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Roger Waters e o muro

 

O muro, que sempre foi tema de incontáveis turnês do Pink Floyd, continua sendo um dos temas mais lembrados por Roger Waters, ex-líder da banda inglesa, tanto nos shows, quanto no ativismo. Um dia antes de fazer a segunda apresentação do ano no Brasil, Roger Waters deu uma coletiva à imprensa, não para falar de sua turnê no Brasil. É o muro que Israel construiu ao redor da Palestina que chama a atenção do cantor.

Na coletiva, Roger Waters tratou principalmente da defesa do povo palestino, causa da qual se tornou ativista desde seu show em Tel-Aviv, em 2006. Além de defender o povo palestino, o ex-líder da banda Pink Floyd anunciou à imprensa a realização, em novembro, em Porto Alegre, do Fórum Mundial Social Palestina Livre. (Veja a notícia no site do jornal Globo)

Imediatamente, a ofensiva israelita – que não se restringe ao território palestino – através da Federação Israelita do Rio de Janeiro entrava na justiça para proibir o músico de veicular estas ideias no Brasil. A denúncia saiu na coluna do jornalista Ancelmo Gois, do site do Globo (link 1link 2link 3).

Ontem, 29, o Comitê de Solidariedade do Povo Palestino do Rio de Janeiro e a Frente em Defesa do Povo Palestino de São Paulo divulgaram notas denunciando a ação da Federação Israelita e em defesa do cantor (veja abaixo a nota da Federação Paulista). Também ontem, durante o show, Roger Waters voltou a homenagear o brasileiro Jean Charles Menezes, morto pela polícia de Londres por ter sido confundido com um árabe.

CARTA ABERTA EM SOLIDARIEDADE A ROGER WATERS

A Frente em Defesa do Povo Palestino vem a público manifestar seu apoio às declarações do cantor e ativista político George Rogers Waters. Em turnê pelo Brasil para apresentar seu show The Wall, o artista tem divulgado a realização do Fórum Social Mundial Palestina Livre, a se realizar em novembro próximo em Porto Alegre. Engajado em favor da causa palestina e na campanha por BDS (boicote, desinvestimento e sanções) ao apartheid promovido por Israel, também tem feito declarações contra a ocupação israelense e a violação de direitos humanos por parte do Estado sionista.

Por esse posicionamento em favor da justiça e liberdade, conforme divulgado hoje na coluna do jornalista Ancelmo Gois em O Globo Online, a Fierj (Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro) estaria tentando cercear suas palavras em defesa do povo palestino na Justiça. Repudiamos qualquer tentativa de intimidação e censura à liberdade de expressão por parte dessa ou de qualquer outra organização.

Tal ato inconstitucional, nos moldes da ditadura militar, não tem mais espaço no Brasil. A Constituição Federal de 1988 diz o seguinte sobre a liberdade de expressão:

Constituição brasileira de 1988
§ Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
§ V – o pluralismo político
§ Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, liberdade, igualdade, segurança e a propriedade, nos termos seguintes:
§ IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
§ VIII – ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;
§ IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença.
§ Art. 220º A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.
§ § 2º – É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.

Talvez alguns argumentem que a Constituição Federal não se aplica a Roger Waters por não ser brasileiro. Então vejamos o que diz a Declaração Universal dos Direitos Humanos:

Artigo 19°
“Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão.”

Portanto, é ilegítima e só podem ser encaradas como censura e perseguição as ameaças da Fierj ao cantor e ativista. Uma postura tão conhecida quanto inaceitável de se tentar criminalizar os movimentos sociais e pessoas de consciência que se levantam contra a opressão ao povo palestino e a ocupação de suas terras.

Repudiamos veementemente tal atitude e ameaças e reafirmamos nosso apoio a Roger Waters, à liberdade de expressão e aos valores democráticos.

Aproveitamos para agradecê-lo por não silenciar diante da injustiça e emprestar sua imagem e voz para essa nobre causa da humanidade.

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