O longo inverno de Rita*

   Mahmud Darwish Rita ajeita a noite de nosso quarto: parece pouco este vinho, e estas rosas parecem maiores que a cama. Abro a janela, porque me pede, e assim a noite destila. Põe, aqui, uma lua em cima da cadeira: e em cima põe um lago enrolando o meu lenço para que a palmeira cresça cada vez mais. Já te vestiste de outra, além de mim? Alguma vez te habitou alguma mulher e soluçou a cada vez que teu ...

Ler mais

CARTA DO EXÍLIO

Mahmud Darwish I Te saúdo.. te beijo Que mais posso dizer Por a onde começar e como terminar O tempo gira sem descanso E tudo que passou, no meu exílio Uma bolsa em que ponho pão seco Um caderno em que descarrego às vezes Em que cuspo todo meu ódio Por onde começar Tudo o que se disse ou o que se dirá, Pode terminar com um abraço ou um aperto de mãos Fará que o exilado volte para casa Fará cair a chuva Fará ...

Ler mais

CRÔNICAS DA DOR PALESTINA

Mahmud Darwish 1 Não há necessidade de lembranças O Caramelo está em nós E nas nossas pálpebras cresce a relva da Galiléia Não me diga: corramos, como um rio, ao seu encontro Estamos na carne de nossa terra Ela está em nós 2 Não éramos recém-nascidos antes de junho(*) É por isto que nossa paixão Não acabou nas cadeias Já faz vinte anos disso, ó irmã Não escrevemos somente poemas Também lutamos 3 As sombras ...

Ler mais

ESPERANÇA

Mahmud Darwish Enquanto em vossos pratos haja um pouco de mel Espantem as moscas dos pratos A fim de consevrar o mel Enquanto haja cachos de uva nos vinhedos Expulsem as raposas Ó guardiães de vinhedos A fim de que amadureça a uva Enquanto fique em suas casas Uma toalha... e uma porta Protejam do vento os pequenos A fim de que os filhos durmam Vento... trio... fechem as portas Enquanto em suas artérias haja ...

Ler mais

MORREM OS PÁSSAROS NA GALILÉIA

Mahmud Darwish Voltaremos a ver-nos num momento... Dentro de um... dois... uma geração Ela fotografou Vinte jardins E os pássaros da Galiléia E depois partiu em busca Além dos mares De um novo sentido de liberdade - meu país, estendedouro para os panos de sangue derramado a cada minuto depois dela se estendeu sobre a praia areias... e palmeiras - ela não sabe- Ó Rita! Te demos Eu e a morte O ergredo da aleg ...

Ler mais

PARA MINHA MÃE

Mahmud Darwish Estou com saudades do pão da minha mãe Do café da minha mãe Das mãos da minha mãe A infância vai crescendo em mim E amo a vida, porque se eu morresse Me magoariam as lágrimas da minha mãe Se um dia eu voltar Enfeite seus olhos comigo E cubra meus ossos com a grama Que teus pés purificam Se é que eu volto Me amarre nos seus cabelos Me amarre na barra do seu vestido Eu poderia ser como um deus ...

Ler mais

PASSAPORTE

Mahmud Darwish Não me reconheceram nas sombras Que se grudam no meu rosto, no passaporte Mostravam minha miséria aos turistas Colecionadores de cartões – postais Não me reconheceram Mas não deixe Minha testa sem sol Porque as árvores Me conhecem Todas as canções, e a chuva, me conhecem Não me deixe ficar pálido, como a lua Todos os pássaros que me seguiram Na entrada do aeroporto Todos os campos de trigo To ...

Ler mais

POEMA DA TERRA

Mahmud Darwish Meu país, longe de mim, como meu coração Meu país, perto de mim, como minha prisão Por que eu canto aqui Se meus olhos estão longe? Por que canto Por uma criança dormida na relva Com uma faca suspensa sobre sua cabeça? Por que esta canção Se minha mãe me estende os braços E morre na minha frente Numa nuvem de âmbar? Penso estar voltando ao que deixei Penso que ando na frente de mim mesmo Entr ...

Ler mais

Um apaixonado pela Palestina

Mahmud Darwish Palestinos teus olhos, tua tatuagem, Palestino teu nome Palestino teus sonhos, teus desvelos Palestinos teu lenço, teu tornozelo e tua estatura Palestinos tuas palavras e teu silêncio Palestina tua voz Palestinos teu nascimento e tua morte Te levei nos meus velhos cadernos No fogo de meus poemas Te levei, alimento de minha viagem E gritei, em teu nome, pelas planícies: “cavalos de Roma... Eu ...

Ler mais

UMA VOZ PERDIDA NUM FESTIVAL

Mahmud Darwish Conhecemos a história... desde o princípio E Saladino nos leilões de sentenças EKhalid negociando em um cabaré Por um khalkhal de mulher O que sabe... sofre! Duro é saber - Somos pedras de estátuas Tábuas de bancos Lábios apagados, Detenha seu pulso senhora O eco da derrota vela cale-se - A obediência ao chefe é uma lei sagrada Em nosso nome detém o sol na ponta das espadas - Aplaudam - Se de ...

Ler mais
Voltar para o topo