ENTRE O CONFLITO LINGUÍSTICO E A BARBÁRIE NA FAIXA DE GAZA Reviewed by Momizat on . Planejei que meu primeiro artigo ou crônica de 2009 versaria sobre o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que unifica a ortografia da "última flor do L Planejei que meu primeiro artigo ou crônica de 2009 versaria sobre o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que unifica a ortografia da "última flor do L Rating: 0

ENTRE O CONFLITO LINGUÍSTICO E A BARBÁRIE NA FAIXA DE GAZA

Planejei que meu primeiro artigo ou crônica de 2009 versaria sobre o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que unifica a ortografia da “última flor do Lácio, inculta e bela” [Olavo Bilac (1865-1918)], falada por 280 milhões de pessoas da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), composta pelos oito países lusófonos (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste). Para gramáticos e linguistas (especialistas em linguagem verbal humana: estudos linguísticos), o acordo só atinge 0,5% do vocabulário, mas os impactos na escrita são de grande monta, mesmo não alterando o modo de falar de cada país. Timor Leste, Guiné-Bissau, Moçambique e Angola dizem ter intenção de aprová-lo, mas até agora nada! Fala-se que está em curso um conflito linguístico que eu estava disposta a analisar.

Entre o conflito linguístico e a barbárie produzida pelos bombardeios de Israel na Faixa de Gaza, a emblemática “Operação Chumbo Fundido”, desde 27.12, complementada a partir de 3 de janeiro por ofensiva terrestre, urge não calar diante da crueldade que ceifa vidas inocentes e destruiu a Universidade Islâmica de Gaza, deixando explícito, sem rodeios, que o embate entre “a questão palestina & o Estado de Israel” não tem como eixo a questão religiosa. O motor do conflito é poder e petróleo.

Nem mais e nem menos, embora introduções de artigos sobre o tema, corretamente, em geral dizem que na essência “a questão palestina é uma luta nacionalista do povo árabe da antiga Palestina para assegurar as fronteiras de seu Estado nacional: o mesmo território disputado pelo povo judeu, sob a alegação de que seus patriarcas – Abrahão, Isaac e Jacó – já o habitavam há muitos séculos”. E que o conflito continua insolúvel porque “Israel se recusa a aceitar as três exigências que palestinos fazem para encerrar a luta de resistência: desocupação dos territórios; direito de retorno; e Jerusalém como capital palestina”.

São comuns diferenças substanciais entre o que pensa um povo e o que faz o seu governo, logo é irracional condenar um povo pelos desatinos de seu governo. Todavia, é um imperativo ético não compactuar com argumentos que tentam justificar a promoção de massacres humanos de qualquer dos lados, como na “maior operação na Faixa de Gaza em quatro décadas” e sobre a qual o nicaraguense Miguel D’Escoto, presidente geral da Assembléia da ONU, disse que é “uma monstruosidade” e que “mais uma vez, o mundo assiste consternado à disfuncionalidade do Conselho de Segurança da ONU”, pois em sua terceira reunião, no último dia 3 de janeiro, após o início dos bombardeios, “não houve acordo formal entre os países membros, mas notamos bastante concordância quanto à preocupação sobre a escalada da violência e a deterioração da situação, além de forte consenso quanto a um cessar-fogo imediato, duradouro e respeitado”, conforme declaração do embaixador francês, Jean-Maurice Ripert, que presidiu a reunião.

O povo judeu em bloco não concorda e nem assiste passivamente aos ataques bélicos do governo de Israel contra o povo palestino. E vice-versa. É expressivo o número de judeus e de palestinos que advogam pelo fim dos ataques a civis, palestinos ou israelenses, a exemplo do movimento “Vozes Judaicas pela Paz” através da campanha “Luzes apagadas em Gaza, blecaute midiático nos Estados Unidos”. A minha solidariedade a judeus e palestinos que desejam e lutam pela paz.

Publicado em: 06/01/2009

http://www.otempo.com.br/otempo/colunas/?IdColunaEdicao=7493

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