‘EUA devem desculpas ao mundo pelo caos no Oriente Médio’, diz jornalista Reviewed by Momizat on . 'EUA devem desculpas ao mundo pelo caos no Oriente Médio', diz jornalista MARCELO NINIO DE WASHINGTON 09/10/2015  02h00 "Entre, está aberto!" O grito ecoa do pe 'EUA devem desculpas ao mundo pelo caos no Oriente Médio', diz jornalista MARCELO NINIO DE WASHINGTON 09/10/2015  02h00 "Entre, está aberto!" O grito ecoa do pe Rating: 0

‘EUA devem desculpas ao mundo pelo caos no Oriente Médio’, diz jornalista

‘EUA devem desculpas ao mundo pelo caos no Oriente Médio’, diz jornalista

“Entre, está aberto!” O grito ecoa do pequeno escritório no centro de Washington, sem nome na porta. Seu dono é o autor de algumas das reportagens mais impactantes e controvertidas dos últimos 50 anos. A impaciência é uma de suas marcas.

Iconoclasta, desbocado e dolorosamente direto, Seymour Hersh é um especialista em constranger governos, com sua capacidade de revelar informações que eles preferiam manter ocultas.

Aos 78 anos, sua desconfiança dos que detêm o poder ainda é combustível para que ele vá atrás da notícia exclusiva e muitas vezes devastadora. A descrença nos governos alimenta a fé no jornalismo de verdade, para ele, mais necessário do que nunca.

“Cada vez mais os que governam são idiotas, ladrões. A única coisa entre eles e a loucura somos nós. Por isso é tão importante ser jornalista”, diz o repórter, que participará em São Paulo neste sábado (10) do Festival de Jornalismo Piauí/Globonews.

Divulgação
O jornalista americano Seymour Hersh, que está em visita ao Brasil
O jornalista americano Seymour Hersh, que está em visita ao Brasil

Hersh se habituou a ser uma voz dissonante nos debates em seu país sobre o papel dos EUA no mundo.

Não é surpresa, portanto, que contrarie o discurso do presidente Barack Obama de que só é possível pensar numa solução para a crise na Síria sem o ditador que governa o país, Bashar al-Assad.

Para horror de muitos, concorda com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, de que a alternativa a Assad é pior: a expansão da facção terrorista Estado Islâmico.

“Já era a minha opinião muito antes de Putin ter dito isso. Quais as opções? Até em Israel quem sabe das coisas diz isso. Em privado, claro. Bashar tem que vencer”, diz.

Hersh chama o ditador pelo primeiro nome para diferenciá-lo do pai, Hafez (morto em 2000), e também por conhecê-lo. A Síria está em seu radar bem antes da sangrenta guerra civil que já deixou mais de 250 mil mortos em quatro anos. Visitou o país e entrevistou Assad “cinco ou seis vezes”.

Na época, a situação era bem mais simples, havia a expectativa de que Assad, oftalmologista formado em Londres, promoveria uma abertura política. Mas “ele nunca teve os direitos humanos como prioridade”, diz Hersh.

HIPOCRISIA

Diante dos horrores da guerra no país, as acusações do governo americano de atrocidades cometidas pelo regime sírio contra civis soam ao jornalista como hipocrisia.

“Sempre acho curioso quando os americanos criticam os que bombardeiam não combatentes numa guerra total. Não foi um país chamado América que bombardeou cidades alemãs à noite? Quem lançou duas bombas atômicas no Japão? E o Vietnã?”, diz o repórter no escritório abarrotado de pastas e prêmios empilhados no chão.

Hersh construiu uma das carreiras mais premiadas do jornalismo americano indo na contramão das versões oficiais. Sua reputação foi catapultada em 1969, quando revelou o massacre de My Lai, no Vietnã, um vilarejo dizimado pelo Exército dos EUA.

A reportagem lhe valeu o prêmio Pulitzer, o mais importante do jornalismo americano, e intensificou a impopularidade da campanha militar dos EUA no Vietnã.

Foi só um dos escândalos revelados por ele que abalaram a Casa Branca, incluindo os abusos cometidos por soldados americanos na prisão de Abu Ghraib, no Iraque (2004), e a desconstrução da narrativa do governo para a morte do terrorista Osama bin Laden, publicada em maio deste ano na “London Review of Books”.

mai.2004/Reuters
Mulher soldado do Exército norte-americano aponta para prisioneiros iraquianos nus e encapuzados, na prisão de Anu Ghraib, no Iraque
Mulher soldado do Exército norte-americano aponta para prisioneiros iraquianos nus e encapuzados, na prisão de Anu Ghraib, no Iraque

Apesar de seus protestos contra a Guerra do Vietnã após My Lai, para ele nenhuma guerra americana foi pior que a do Iraque. “Ali não foi só uma guerra estúpida, foi criminosa”, diz.

“Os EUA devem um enorme pedido de desculpas ao mundo pelo caos no Oriente Médio

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