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Os Shiministim: Jovens israelitas que rejeitam servir o Exército de ocupação

SHIMINISTIM
Recusando servir a ocupação!
Somos adolescentes israelitas que se recusam a participar num exército que ocupa ilegalmente e brutalmente os territórios palestinos e estão dispostos a pagar o preço da nossa luta contra a ocupação e em favor da paz.

Este é um artigo assinado por Ana Cárdenes para a Agência EFE, que a partir daqui transcrevemos:

Todos os anos, um pequeno grupo de jovens rejeita a convocação para cumprir o serviço militar obrigatório em Israel e se rebela contra a “política de opressão e ocupação” do seu país.

Eles são os “shministim”, estudantes israelitas que estão no final do Ensino Médio e recusam o alistamento militar. Dois deles foram presos na passada quinta-feira.

Efi Brenner, de 18 anos, mostrava-se tranquilo antes de seguir para a base militar onde será condenado à prisão. Ele afirmou à Agência EFE que exporá às autoridades militares que não quer “participar de um Exército que ocupa os territórios palestinos e que controla quase todos os aspectos da vida da nação palestina”.

São poucos os que, como ele, além de se oporem à política israelita, se atrevem a reconhecer tal postura publicamente e a argumentar motivos políticos, atitude que tem um alto custo pessoal e social.

Os pais de Brenner expulsaram-no de casa na sexta-feira da semana passada depois de o seu caso ter sido publicado num jornal. Foi para a casa de um amigo e não espera visitas de sua família na prisão militar para a qual será enviado.

Neste ano, quase 100 jovens assinaram a “carta dos shministim”, segundo a qual “a ocupação cria uma realidade insuportável para os palestinos” concretizada nos “postos de controlo”, na anexação de terras, na construção do muro do apartheid e de estradas só para israelitas, em assassinatos e em projectos de novas colonatos”.

Or Ben David, de 19 anos e signatária do documento, também será presa hoje, mas chegará à base militar onde ficara detida acompanhada pelo seu pai, que não compartilha da sua opinião, mas a respeita.

“O Exército ligou para a minha família continuamente ameaçando prender-me”, explica Ben, ao contar que, dos seus dois irmãos gémeos, um fará o serviço militar em breve e outro ficou livre desta obrigação ao alegar motivos de saúde.

“Cada vez são mais os que não querem ir para o Exército e evitam fazê-lo de um jeito ou de outro. Eu decidi tornar isso público e argumentar motivos políticos, mas isso tem consequências: as pessoas insultam-te e chamam-te de traidora ou parasita”, afirma a jovem.

Para estes dois jovens, começou nesta quinta-feira um processo de meses nos quais entrarão e sairão da prisão até que um tribunal os liberte da obrigação de cumprir o serviço militar obrigatório, normalmente por “problemas de saúde mental”.

“Não lhes interessa manter-nos na prisão. Portanto, quando se derem conta que não nos podem convencer, deixarão ir”, explicou à EFE, Sahar Vardi, estudante de História, que se negou a prestar o serviço militar no ano passado e integra a organização “New Profile” (“Novo Perfil”), que apoia os dissidentes.

Vardi destaca que ninguém sabe quantos são os opositores ao serviço militar. Segundo ela, “há muitos que se livram de forma legal e há uns 200 casos ao ano aprovados pelo comité de objecção de consciência”, instância que aceita alguns casos de pacifistas, mas rejeita todos aqueles que argumentam motivos políticos.

Depois do período na prisão, os “shministim” costumam ter problemas para tirar a carta de condução, não podem trabalhar em actividades relacionadas com a segurança, nem em serviços governamentais, mas, principalmente, sofrem com a discriminação social.

“No papel, as consequências não são tão más, mas o pior é a sociedade, que está absolutamente militarizada. Perguntam pelo serviço militar nas entrevistas de trabalho e julgam-te se o não tiveres feito”, explica Vardi. Dos 250 estudantes que terminaram o Ensino Médio no seu colégio, apenas dois não foram para o Exército.

Os “shministim” normalmente não têm apoio entre pessoas próximas. Eles acabam se conhecendo e se juntando através da internet, assim como pela sua participação em foros pacifistas e ONGs.

“O que fazemos vai contra tudo o que nos ensinaram e tudo o que há à nossa volta”, diz Vardi, ao relatar que em Israel “há armas por toda parte, os soldados dão palestras nos colégios e inclusive há um projecto para ter um militar fixo em cada escola”.

Segundo a jovem, o sistema educacional de Israel “está muito militarizado e um de seus objectivos é gerar o maior número possível de soldados”.

De acordo com Vardi, recentemente, uma instituição de ensino excluiu os “shministim” da cerimónia de formatura.

Embora os atuais opositores sofram alguns meses de encarceramento, correm ainda o risco de que se repita o que ocorreu em 2002, quando um grupo de cinco insubmissos foi condenado por um tribunal militar a quase dois anos de prisão.

Um deles, Matam Caminer, afirmou à EFE que faria tudo de novo.

“Não me arrependo do que fiz. Foi a decisão correcta. O nosso caso provocou um impacto e um debate sobre a ocupação que ainda continua aberto”, garante.

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