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Likud ameaça cartunista Latuff

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Likud ameaça cartunista Latuff
Rafaela Tasca, especial para o Portal do PSTU, e Roberto Barros, da redação

No dia 5 de setembro, um portal israelense ligado ao Likud – partido de ultradireita de Israel do qual fazia parte Ariel Sharon, comandante dos massacres de Sabra e Chatila [ver 24 anos do massacre de Sabra e Chatila: www.pstu.org.br/internacional_materia.asp?id=5686&ida=20] – publicou um artigo sobre o trabalho do cartunista carioca Carlos Latuff.

O texto – escrito em hebraico e ilustrado com 13 imagens produzidas por Latuff sobre a ofensiva israelense na Faixa de Gaza e no Líbano – chama especial atenção pela forma com que se refere à suposta periculosidade da influência deste artista para a manutenção/segurança do Estado de Israel. Em seu trabalho, o brasileiro critica duramente Israel por suas ações envolvendo a Palestina e seus vizinhos árabes – como o Líbano – comparando, corretamente, o que o país faz atualmente aos árabes com o que os nazistas fizeram no passado com os judeus.

O autor do texto israelense refere-se ao artista como “o cabeça de uma das maiores indústrias de propaganda e incitamento contra Israel” e – ainda na qualidade de um “imenso talento gráfico” – como “um dos mais influentes anti-sionistas da rede mundial de computadores”. No texto, compara as imagens do cartunista a mísseis de ódio tão potentes quanto os que o Irã vem desenvolvendo e que fazem parte de uma “gigantesca indústria genocida, cuja missão é a destruição do Estado judeu”. Depreende-se daí mais uma campanha do terrorismo de Estado israelense com um duplo objetivo: lançar mais um “míssil de ódio” à ofensiva ideológica que prepara o terreno para uma possível nova incursão militar sobre o país árabe e, de quebra, associar a imagem de Latuff a uma espécie de “arma de destruição massiva” – lápis à mão! – do que seriam os “Estados-delinqüentes”.

Mas uma das centralidades do artigo é a dura crítica ao que seria um “descuido” de Israel em relação ao “front da informação” e o conseqüente “clamor” por ações do Estado judaico – e até mesmo da embaixada israelense no Brasil – em relação ao “caso Latuff”. A sanha é tanta que ele chega a enveredar pela proposta da realização de um processo contra o cartunista por… tentativa de homicídio! Trata-se da mais absoluta inversão entre céu e inferno. A “proposta”, note-se, se revela com um claro tom de ameaça física quando o autor aponta que já “deveriam ter cuidado desse Carlos há muito tempo, de um jeito ou de outro” (!). Trata-se de um apelo direto e nada sutil à atuação das polícias políticas do Estado sionista, o Mossad e o Shin-Beth, conhecidas por utilizar macabros métodos anti-insurrecionais, historicamente relacionados a regimes nazi-fascistas.

Já no dia 18 – após a repercussão do caso na Internet – a redação do portal brasileiro Comunique-se se reportou à embaixada de Israel no Brasil inquirindo sobre as ameaças realizadas contra o cartunista brasileiro. Os jornalistas questionaram, entre outras coisas, sobre a liberdade de expressão e, inclusive, os riscos a que o cartunista estaria sujeito e, por fim, se aquele país poderia de alguma forma colaborar para a segurança do brasileiro. Raphael Singer, primeiro-secretário da embaixada de Israel no Brasil, respondeu que “Israel é um país livre e democrático que respeita a liberdade de expressão, aberto a críticas e que mantém diálogo com seus críticos”. Na seqüência, porém, diz que “infelizmente os desenhos do Sr. Latuff são cheios de estereótipos comparáveis aos do sistema de propaganda nazista, e não com as charges sobre Maomé” [caso que abalou a comunidade islâmica recentemente]. “Tais desenhos poderiam ser vistos como ofensivos para o judaísmo e o sionismo. É lamentável que o Sr. Latuff escolheu mostrar seu trabalho no concurso em Teerã, que zomba das vítimas do Holocausto. Da mesma forma que o Sr. Latuff tem o direito de se expressar, também tem esse mesmo direito o site do Likud”.

Ou seja, para o diplomata israelense os cartuns publicados por Latuff sobre a bárbarie cotidiana da ofensiva israelense – na Palestina ou no Líbano – e o direto apelo criminoso equivalem-se simetricamente na categoria “liberdade de expressão”. Aí se revela, com todas suas conseqüências ideológicas, a máxima de que o liberalismo nada mais é do que uma fina camada aparente detrás da qual se esconde um fascista em essência. Tal ameaça – e o depoimento de Singer só vem a corroborar isso – revela a natureza mesma de Israel enquanto Estado-gendarme, cuja existência depende fundamentalmente da aniquilação – “de um jeito ou de outro” – de qualquer forma de resistência que se lhe oponha no caminho.

Ao denunciar o Estado de Israel e o massacre perpetrado sobre a população da Faixa de Gaza e do Líbano – em especial durante os 34 dias da recente ofensiva militar – Latuff é subseqüentemente ameaçado pelo Likud, que não hesita em recorrer, uma vez mais, ao discurso do anti-semitismo (chega-se às raias do irracionalismo ao citar ninguém menos do que o próprio Goebbles!, ideólogo-mor do III Reich) para “neutralizar” o cartunista. Dessa forma defendem incondicionalmente a existência de um Estado-gendarme, racista e teocrático – fundado sobre a expropriação das terras do povo palestino, a partir de um exército de ocupação permanente –, em guerra perpétua com os povos árabes do Oriente Médio, sob os auspícios da Casa Branca e do Pentágono. A memória do Holocausto é instrumentalizada, desta vez, para comparar Latuff ao Irã – num claro incitamento belicista contra o povo iraniano. A inversão é – mais uma vez – clara e aberrante. E não se trata da primeira menção de ameaça recebida por Latuff de Israel…

Em resposta ao artigo publicado, Latuff divulgou um texto no qual revela que tais ameaças não o impedirão de continuar apoiando a luta dos palestinos contra a brutal ocupação israelense, “tudo o que os capangas do Likud podem fazer é me calar com uma bala, mas nunca serão capazes de silenciar minha arte”. O governo brasileiro – que já deveria ter rompido relações diplomáticas com Israel desde os primeiros bombardeios ao Líbano, cuja maior colônia de imigrantes fica justamente no Brasil – deveria exigir, após tal declaração, a imediata retirada de Raphael Singer do país e o imediato fechamento da embaixada de Israel no Brasil. O referido texto é claro em citar a embaixada israelense como possível meio para atingir seu fim: “cuidar desse Carlos, de um jeito ou de outro”. Chamamos todas as organizações democráticas e populares a defender a liberdade de expressão e os direitos humanos do cartunista: difundindo esta denúncia, exigindo às autoridades e divulgando ampla e abertamente a obra de Latuff. Trata-se de salvaguardar a integridade física do cartunista Carlos Latuff, dizer um sonoro não aos métodos nazi-fascistas de Israel e, por extensão, afirmar a soberania nacional do país.

Atalho para a matéria do Likud, em hebraico:

  • www.likudnik.co.il/Front/NewsNet/reports.asp?reportId=171273

    Atalho para a tradução da matéria – em português – e a resposta do cartunista:

  • www.novae.inf.br/pensadores/latuff_na_mira.htm

    Atalho para a Campanha em Defesa de Latuff, no Centro Iraniano de Cartuns:

  • www.irancartoon.com/120/Danger.htm

    Atalho para a galeria virtual do artista:

  • http://latuff2.deviantart.com

    Saiba mais sobre Latuff
    Latuff é um ativista político-cultural que desenvolve um trabalho contínuo de produção e divulgação de imagens, livres de direitos autorais, com uma clara perspectiva de denúncia social e engajamento político. Em 1997, após ter tido acesso a um documentário sobre os zapatistas, começou a produzir imagens sobre a luta dos nativos de Chiapas criando a posteriori uma página de Internet – o Zapatista Art Gallery – onde iniciou sua trajetória de disponibilizar, via Internet, imagens em copyleft para o mundo todo.

    Em 1999, solidarizou-se com a causa palestina e desde então vem concebendo e divulgando imagens que revelam as atrocidades cometidas pelas ofensivas israelenses na Faixa de Gaza. Por posicionar-se contra o lobby sionista, estratégia amplamente utilizada pela elite israelense para imunizar o Estado de Israel de qualquer crítica, não raro é identificado como “anti-semita” e “racista”. Tais críticas se acentuaram com a produção de uma série de cartuns e um vídeo contendo um pronunciamento público sobre o massacre realizado pelo Estado de Israel em território libanês.

    Cartunista combatente que traça os holocaustos do dia-a-dia, Latuff rompe com a omissão dos que se silenciam diante da realidade opressora através de sua solidariedade ativa e sua arte engajada

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