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EUA: Congresso e lobby de Israel pedem boicote ao governo palestino 4 de junho de 2014 – 14h00

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EUA: Congresso e lobby de Israel pedem boicote ao governo palestino

Embora o Departamento de Estado dos EUA tenha dito que reconheceria o novo governo de unidade nacional da Palestina – salvas as “condições” do aliado por excelência de Israel –, diversos parlamentares defenderam o corte da assistência enviada à Autoridade Palestina no quadro dos acordos da década de 1990. A ajuda internacional ao órgão de autogoverno nos territórios ocupados por Israel é frequentemente utilizada para impor condições aos palestinos.

Por Moara Crivelente, da Redação do Vermelho

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O último período de negociações entre Israel e a ANP foi realizado entre julho de 2013 e abril de 2014, com o aumento da ocupação e da violência nos territórios palestinos e com a persistente impunidade israelense.O último período de negociações entre Israel e a ANP foi realizado entre julho de 2013 e abril de 2014, com o aumento da ocupação e da violência nos territórios palestinos e com a persistente impunidade israelense.

Para manter seu papel de “mediador” nas negociações entre palestinos e israelenses, ainda que sua posição favorável a Israel seja aberta e clara, os Estados Unidos comprometeram-se, ainda na década de 1990, a enviar uma contribuição anual à Autoridade Nacional Palestina (ANP), dependente das doações internacionais para manter suas atividades – também determinadas pelos acordos – em fragmentos dos seus territórios ocupados.

Neste ano, o valor de US$ 400 milhões para a Cisjordânia e a Faixa de Gaza – ambos territórios profundamente empobrecidos e afetados pela ocupação ou pelo bloqueio militar imposto por Israel – já foi incluído no orçamento estadunidense. Entretanto, o esperado anúncio do novo governo de unidade nacional, fruto da reconciliação entre a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e o Hamas, foi respondido com agressividade por Israel e, em sequência, por diversos parlamentares dos EUA.

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O Hamas – movimento e partido islâmico que ficou à frente do governo de Gaza após a ruptura política palestina de 2006-2007 – é taxado por Israel e pelos EUA como “organização terrorista” pelas atividades de resistência ao bloqueio e aos frequentes ataques israelenses ao território. Por isso, as condições elencadas pelo aliado de Israel para o reconhecimento do novo governo são a “renúncia à violência”, o cumprimento dos acordos já assinados pela OLP – descumpridos sistematicamente e de forma impune pelos governos israelenses – e o reconhecimento de Israel.

Não bastasse o condicionamento, em detrimento do suporte para o avanço deste importante passo na política palestina, e acionados de imediato pelo agressivo lobby israelense nos Estados Unidos – o Comitê Americano de Assuntos Públicos de Israel (Aipac) –, diversos representantes no Congresso estadunidense instaram o governo a cortar a ajuda financeira à ANP.

Autora de uma lei de 2006 que proibiria o apoio estadunidense a uma ANP “controlada pelo Hamas”, devido aos resultados favoráveis ao partido nas eleições daquele ano, a republicana Ileana Ros-Lehtinen disse que os “líderes palestinos sabem que um governo de unidade acionaria a lei dos EUA para cortar o financiamento, então, agora, eles estão tentando encontrar brechas para dizer que ainda estão cumprindo as condições mandatadas pela nossa lei.”

A parlamentar acusou o presidente palestino Mahmoud Abbas, nos termos usados por Israel, de “não ser um parceiro real para a paz”, e disse que os EUA precisam responder retirando a assistência a qualquer governo de unidade apoiado pelo Hamas. Presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado, o republicano Ed Royce apoiou Ileana em suas declarações, acusando o Hamas de ser “uma organização terrorista que continua pedindo a aniquilação de Israel”.

Condicionar os palestinos e garantir a ocupação

Um dos pontos na assistência à ANP inclui o financiamento das forças de segurança que foram vinculadas a um compromisso de cooperação com as forças israelenses nos territórios palestinos, divididos em três áreas de controle partilhado e de domínio israelense ainda no início da década de 1990. A ANP é um órgão de autogoverno transitório que deveria ser dissolvido poucos anos depois da sua criação, quando o Estado da Palestina fosse estabelecido através de um acordo final, o que ainda não aconteceu.

O primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu instou os Estados Unidos e outros países a não reconhecerem o novo governo de unidade e ameaçou encerrar as negociações de paz já suspensas com os palestinos, provocando uma potencial crise na sua coalizão de governo, como apontado por Ben Caspit em matéria para o portal Al-Monitor.

O Aipac também emitiu uma declaração afirmando que “a lei dos EUA é clara: nenhum fundo pode ser enviado a um governo palestino em que o Hamas participa ou sobre o qual tem influência. Urgimos o Congresso a conduzir uma revisão detalhada da continuidade da assistência dos Estados Unidos à Autoridade Palestina para assegurar que a lei é completamente seguida e implementada.”

Segundo o Al-Monitor, vários democratas juntaram-se às críticas, mas não chegaram a pedir um corte imediato da assistência, enquanto alguns pontuaram que a decisão seria um passo profundamente negativo “na busca pela paz”.

O presidente Abbas – que instou o novo gabinete de governo transitório a dar início à preparação das eleições – disse que a ANP continua comprometida com os princípios do Quarteto de mediadores (Nações Unidas, EUA, Rússia e Reino Unido) no chamado “processo de paz”, que já dura décadas sem resultados para a causa palestina pela autodeterminação e mantém Israel impune por crimes de guerra que incluem as operações militares fatais e a expansão sistemática da ocupação sobre os territórios palestinos.

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