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Sionismo e resistência palestina

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Sionismo e resistência palestinaFélix Maier

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O Sionismo é um movimento internacional judaico, que resultou na criação do Estado de Israel.

A ONU, em 1947, dividiu a antiga Palestina em um território judeu e um território palestino. Os países árabes vizinhos (Egito, Síria, Jordânia e Iraque) não aceitaram a decisão da ONU e empreenderam uma guerra contra os israelenses, logo após a criação do Estado de Israel, em 1948. Após derrotar os árabes nessa 1ª guerra, Israel aumentou em 50% seu território, ocasionando a diáspora palestina.

Na Guerra de 1967, aumentou a diáspora palestina, quando Israel tomou toda a Península do Sinai, a Faixa de Gaza, a Cisjordânia (incluindo a parte Oriental de Jerusalém) e as Colinas de Golã.

Com um acordo entre Israel e os palestinos, iniciado em 1993, Gaza e algumas cidades da Cisjordânia, como Jericó, Hebron, Ramallah e Belém, começaram a ser transferidas para a Autoridade Palestina, porém o conflito entre Israel e os palestinos continua até hoje, com a retomada da 2ª intifada em 2000, tendo em vista o não cumprimento de uma agenda que previa a devolução de toda a Cisjordânia à Autoridade Palestina, e devido à intransigência dos palestinos, que querem fazer de Jerusalém-Oriental sua futura capital.

Antecedentes
A 1ª diáspora ou dispersão judaica (exílio) ocorreu em 586 a.C., quando o imperador babilônico Nabucodonosor II destruiu Jerusalém e o Templo de Salomão, e deportou os judeus para a Babilônia (586-538 a.C.). A 2ª diáspora judaica começou a partir de nova destruição de Jerusalém e do 2º Templo (que havia sido reconstruído por Herodes), realizada por Tito em 70 de nossa era, e encerrou-se em 135, depois que os judeus se revoltaram contra a paganização da cidade de Jerusalém, feita pelo Imperador Adriano, com um templo dedicado a Júpiter. Após essa revolta, os judeus remanescentes na Palestina foram proibidos de pôr os pés na Cidade Santa, que passa a se chamar Aelia Capitolina, e começam e se espalhar por todo o mundo, ficando um número insignificante deles na Terra Santa. Em 637, começa o domínio árabe sobre a Palestina, permeado por um curto domínio do Reino Latino (dos Cruzados), de 1099 a 1291, o qual foi desbaratado por Saladino, Sultão do Egito. A partir do início do século XIV, a Palestina se torna parte do Império Otomano, até o fim da I Guerra Mundial (1918), quando se torna Protetorado Britânico, que perdurou até a criação do Estado de Israel.

Sionismo
O Sionismo, ideologia nacionalista que prega a volta dos judeus à Palestina, começa a tomar corpo principalmente depois das perseguições movidas contra os judeus na Rússia, devido ao envolvimento da judia Vera Figner no assassinato do Czar Alexandre II, em 1881, e do processo na França contra o Capitão Dreyfus, de família judaica, condenado em 1894 por um crime que não cometera. O judeu húngaro Theodor Herzl, autor do livro “Der Judenstaat” (O Estado Judeu), no qual aborda idéias de assentamentos judaicos na Palestina, observando a intolerância contra os judeus na sociedade, especialmente o Caso Dreyfus, organiza, em agosto de 1897, o 1º Congresso Sionista Mundial, na Basiléia, Suíça, ocasião em que afirma: “O sionismo é o movimento do povo judeu em marcha para a Palestina; mas, o retorno à Palestina deve ser precedida pelo retorno do povo judeu ao judaísmo”.

O Congresso Sionista reuniu 204 dirigentes judeus do mundo todo e as seguintes resoluções secretas foram tomadas em 3 dias de debates:

“1) Estimular a colonização da Palestina, povoando-a de judeus, mediante uma emigração metodicamente organizada; 2) Organizar o movimento judeu, unificando suas formações espalhadas pelo mundo; 3) Despertar, reforçar e mobilizar a consciência judia em todas as comunidades; 4) Atuar nos diferentes Estados para obter o apoio e a anuência dos mesmos para o movimento sionista” (Hussein Triki, in “Eis aqui Palestina”, pg. 53).

“Quanto a Herzl, fixou, por sua vez, as fronteiras do Estado, como segue: vão do Nilo ao Eufrates e da margem direita do Nilo ao Mar Vermelho e a margem esquerda do Eufrates, a maior parte do Iraque e a totalidade da Jordânia e da Síria, sem falar, naturalmente, da Palestina” (Hussein Triki, op. cit., pg. 67).

Assim, a partir do Congresso Sionista, começa a ocupação judaica da Palestina, a “Eretz Israel” ou a “pátria histórica dos judeus”, embora outros países fossem propostos para a criação de um novo Estado judeu, como a Argentina, o Chipre, Uganda e até o Sinai (Egito).

Em 1880, havia cerca de 20.000 judeus na Palestina (Dictionaire Diplomatique, pg. 204). Em 1914, cerca de 30 kibbutzim já se haviam estabelecido na Palestina, somando 40.000 judeus, embora houvesse crescente restrição dos otomanos. Em 1919, já eram 56.000 (Survey of Palestine, TI, pg. 144). Em 1923, após o recenceamento da Administração Herbert Samuel, a Palestina contava com 757.000 hab, dos quais 83.000 eram judeus. A colonização era feita, principalmente, por meio dos “kibbutzim”, colônias agromilitares de inspiração socialista. Afirmou H. Samuel: “A política que tenho a missão de implementar no nome de S. M. compreende o fomento da imigração judia até o ponto em que haja alcançado um nível tal que permita afirmar o direito dos judeus de criar um governo judeu na Palestina”.

Entre 1920 e 1925, a Administração H. Samuel, em cooperação com “El Kahal”, havia introduzido na Palestina 50.000 imigrantes judeus, que vieram principalmente da Rússia e da Polônia. Entre eles destacam-se: David Ben Gurión, Golda Meir, Jacobo Shapiro, Haim Gebai, Mordkhai Bentof, Moshe Sharet. Ao final do Mandato britânico, eram 600.000 judeus. Em 1916, os sionistas eram proprietários de 241.000 dunums (1 dunum = 1.000 m²); em 1947, de 1.850.000 dunums.

A criação do Protetorado Britânico sobre a Palestina, depois da I Guerra Mundial, realizada pela Liga das Nações (precursora da ONU), e a posterior criação do Estado judeu, foi uma traição da Grã-Bretanha ao acordo firmado com o Príncipe Faiçal, da Arábia Saudita, na Campanha Árabe contra os turcos, durante I Guerra Mundial, no qual se garantia “a unidade dos países árabes e a independência de todos esses países” – traição essa já vislumbrada por “Lawrence da Arábia” em seu livro “Os Sete Pilares da Sabedoria”, embora não conhecesse o conteúdo do Acordo Sykes-Picot. Lawrence era um oficial inglês, amigo dos árabes, e participou da campanha contra os turcos para a libertação da Península Arábica, Palestina e Síria.

Em 1916, o acordo “G.S.I(j)” foi firmado entre os sionistas e o Comando britânico na zona do Oriente Médio, pelo qual os britânicos armaram as brigadas da Hagganah – embrião do futuro Exército de Israel – e ficaram encarregados de seu adestramento na guerrilha.

Em 1917, David Ben Gurión e Isaac Ben Zvi formam nos EUA uma brigada de voluntários judeus americanos para combater os turcos no Egito e na Palestina. Durante a II Guerra Mundial, a Hagganah tinha cerca de 30.000 militares, entre os quais Moshe Dayan, herói da “Guerra dos Seis Dias”, de 1967.

No dia 2 de novembro de 1917, o Governo britânico reconheceu a “Declaração Balfour” – de seu Ministro do Exterior, Arthur James Balfour – que concedia o direito do estabelecimento de um “lar judeu” na Palestina. No entre-guerras, o Mandato britânico permitiu aos sionistas montar uma indústria bélica, que chegou a produzir “200 metralhadoras por dia, 400.000 cartuchos calibre 9 mm por mês, 150.000 obuses e 30.000 granadas calibre 3 polegadas; sem contar os morteiros pesados e leves e uma indústria muito adiantada de mina”. (Hussein Triki, op. cit., pg. 121).

Nessa época, milhares de judeus europeus imigraram para a Palestina, fugindo do nazismo, ocasião em que aumentaram os distúrbios entre árabes e judeus, e surgiram os primeiros grupos terroristas judeus, como o Irgun de Menachen Begin. O hebraico ressurgiu como língua oficial para os judeus na Palestina, graças principalmente ao trabalho de Eliezer Ben-Iehudá.

Com o fim da II Guerra Mundial e os horrores do holocausto judeu, o movimento sionista passou a exercer uma maior pressão internacional para a criação de um Estado judeu. No dia 2 de abril de 1947, a Grã-Bretanha solicitou ao Secretário-Geral da ONU, Trygve Lie, a convocação de uma sessão extraordinária da Assembléia-Geral da organização, para estudo da “Questão Palestina”. Em 28 de abril, a AGNU reuniu-se e decidiu, em 5 de maio, criar a “Comissão Palestina”, composta de representantes de 11 Estados-membros.

No final de agosto, foram apresentados 2 projetos diferentes:

a) o projeto majoritário sugeria: 1) fim do Mandato britânico; 2) proceder à partilha da Palestina e criar nela um Estado judeu e um Estado árabe; 3) considerar a cidade de Jerusalém como zona internacional com o patrocínio da ONU.

b) o projeto minoritário previa: 1) fim do Mandato britânico; 2) criação de um Estado federal cuja capital seria Jerusalém, que se comporia de um Estado árabe e de um Estado judeu.

No dia 29 de novembro de 1947, na Assembléia-Geral da ONU, em Flushing Meadows, EUA, presidida pelo brasileiro Osvaldo Aranha, foi votada a partilha da Palestina, quando 33 Estados votaram a favor, entre os quais EUA, Rússia e Brasil. Treze Estados (10 países islâmicos, Cuba, Grécia e Índia) votaram contra a partilha e 10 abstiveram-se (entre os quais Grã-Bretanha, Argentina, China e México). Os votos que decidiram a favor da partilha vieram do Haiti, Libéria e Filipinas – considerados países “satélites” dos EUA -, os quais eram inicialmente contra a partilha, mas foram pressionados a votar a favor. Jerusalém teria status de cidade internacional. A ONU destinou aos judeus as terras mais férteis da Palestina, como a planície costeira e a planície do Esdrelon, além do Lago da Galiléia. Embora a população árabe, na época da partilha, comportasse 2/3 da população total da Palestina, de 1.936.000 habitantes, a ONU lhe destinou apenas 42,88% do território, com terras arenosas e pobres.

No dia 19 de março de 1948, os EUA apresentaram um projeto ao CSNU, para que fossem suspensas as atividades referente à partilha da Palestina, e que os árabes fossem convidados a concluir um armistício. Em 24 de março, a Agência Judia repudiou veementemente o projeto americano e que deveria ser posto fim ao Mandato britânico em 15 de maio, e solicita ser reconhecida como Governo de Israel.

No dia 9 de abril, ocorre o massacre de 250 palestinos na aldeia de Deir Yasin, próxima a Jerusalém, com anciões e crianças degoladas, mulheres grávidas estripadas. O bárbaro ato foi promovido por homens do Irgun e do Stern, sob o comando de Menahen Begin. Terroristas judeus já haviam assassinado 4 policiais em Tel Aviv, no dia 26 de setembro de 1947, e em 20 de outubro do mesmo ano haviam matado o Xeque Ahmed Salama Touiki e mais 4 membros de sua família, perto da localidade de Ranana.

No dia 14 de maio de 1948, em Tel Aviv, David Ben Gurión leu a proclamação do Estado de Israel. Oito horas após esse ato, o novo Estado de Israel foi invadido por tropas árabes do Egito, Síria, Jordânia e Iraque. Após essa guerra vitoriosa, Israel aumentou seu território em 50%. Os palestinos, em sua maioria, fugiram para a Jordânia, onde entraram em choque com o Exército local, culminando em 1970 num sangrento massacre de palestinos, conhecido como “Setembro Negro”. Os sobreviventes foram expulsos para o Sul do Líbano, onde Yasser Arafat montou seu quartel-general, juntamente com outros grupos de resistência palestina.

Na guerra de 1948, Israel arrasou vilas-fantasmas inteiras dos antigos moradores árabes e proibiu o retorno dos mesmos após a guerra, iniciando-se a diáspora palestina. A parte árabe da antiga Palestina, que deveria formar o novo Estado palestino, foi anexada pela Jordânia em 1950. Israel entrou, ainda, em guerra com os vizinhos árabes em 1956, 1967 e 1973, vencendo sempre. Em 1967, em apenas 6 dias, Israel tomou toda a Península do Sinai, a Faixa de Gaza, toda a margem oeste do Rio Jordão (Cisjordânia), Jerusalém-Oriental e as Colinas de Golã, na Síria. Foi o maior território já conquistado por Israel depois de 1948, aproximando-se do “Grande Israel” ou “Israel Bíblico” sonhado por Theodor Herzl e pelos judeus ortodoxos até os dias atuais. “Nessa guerra, aumentou o terrorismo de Israel contra os palestinos dos territórios ocupados. Muitas aldeias foram destruídas pelos judeus, os tratores alisando o terreno, a população tendo que fugir para escapar do massacre. As terras dos ‘ausentes’ foram confiscadas para instalação de bases militares e assentamentos agrícolas. Formaram-se ‘cinturões’ de assentamentos judeus em torno das principais cidades da Cisjordânia, como Hebron, Belém, Ramallah, Jericó e Nablus, além de Jerusalém. De 1967 até 1983, foram instaladas 163 colônias agrícolas (kibbutzim) na Cisjordânia e 12 em Gaza. No Golã sírio foram estabelecidos 29 kibbutzim entre 1967 e 1980. Enquanto os colonos judeus na Cisjordânia podiam perfurar poços artesianos de até 300 m de profundidade, os palestinos só podiam atingir 100 m” (Félix Maier, in “Egito”, pg. 153 e 154).

Após a Guerra do Yom Kippur, de 1973, iniciada pelo Egito e pela Síria contra Israel, é assinado o acordo de paz de Camp David entre egípcios e israelenses, em 1979, pelo qual Israel se compromete a devolver a Península do Sinai ao Egito, devolução essa efetuada somente em 1982.

Em 1982, durante a invasão israelense do Sul do Líbano, houve o massacre de Sabra e Chatila, sob a complacência do então Ministro da Defesa de Israel (hoje Primeiro Ministro) Ariel Sharon. Cerca de 800 refugiados palestinos foram massacrados, incluindo crianças e mulheres grávidas.

Entre 1948 e 1970, mais de 1.300.000 imigrantes judeus se instalaram na Palestina, aumentando a população judia de 700.000 para 3.000.000. A “Lei do Retorno” concede, ainda hoje, cidadania israelense a qualquer judeu no exterior que chegue para viver no país. Após o fim da URSS, houve grande fluxo de judeus russos a Israel, além de judeus africanos, como os “falashas” etíopes, atraídos pela política desenfreada de assentamentos do então Governo Yitzhak Shamir, auxiliado por seu Ministro da Habitação, Ariel Sharon, principalmente nos territórios ocupados.

Porém, após a Guerra do Golfo, em 1991, e especialmente com a nova situação política no Oriente Médio em direção à paz entre árabes e judeus, após o Acordo de Paz entre Israel e a OLP de Yasser Arafat, assinado no dia 13 de setembro de 1993, os EUA negaram um empréstimo a Israel de 10 bilhões de dólares, para congelar a política de rápida ocupação do solo da Cisjordânia. Entre 1990 e 1993, 550.000 imigrantes se estabeleceram no Estado de Israel. Em 1994, foram apenas 78.000.

A partir do Acordo de Paz de 1993, Israel cede a Faixa de Gaza e Jericó à Autoridade Palestina, embrião do que deveria ser um futuro Estado palestino. Devido a tal acordo, Yitzhak Rabin foi assassinado por um extremista judeu do Eyal, no dia 4 de novembro de 1995, da mesma forma que Anwar El-Sadat também o fora em 6 de outubro de 1981 por extremistas da Jihad Islâmica egípcia, por assinar um acordo similar com Israel.

Começando a engatinhar em Gaza e Jericó, depois por Hebron, Nablus, Ramallah, Belém e outras cidades, não se sabe se o novo Estado palestino será mesmo efetivado. Durante a última década, houve avanços e retrocessos, mais retrocessos do que avanços, em direção à paz entre israelenses e palestinos. Durante o Governo Barak, Arafat deixou escapar a melhor oportunidade para enfim criar um Estado palestino. Israel prometeu devolver 95% de toda a área da Cisjordânia, porém Arafat só concordaria com a oferta se Israel acolhesse os refugiados palestinos e devolvesse Jerusalém-Oriental para ser a capital de um Estado palestino. Após uma visita de Ariel Sharon à Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém-Oriental, em 2000, teve início uma revolta palestina generalizada, a chamada 2ª Intifada, com atentados de homens-bomba contra a população israelense se realizando quase que diariamente, culminando, em 2002, com o ataque maciço de Israel contra cidades da Cisjordânia e Gaza, com o objetivo de desmantelar os focos terroristas dos fedayn. Arafat havia provado ao mundo que, além de não ter ascendência sobre os grupos extremistas palestinos, para que não promovessem atentados contra Israel, ainda financiava os mesmos terroristas, com a importação de toneladas de armamento – como o caso do navio aprisionado pelos israelenses. Do outro lado da trincheira, o falcão Sharon aproveitou-se da situação para tirar diferença com seu desafeto preferido, alisando algumas cidades palestinas com seus tanques de guerra.

Mesmo que no futuro seja criado um Estado palestino, deve-se considerar as dificuldades da Autoridade Palestina em exercer um controle eficaz sobre seus grupos extremistas, especialmente os “homens-bomba” do Hamás e da Jihad Islâmica, além do Hizbullah que atua no Sul do Líbano, com ataques ao norte de Israel, os quais não aceitam sequer a existência do Estado de Israel. O lema desses grupos extremistas é significativo: “A guerra continuará até que Israel deixe de existir e até que o último judeu no mundo seja eliminado”. Por outro lado, deve haver uma disposição sincera de Israel realizar a completa devolução da Cisjordânia aos palestinos e conter também seus próprios extremistas. Um dos pontos da discórdia árabe-israelense continua sendo Jerusalém, eleita para ser a capital tanto de Israel como dos palestinos.

Consideração final
Essa é, resumidamente, a história do conflito árabe-israelense. Que bom seria se ambos os povos se juntassem em uma federação israelo-palestina, para o desenvolvimento daquela importante região turística, que reúne uma infinidade de templos sagrados das três religiões monoteístas – o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. A custódia dos lugares sagrados, sem dúvida, deve ser feita por judeus, cristãos e muçulmanos. Afinal, há também importantes templos cristãos em Jerusalém, embora o Papa não seja convidado para opinar sobre o atual conflito. Sem dúvida, Jerusalém deveria ser uma cidade internacional, gerenciada pela ONU. Contudo, palestinos e israelenses preferem lutar até a aniquilação mútua, em uma carnificina que lembra os tempos de bárbaros como Átila e Gengis Khan. Em dois anos de conflito, a “2ª Intifada” já provocou a morte de mais de 2.000 palestinos e de mais de 500 judeus.

Com Ariel Sharon e Yasser Arafat à frente de seus povos, não vejo solução para o conflito atual. Com uma folha corrida de intensa atividade terrorista, os chefes dos dois povos beligerantes não têm estatura moral para efetivar um acordo de paz. Eles são, respectivamente, o inimigo número um de um povo e de outro. Sugiro que ambos sofram 100 chibatadas na bunda e sejam levados à Corte Internacional de Haia, para que sejam processados ao lado do ex-presidente iugoslavo Milosevic.

Observações
Os verbetes, abaixo, complementam a compreensão de “Sionismo e resistência palestina”, e fazem parte de “Arquivo da Intolerância”, de minha autoria, publicado em Usina de Letras (www.usinadeletras.com.br):

Acordo Sykes-Picot – Acordo secreto anglo-francês, realizado em maio de 1916, para a partilha do Mashrek árabe (Oriente árabe), tornado público pela Revolução Bolchevique em 1917. Em virtude desse Acordo, após o fim da I Guerra Mundial (1918), o Iraque tornou-se dependente da Grã-Bretanha; a Palestina ficou sob Mandato britânico para ser entregue aos sionistas; a Síria e o Líbano passaram para o domínio francês.

Campo de concentração – “Denominação que se dá a estabelecimentos que, à margem dos sistemas penitenciários usuais, são utilizados para a detenção, suposta reeducação, exploração de mão-de-obra gratuita ou mesmo extermínio de pessoas, por razões ideológicas políticas e militares”. (Mirador, Vol 5, pg. 1967) No final do século XIX, o Governo espanhol criou campos de concentração em Cuba, para confinar grande quantidade de homens, mulheres e crianças, em resposta às rebeliões da Ilha. A Inglaterra copiou essa experiência na Guerra dos Bôeres, ocorrida na atual África do Sul (1899-1902), aprisionando cerca de 200 mil pessoas até o fim das hostilidades, com a anexação das repúblicas boêres ao Império Britânico. Na URSS, os Gulags eram campos de trabalhos forçados, que acolhiam os acusados de contra-revolução e espionagem, atingindo seu auge durante os expurgos stalinistas, no período de 1936 a 1938. Durante a Guerra Civil Espanhola, os franquistas, apoiados pelo III Reich, organizaram vários campos de concentração. Com o advento do Nazismo na Alemanha, os campos de concentração, inicialmente, tinham como finalidade “reeducar” os alemães contrários ao regime, a exemplo dos comunistas, sociais-democratas, católicos, protestantes e judeus. Rapidamente, os campos se transformaram em grandes comunidades de trabalho escravo, em instrumento de genocídio das “raças inferiores (ciganos, eslavos e, principalmente, judeus) e em centros de “experiências” pseudo-científicas, como as do “Anjo da Morte”, Josef Mengele. Havia campos com mais de 70 mil pessoas, de várias nacionalidades. Os presos eram identificados por um número de ordem (em Auschwitz eram tatuados no braço) e um triângulo de cor costurado nos uniformes: o verde era para criminosos comuns, o vermelho para os “políticos”, o roxo para os “opositores por convicção”, o preto para os anti-sociais, o rosa para os pederastas. Os judeus traziam sobre esse triângulo um outro, amarelo e sobreposto, para representar a estrela de Davi. Industrializavam-se a gordura, a pele, os ossos, os cabelos e os bens dos presos. Em torno de 6 milhões de pessoas perderam a vida nesses centros de terror. Havia vários campos de concentração nazistas: Bergen-Belsen, Buchenwald, Dachau, Dora, Flossenburg, Oranienburg-Sachsenhausen, Neuengamme, Ravensbrück (Alemanha); Natzwiller-Struthof (Alsácia); Mauthausen (Áustria); Kaunas, Riga (Países Bálticos); Theresienstadt (Boêmia); Auschwitz, Birkenau, Maidanek, Stutthof (Polônia).

Declaração Balfour – No dia 2 Nov 1917, o Governo britânico reconheceu a “Declaração Balfour – de seu Ministro do Exterior Arthur James Balfour -, que concedia o direito do estabelecimento de um lar judeu na Palestina. O texto, dirigido a Lord Rothschild, descendente da “família judia mais rica do mundo”, dizia o seguinte: “O Governo de S. M. vê, de modo favorável, o estabelecimento de um lar nacional para o povo judeu na Palestina e fará todos os esforços para facilitar a implementação deste projeto, seguro de que tal concessão não poderá causar qualquer prejuízo aos direitos civis e religiosos dos povos não-judeus residentes na Palestina, como também não prejudicará os direitos e a situação política de que desfrutam os judeus em todos os países. Ficarei muito agradecido se você transmitir essa declaração aos conhecimento da Federação Sionista. Com o maior afeto. Assinado: Arthur James Balfour”. (Cfr. Hussein Triki, in “Eis aqui Palestina”, pg. 74).

Fedayn – Suicidas muçulmanos, os “homens-bomba” são empregados em atentados, especialmente contra alvos israelenses. O atentado mais espetacular desse tipo de suicídio que se conhece foram os “aviões-bomba” lançados contra as torres gêmeas de Nova York e contra o Pentágono, no dia 11 de setembro de 2001.

Fundamentalismo – Conceito protestante que surgiu no século XX, para defender e conservar os elementos “fundamentais” da fé cristã, através da interpretação literal da Bíblia. Atualmente, refere-se ao conjunto de ideologias que vêem, exclusivamente nos fundamentos da religião, a base para a organização da vida social e política. Principais movimentos fundamentalistas no mundo: 1) Fundamentalismo islâmico: teve origem na Arábia Saudita, durante o século XVIII, com o Wahabismo, uma teoideologia radical formulada na versão radical do Islamismo; exemplos de fundamentalismo islâmico: xiítas no Irã, após a Revolução Iraniana de 1979, conduzida por Ruhollah Khomeini; a Gammaat-i-Islamia no Egito; a FIS na Argélia; o Hezbollah no Líbano; o Hamás nos territórios ocupados por Israel; a milícia Talibã no Afeganistão; 2) Fundamentalismo hindu: como exemplo temos: a organização Shiv Sena e o Partido Bharatiya Janata (BJP), os quais destilam seu ódio contra os demais segmentos religiosos da Índia, especialmente muçulmanos; e os Sikhs, membros de uma seita hindu monoteísta fundada no século XVI, que desejam fundar o Khalistão (“Terra dos Puros”) em território indiano; 3) Fundamentalismo judaico: o Eyal (Força Judaica Combatente) e o Kahane Vive.

Hagganah – Guarda Nacional judaica, instalada em cada kibbutz na Palestina, especialmente a partir de 1920, quando a Grã-Bretanha foi investida do Mandato sobre a Palestina, e que cresceu consideravelmente durante a Revolta Árabe contra os judeus, de 1936 a 1938, pois a população judaica vinda da Rússia e da Europa Oriental (especialmente depois de 1933, com a perseguição nazista) aumentou para 29% da população palestina (dados de 1938). O Hagganah foi o embrião do Exército de Israel e é acusado de ter raptado o coronel nazista Adolf Eichmann, em 1960, na Argentina, com a complacência do Governo de Frondizi.

Hamás – “Entusiasmo” (em árabe). Movimento de Resistência Islâmico-Palestino. Grupo radical anti-sionista, formado em 1978 a partir da “Irmandade Muçulmana”, tornou-se o principal rival da Al-Fatah nos territórios ocupados por Israel (Faixa de Gaza e Cisjordânia), onde tem concentrada sua força. Promove atentados suicidas contra israelenses, principalmente a partir da 2ª Intifada.

Hizbollah – “Partido de Deus” (em árabe). Grupo xiita radical formado no Líbano, dedica-se a criar um Estado islâmico nos moldes do Irã. É anti-Ocidente e anti-Israel e responsabilizou-se pelo atentado do carro-bomba contra a Embaixada Israelense em Buenos Aires, em março de 1992. É suspeito de ter atacado a Embaixada Americana e o acampamento dos “marines” em Beirute, em outubro de 1983. Opera no Vale do Bekaa e Sul do Líbano. Tem filiais em 17 países muçulmanos e agentes “dormentes” na Europa (sobretudo Alemanha), nos EUA e na América do Sul. Criado pelo Serviço Secreto do Irã, recebe desse país ajuda financeira, treinamento, armas, explosivos e facilidades diplomáticas. Treina seus militantes no Campo de Nahavand, em Hamadan, a Sudoeste de Teerã. Também conhecido como Jihad Islâmica, Organização da Justiça Revolucionária, Organização dos Oprimidos sobre a Terra e Jihad Islâmica para a Libertação da Palestina.

Iídiche – Idioma da diáspora judaica, foi utilizado por 11 milhões de judeus Ashkenazim até o Holocausto. Era uma língua coloquial, com mesclagem do Alto Alemão e do Hebraico, enriquecida por frases e expressões singulares da vida de vilarejos da Europa Oriental. Os Ashkenazim eram descendentes de tribos jázares, de antepassados russos e polacos, convertidos ao judaísmo no curso do século VIII. O Ladino era o idioma utilizado por outra corrente do judaísmo, os Sefaradim, uma forma arcaica do castelhano. Enquanto ocorre um renascimento mundial do Iídiche, o Ladino perde espaço entre os Sefaradim, maioria em Israel. Os Ashkenazim consideram-se descendentes dos judeus do Israel bíblico, e identificam os Sefaradim como descendentes dos judeus da Babilônia. Dentre nomes importantes, podemos destacar no mundo Sefaradi o filósofo, médico, jurista e escritor Maimônides, o filósofo Baruch Spinoza e o novelista Benjamin Disraeli; no mundo Ashkenazi, destacam-se Albert Einstein, Sigmund Freud e Karl Marx, descendente de rabinos e convertido pelo pai à Igreja Luterana.

Irgun – Organização terrorista judaica, chefiada por Menahem Begin, desejava um Estado de Israel com as fronteiras bíblicas originais. Na guerra de 1967, com a conquista da Península do Sinai, Faixa de Gaza, Cisjordânia, Jerusalém-Oriental e Colinas de Golã, trouxe aquela meta mais próxima de sua realização.

Massacre de Deir Yasin – Na manhã de 9 de abril de 1948, houve o massacre de 250 palestinos (incluindo 100 mulheres e crianças), na aldeia de Deir Yasin, próxima a Jerusalém. Anciões e crianças foram degoladas, mulheres grávidas estripadas. O ato terrorista, executado por homens do Irgun e do Stern, sob comando do chefe do Irgun, Menahem Begin, tinha como objetivo amedrontar os árabes. Após o massacre, o restante da população de Deir Yasin foi forçada a desfilar como animais pelas ruas de Jerusalém. “O banho de sangue de Deir Yasin foi a operação mais abjeta jamais realizada pelos terroristas sionistas” (Arthur Koestler, escritor judeu, in “Promise and Fulfilment”, Mac Millan, New York, 1949; cfr. Hussein Triki, op. cit., pg. 182). No dia 26 de setembro de 1947, terroristas judeus já haviam matado 4 policiais britânicos em Tel Aviv, e, em 20 de outubro do mesmo ano, o Xeque Ahmed Salama Touiki e mais quatro membros de sua família perto da localidade de Ranana.

Naródnaya Voliá – A Vontade do Povo: sociedade terrorista secreta dedicada à derrubada do czarismo, que se originou do Zemlya Volya. Existiu de 1879 até ser desbaratada em 1881, quando alguns de seus membros participaram do assassinato do Czar Alexandre II, incluindo a judia Vera Figner. O assassinato do Czar provocou terrível onda de perseguições aos judeus. A partir de 1882, começou a “invasão” de judeus à Palestina, especialmente atendendo ao chamado de 3 altos dirigentes sionistas: o Grande Rabino Tzvi Hirsch Kalischer, Moses Hess e Leo Pinsker.

Protocolos dos Sábios de Sião, Os – O texto dos “Protocolos”, considerado apócrifo pelos judeus, seria uma pretensão judaica de dominação do planeta. “Sergio Nilus publicou os ‘Protocolos dos Sábios de Sião’, ou plano secreto dos judeus, pela primeira vez em São Petersburgo, em 1902. Existe um exemplar dessa edição na biblioteca do British Museum de Londres, com o número 3926, d. 17, registrado a 10 de agosto de 1906. Os judeus consideram os ‘Protocolos dos Sábios de Sião’ um texto apócrifo; mas, está ao alcance de quem desejar comprovar sua autenticidade, para o que bastaria considerar a sistuação política, econômica e social que prevalecia no seio das sociedades humanas, principalmente na Europa, América e no Oriente Médio até 1897, e, logo, confrontar os objetivos sionistas fixados nesses ‘Protocolos’ e os meios de alcançá-los, com o que vem sucedendo desde o fim do século XIX até hoje. A coincidência dos acontecimentos que ocorreram – e ainda ocorrem – com os postulados dos ‘PROTOCOLOS’ é tão evidente como espantoso(!)… tal coincidência jamais pode ser o resultado de pura casualidade!” (Hussein Triki, in “Eis aqui Palestina”, pg. 293) Veja aqui eaqui também

Sabra e Chatila – Locais de campos de refugiados palestinos, no Sul do Líbano, nos quais ocorreu o massacre na noite de 16 para 17 de setembro de 1982, em área sob controle das Forças de Defesa de Israel (IDF). Os autores do massacre foram milicianos cristãos, liderados por aliados de Israel na invasão do Líbano, ocorrida naquele mesmo ano. Ariel Sharon, então Ministro da Defesa de Israel, consentiu o ataque, segundo comissão de inquérito realizada em Israel. Foram massacrados em torno de 800 pessoas, incluindo velhos, crianças e mulheres grávidas. Elie Hobeika, ex-ministro do Líbano, acusado de comandar as milícias cristãs nos massacres, morreu em uma explosão de carro-bomba, junto com 3 guarda-costas, no dia 24 de janeiro de 2002.

Stern – Grupo terrorista organizado por Menahen Begin, israelense nascido na Rússia Branca, cujos membros assassinaram, em 1948, o Conde Folke Bernadotte (parente da família real sueca), mediador internacional da ONU em Jerusalém, e seu assistente francês, André Serot. Begin também chefiou o Irgun e o Partido extremista do Kahal.

Bibliografia
1. MAIER, Félix. Egito – uma viagem ao berço de nossa civilização. Editora Thesaurus, Brasília, 1995. 2. TRIKI, Hussein. Eis aqui Palestina… O Sionismo ao Desnudo. Gráfica O Popular S.A., Goiânia, GO, 1980.

(*) O autor viveu 2 anos no Cairo (1990-92), a trabalho na Embaixada Brasileira. 

Félix Maier
Brasília, 14/11/2002

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