento pacifista.

A paz com o Egito, em 1979, suscitou a esperança de uma solução global, que a invasão do Líbano, em 1982, transformou em desilusão. Vista pela opinião pública como a primeira guerra ofensiva de Israel, esta última foi provocada por razões que se revelaram falsas. A Organização para a Libertação da Palestina (OLP), que a dupla Menahem Begin – Ariel Sharon buscava aniquilar, não promoveu nenhuma provocação, ao contrário do que o governo israelense afirmava. Ela deu, até mesmo, sinais da vontade de se engajar na via do compromisso. Não colocava em perigo a existência do Estado judeu. À época, muitos israelenses ficaram escandalizados com a extrema brutalidade de suas forças armadas, e com o número exorbitante de vítimas entre os civis palestinos e libaneses, que culminou no terrível massacre de Sabra e Chatila.

Acontecimentos sem precedentes se sucederam então: cerca de quatrocentos mil manifestantes protestaram no centro de Tel Aviv; quinhentos oficiais e soldados desertaram; o movimento dos refuseniks [2] tomou forma com aqueles que se recusavam a servir o exército, inicialmente no Líbano, em seguida nos territórios ocupados. A “pureza das armas”, de que o Estado judeu se gabava desde o seu nascimento, ficou seriamente prejudicada.

São os primeiros pesquisadores, desde a criação do Estado de Israel, a fundamentar seus trabalhos em documentos irrefutáveis, ao invés de referências de segunda mão
Jovens historiadores contribuíram ainda mais, voluntariamente ou não, para o descrédito desse slogan. Ao tomar conhecimento dos arquivos oficiais, em grande parte tornados públicos em 1978 (trinta anos depois dos acontecimentos relacionados, como autoriza a lei israelense), descobriram que o comportamento das forças judaicas, antes e durante a Guerra de 1948, esteve longe de corresponder à imagem idílica projetada pela propaganda. Apoiado por documentos oficiais, Simha Flapan, fervoroso sionista até sua morte e um dos dirigentes do partido de esquerda Mapam, foi o primeiro a publicar uma obra expondo os “sete principais mitos” utilizados para enganar a opinião pública durante décadas [3].

Dominique Vidal [4], em colaboração com Sébastien Boussois, expõe e analisa as conclusões daqueles que, atualmente, designamos como “novos historiadores”: trata-se dos primeiros pesquisadores, desde a criação do Estado de Israel, a fundamentar seus trabalhos não sobre referências de segunda mão, como fizeram seus predecessores, mas sobre documentos irrefutáveis, consultados nos arquivos do Conselho de Ministros, do Exército, do Palmach (tropas de choque), das organizações sionistas, do diário do primeiro-ministro David Ben Gurion, entre outros.

Seu livro descreve as circunstâncias que conduziram à guerra contra os exércitos árabes, estigmatiza o papel de Ben Gurion, no melhor dos casos ambíguo, e consagra um capítulo a Benny Morris, o líder dos “novos historiadores”, que Vidal classifica de “esquizofrênico”, em razão do fosso entre seu engajamento de historiador na busca da verdade e suas posições políticas próximas da extrema-direita israelense. Vidal analisa, por fim, a obra mais recente de Ilan Pappé, The ethnic cleansing of Palestine [”A limpeza étnica da Palestina”, ainda sem edição em português], que provocou tal escândalo (depois de tantos outros) que ele teve que se demitir da Universidade de Haifa para se exilar em uma universidade britânica.

Pappé não é o primeiro intelectual dissidente, e sem dúvida não será o último, a se expatriar para escapar do ambiente opressivo reservado aos “pestilentos”, como ele se define. No entanto, é muito difícil contestar suas narrativas, bem mais detalhadas do que as de seus predecessores. O historiador de Haifa teve acesso a documentos guardados nos arquivos israelenses há sessenta anos (e não apenas há quarenta, como foi o caso de seus predecessores). Mas ele também se baseou nos escritos de historiadores palestinos, muitas vezes testemunhas oculares dos acontecimentos. E recolheu testemunhos de sobreviventes da limpeza étnica, até agora, curiosamente, negligenciados por seus colegas, seja pela rejeição a priori dos testemunhos, seja por má fé, seja pela ignorância da língua árabe. São testemunhos ainda mais preciosos pelo fato de os Estados árabes se recusarem até hoje a abrir seus arquivos aos pesquisadores.

“Nós estamos em condições de ocupar toda a Palestina, disso não tenho qualquer dúvida”, escreve Ben Gurion, o fundador de Israel, três meses antes da guerra de 1948
As divergências entre Ilan Pappé e Benny Morris não são, em última análise, fundamentais. Um e outro confirmam, em primeiro lugar, que a Guerra de 1948 não foi, como se costuma dizer, um combate de “David contra Golias”, pois as forças judaicas eram claramente superiores em efetivos e armamentos às de seus adversários. No auge da guerra civil judaico-palestina, havia apenas alguns milhares de combatentes palestinos mal equipados, apoiados por voluntários árabes do Exército de Libertação de Fawzi Al-Qawuqji. E, mesmo quando os Estados árabes intervieram, no dia 15 de maio de 1948, seus contingentes eram muito inferiores aos da Haganá [5], que não parava de se reforçar.

Além disso, os dois historiadores concordam que os exércitos árabes invadiram a Palestina in extremis, e certamente a contragosto, não para “destruir o jovem Estado judeu”, algo do qual sabiam que eram incapazes, mas para impedir que Israel e a Cisjordânia — em “conluio”, segundo o historiador Avi Shlaïm — partilhassem o território devolvido aos palestinos pelo plano de divisão da ONU de 29 de novembro de 1947.

“Nós estamos em condições de ocupar toda a Palestina, disto não tenho qualquer dúvida”, escreveu Ben Gurion a Moshe Sharett em 1948, três meses antes da guerra israelo-árabe e algumas semanas antes das entregas maciças de armamentos encaminhados, via Praga, pela União Soviética. Algo que não o impediu de proclamar repetidas vezes que Israel estava ameaçado de um “segundo holocausto”.

Deixando-se arrebatar pela euforia das vitórias conquistadas, relata Ilan Pappé, o “pai” do Estado judaico escreveu no dia 24 de maio, na primeira semana da guerra, em seu diário pessoal: “Nós estabeleceremos um Estado cristão no Líbano (…) nós faremos a Cisjordânia em pedaços, bombardearemos a sua capital, destruiremos o seu exército (…) deixaremos a Síria de joelhos (…) nossa aviação atacará Port Said, Alexandria e o Cairo, e isto para vingar nossos ancestrais oprimidos pelos egípcios e pelos assírios nos tempos bíblicos (…)”.

Está demonstrado: as autoridades israelenses que forçaram os palestinos ao êxodo recorrendo, para enxotá-los de suas terras, à chantagem, à ameaça, ao terror e à brutalidade das armas
Do mesmo modo, Benny Morris e Ilan Pappé reduzem a nada a fábula, alimentada pelos dirigentes israelenses, segundo a qual os palestinos teriam deixado os seus lares voluntariamente, depois de apelos lançados pelas autoridades e pelas rádios árabes (emissões que a propaganda israelense forjou, como testemunham as gravações integrais realizadas pela BBC). Ao contrário, os dois historiadores confirmam aquilo que já sabíamos desde o fim dos anos 1950: foram as autoridades israelenses que forçaram os palestinos ao êxodo recorrendo à chantagem, à ameaça, ao terror e à brutalidade das armas para enxotá-los de suas terras.

Eles divergem, no entanto, sobre o sentido dessas expulsões. Para Benny Morris, são apenas “danos colaterais”: “guerra é guerra”, afirma, acrescentando mais recentemente [6], não sem cinismo, que Ben Gurion deveria ter prosseguido até expulsar o último palestino. Onde Benny Morris descreve um êxodo “nascido da guerra e não de uma intenção, judia ou árabe”, Ilan Pappé mostra que a purificação étnica foi planejada, organizada e posta em prática a fim de ampliar o território do Estado de Israel e de “judaizá-lo”.

O fato é que, apesar de terem aprovado publicamente o plano de divisão das Nações Unidas, os dirigentes sionistas o julgavam inadmissível: sua aprovação era de ordem tática, como indicam os numerosos documentos arquivados, assim como o diário de Ben Gurion.

Mais da metade da Palestina lhes havia sido atribuída, o restante regressando aos árabes autóctones que eram duas vezes mais numerosos do que os judeus. Todavia, aos seus olhos, o território previsto para o Estado de Israel era muito estreito para acolher os milhões de imigrantes que seus dirigentes esperavam receber. Além disso, 405 mil árabes palestinos conviveriam ali com 558 mil judeus, estes últimos constituindo assim apenas 58% da população do futuro Estado hebreu. Com tal composição, o sionismo arriscava-se a perder até mesmo a sua razão de ser. Daí a fórmula “tornar a Palestina tão judia quanto a América é americana e a Inglaterra é inglesa”, lançada por Haim Weizmann, futuro primeiro presidente de Israel.

A “transferência” (eufemismo para designar a expulsão) dos árabes autóctones para fora das fronteiras atormentou os espíritos dos dirigentes sionistas. Por isso, eles não paravam de debatê-la, o mais das vezes a portas fechadas. No final do século 19, Theodor Herzl sugeriu ao sultão otomano que deportasse os palestinos para desocupar o território e dar lugar à colonização judaica. Em 1930, Haim Weizmann tentou persuadir o governo britânico, potência mandatária da Palestina, a fazer o mesmo.

Em alguns meses, foram registrados dezenas de massacres e execuções sumárias: 531 aldeias, em um total de mil, foram destruídas ou reconvertidas para acolher imigrantes judeus
Em 1938, depois da proposição de um mini-Estado judeu, e também de uma transferência de árabes, pensada pela comissão britânica dirigida por Lord Peel, Ben Gurion declarou diante do comitê executivo da Agência Judaica: “Eu sou favorável à transferência obrigatória — uma medida que não tem nada de imoral”. A Guerra de 1948 ofereceu-lhe a ocasião sonhada. Seis meses antes da intervenção dos exércitos árabes, ele lançou contra a população autóctone a ofensiva destinada a deportá-la. Para realizar esse projeto — revela Pappé —, Ben Gurion possuía um arquivo com dados de todas as aldeias árabes, contendo informações demográficas, econômicas, políticas e militares, arquivo criado pela Agência Judaica em 1939 e atualizado constantemente ao longo da década de 1940.

Os meios aos quais as forças judaicas recorreram — e que Ilan Pappé analisa em detalhes — são de dar frio na espinha, mesmo que tenham por precedentes as atrocidades cometidas no curso das purificações étnicas conduzidas por outros povos desde a alta antigüidade. O balanço feito pelo historiador é eloqüente: em alguns meses, foram registrados dezenas de massacres e execuções sumárias; 531 aldeias, em um total de mil, foram destruídas ou reconvertidas para acolher imigrantes judeus; onze centros urbanos etnicamente mistos viram-se esvaziados de seus habitantes árabes.

Sob a ponta das baionetas, o conjunto de palestinos de Ramallah e de Lod, cerca de 70 mil pessoas, inclusive crianças e idosos, foi banido em poucas horas, em meados de julho de 1948. A operação foi instruída por Ben Gurion, como o testemunham as memórias, posteriormente censuradas, do futuro primeiro-ministro Itzhak Rabin — à época, o oficial superior encarregado, juntamente com Igal Allon, da atividade. Repelidos em direção à fronteira da Cisjordânia, vários palestinos morreram no caminho, de cansaço. A mesma coisa ocorrera, em abril, na cidade de Jaffa, quando 50 mil de seus habitantes árabes tiveram de fugir, aterrorizados pelo ataque intensivo da artilharia do Irgun [7], e pelo medo de novos massacres. Foi o que o próprio Benny Morris chama de “fator atrocidade”.

Esses horrores são ainda mais injustificáveis quando se sabe que muitas aldeias árabes — Ben Gurion mesmo o confessa — haviam declarado sua vontade de não resistir à divisão da Palestina e até mesmo decidido estabelecer, para esse fim, acordos de paz com seus vizinhos judeus. Foi o caso da aldeia de Deir Yassin, onde, apesar de tudo, as forças irregulares do Irgun e do Lehi [8] exterminaram uma parte considerável da população — com o acordo tácito da Haganá, o exército “regular” da Agência Judaica, segundo Simha Flapan.

Entre 1947 e 49, entre 750 e 800 mil palestinos tiveram de se exilar. Seus imóveis e móveis foram confiscados.O Fundo Nacional Judeu tomou 300 mil hectares de terras árabes
No total, entre 1947 e 1949, de 750 mil a 800 mil palestinos tiveram de tomar o caminho do exílio, enquanto seus bens imobiliários e mobiliários eram confiscados. Segundo a estimativa de um oficial israelense citado por Dominique Vidal, o Fundo Nacional Judeu se apoderou de 300 mil hectares de terras árabes, das quais a maior parte foi dada aos moradores dos kibutz. A operação não poderia ter sido melhor concebida: no dia seguinte ao voto da Assembléia Geral das Nações Unidas, de 11 de dezembro de 1948, que aprovou a famosa resolução sobre o “direito ao retorno”, o governo israelense adotou a “lei de urgência relativa às propriedades dos ausentes”, que complementou aquela sobre o “cultivo das terras abandonadas”, de 30 de junho de 1948, e legalizou retroativamente a espoliação, proibindo que os espoliados se instalassem novamente em suas casas ou reivindicassem qualquer compensação.

Apesar dos protestos de alguns membros do governo israelense, escandalizados pela brutalidade da purificação étnica, Ben Gurion — que não havia patrocinado explicitamente e por escrito essas ações — não fez nada para interrompê-las. Contentou-se em denunciar os saques e os estupros a que os soldados do Tsahal se entregavam — crimes que se beneficiaram, contudo, de uma impunidade total. O mais espantoso, sem dúvida, foi o pesado silêncio da “comunidade internacional” — silêncio que se prolongou por várias décadas, durante as quais os observadores estrangeiros, incluídos os da ONU, não ignoraram as atrocidades cometidas. Compreendemos melhor, dessa maneira, porque os palestinos falam em nakba (catástrofe) quando se referem à “guerra de independência de Israel”.

Avi Shlaim, professor de longa data no St. Anthony’s College, em Oxford, acaba de publicar Le Mur de fer, Israël et le monde arabe [”O muro de ferro: Israel e o mundo árabe”. ainda ainda sem edição em português]. No livro, Shlaim destrói mais um mito: o de um Estado de Israel enamorado pela paz, em oposição ao belicismo dos Estados árabes dedicados a aniquilá-lo. O título de sua obra refere-se à doutrina de Zeev Jabotinsky. Já em 1923, esse pai da direita ultranacionalista judaica, afirmava que era imprescindível desistir de negociar um acordo de paz antes de ter colonizado a Palestina, protegido dos perigos por um “muro de ferro”, já que os árabes só compreendiam a lógica da força.

Tendo adotado essa doutrina na prática, políticos e militares israelenses, tanto de “direita” quanto de “esquerda”, teriam, no mais das vezes, sabotado os sucessivos planos de paz. Calculando que o tempo joga a favor de Israel, e sustentando que este “não tem um parceiro pela paz”, conforme as palavras de Ehud Barak, os dirigentes de Jerusalém esperam sempre que a parte contrária se resigne a aceitar a expansão territorial do Estado judeu e a fragmentação de um hipotético Estado palestino, condenado a se tornar um mosaico de “bantustões”. A obra de Shlaim, cuja edição inglesa no ano 2000 tornou-se um best-seller, com mais de cinqüenta mil exemplares vendidos, foi traduzida em várias línguas antes de aparecer em hebraico, cinco anos depois: a quase totalidade dos editores israelenses a havia considerado até então “sem interesse”.

Historiadores, sociólogos, escritores, jornalistas e cineastas da nova onda da intelligentsia são sionistas de tipo novo. Estão convencidos de servir à causa da paz, ao restabelecer a verdade histórica
Avi Shlaim admite “reconhecer a legitimidade do movimento sionista e a do Estado de Israel em suas fronteiras de 1967”. Ele acrescenta, porém: “Por outro lado, rejeito totalmente o projeto colonial sionista além dessa fronteira”. Com algumas exceções, os historiadores, sociólogos, escritores, jornalistas e cineastas pertencentes à nova onda da intelligentsia são, como ele, sionistas de um tipo novo, aos quais apelidamos de “pós-sionistas”. Todos estão convencidos de servir à causa da paz ao restabelecer a verdade histórica e ao reconhecer os prejuízos causados aos palestinos.

Para apreender o sentido e o alcance dessa mutação, iniciada nos anos 1980, podemos ler com proveito a pesquisa realizada em Israel por Sébastien Boussois junto aos novos historiadores e seus adversários [9]. Alguns chegaram à conclusão de que a instituição de um Estado de Israel “normalizado”, em paz com seus vizinhos, depende em grande medida do impacto que esses intelectuais contestadores terão sobre a sociedade e principalmente sobre o mundo político israelense.

É o que escreve, à sua maneira, Yehuda Lancry, antigo embaixador de Israel na França e nos Estados Unidos: “Os ‘novos historiadores’, mesmo por meio do radicalismo de Ilan Pappé, são tanto os batedores dessa região pouco clara da consciência coletiva israelense quanto os preparadores de uma adesão mais firme ao reconhecimento mútuo e à paz com os palestinos. Seu trabalho, longe de representar uma fonte de transtornos para Israel, é uma honra para o seu país — e, mais do que isso, um dever, uma obrigação moral, uma prodigiosa tomada de responsabilidade sobre um empreendimento liberador capaz de inscrever no vivido israelense as linhas de articulação, os interstícios saudáveis, necessários para a inserção do discurso do outro [10].”

[1] Termo iídiche, que significa calamidade ou grande catástrofe, com o qual os judeus se referem ao holocausto nazista.

[2] Originalmente, o termo nomeava judeus, armênios e outras minorias às quais era negada autorização para emigrar na antiga União Soviética. Atualmente, a palavra designa aqueles que alegam objeção de consciência para não servir o exército israelense.

[3] The Birth of Israel, myths and realities (Nova York, Pantheon Books, 1987).

[4] Dominique Vidal é jornalista, integrante do coletivo de redação de Le Monde Diplomatique (França). Seu livro Comment Israel expulsa les Palestiniens (Como Israel expulsou os palestinos) é uma edição revista e ampliada da obra Le péché originel d’Israel (O pecado original de Israel), publicada pelo mesmo autor, em colaboração com Joseph Algazy, pelas Éditions de l’Atelier, em 1988.

[5] Força paramilitar judaica. Criada durante o Mandato Britânico na Palestina, entre 1920 e 1948, tornou-se a coluna vertebral do exército israelense.

[6] Em uma entrevista ao diário Haaretz (Tel Aviv, 8 de janeiro de 2004).

[7] Organização sionista terrorista atuante na Palestina. Fundado em 1931, o Irgun foi dirigido, a partir de 1943, por Menahem Begin, futuro primeiro-ministro israelense. Em 1948, com a criação do Estado de Israel, a grande maioria de seus membros foi incorporada ao recém-criado exército nacional.

[8] Organização sionista terrorista atuante na Palestina. O Lehi nasceu, em 1940, de uma dissidência do Irgun, liderada por Avraham Stern.

[9] Ver Dominique Vidal, op. cit. Sébastien Boussois é, por outro lado, o autor de Israel, confronté à son passé (Israel confrontado com o seu passado). Paris, L’Harmattan, 2008.

[10] Prefácio ao livro de Dominique Vidal, op. cit.

“Le Monde diplomatique”

O lobby da guerra

O lobby da guerra

O lobby da guerra

Israel não quer um acordo com o Irã; Israel só negocia em termos de capitulação completa e incondicional: isso, ou guerra.

Enquanto, em Genebra (Suíça) representantes do Irã e da Rússia,AlemanhaFrançaReino UnidoUnião Europeia e Estados Unidos da América (Grupo dos 5 + 1) discutiam os passos necessários para pôr fim ao “problema nuclear iraniano” – um problema criado artificialmente -, o Estado de Israel mostrava, uma incontável vez mais, a sua determinação de preservar sua hegemonia regional a qualquer custo. Uma incontável vez mais, lança mão das comunidades judaicas nesses países (e em outros, como o Brasil) como parte de seus esforços de propaganda e desinformação. E, uma outra incontável vez, essas comunidades deixam-se instrumentalizar, reforçando o amálgamaperigoso que se criou e que identifica, perversamente, judaísmo com sionismo.

O Irã declarou que suas pesquisam nuclear não visam à obtenção de armas nucleares. Um dos serviços de “inteligência” (espionagem) estadunidenses confirmou que não há nenhuma informação que comprove o contrário. Várias missões de inspeção de órgãos das Nações Unidas não encontraram, elas tampouco, indícios de que a república islâmica estivesse caminhando rumo à produção de bombas atômicas – das quais Israel possui, como único pais na região, entre 200 e 400.

O objetivo do regime sionista não é que se impeça ao Irã de produzir tais armas; seu objetivo é o desmantelamento completo do programa nuclear daquele país, inclusive o que é, comprovadamente, de uso puramente civil.

Um dos ministros mais extremistas de direita desse regime, Naftali Bennettconclamou na semana passada as comunidades judaicas na “Diáspora” (ou seja, nos países natais de seus correligionários judeus, países dos quais são cidadãos gozando de todos os direitos e benefícios) a pressionarem os seus respectivos governantes para que esses não aceitem um provável acordo entre o Irã e o o Grupo dos 5+1. A posição da França do pseudo-socialista François Hollande, à qual atribui-se o encerramento das discussões sem um acordo aceitável a todas as partes, teria sido tomada em decorrência dessas pressões, ou estaria a França simplesmente fazendo a parte do “bad cop” em um jogo dirigido pelos EUA que, desta vez, querem mostrar-se como “good cop”?

O influente lobby sionista nos EUA, que domina a maior parte das instituições representativas da comunidade judaica naquele país, também participa ativamente da campanha belicista de Telavive. Nestes dias, as Federações Judaicas da América do Norte, entidade que reúne cerca de 300 organizações dos EUA, está reunida em assembléia geral – não em alguma cidade estadunidense, como seria de se esperar, mas em Israel. Lá, os belicistas tentarão capitalizar esforços e recursos para generar uma grande pressão sobre os legisladores dos EUA, e sobre a administração Obama, para que não se chegue a acordo algum com o Irã. Pressões similares já estão ocorrendo na Rússia, na França, no Reino Unido e em outros países da União Europeia. Quem lê as publicações oficiais dos órgãos representativos (ou que se declaram como tal) da população judaica desses países vê do que se trata.

Israel não quer um acordo com o Irã; Israel só negocia em termos de capitulação completa e incondicional: isso, ou guerra.

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