DIÁRIO DE MAZEN (1) Reviewed by Momizat on . Fadwa Toqan  Me sento para escrever... Que posso escrever hoje? Para que servem minhas palavras? Direi: ó povo meu!ó minha pátria! Para quê? Por acaso não é abs Fadwa Toqan  Me sento para escrever... Que posso escrever hoje? Para que servem minhas palavras? Direi: ó povo meu!ó minha pátria! Para quê? Por acaso não é abs Rating: 0

DIÁRIO DE MAZEN (1)

Fadwa Toqan 

Me sento para escrever…
Que posso escrever hoje?
Para que servem minhas palavras?
Direi: ó povo meu!ó minha pátria!
Para quê?
Por acaso não é absurdo
Sentar-se, hoje, para escrever?
Por acaso minha palavra protegerá a minha pátria?
Por acaso as palavras salvarão o meu povo?
Hoje
Todas as palvras
São de sal
Onde nada cresce
Onde nada floresce
Hoje

No cúmulo da tristeza
Uma luz deslizou no seu coração
E seus olhos acenderam-se
Fechou seu diário
Mazen, o corajoso, levantou-se
Carregando todo seu amor
Pela sua terra e seu povo
E os estilhaços de esperança

Vou-me embora, mãe
Vou com meus companheiros
Ao encontro do destino
Que pesa como uma pedra
Pendurada em meu pescoço
Saio daqui
E tudo o que possou
Amor, pulsações
Gostos e desgostos
O entrego pela pátria
É o meu dote para a terra
Mãe, nada é mais amado do que você
A não ser a terra
– Ó filho
Meu coração
Filho…

Mãe, o disfile da vitória
Ainda vai demorar
Mas virá
A glória apressa seus passos

– Ó meu filho
Filho…

Não desespere
Se eu cair antes do retorno
O caminho é longo
E doloroso
Se perde de vista
E ninguém sabe onde terminará
Atravessamos, com aluz do sangue
As praias da noite
Para que alegria chegue atrás de nós
Porque a alegria deve chegar
Na mesma medida que a perdemos

– ó filho
Vai, filho

A mãe deu-lhe a sua benção
E rezou a deus por ele
Mazen era seu príncipe, seu orgulho
Era seu nobre cavalheiro
Mazen era toda sua grandeza
Seu imenso sacrifício pela pátria

Na noite infinita
No meio do vento
A mãe levantou-se para rezar
E elevou seu rosto ao céu
Um céu que transbordava
De estrelas e mistérios

Ó dia em que o trouxe à vida
Como um pedacinho de carne perfumada
Com o cheiro da terra!
Ó dia em que lhe dei o meu seio
E ele descobriu o caminho da vida
Na gota de leite!
Meu filho
Para hoje,só para hoje

Te trouxe ao mundo
Te amamentei
Te dei meu sangue
Minhas pusações
E tudo o que podem dar as mães
Ó filho, planta arrancada da terra fértil
Vai
Não há nada mais amado do que você, filho
A não ser a terra
Tubás fica atrás das montanhas
Ouvidos que espreitam na noite
Olhos sem sono
O vento, atrás dos limites do silêncio
Sopra entre as montanhas
Ofegante, atrás do hálito perdido
Corre dentro do círculo da morte
Seja bem-vindo, morte!…
A estrela cadente se incendiou
A travessou as montanhas
Como um furacão
Semeando a luz
Numa terra que nunca será derrotada

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