Dos escombros da Palestina surgem os poetas combatentes

Dos escombros da Palestina surgem os poetas combatentes  Ano VII, nº 50, fevereiro de 2009 Júlio Moreira* Dos escombros da Palestina surgem os poetas combatentes Ó meu povo, ó minha pátria, o que posso escrever e para quem? Espero não ter que escrever até a carta da vitória. Assoviem, ó balas e cala-te, lápis!" Essas palavras foram encontradas no diário do guerrilheiro Mazin Abu Ghazzalah, que participou de ...

Ler mais

NÃO IREMOS EMBORA

Tawfiq Zayyad Aqui Sobre vossos peitos Persistimos Com uma muralha Em vossas goelas Com cacos de vidro Imperturbáveis E em vossos olhos Como uma tempestade de fogo Aqui Sobre vossos peitos Persistimos Com uma muralha Em lavar os pratos em vossas casas Em enchar os copos dos senhores Em esfregar os ladrilhos das cozinhas pretas Para arrancar A comida de nossos filhos De vossas presas azuis Aqui Sobre vossos ...

Ler mais

Biografia Tawfiq Zayyad

Tawfiq Zayyad, palestino de Nazaré, nascido em 1940, Membro do Partido Comunista de Israel, deputado no   parlamento israelense, defensor contumaz de seu povo contra a intolerância e a política cruel oriunda da vitória do estado sionista. É autor das seguintes obras (*): Os estrecho las manos, 1968: Enterrad vuestros muertos y alzaos, 1969; Canciones de revolución y rabia, 1970; Comunistas, 1970; Omm – Durm ...

Ler mais

COM OS DENTES

Tawfiq Zayyad Com os dentes Defenderei cada polegada da minha pátria Com os dentes E não quero nada em troca dela Mesmo que me deixam pendurado Nas minhas veias Aqui permaneço Escravo do meu amor... a`cerca da minha casa Ao orvalho...e às géis flores do campo Aqui continuo E não poderão derrubar-me Todas as minhas dores Aqui permaneço Com vocês No meu coração E com os dentes Defenderei cada polegada da terr ...

Ler mais

ESCRITO NO TRONCO DE UMA OLIVEIRA

Tawfiq Zayyad Porque eu não fio lã Porque eu estou exposto cada dia A uma ordem de prisão E minha casa à mercê De visitas policiais De averguaçãoes Das operações de limpeza Porque não me é possível Comprar papel Gravarei tudo o que me acontece Gravarei todos os meus segredos Numa oliveira No pátio De meu lar Gravarei minha história E o retábulo de meu drama E meus suspiros Em meus jardim E nas tumbas dos me ...

Ler mais

REGRESSOS

Tawfiq Zayyad I Que lágrimas traz Esta vento qua sobra do oriente Carregado de clamores dos meus ausentes Estrangulado de saudade Brutal As notas nuas Que saturam a terra e o horizonte Que drenam o desespero das planícies O cheiro do orvalho, do sangue, da escravidão Em minha cara, em minha garganta Que lágrimas traz Este vento que sopra do oriente II Chamo-os Dou-lhes as mãos Beijo a terra sob suas sandáli ...

Ler mais

BASTA-ME MORRER NELA

Fadwa Toqan    Basta-me morrer nela Soterrar-me nela Na sua terra fértil dissolver-me, acabar-me E nascer dela, feita erva Feita flor, com a que brinque Uma criança do meu país Basta-me continuar na minha terra Pó, erva e flor... ...

Ler mais

Biografia Fadwa Tuqan

Fadwa Tuqan, palestina, nascida em Nablus no ano de 1914. Irmã de Ibrahim e pertencente a uma respeitada família de intelectuais e políticos, alguns dos quais colaboraram com o governo jordaniano. Educou-se em escolas cristãs. Tem vivido praticamente sem interrupções em sua cidade natal, em meio a um certo clima de recolhimento e semi-clausura, ainda que tenha também participado publicamente, por vezes, da ...

Ler mais

PARTO

Fadwa Toqan O vento arrasta as sementes E nossa terra treme, na noite, com as dores do parto O carrasco engana-se Repetindo para ele mesmo a história da incapacidade A história das ruínas e os escombros Ó h nossa jovem manhã! Conte você ao carrasco Como são as dores do parto Conte a ele como nascem as margaridas Da dor da terra E como a manha se ergue Das rosas de sangue das feridas. ...

Ler mais

SEMPRE VIVO

Fadwa Toqan Não, querida pátria Apesar de tudo, na planíce Sombria Na pedra da dor Não poderão, nosso amor Arrancar teus olhos Não poderão Deixa que sufoquem os sonhos e a esperança Deixa que preguem na cruz a liberdade de construir e trabalhar Que roubem os risos das crianças Que queimem Que destruam Da propria miséria Da nossa tristeza Do sangue seco nas nossas paredes Do tremor da vida e da morte Novamen ...

Ler mais
Voltar para o topo