ENAMORADO DA PALESTINA Reviewed by Momizat on . ENAMORADO DA PALESTINA 20/04/2007 Mahmud Darwish São teus olhos um espinho no coração, Espinho dilacerador, mas amado; Protejo-o da tempestade E cravo-o profund ENAMORADO DA PALESTINA 20/04/2007 Mahmud Darwish São teus olhos um espinho no coração, Espinho dilacerador, mas amado; Protejo-o da tempestade E cravo-o profund Rating: 0

ENAMORADO DA PALESTINA

ENAMORADO DA PALESTINA

20/04/2007


Mahmud Darwish

São teus olhos um espinho no coração,
Espinho dilacerador, mas amado;
Protejo-o da tempestade
E cravo-o profundamente, através da noite e através da
dor.

A ferida ilumina milhares de estrelas,
Transforma meu presente em futuro,
Mais caro que meu ser,
E esqueço como nossos olhos se encontraram
Naquela vez em que fomos como g6emeos, atrás do
portão.

Tuas palvras eram minha canção:
Tentei cantar novamente
Mas o inverno tinha chegado nos meus lábios.

O pardal voou,
Minhas portas, minhas gélida soleira, foram atrás,
Nossos espelhos se quebraram, tristezas foram aceitas,
Reunimos os estilhaços dos sons,
Só podemos aprendr a lamentar a pátria.

Juntos o plantaremos
Sobre o peito de uma guitarra,
Tocaremos sobre os tetos chorosos

As pedras e às luas destorcidas,
Mas esesqueci, ó qeurida abandonada, se eras tu a
partir
Ou minha voz quebrantada que enfraquecia a guitarra.

Vi-te ontem no cais,
Solitárias viajantes sem maleta,
Corri ao teu encontro como um órfão buscando
Nas ancestral sabedoria, uma resposta:

Como poderia um pomar se converter num cais
E, entretanta, ainda ficar verde?
Escrevi:
De pé fique no cais,
O vento passava,
Tínhamos somente a casa da laranja,
Estendia-se atrás o areal sem fim.

Vi-te nos picos espinhosos,
Pastora sem ovelhas perseguindo a caça,
E nas ruínas onde uma vez foste o verde ramo
Fiquei qual forasteiro batendo à porta,
As portas, as janelas e as pedras cimentadas
Reverberavam.
Vi-te nos poços insondáveis
Vi-te nos celeiros, um rosto despedaçado,
Vi-te nos cafés noturnos lavando pratos,
Vi-te na entrada de uma caverna
Pendurando teus farrapos de órfã,
Vi-te nas chaminés, nas ruas,
Nos currais do gado, no sangue a gotejar do sol,
No sal do mar
Em cada grão de areia,
E eras bela como a Terra.
No entanto
Juro
Que das pestanans tecerei um lenço para ti
Com palvras mais doces que um favo de mel,
Palestina tu és,
E assim permanecerás.

Abri largas as portas à tormenta
E vi a lua cor de bronze
E voltei para as ruas onde a luz morrera.
Virgem companheira, fiel trigo,
Cortaremos o ar com nossas canções
E plantaresmos fertilidade nas sementes dormentes,
E tu sempre serás
A palmeira entrelaçada do coração
Que não se curva à tormenta, sem medo dos golpes do
lenhador.

Além dos dentes dos lobos.
Palestinos, teus olhos, tua tatuagem,
Palestino, teu nome
Palestino, teu pensamento, tuas roupas,
Teus pés,teu talhe,
Palestina, as palvras,
Palestina, a voz,
Palestina é
Palestina continua sendo.
Tenho-te presa nos meus livros,
No fogo de minha canções
Grito teu nome pelos os cavalos romanos
E uma vez destruí os grandes ídolos:

Cascos e pedras, cuidado,
O corisco marcou a pedenrneira.
Que os vermes comam minha carne:
Formigas não geram águias
E serpentes só incubam serpentes.

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